AMASYA GENELGE’SİNİN ERZURUM VE SİVAS KONGRELERİ ÜZERİNDEKİ ETKİSİ
3- Genelgenin Erzurum ve Sivas Kongreleri Üzerindeki Etkisi Amasya genelgesi kararları ile mili mücadele için dağınık mahalli
Os recursos utilizados para a autopromoção de moradias são mobilizados a partir de diversas estratégias e origens. No momento em que surge a necessidade de construção da casa, tudo que se possui é considerado como recurso: uma propriedade, um meio de transporte, outros tipos de bens, a renda proveniente do trabalho e a própria força de trabalho. Os recursos são aplicados em compra de terreno e de materiais de construção e em pagamento de mão-de-obra, em quaisquer das modalidades de autopromoção, e seja para a construção da casa como para a realização de reformas e ampliações.
Eu tinha três telefones [...] e os telefones eram muito dinheiro naquelas épocas (em 1980). E eu juntei os dinheirinhos da bodega que eu tinha e vendi essa casa (de Fortaleza), aí vim pra cá e aqui eu construí essa casa. (Seu Manoel)
Aqui quem afiançava as coisas pra nós comprar, pra ir pagando, é o [...] Zezim Vital. Ele quem afiançava. Aí eu tirava um menino (um filho) só pra trabalhar, só pra pagar ele, a compra (de material) que ele fazia. Ia até pagar, enquanto num pagava ia... ficava lá trabalhando. (Seu Francimar)
Eu tinha uma moto, aí vendi a moto. Aí peguei o dinheiro e comecemos a construir, né? (Seu Francisco)
(O terreno) Não foi comprado, mas eu fiz o negócio mais ele, fiz a casa que ele pediu aí eu fiquei com o chão. (Seu Geraldo)
A gente recebia o dinheiro do mês, corria e comprava o material. Deixava só [...] o de comer, né? O que sobrava eu empregava, botava material. (Seu César) Ao mesmo tempo, a casa é considerada como um investimento, e quando surge um dinheiro extra, seja uma indenização pela saída de um emprego, seja um benefício, este é sempre empregado na melhoria da moradia.
Eu fui tirei o dinheiro do menino, do auxílio maternidade, né? E fiz esse outro (cômodo). (Dona Marcleide)
O meu terreno lá (em Aracoiaba) era pequeno, era cinco hectares. Aí eu fui indenizado a metade, né? E a outra metade eu vendi [...] e comprei esse aqui. A parte que eu fiquei eu vendi, comprei esse aqui e comecei a construir. Quando eu recebi a indenização aí eu terminei de construir aqui, né? Terminei de fazer a reforma aqui, e aí [...] foi preciso fazer cerca que num tinha, e o resto do dinheiro eu apliquei no terreno. (Seu João).
Geralmente, mais de um tipo de recurso é empregado, sendo que suas aplicações ocorrem de forma hierárquica. Primeiramente, são utilizados os recursos próprios da família que se configuram como uma renda extra, sem comprometer o orçamento familiar: a venda de um bem ou propriedade, indenizações, benefícios ou a própria força de trabalho. Não sendo suficientes ou não havendo esta disponibilidade, utiliza-se a renda proveniente do trabalho dos membros da família. Havendo ainda a necessidade de complementação, parte-se para a obtenção de empréstimos, primeiramente informais, adquiridos com parentes ou amigos, e depois formais, em bancos.
É claro que os tipos de recursos utilizados dependem das condições econômicas das famílias, e dos laços sociais que desfrutam na localidade. No entanto, o que se percebe é que as famílias tentam realizar a sua moradia a partir de seus próprios recursos, e causando o mínimo de impacto na regularidade do orçamento familiar mensal. Por conta
disso, os empréstimos formais são utilizados apenas em último caso, ou quando não há outra possibilidade de mobilização de recursos.
O modo como os recursos estão disponíveis acaba por interferir nas atividades que antecedem a obra. Quando já se tem o dinheiro a empregar, como por exemplo, nos casos de venda de bens ou propriedades e de recebimento de indenização ou benefício, e quando há mão-de-obra contratada, é comum as famílias "contratarem" um pedreiro antes de comprar o material. Isto porque este profissional acaba auxiliando no processo de compra, indicando quantidades, um depósito que vende mais barato, uma marca mais adequada, etc.
