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Güney Kafkasya Doğalgaz Boru Hattı (Bakü-Tiflis-Erzurum) Projes

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

DAĞLIK KARABAĞ ÇATIŞMASINDA ULUSLARARASI ÇÖZÜM ARAYIŞLAR

4.3. BÖLGESEL ULUSLARARASI PROJELERİN DAĞLIK KARABAĞ SORUNUNA ETKİLRİ

4.3.2. Güney Kafkasya Doğalgaz Boru Hattı (Bakü-Tiflis-Erzurum) Projes

A ênfase sobre o território e as relações sociais, que é o ponto de partida para abordagem sobre desenvolvimento, concretiza-se em uma política de valorização dos recursos e das capacidades da região. Observadas desde o início dos anos 1970, conduziram os investigadores a formularem novas explicações sobre o fenômeno, e a inquirir sobre o papel desempenhado pelo território. A pesquisa subsequente permitiu compreender que o território não deveria ser considerado como algo apriorístico, mas antes como um recurso específico, resultado de um processo (coletivo) de construção histórica e cultural.

Segundo Moulaert (2008), a teoria do desenvolvimento territorial (endógeno) combina três dimensões fundamentais: 1) a exploração de recursos, podendo ser em parte regional, que resulte no crescimento econômico; 2) a identidade comunitária e cultural, que representa a dimensão sociocultural; e 3) a tomada de decisão e integração entre os grupos locais, que se constitui na dimensão política. A interação entre esses três

elementos forma uma variedade de políticas e estudos sobre o tema enfocando a concentração de relações sociais, as dinâmicas institucionais e as combinações de fatores endógenos, em uma interação entre agentes públicos e privados.

Logo, o espaço, o todo social e inovador, pode ser entendido como portador de dinâmicas de aprendizagem coletiva, propiciador de respostas que produzem as alterações de harmonização das atividades econômicas locais. Para que isso ocorra, as estratégias e os atores dessa dinâmica socioespacial se territorializam, podendo, assim, influenciar nas mensagens emitidas e lançá-las para e pelo espaço, transformando as características socioterritoriais em uma conexão a ser considerada no debate sobre desenvolvimento. O espaço local é visto como portador de um módulo inovador no qual o núcleo seria os capitais que existem no território.

Brandão (2007) faz algumas considerações sobre a forma de se observar esse espaço. Para ele, está-se deixando de lado as mediações entre o local e o global, ou a crescente internacionalização dos circuitos econômicos, financeiros e tecnológicos do mercado. Mas que mediações são essas, abandonadas, mas capazes de estabelecer as devidas articulações? As relações locais, não podem ser entendidas como portadoras de mudanças, como se uma simples vontade criativa pudesse resolver as diversas situações de superação, de não empoderamento, inclusão social e atendimento as necessidades básicas, pois estas estão articuladas a um sistema, via mercado por condições dadas extraterritorialmente por fenômenos sociais, fatos, objetos e estruturas. Mas que também são ressignificados por atores que atuam no território, onde se busca relações de proximidade a superação do atual forma de desenvolvimento.

Nessa abordagem os atores e agentes perdem o todo de uma sociedade complexa e suas contradições existentes no processo de produção e reprodução. Mas a realidade é historicamente marcada pela (re)produção das desigualdades sociais, que geralmente são expressas de forma diferenciada em um movimento desigual e combinado com as relações de classe, criando, assim, não o território uno de um consenso imposto, mas territorialidades que conflitam com a totalidade de produção e reprodução do capital.

Rivelli (1977), a partir de estudos de casos de regiões italianas, revela a construção de outras escalas de território para a gestão pública ou, ainda, que espaços para atuação do Estado são uma necessidade capital e na sua atual fase de acumulação. Ele assim pontua a situação sobre a reorganização

Dessa forma, pressupõe-se que um dos objetivos dessas novas configurações territoriais esteja no afastamento do Estado de seu real papel na condução de políticas,

atribuindo outras escalas de acordo com essa função. Logo, a criação de territórios de governança dentro do estado-nação, sobrepondo inclusive a outros espaços de planejamento também voltados para a política pública, é uma nova inserção ou uma desregulamentação disfarçada de participação e de ato democrático, e fundamentais para a engrenagem da acumulação, pois é nesses territórios que estão os recursos, o mercado, a distribuição e a força de trabalho. Dentro desse panorama, o papel dos Estados Nacionais vem sendo desdobrado e sofisticado, avançando em diversas escalas ou instâncias de intervenção do local ao supranacional.

