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İMKB’YE KOTE OLMUŞ İMALAT SANAYİ SEKTÖRÜ ŞİRKETLERİNİN 2000-2006 YILLARI ARASI FİNANSAL ANALİZİ

4.6 Gıda, İçki ve Tütün Sanayi Sektörü Finansal Analiz

É sob a perspectiva da Região Metropolitana que a análise de suas cidades pequenas, será efetuada. Para tanto, é importante a elaboração de reflexões teórico-conceitual acerca de Campinas. Esta contextualização é esclarecedora para o entendimento da organização espacial da economia e da urbanização de toda esta região, no contexto de significativas variações das tendências demográficas.

Esta abordagem procura explicar o espaço não apenas pelo seu uso em determinado momento, mas como resultado de um processo histórico. Isto significa colocar o objeto estudado numa perspectiva tanto espacial quanto temporal. Portanto, deve-se apreender as ações, interesses e estratégias estabelecidas pela ordem vigente, considerando o preexistente e o novo, a fim de captar causas e consequências do fenômeno espacial. Assim, é preciso observar a realidade urbana associada a uma ordem econômica e social, ainda mais quando se trata de uma situação extremamente diversificada que inclui, desde cidades pequenas, até aglomerações conurbadas.

Além de Campinas enquanto cidade ou município, há outras definições nas quais se pode enquadrá-la. Paralelamente, surgem dúvidas e questionamentos acerca de aplicações teóricas e conceituais, uma vez que a realidade é sempre mais complexa do que qualquer conjunto de princípios ou de conhecimentos de determinada ciência. As generalidades são difíceis de serem empregadas ao real, pelo seu caráter singular. Esta ressalva se faz necessária ao se pensar as possíveis definições que podem ser atribuídas a Campinas, no âmbito regional, tendo por base concepções epistemológicas advindas de outras experiências urbanas. De tal modo, diversas e diferentes conceituações podem ser atribuídas a ela.

Firmou-se como um importante polo de desenvolvimento ou, utilizando o conceito de Perroux (1977), constituiu um “polo de crescimento”. Já, num contexto recente de transformações na economia global, novos paradigmas emergiram diante do cenário de globalização redefinindo, sobretudo, as teorias de localização da produção, como, por exemplo, na abordagem da vantagem competitiva das nações, de Porter (1993). Diante disto, no quadro brasileiro, priorizou-se “a inserção competitiva dos focos dinâmicos do país na economia mundial” (BACELAR, 2000), privilegiando os pontos já luminosos, como é o caso da região campineira.

Neste contexto, houve uma tendência à concentração espacial do dinamismo produtivo no país, em contraposição as políticas de desconcentração e descentralização. Nesta

direção, numa abordagem a partir da economia política, destacam-se os chamados “tecnopolos”, muito citados por Benko (2002). Para este autor, “tecnopolo” seria, a um só tempo, polo tecnológico e cidade dotada de funções de polarização regional. Isto significa que é a reunião, num mesmo espaço, de atividades de alta tecnologia, empresas, centros de pesquisa, universidades e organismos financeiros, que produzam sinergia entre si, criando novas ideias e inovações. Em suma, o “tecnopolo” pode ser visto como a evolução do conceito de polo de crescimento, caracterizado, principalmente, pela concentração geográfica industrial e modernização tecnológica.

Ainda sob a perspectiva das teorias de localização, Campinas poderia ser vista, no contexto paulista, como “metrópole de equilíbrio” (utilizando a terminologia aplicada a realidade francesa da década de 1960). Ela estabelece integração, mesmo que não de modo uniforme, entre o núcleo principal e um determinado número de cidades – de porte médio e pequeno – e o campo.

Também, pode-se olhar Campinas como uma cidade-região. Este novo arranjo espacial ocorre a partir da intensificação do processo de urbanização regional e da lógica de integração do núcleo metropolitano com seu entorno, e vice-versa. Isto significa que a força centrípeta exercida pela cidade interfere na dinâmica econômica regional. No caso de Campinas temos esta situação cuja centralidade extrapola o nível metropolitano e atinge cidades como Jundiaí, Limeira e Mogi Mirim, por exemplo.

