DİVAN ŞİİRİNDE İKİ YER DEMİR GÖK BAKIR ŞİİRİ
1. Şehdî’nin Şiiri
A entrevista pode ser entendida como uma conversa orientada para um fim específico, freqüentemente combinada com a técnica da observação. Para sua realização,
pesquisador deve ter sempre um plano para que, no momento da sua realização, as informações necessárias não deixem de ser colhidas (CRUZ E RIBEIRO, 2004).
Em pesquisas qualitativas, procura-se realizar várias entrevistas, curtas e rápidas, conduzidas no ambiente natural e num tom informal. No entanto, podem existir situações em que o pesquisador tenha que optar por uma entrevista mais formal, chamada de semi-estruturada, que objetiva principalmente compreender os significados que os entrevistados atribuem às questões e situações relativas ao tema de interesse. Este tipo de entrevista é adequado quando o pesquisador deseja apreender a compreensão de mundo do entrevistado, sendo pertinentes quando o assunto abordado é complexo, pouco explorado ou confidencial. O pesquisador se orienta por um guia de tópicos que fornece uma linha mestra para as perguntas a serem formuladas, podendo ser aperfeiçoado ou modificado na medida em que vão sendo realizadas as entrevistas, em função da necessidade de se obter outros tipos de dados (GODOY, 2007).
Para a sua realização, Cruz e Ribeiro (2004) traçam os seguintes procedimentos: seleção de pessoas que tenham o conhecimento necessário para satisfazer as necessidades de informação; relação amistosa com o entrevistado, sem travar confronto de idéias; encorajamento do entrevistado para as respostas; deixar que as questões surjam naturalmente, evitando que a entrevista se torne um questionário oral . É recomendado que o registro seja feito por gravação direta por registrar todas as expressões orais, desde que autorizado pelo participante. A gravação pode ser complementada com anotações (durante a entrevista e depois dela) relativas aos aspectos relacionados com a forma de emissão da resposta dos sujeitos (gestos, posturas, expressões faciais, etc.) que desaparecem naquela forma de registro (GODOY 2007).
Bauer e Gaskell (2002) sugerem a elaboração de um tópico-guia, que consideram como parte vital do processo de pesquisa. Esclarecem que o tópico-guia
[...] não é uma série extensa de perguntas específicas, mas ao contrário, um conjunto de títulos de parágrafo. Ele funciona como um lembrete para o entrevistador, [...] um sinal de que há uma agenda a ser seguida, e (...) um meio de monitorar o andamento do tempo da entrevista. (p. 66-67).
Estes autores enfatizam que, como o próprio nome diz, trata-se de um guia, e não devemos tornar escravos dele (p. 67). O entrevistador deve estar atento para o
surgimento, ao longo das conversações, de temas que sejam relevantes para a pesquisa, mas que não estejam presentes no tópico-guia.
Isso deve levar à modificação do guia para subseqüentes entrevistas. Do mesmo modo, à medida que uma série de entrevistas for acontecendo, alguns tópicos que estavam anteriormente na fase de planejamento, considerados centrais, podem se tornar desinteressantes, [...] devido a razões teóricas, ou porque os entrevistados têm pouca coisa ou nada a dizer sobre eles. (p. 67).
Ou seja, embora bem planejado na fase inicial do estudo, o tópico-guia deve ser utilizado de maneira flexível e ajustado na medida em que se desenvolvem as entrevistas. No entanto, os autores chamam atenção para a importância da documentação de todas as modificações feitas, bem como das razões que as geraram.
Ainda de acordo com os referidos autores, a entrevista individual é uma conversação, e dura normalmente entre uma hora e uma hora e meia. Se inicia com alguns comentários introdutórios sobre a pesquisa, uma palavra de agradecimento ao entrevistado por ter concordado em falar, e um pedido para gravar a sessão. (p. 82). Inicialmente devem ser feitas perguntas simples, interessantes e que não assustem. Isso fornecerá o tempo necessário para a descontração do entrevistado. O Quadro 10 apresenta uma série de exemplos de perguntas, fornecidos pelos autores.