Além dos fatores econômicos, também não se pode perder a perspectiva sobre o fator político, pois Rivelli (1997) afirma que, ao não utilizar o espaço social herdado de um largo processo histórico (que é o meio adequado para políticas de transformação), começa-se a produzir outras escalas de disputa política - que seriam uma forma de amenizar os conflitos (os horizontalizados), transferindo da esfera das disputas políticas amplas da sociedade, para grupos sociais locais e, ao mesmo tempo, desarticulá-los. Isto provocaria a perca do foco da totalidade da luta necessária, pois as crises, ao se transigirem no território, horizontalizam os conflitos e deixam de focalizar a centralidade da luta política, a exploração do capital. Assim, programas procuram competitividade entre os territórios ou seu valor técnico e econômico, ou uma ontologia econômica. Nesse caso, as ausências das mediações escalares seriam, para Rivelli, um ato político e econômico que proporcionaria a (re)produção do sistema econômico, ato este associado ao Estado Nacional e aos mecanismos de manutenção do sistema, como, por exemplo, o Banco Mundial.

As críticas de Moulaert (2008) a esse modelo acrescentam que as políticas que buscam solução de baixo para cima não estão isoladas no quadro político mais amplo. Por isso mesmo, muitas vezes, seu voluntarismo está submetido a políticas de intervenção do poder público, ou mesmo privado, ao quadro macroeconômico e às políticas públicas. Dessa forma, não se pode proceder a uma análise de desenvolvimento sem considerar o quadro econômico e político nacional e internacional. Outra observação do autor se refere à construção, em grande parte com base em estudos empíricos, de tipos ideais, não levando em consideração que a dinâmica territorial é amplamente relacionada a determinada construção do espaço- tempo. A crítica essencial do autor consiste nos destaques dados aos modelos ditos alternativos de desenvolvimento endógeno, baseado nas características locais sendo estes culturais, recursos e política:

Mais surtout, et cette critique fonde largement la légitimité de cet ouvrage, la compréhension de la dynamique d’innovation et de ses liens avec le développement régional est marquée par un biais. Malgré l’attention accordée aux relations hors-marché et en dépit de la reconnaissance du rôle primordial des institutions, ces modèles sont fondés sur une ontologie économique. En d’autres termes, toute forme de relation sociale et d’organisation des relations socioécono- miques n’a de légitimité et de clé d’analyse qu’au travers son intérêt pour la production marchande. Ce biais instrumentaliste est profondément ancré dans les travaux contemporains, même dans la tradition alternative du développement (MOULAERT, 2008, p. 23)1.

Essa perspectiva torna possível as múltiplas existências do desenvolvimento territorial, porém, recorrer à inovação para a inclusão de grupos a produção mercadoria ressalta o objetivo de mostrar as conexões deste, em especial nos aspectos econômicos, procurando enquadrar a produção local no contexto mercado. Por vezes, este não supera a ausência do desenvolvimento, pois sua origem está em espaços determinados pelo capital, e não para a solidariedade e reciprocidade como uma realidade da produção da vida material e social. Concluindo o raciocínio, o modelo de desenvolvimento territorial, que busca no território sua consolidação, não é facilmente incorporado pelo sistema institucional e histórico, mas facilmente pelo sistema produtivo (MOULAERT, 2008).

A incorporação pelo econômico é a elaboração de um reduto do mercado pelas concepções de desenvolvimento endógeno e pode ser identificada como um gerador das ausências de mediações, atos meramente socioeconômicos associados ao processo de mercado, pois, ao incorporar a escala local ao sistema produtivo, há a necessidade de romper ou negligenciar outros elementos estruturadores de um espaço geográfico que, por sua vez, podem influenciar negativamente na situação de produção e reprodução do capital. É possível definir, nesse ínterim, as motivações socioculturais, sociopolíticas e socioambientais que se relacionam na formação do espaço. Assim, pode-se dizer que

1 É importante que essa crítica é amplamente baseada na legitimidade deste trabalho, pois a compreensão

da dinâmica de inovação e seus vínculos com o desenvolvimento regional é marcada por um viés específico. Apesar da atenção dada às relações não mercantis e do reconhecimento do papel das instituições, esses modelos são baseados em ontologia econômica. Em outras palavras, qualquer forma de relação social e de organização das relações socioeconômicas é apenas uma análise interessante através da perspectiva de interesse na produção de mercadorias. Esse viés é instrumentista, profundamente enraizado em obras contemporâneas, mesmo na tradição de desenvolvimento alternativo. (Tradução deste autor).

esse modelo, onde há o protagonismo do território, se delimita ao que se denomina de economicismo de base localizada (MÉRENNE-SCHOUMAKER, 1996).