Outras análises apontam Campinas como partícipe da formação de uma “megalópole” do sudeste brasileiro, como coloca, dentre outros, Queiroga (2008). Diante de um processo contínuo de expansão da metrópole paulistana, emerge uma tendência a uma estruturação territorial mais abrangente. Atingiria áreas já dinâmicas do estado de São Paulo (a capital paulista, Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba) até chegar à Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Numa visão menos enfática do que a anterior e visando claramente fins administrativos e de planejamento, o governo do estado de São Paulo tem a proposta de criação de uma “Macrometrópole Paulista” que abrangeria cinco regiões metropolitanas (São Paulo; Campinas; Baixada Santista; Vale do Paraíba e Litoral Norte; e Sorocaba); as aglomerações urbanas de Jundiaí e Piracicaba; além da Microrregião Bragantina e a de São Roque. Não se trata de uma região instituída formalmente, mas de “um novo fato urbano e/ou de um fenômeno que se materializa como nova escala de urbanização, estruturando, no estado de São Paulo, um território funcionalmente integrado” (ESTADO DE PAULO, 2011). Isto

por se tratar de uma área na qual estão localizados os centros urbanos que mais se beneficiaram dos processos de desconcentração produtiva e populacional paulistano.

As diversas definições institucionais ou conceituais, urbanas ou regionais, que cabem à Campinas são importantes para interpretar sua região, referencial empírico desta pesquisa que se insere num contexto muito mais amplo. O foco central, aqui, é entendê-la, não como uma metrópole, mas como uma cidade central ante a constituição formal e geográfica de uma região metropolitana, inserida também num complexo conjunto de regionalizações. Este procedimento contribuiu para compreender as relações que se estabelecem entre ela e as cidades pequenas ao seu entorno.

A principal justificativa para esta série de possibilidades em que Campinas e suas regiões, podem ser observadas, é a função de centralidade que adquiriu e condicionou seu crescimento econômico, em etapas diferenciadas e com atividades diversificadas. Se sua formação administrativa remonta a 1775, ano de criação do Distrito, sua ocupação tem ligação estreita com o tropeirismo, a igreja e a agricultura. A instalação de um pouso de tropeiros impulsionou o comércio e atraiu moradores para o local. O papel da igreja ou, mais precisamente, a construção de uma capela era na época relevante, o que ajuda explicar a influência política que os vigários tiveram nas freguesias e vilas. A atividade agrícola, primeiramente de cana de açúcar e, posteriormente, de café, impulsionou sua economia.

Os condicionantes históricos, a posição da cidade como interface entre a Capital e o interior, e a atual diversificação de sua base produtiva são explicativos para que se tornasse, inicialmente, um importante entroncamento ferroviário e, posteriormente, rodoviário. Neste aspecto na atualidade desponta, ainda, como um importante centro aeroportuário (Viracopos). Esta excelente logística de transportes sempre facilitou o escoamento da produção para o mercado (interno e externo) e vem favorecendo o desenvolvimento regional e local.

Na década de 1960, Campinas foi beneficiada pelas políticas governamentais de desconcentração industrial. Concomitantemente, houve alterações significativas em seu quadro populacional, afinal, passou a ser destino de diversos fluxos migratórios. Resgatando o pensamento de Gottdiener (1997), não apenas a população, mas também as indústrias periferizaram-se. Este processo compõe uma dinâmica que provoca alterações espaciais, mas que não é inerte, uma vez que se modifica ao longo do tempo, reorganizando a população e o território.

Um fator determinante para a compreensão do cenário atual é a proximidade territorial com São Paulo. Campinas e região foram favorecidas pela extensão do território produtivo paulistano. A espacialização das atividades econômicas se deu, quantitativa e

qualitativamente, de forma e intensidade diferentes nos subespaços da região, evidenciada por uma divisão territorial do trabalho individualizada. No momento atual, Campinas possui uma concentração de complexos industriais, com indústrias avançadas e de ponta, além de centros de inovações tecnológicas. Os exemplos não estão presentes somente na cidade central: o polo petroquímico de Paulínia (PETROBRAS); as indústrias de aparelhos eletrônicos de Jaguariúna (MOTOROLA); o ramo farmacêutico (EMS) e de computadores (DELL) de Hortolândia; entre outros.

A composição deste cenário é favorecida pela presença de importantes instituições de pesquisa e desenvolvimento, bem como de diversas escolas técnicas e órgãos de ensino superior. Interessante destacar o significado integrado destas instituições, uma vez que a qualidade delas colabora significativamente para o desenvolvimento local. Mas, seu legado não compreende apenas a formação de mão de obra qualificada ou as contribuições científicas e tecnológicas, abrange também transformações espaciais. Um exemplo disto é a mudança que ocorreu em Campinas com a instalação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no Distrito de Barão Geraldo. Este acontecimento gerou diversos conflitos e potencialidades, pois se, de um lado, propiciou os processos de loteamento e atraiu comércio, empresas e serviços diversos, de outro, estimulou a especulação imobiliária sobre a terra urbana.

