HZ. ALİ DÖNEMİ SİYASİ VE FIKHİ GELİŞMELERİN
B- Hz. Ali Dönemindeki Siyasi İhtilafların Getirdiği Ayrışmalar
II. Hz. Ali Dönemi Gelişmelerinin Fıkhi Mezheplerin Oluşum Sürecine Etkisi
Por conta deste processo dinâmico, a forma da casa também adquire um caráter evolutivo, e por conta disso, não é possível estabelecer uma relação entre as suas dimensões de largura e profundidade. Dependendo do estágio de desenvolvimento da planta, sua feição volumétrica assume formas de cubo ou paralelepípedo, com a maior dimensão no sentido da profundidade da edificação (Figs. 66 e 67).
Figura 66 – Casa em forma de cubo.
Fonte: Produzida pela autora.
Figura 67 – Casa em forma de paralelepípedo.
Fonte: Produzida pela autora.
Dois elementos, no entanto, contribuem para que a casa adquira uma identidade formal: o telhado e os espaços de transição. O telhado das casas da Lagoa Grande é predominantemente de duas águas, com caimento para as laterais. Este desenho facilita as ampliações para frente e fundo da casa, e, quando estas são realizadas, ocorre apenas uma continuidade da coberta (Fig. 68).
Figura 68 – Casas com telhados de duas águas com caimentos laterais.
Fonte: Produzida pela autora.
Nessas casas, as cobertas dos alpendres laterais dão continuidade às águas do telhado do corpo principal, fazendo com que as águas da coberta dos alpendres de frente e fundo fiquem em sentido perpendicular ao telhado do corpo principal (Fig. 69).
Figura 69 – Casas com telhados de duas águas laterais e alpendres lateral e frontal.
Fonte: Produzida pela autora.
Esta linguagem, do alpendre frontal com coberta perpendicular à do corpo principal da casa, é adotada mesmo nos casos em que os alpendres laterais inexistem (Fig. 70), por conta da função essencial do alpendre, como espaço de sombra, já que tal perpendicularidade faz com que o pé-direito do alpendre frontal seja mais baixo do que o do corpo principal, garantindo melhor sombreamento neste espaço.
Figura 70 – Casas com telhados de duas águas laterais e alpendre frontal.
Fonte: Produzida pela autora.
Em outros casos, as duas águas da coberta possuem caimento para a frente e para os fundos da casa (Fig. 71). Nesta situação, quando da ampliação nestes sentidos, duas estratégias podem ser adotadas: o rebaixamento dos novos cômodos, fazendo surgir os "batentes" dentro de casa; e a elevação da coberta, aumentando a altura das paredes de
sustentação. Seja qual for a estratégia adotada, a adequação deste tipo de telhado às ampliações é sempre mais complexa, e com custo mais elevado.
Figura 71 – Casas com telhados de duas águas com caimentos frente-fundo.
Fonte: Produzida pela autora.
Diferente do que ocorre nas casas cujos telhados possuem caimentos laterais, são os alpendres frontal e de fundo que continuam o desenho da coberta, enquanto que os laterais se tornam perpendiculares ao corpo principal da edificação. No entanto, dependendo da altura do pé-direito interno, as cobertas dos alpendres de frente e de fundo sejam rebaixadas com relação à coberta principal (Fig. 72).
Figura 72 – Casas com telhados de duas águas com caimentos frente-fundo, com alpendres.
Fonte: Produzida pela autora.
Com relação aos espaços de transição, estes podem estar ou não presentes nas edificações, e quando há, assumem diversas configurações que acompanham as etapas evolutivas da moradia. Tanto nas plantas embrionárias de três cômodos como de quatro, este elemento não está presente, conferindo à casa, nesse estágio inicial, uma feição do tipo "porta e janela" (Fig. 73) nas quais, quando se está em casa, se está dentro.
Figura 73 – Casas do tipo "porta e janela"
Na medida em que são feitas as ampliações, os espaços de transição vão surgindo, primeiramente como varanda, ocupando o espaço de um cômodo onde inexistem as paredes externas (Fig. 74), sempre localizadas na parte da frente da casa que, antes totalmente "cheia", de aparência maciça por conta do seu perímetro fechado, agora é composta também de "vazios" nos quais nem se está dentro, nem se está fora.
Figura 74 – Casas do tipo "com varanda".
Fonte: Produzida pela autora.
O terceiro estágio evolutivo destes espaços corresponde ao surgimento dos alpendres, que, assim como a varanda, se constituem como um meio termo entre dentro e fora. No entanto, diferente daquela, os alpendres podem estar localizados de diversas formas na edificação, ainda que sempre contíguos às fachadas. Os alpendres de fundo (Fig. 75) são utilizados como área de serviço ou cozinha externa, podendo conter fogão à lenha, pia e tanque para lavagem de louças e roupas. Também é comum a construção de depósitos neste espaço. Os laterais (Fig. 76) podem assumir funções de serviço (garagem, depósito) ou sociais, onde a família se reúne para um almoço no final de semana e recebe os amigos. Os frontais (Fig. 77), por sua vez, sempre assumem funções sociais.
Figura 75 – Alpendre de fundo.
Fonte: Produzida pela autora.
Figura 76 – Alpendre lateral.
Fonte: Produzida pela autora.
Figura 77 – Alpendre frontal.
Fonte: Produzida pelo S. João.
Independente da sua localização, o alpendre está sempre relacionado ao conforto térmico da moradia e ao abrigo das intempéries: protege as paredes externas de insolação e chuva diretas, e nele se fica "fora" de casa sem se expor ao sol ou à chuva.
Quando é numa época dessa que nós estamos de chuva, se não tiver um alpendre aí a gente tem que tá todo tempo trancado dentro de casa. Aí o
alpendre já dá mais um espaço, né? Vem uma pessoa passando de bicicleta ou de moto, encosta e pronto, pra passar a chuva, e o sol, né? (Seu João)
À tarde bate o sol nas portas, ficava muito quente a sala aqui por causa do sol, aí foi preciso fazer esse alpendre. Agora o outro, não, o outro eu fiz depois. Serve até de garagem, né? Guardar o carro lá. (Seu César)
Com relação às suas configurações, os alpendres podem estar presentes tanto em uma, como em duas, três, ou quatro fachadas (Fig. 78). No seu processo evolutivo, não há uma regra ou ordem de surgimento com relação nem à localização, nem à configuração. São feitos a partir da necessidade e das condições financeiras das famílias. Por conta dessas particularidades, as casas com alpendre são mais diversificadas nas suas feições, dependendo da forma como estes se encontram dispostos na moradia.
Figura 78 – Casas do tipo "com alpendre", estando este em diversas configurações e localizações.
Fonte: Produzida pela autora.
Ainda com relação à forma, um fato peculiar acontece quando há a doação de espaços da moradia de pais para filhos já que, ainda que divididas internamente em duas casas, a forma se mantém original e, por conta disso, externamente identifica-se apenas uma. É o que acontece, por exemplo, com a casa do Seu José, anteriormente mostrada nas figuras 43 e 44 e cuja fachada principal é apresentada na figura 79.
Figura 79 – Fachada principal da casa do Seu José, internamente dividida com a casa do filho.
Fonte: Produzida pela autora.