Nesse âmbito, os agentes econômicos são importantes para o desenvolvimento, pois se apropriam dos diferentes territórios com histórias específicas, o que reafirma que a análise de políticas públicas e de desenvolvimento deve ser feita através da especificidade de cada análise, sem uma lei geral, pois cada território possui uma evolução espaço-tempo e uma articulação escalar peculiar. Os agentes econômicos se apropriam das relações territoriais pela instituição e nessa apropriação são incluídos elementos componentes do mercado como não mercantis, como, por exemplo, a relação entre as empresas e o mercado de trabalho.

A abertura de uma nova perspectiva para interferência nas de densidades técnicas, informacionais e comunicativas dos territórios, que este conjunto quando mais densos, mais luminosos, e possuem preferencias do capital para a sua reprodução, pois competem vantajosamente com as que deles dispõe (SANTOS, 2009), ou dos territórios opacos, com diferentes graus de transparência, mas desprovidos do conjunto técnico- cientifico-informacional para a atração do capital. A partir de uma análise do desenvolvimento territorial, é crucial para a configuração de um cenário que vislumbre a superação dos atrasos estruturais. Mas não se pode deixar de observar que esse modelo tem uma metamorfose imperfeita na transformação, que vislumbra a ingerência de uma ontologia econômica do modelo.

De acordo com essa visão, admite-se que fenômenos podem interferir com estrutura que compõem os territórios e transforma-las. Porém, Segundo Escobar (1997), o desenvolvimento funciona como um discurso em um espaço, ao passo que a busca pela inclusão social pode ser dita e imaginada, nunca realizada, pois o desenvolvimento trouxe apenas desencanto. Tal visão se aproxima de uma ideia de uma análise discursiva sobre o desenvolvimento e deixa de considerar que a realidade é construída por estruturas preexistentes e mesmo tempo moldadas por relações sociais, assim possíveis de ações que resultariam em mudança.

Pela visão pessimista de que a sociedade de consumo se apropriou ou se apropriará de tudo e, a partir da negação da interferência estatal, aceita-se agora que o próprio sistema que criou o não desenvolvimento é hegemônico, e que a disputa

colocada no plano político é apenas da “austeridade x crescimento”2 ou seja, corte ou ajuste de contas, ou incentivo por meio de políticas impostas e/ou subsídios à economia por parte dos Estados, com ausência de outras possibilidades. Se aceita também que espaços não atendidos por essas demandas modernas, mas conduzidas no processo espaço-tempo a essa condição estariam destinados de antemão a opacidade, sendo que esta lhe foi imposta.

Esses fatores norteiam as condições históricas e culturais de como excluídos promovem um questionamento geral, em que não se podem admitir atuações emancipatórias a partir de políticas públicas, pois a realidade não existe por si mesma, mas resulta de uma elaboração discursiva, a qual é preciso desconstruir. No entanto, é igualmente importante saber se também existe uma forma de resistência a essa lógica, como observa Jameson (1999):

Para aqueles que pensam que tudo isso é pessimista, posso agora sugerir que não precisamos deixar Nietzsche para os inimigos, mas sim nos consolar com a profunda convicção de que apenas o mais profundo pessimismo é fonte de força verdadeira. Devemos ser profunda e infatigavelmente pessimistas sobre esse sistema, como foram meus amigos do leste sobre o outro sistema; o otimismo, ainda que do tipo mais fraco, só pode ser recomendado para aqueles que não têm nada contra serem usados e manipulados (JAMESON, 1999, p. 233-234).

Para Jameson (1978), uma teoria crítica da sociedade deveria apenas reconhecer no pós-modernismo o seu objeto real e histórico, que são a cultura e a nova ordem econômica mundial como esferas não mais distinguíveis. O atual contexto requer uma luta discursiva de identidade entre o mercado e a natureza humana, que despreza ações das políticas públicas como transformadoras e não as coloca como ineficientes na leitura do crítico estadunidense, mesmos em um cenário cujo logica do capital prevaleça em que pesem as incertezas, a realidade deve se basear não na busca a imediatas das

2 Uma referência à disputa política da Europa. Indignados pelo agravamento da crise das dívidas

soberanas, os eleitores europeus votavam sistematicamente em candidatos de direita com orientação econômica liberal – os preferidos pelos mercados. A União Europeia chegou a ponto de ter 23 de seus 27 membros (incluindo todos os países mais fortes economicamente) comandados por partidos harmo- niosamente alinhados com as determinações da Troika (grupo formado pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), capitaneados pela chanceler alemã Angela Merkel. A receita para combater a crise com austeridade. No entanto, no ano de 2012, esse quadro começou a mudar radicalmente, culminando na vitória do socialista François Hollande na França. Países como Dinamarca, Eslováquia, Romênia, Bélgica e Holanda tiveram movimentos semelhantes: combater a crise com crescimento, não esquecendo de dois governos o da Islândia e no ao 2014 o da Grécia.

coisas, das pessoas e das relações; ele procura encontrar e analisar o processo que as constitui, atentando para as mediações. As ideias deste intelectual que podem ser necessariamente incorporadas por uma visão de desenvolvimento (OLIVEIRA, 2008), existem novos espaços de reivindicação e mobilização social, deve sempre buscar lugar ideal a utopia de uma realidade que devem ser transformadas (JAMESON, 1997).