A sinergia produzida entre institutos e centros de pesquisa, empresas e universidades coopera tanto para consolidar o parque industrial local quanto para atrair novas indústrias e empresas voltadas para o ramo de alta tecnologia, como tem ocorrido na região. Para dar suporte a estes, Campinas conta com um setor terciário amplo, moderno e desenvolvido, com diversidade de atividades comerciais, de abastecimento e de serviços especializados.

Todo este conjunto favoreceu o crescimento econômico de Campinas, cidade e região. Entretanto, será que isto ocorreu uniformemente em todas as partes da cidade central e da região metropolitana? Alguns estudos realizados na região indicam que não, como pode ser verificado em Cunha (2006) e Souza (2008), por exemplo.

Destaque-se, portanto, algumas características básicas sobre a Região Metropolitana. Tanto na metrópole quanto na região, ainda observa-se a permanência de um modelo “centro- periferia” (CUNHA et al., 2006). Devido sua mancha metropolitana demasiadamente fragmentada, Campinas se constitui como uma “metrópole incompleta” (QUEIROGA, 2008), com um aspecto “rizomático” (MARANDOLA JR et al.,2006). As conexões entre as diversas partes da região são estabelecidas por corredores viários interurbanos – rodovias –, complementados por avenidas e ruas, no espaço intra-urbano.

A formação metropolitana campineira representa um complexo de municipalidades. Estes possuem um dinamismo ligado à Campinas, pois estão inseridas dentro de um mesmo processo, contudo, em estágios e situações diferenciados. Existem cidades tipicamente dormitórios, como Valinhos e Vinhedo, mas que, no entanto, representam um novo padrão de dispersão da população metropolitana e de expansão urbana – “municípios-dormitório de luxo” (MIGLIORANZA; CUNHA, 2006). Nestes, há proliferação de condomínios residenciais, loteamentos fechados e bolsões de segurança, voltados para os segmentos mais abastados da sociedade.

Outras áreas são beneficiadas pela localização das atividades produtivas dispersas na região, como é o caso de Paulínia, Americana e Sumaré, por exemplo. Em outras apresentam sérios problemas ligados à segurança e às condições urbanas, como se verifica em Hortolândia e Monte Mor. Seria possível descrever uma série de feições socioespaciais das áreas periféricas de Campinas, contudo o objetivo aqui não é este.

A principal questão que se evidencia é a valorização desigual do território. O dinamismo econômico e o bom desempenho da infraestrutura existente na região proporciona o desenvolvimento de toda a área metropolitana? Encontra-se aí a justificativa em procurar entender a realidade caracterizadora das cidades pequenas desta região. Afinal, Holambra, Engenheiro Coelho, Santo Antônio de Posse, Jaguariúna, Pedreira, Artur Nogueira e Monte Mor caracterizam-se por aspectos diferentes no contexto metropolitano, cujas distinções espaciais, sociais, demográficos e econômicos são tanto de natureza quantitativa quanto qualitativa.

Com uma taxa de urbanização de 97,44% emergem novos e amplos desafios ao planejamento metropolitano. Uma série de relações conturbadas já faz parte da paisagem urbana e regional: os movimentos pendulares entre as cidades; a segregação socioespacial; a criminalidade o crescente processo de produção imobiliária ilegal; os desajustes na rede de infraestrutura; a degradação do meio ambiente; os desafios e conflitos na gestão do planejamento regional. O resultado disto é a fragmentação espacial e a exclusão social gerada pelo padrão periférico de desenvolvimento da região. Estes devem ser examinados, portanto, enquanto produto de diferentes naturezas, vislumbrados a partir dos desdobramentos do processo de organização da sociedade.

De fato, Campinas é vista como um polo de desenvolvimento, espaço dinâmico, um tecnopolo. Entretanto, questões relevantes devem ser debatidas. Nesta análise, seu crescimento econômico propiciou condições de “irrigar” o desenvolvimento para todos os municípios da região? As cidades pequenas também foram beneficiadas ou sempre tenderam

a permanecer em estado de estagnação? Quais variáveis devem ser consideradas para responder estes questionamentos? Estes são desafios prospectivos muito relevantes.

As questões são muitas. No entanto, a análise sobre as cidades pequenas impõe que se reflita, implicitamente, sobre a difusão da “urbanização da sociedade” (LEFEBVRE, 1991) e da “urbanização do território” (SANTOS, 1994a). Aparentemente semelhantes, estas duas expressões não são iguais. Mas seria um absurdo não observá-las, geograficamente, como complementares.

