1. Dijital Kültürde Alternatif Medya
2.5. Gazete Duvar
O projeto de monitoria teve como foco central, neste trabalho, a formação docente pré- serviço (monitor) e em serviço (minha, da professora-pesquisadora). O propósito foi o de estabelecer condições para que houvesse transformação das práticas pedagógicas, por meio da criação de espaços colaborativos na investigação da constituição dos sujeitos, de como ocorrem suas participações e, por conseguinte, de como se dá a produção de sentidos-e- significados nesse processo de formação pré e em serviço.
Diante desse quadro, a pesquisa crítica de colaboração (MAGALHÃES, 2006) apresenta- se como a escolha metodológica mais adequada, pois tem o objetivo de possibilitar, no âmbito escolar, uma análise das práticas que são realizadas, para que estas possam transformar as ações (ZEICHNER, 1993) que ocorrem nesse contexto. Essas transformações das ações devem ter como sentido, cumprir o papel de democratização social e política da sociedade (GRAMSCI, 1968/1988; HABERMAS, 1983; KINCHELOE, 1997). Uma pesquisa que possibilite a transformação das práticas constitutivas das instituições, por meio dos sujeitos que delas participam, em última análise, leva à transformação das próprias instituições e de seu próprio papel no processo de criar conhecimentos.
O movimento duplo desta pesquisa, entre formação pré-serviço e em serviço, remete ao importante pressuposto de que formar um professor não é simplesmente transformá-lo em um reprodutor de modelos práticos dominantes, mas, sim, capacitá-lo a desenvolver a atividade material para transformar o mundo humano em seus componentes natural e social.
O processo de análise e investigação da realidade prática de ensinar, desenvolvido por professora e monitor no confronto com minhas experiências, com nossa formação de base, com a experiência de outros no ambiente escolar e com as teorias elaboradas, nos levaram a encontrar soluções para as demandas que a prática nos coloca e, também, produzir conhecimento. Para o desenvolvimento desse método, faz-se necessária a colaboração crítica entre os atores.
O professor é produto de um sistema que tem por objetivo transmitir uma cultura. Esta, muitas vezes, não pertence a ao professor, mas ele a assume como parte de sua história social. Dessa forma, o processo desencadeado pela colaboração crítica leva ao questionamento do discurso dominante sobre currículo, formação, ação docente, entre outros componentes. Segundo Freire (1996, p.44), é “pensando criticamente sobre a prática de hoje ou de ontem que podemos melhorar a próxima prática”.
A formação de professores a partir de um projeto comprometido com o desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva pressupõe, com certeza, uma abordagem metodológica que favoreça a análise de sua própria ação e de suas implicações; que permita a indagação e a interpretação da realidade.
A pesquisa colaborativa está pautada em uma concepção mais abrangente, pois sustenta a relevância do pesquisar “com”, em lugar do pesquisar “sobre”, implicando a modificação da relação entre pesquisador e sujeito pesquisado, principalmente quando se trata da investigação da prática pedagógica. Assim, o aluno-monitor deixa de ser objeto da investigação na análise reflexiva da ação pedagógica e passa a ser sujeito participante, juntamente com a professora-pesquisadora. Sua participação é considerada uma contribuição essencial, tanto ao desenvolvimento de conhecimentos ligados à prática, como à própria prática.
Magalhães (2004, p.151) afirma que a pesquisa colaborativa embasa-se em:
compreensões sobre a importância da participação de todos os envolvidos, em todos os momentos da pesquisa, com voz e vez, desde o diagnóstico inicial, levantamento da situação problemática, estabelecimento de objetivos, coleta e interpretação de dados, até a escritura de relatório, mas, levando em consideração as múltiplas perspectivas.
Não podemos nos esquecer, no entanto, que o processo colaborativo não implica níveis de igualdade de poder Ou seja, podemos falar em níveis de colaboração presentes em todo o processo. O aluno-monitor teve papel primordial para esta pesquisa, mas não participou de todos os momentos. Não esteve presente, por exemplo, no momento do estabelecimento de objetivos e levantamento da situação problemática, criados pela professora-pesquisadora. Já em relação ao momento do diagnóstico inicial, relacionado à investigação sobre quem era o aluno da monitoria, esteve presente e contribuiu com seu ponto de vista e reflexões. Esteve presente, como sujeito focal, na coleta de dados; no entanto, não os interpretou.
Meu papel de professora-pesquisadora é importante como mediadora no desencadeamento dos questionamentos, ações e reformulações necessárias. O aluno-monitor também adquire, ao longo do processo, cada vez mais, autonomia e segurança ao lidar com questões sobre conteúdos a serem abordados, ensino-aprendizagem, papel do professor. Esse aluno vai, paulatinamente, estabelecendo relações entre teoria e prática, reestruturando, dessa forma, suas ações.
Ao buscar revisar o significado de suas ações, o aluno-monitor pode perceber e considerar sua atividade como uma práxis criadora, inovadora e transformadora. Práxis é considerada uma categoria central da filosofia marxista; é concebida não somente como interpretação do mundo, mas também como guia de sua transformação. Diferentemente da prática, a práxis é uma atividade transformadora, consciente e intencionalmente realizada.
Para que a ação colaborativa seja transformadora é necessário o pensamento crítico como protagonista das ações (LIBERALI et al., 2006). Em outras palavras, vale ressaltar que a pós-modernidade não comporta uma ciência que somente explique e compreenda a realidade, mas, sim, uma ciência que contribua para a alteração dessa realidade. É preciso extinguir as limitações sociais estruturalmente impostas, fazendo com que os mecanismos causais subjacentes sejam visíveis para aqueles que são afetados, a fim de permitir uma superação dos problemas sociais.
Podemos, portanto, afirmar que o paradigma crítico se distancia dos outros, pois a realidade é tida como dinâmica e evolutiva. Os sujeitos são ativos na configuração e construção dessa realidade, , por sua vez, conta com sentidos-e-significados sócio-histórics- culturais situados. A pesquisa é, consequentemente, o meio que possibilita aos sujeitos analisar a realidade, tomar consciência da sua situação e incorporar dinamismo à evolução dos valores e da sociedade.
Desta forma, podemos definir a pesquisa crítica de colaboração como um projeto de intervenção crítica no contexto em que se insere, intercalando-se com as necessidades e especificidades desse contexto de investigação, tendo por finalidade a possibilidade de propiciar espaços para a reflexão sobre as questões relevantes para os envolvidos na pesquisa.