Nessa realidade, e tentando superar a ontologia economicista da práxis do desenvolvimento territorial e da visão fatalista pós-desenvolvimentista, apresenta-se um campo que será denominado de desenvolvimento territorial crítico, e que busca nas comunidades locais a superação de seu atraso. Nesse quadro, é atribuída uma ideia de superação de um modelo considerado gerador dessa situação. Para Oliveira (2002), uma inversão de lógica na política é a implantação de um modelo bottom-up, ou seja, um modelo a partir da realidade econômica, social, cultural e institucional de determinado espaço. Pode-se observar que esse modelo não abandona as características do local, mas a partir delas propõe mudanças, reforçando-as e, ao mesmo tempo, desnaturalizando-as. Ao buscar um elemento capaz de superar o setorial no mesmo movimento, surge uma concepção renovada de território, territorialidade e de desenvolvimento que respeita as contradições, o crescimento, a história, a dialética socioespacial, os sujeitos locais, a atuação da política, a cultura e o meio ambiente (SAQUET, 2008), produzindo a articulação necessária da política nas possíveis dimensões socioespaciais e socioterritoriais.

Desta forma, esquivar da pretensa construção de uma ordem que procure nos atores a construção de um ideal de desenvolvimento - algo real, que se baseie na superação das contradições ainda persistentes na sociedade, não apenas buscando a superação da crise, mas a inclusão para a reconstrução das relações entre os atores sociais e territoriais, a formulação de seus valores comuns e novas intervenções públicas que têm um apelo espacial.

A partir das ideias de Jameson (1978) ou pelas advertências de Santos (2000) pode-se compreender que as épocas que subestimam a utopia são épocas de empobrecimento intelectual, ético e estético. Logo, propor a utopia é inevitável e real, e exige um novo olhar utópico dos pesquisadores para novas perspectivas de diálogos entre os conhecimentos científicos dos saberes e práticas territoriais com principio de proximidade.

Ressalta-se aqui que não se propõe em um desenvolvimento baseado em idiossincrasia dos lugares, pois, como se sabe, conforme Lacoste (1997), são necessárias

a cada novo momento das nossas relações existências, novo momento da humanidade a articulação de novos conjuntos espaciais, que acompanham a evolução tecnológica que, além das nossas práticas diárias, são também a elas incorporadas, significando a prática articulada à vida planetária.

A partir das análises de Lacoste, entende-se que a perspectiva do desenvolvimento territorial é a da criação da realidade transformadora a partir do empoderamento da população local e não o simples fato de ações clientelistas. Ou ainda, na institucionalização de territórios isolados, como no imaginário lugar dos Homens Livros, de Bradury (2007). O autor romanceia sobre uma sociedade na qual os livros foram proibidos e os letrados, excluídos dela, se isolam em um gueto ou em um território “emancipatório”, no qual cada indivíduo decora na íntegra seu livro predileto. Assim, acabam por se tornar os próprios livros, um território/biblioteca humana de extrema alienação ou perspectiva de isolamento, ou de qualquer transformação social, fadados ao fim.

Nas relações que produzem o espaço, quanto mais se estreitam as relações, mais profundas diferenças engendradas surgem; este é um processo desigual e combinado. Portanto, as diferenças que o separam são as mesmas que o geram, pressupondo um movimento, como foi descrito por Novack (2008, p. 42), “ao longo de linhas paralelas e através de linhas angulares, às vezes, divergentes como ângulos retos”. Nesse horizonte, é importante que a opção multiescalar de desenvolvimento encontre a escala adequada, que defina um determinado campo em que a decisão deve ser tomada, bem como as ações cidadãs emancipatórias e de enfrentamento de um processo desigual e combinado. Dessa forma, a busca pela inovação social como um processo deve ser conduzida no sentido “transformador” de estruturas.

Desenvolvimento, longe de consensos, é um conceito em disputa, e esta é mediada por uma visão de sociedade na qual as necessidades de conservação ou transformação de caráter econômico, social, cultural, ambiental e político são defendidas por grupos sociais (BOURDIEU, 1989). Assim, desenvolvimento é definido como um campo social, e dele derivam diversas buscas por projetos, mas pode-se sustentar que o campo social une todas as visões sobre o desenvolvimento a partir da ideia de melhora de estado ou da qualidade, no qual as relações socioespaciais dos indivíduos, família e comunidade criam possibilidades da ideia da melhora pela inovação social.