A urbanização da sociedade seria uma tendência, um horizonte possível. Neste sentido, conforme Lefebvre (1991), a urbanização da sociedade ainda não é a sociedade urbana, que é um objeto virtual, ou objeto possível, que necessita ser entendido como processo e como práxis. Já a urbanização do território é entendida como “a difusão mais ampla no espaço das variáveis e dos nexos modernos" (SANTOS, 1994a). Portanto, esta não acompanha, com a mesma intensidade, a urbanização da sociedade, marcada pela difusão do modo de vida urbano.

Frente a este quadro, é importante refletir acerca da reorganização produtiva e dos arranjos regionais para compreender a tendência que vem sinalizando a organização do território e da urbanização do país. A urbanização brasileira é, em sua essência, um fenômeno contemporâneo, que vem se expressando em tempos diferentes e de maneira diferenciada. O processo de urbanização e da economia reorganizam a população e o território, ao mesmo tempo em que se redefine a rede urbana nacional, fundamentada, hoje mais do que nunca, pela competitividade entre as cidades.

As cidades pequenas estão, portanto, inclusas neste cenário, demandando seu entendimento como parte de um processo mais amplo da economia e da urbanização, inseridas no dinamismo das redes. De maneira geral, é preciso contextualizá-las, entendendo- as como parte de um processo que contempla a urbanização da sociedade e do território, enquanto um conjunto indissociável.

Deste modo, o foco a partir de agora será desenvolver a análise espacial das cidades pequenas que compõem a Região Metropolitana de Campinas. A inquietação maior está na identificação dos fatores e fenômenos que contribuam para identificar lógicas que expliquem tanto as mudanças quanto as permanências no perfil demográfico, econômico, social e espacial.

Naquilo que se segue no próximo capítulo, objetiva-se apresentar a complexidade que permeia a configuração espacial da população e da economia na região, contextualizando as cidades pequenas no centro do debate. Nestas condições, pode-se avaliar os papéis urbanos

desempenhados por elas na constituição da rede de cidades. No âmbito da região, envolve uma reflexão acerca de um espaço que é tanto homogêneo, quanto repleto de heterogeneidades e singularidades. Deste modo, metodologicamente, é preciso entender primeiramente, as questões urbanas das cidades pequenas no contexto regional para, posteriormente, avançar e voltar-se para a compreensão da dinâmica interna do espaço urbano.

A questão populacional, que foi abordada neste capítulo de forma genérica, serve como subsídio para o detalhamento e a contextualização adequada do real significado que a assume nesta pesquisa. Os aspectos populacionais foram considerados numa discussão norteada, sobretudo, por seu caráter quantitativo incluindo, principalmente, assuntos voltados ao perfil, tamanho e crescimento demográfico.

Isto se justifica pelo fato de que o critério populacional vem sendo o mais utilizado para a classificação de tamanhos de cidades e para identificar a cidade pequena. Ele tem “assumido especial importância, embora varie muito conforme o pesquisador, a época e o país ou região onde os estudos são realizados” (GUIDUGLI e FIGUEIREDO, 2009). Porém, os aspectos qualitativos vêm merecendo, cada vez mais, relevância no entendimento destas realidades urbanas.

Os pontos que tangem a questão demográfica também devem ser analisados em seu caráter qualitativo, abrangendo o comportamento e a tendência que se desenha no cenário metropolitano, em geral, e nas cidades pequenas, em particular. Ademais, outras dimensões são importantes para compreender o papel das cidades pequenas na região, muitas das quais simbolizam um verdadeiro amalgama demográfico, como a migração, os movimentos pendulares, a periferização espacial da população, o mercado de trabalho, os ramos das atividades econômicas, a exclusão de pessoas, dentre outros.

Diante disto, a pretensão para o próximo capítulo é avaliar as interações entre a dinâmica populacional e as relações socioeconômicas no âmbito regional campineiro. De tal modo, procura-se estabelecer um diálogo das interações entre seus diferentes aspectos demográficos com os processos sociais, econômicos e políticos. Afinal, várias questões demográficas e socioeconômicas estariam associadas aos componentes diferenciais da configuração espacial observada em cidades pequenas da região metropolitana. A leitura espacial deve ser analisada a partir das alterações na dinâmica demográfica que interferem no desenvolvimento econômico e na estruturação das cidades, tal qual é afetado pelos mesmos.

3. DINÂMICA DEMOGRÁFICA, RELAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E SUAS