O papai já tinha uma base, mas aí ele foi e perguntou pro pedreiro pra comprar o tanto certo (de material). (Dona Marcleide)
Este "contrato" inicial é mais um acerto do serviço – do que vai ser feito, de quando começar a obra –, não envolvendo pagamentos. Estes são realizados ou por diária, ou por semana, à medida que a construção avança. Por conta disso, as famílias se organizam para quando da entrada do pedreiro na obra, a produtividade dele seja máxima. Para isso, adiantam alguns serviços, como a arrumação do material, o preparo de argamassa e a escavação do alicerce.
Eu botei eles (os pedreiros) pra trabalhar por minha conta mesmo. Trabalhava lá e eu pagava... a semana todinha. (Seu José)
Ele (o pedreiro) veio aí fez pra gente pagar a ele por dia. (Dona Isa)
Nós trabalhemos dois dias só fazendo logo a massa, né? Pra quando fosse começar já tá mais... encaminhado, né? Trabalhemos dois dias fazendo a massa, encostando material, a areia, né? Pra quando fosse começar já tá tudo no ponto, né? (Seu Francisco)
Primeiro o meu esposo cavou o alicerce, né? Só, cavou o alicerce só, com o meu filho mais velho. Aí veio o irmão dele de Fortaleza, que ele é pedreiro, aí começou a construção, né? (Dona Socorro)
Em outros casos, quando os recursos são obtidos mês a mês, como por exemplo, quando se utiliza a renda proveniente do trabalho, as famílias passam um período comprando e estocando material, e somente após terem juntado uma quantidade suficiente é que procedem à contratação de um pedreiro e à construção da casa.
Eu comecei a comprar material pra construir essa casa. Fui comprando, né? Tijolo, cimento e tal, fui comprando, fui comprando, aí com um ano, mais de ano que eu tinha começado a comprar material foi que eu fui começar a construir. (Seu César).
As relações com a mão-de-obra, por sua vez, variam de acordo com o sistema construtivo adotado. Nas construções de alvenaria cerâmica, a estabilidade estrutural da edificação é dependente do emprego de técnicas especializadas, como o esquadro e o prumo das paredes, que fogem do conhecimento construtivo das famílias. Por conta disso, quando se adota esse sistema, é comum a contratação de um pedreiro, sendo este auxiliado pelos membros da família, geralmente pai e filhos homens, que trabalham como servente, dando suporte ao profissional contratado. Às mulheres, cabe a alimentação dos trabalhadores, e vez por outra também trabalham na construção.
O problema do tijolo é que é complicado, né? Tem que ter um prumo, tem que ter um negócio dum quadrado, né? Nem sei o que mais, tem que ter um alicerce debaixo, né? Tem que ter a profundidade de... da fundura do alicerce, né? Tem que ser fundo, baixo... num sei como é não... Isso aí num é comigo não, isso é pra mestre de obra... risos . Seu Francisco, esposo da Martinha .
Quem trabalhou na construção da casa foi eu, o Arizo (vizinho), e um rapaz lá de Aracoiaba, ele. É pedreiro, ele. Aí foi nós dois de servente e ele de pedreiro, só nós três trabalhemos aqui. [...] Ele (o pedreiro) é amigo, mas veio contratado também, num sabe? Trabalhava na diária, ele, por dia. (Seu Francisco).
Eu tava (trabalhando) no canto do servente porque eu num podia pagar um servente e eu fui servente, todo tempo. Porque sai mais barato pra mim, né? Eu tinha tempo, pelo menos até o meio dia tava aqui. (Seu César).
Quem trabalhou foi só eu e os meus meninos aqui. Contratamos só o pedreiro. Nós ficava fazendo a massa, pegando as coisas [...] (Seu Ivan).
Eu também (trabalhava), até tijolo encostava, né? Foi assim. (Dona Socorro). Nós fazia a comida [...] (Dona Fátima).
Quando se trata das casas de taipa ou de adobe, as técnicas construtivas empregadas são bastante conhecidas pela população, fazendo com que, nestes casos, não haja pessoal contratado. A própria família se encarrega da construção, sendo auxiliada por parentes.
O que botar pra gente fazer duma casa dessa aqui (de taipa), agente sabe fazer. Agora já uma de tijolo, diz 'Martinha, coloca um tijolo ali!' Eu boto, agora porque cai. (risos). Uma dessa aqui não, uma dessa aqui eu sei fazer... (Dona Martinha)
Fizemos o tijolo (de adobe) e levantemos a casa. Eu o meu pai... meu cunhado. Foi só eu mesmo meu pai e meu cunhado. Pra construir mesmo assim, pra levantar a casa foi só eu e meu pai. E o meu cunhado era... carregando tijolo, né? Ajudando, né? Entregando... o material pra gente. Mas pra construir mesmo, pra levantar quem levantava era só eu e meu pai. (Seu Manoel)