Quadro 10 – Exemplos de perguntas que podem ser utilizadas em entrevistas. Objetivo Exemplo de Pergunta
Convidando para fazer uma descrição:
Poderia falar-me sobre o tempo em que você...? O que vem à mente quando você pensa em...?
Como você descreveria ... para alguém que não teria passado por isso antes?
Levando as coisas adiante:
Poderia dizer-me algo mais sobre...? O que faz você sentir-se assim? E isso é importante para você? Como é isso?
Provocando informação contextual:
Quando você ouviu falar sobre ... pela primeira vez, onde e com quem você estava? O que as outras pessoas que estavam com você disseram naquela ocasião? Qual foi sua reação imediata?
Projeções: Que tipo de pessoa você acha que gostaria de ...? Que tipo de pessoa não gostaria de ...?
Testando hipóteses:
Daquilo que você diz parece que você pensa ... . Estou certo nisso? Que pensaria se ... e ...?
Do particular para o geral:
Na sua experiência, é ... típico de coisas/pessoas como essas? Poderia dar um exemplo específico disso?
Tomando uma postura ingênua:
Não entendo muito disso. Poderia dizer algo mais sobre isso?
Como você descreveria isso para alguém que não conhece tal situação?
No arranjo metodológico, a entrevista semi-estruturada encerra a coleta de dados e objetiva complementar os dados obtidos através dos demais instrumentos, dando oportunidade ao pesquisador de esclarecer pontos confusos e dúvidas. Por conta disso, a elaboração do tópico-guia é realizada após a visita 3, para que a entrevista possa ser aplicada na visita 4. Além disso, o tópico-guia deve ser elaborado de forma personalizada para cada unidade habitacional, tendo em vista que estas diferem com relação aos dados faltantes26. Desta forma, o Apêndice A traz apenas um roteiro
preliminar para a aplicação deste instrumento.
Após a sistematização dos procedimentos e a elaboração dos materiais de apoio, foram elaborados dois quadros-sínteses, sendo o primeiro correspondente ao redesenho do arranjo metodológico, considerando agora as diversas etapas de aplicação de cada técnica, e o segundo ao planejamento para a aplicação do arranjo redesenhado, no qual estão relacionadas as técnicas de pesquisa utilizadas em cada visita, com os seus respectivos modos de registro de dados, recursos necessários para a sua aplicação e os produto gerado pelo tratamento dos dados obtidos27. Em seguida, deu-se início aos
procedimentos para a aplicação do arranjo metodológico, conforme apresentado no capítulo seguinte.
26 Por exemplo, enquanto para a unidade A faltam dados a respeito dos materiais, para a unidade B faltam dados
a respeito dos atores envolvidos na construção, etc. É esta ausência de dados, específica para cada unidade habitacional, que compõe o tópico-guia personalizado.
4 APLICANDO
Neste capítulo, apresenta-se a experiência prática do arranjo proposto a partir da sua aplicação em um estudo de caso. Corresponde ao arranjo realizado, que difere do planejado pelo surgimento da necessidade de adaptações e mudanças, quando em campo. Esta etapa se iniciou com a delimitação do caso, que foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica, levantamento de dados secundários, adoção de critérios, visita às instituições relacionadas com o meio rural cearense e visita exploratória à localidade indicada.
Em seguida, tendo como base a sistematização dos procedimentos elaborada anteriormente28, foi realizada a aplicação da Etapa 1 do arranjo, compreendendo as
atividades de coleta, tratamento e análise de dados. A partir dos produtos gerados nesta etapa, foi realizada a seleção dos entrevistados para a aplicação da Etapa 2 que, assim como a primeira, corresponde as atividades de coleta, tratamento e análise de dados.
A aplicação do arranjo teve como resultado a compreensão das moradias rurais da localidade estudada que, juntamente com a experiência prática de utilização da metodologia formulada, serviu de base para a análise do próprio arranjo. Tanto a compreensão obtida como a referida análise são apresentadas no Capítulo 5.