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OSMANLI MUTFAĞI

2.1. Alkollü Đçecekler

2.1.3.1. Gül-‘Arak

Com escopos delineados, a Fundação Bienal de São Paulo expôs suas intenções para viabilizar a necessidade de se ter uma documentação como registro de todo o processo relacionado a I Bienal Latino-Americana. Divulgou o período de funcionamento da Bienal de 3 de novembro a 17 de dezembro do corrente ano.213 O objetivo da documentação era agenciar os denominadores comuns do comportamento visual que a cultura impunha aos brasileiros, e de forma geral, obter a análise da diversidade. Com o intuito de promover o reconhecimento da identidade, como fator fundamental e preocupante na América Latina e Caribe, evidenciando, se possível, a definição da arte com abrangência em resultados socioculturais, e confluir por meio de um trabalho reflexivo em equipe, a novos resultados. A parte da documentação estava atrelada aos debates do Simpósio e aos grupos de trabalho da Bienal. Apresentaram-se três temas norteadoresigualmente ao Simpósio: ‘mitos e magia

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na arte latino-americana’, ‘problemas gerais da arte latino-americana’, e ‘propostas para as próximas bienais latino-americanas’.

Com esse viés como objeto da pesquisa, convidaram especialistas e estudiosos da área, de diferentes partes do continentepara participarem do Simpósio. Estava se tornando evidente a urgência de se estudar nas próprias obras, a latino-americanidade que se mostrava em elementos míticos e mágicos, e discutir esta procedência. O estudo em equipe, e em forma de debates abertos, era justamente o quê o Simpósio propunha como registro do processo. A intenção era que esta documentação tivesse fins didáticos, apresentando a inclusão de diagramas e textos, ilustrados com fotografias, gravações, vídeos ou filmes, que abrangessem aspectos artísticos, antropológicos, históricos ou sociológicos. Estabeleceram que os recursos financeiros, anteriormente destinados à premiação, seriam utilizados na publicação desses livros ou trabalhos referentes às três áreas, além da edição do catálogo geral, referente à mostra da Bienal. Tudo ficou na intenção. De fato, somente o catálogo geral da mostra foi publicado, com capa 4x4 (cor) e o miolo em p&b (sem cor), no total de 242 páginas. E ao final, consta uma pequena nota esclarecendo, que:

“Deixam de figurar neste catálogo as informações referentes a algumas representações nacionais e internacionais, não recebidas dentro do prazo estabelecido pelo regulamento da I Bienal Latino-Americana de São Paulo, bem como outras não abrangidas pelos critérios fixados para elaboração deste catálogo”.214

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Foi anunciado que o prazo para os novos textos a serem incluídos seria até 1º de setembro daquele ano de 1978. A proposta do Conselho em relação à pesquisa e informação em áreas diversas foi validada pela imprensa, promovendo uma visão aberta, e gerando uma nova atitude no que se referia ao recolhimento e troca de informações, coleta de dados, e valor de representatividade. A documentação e os encontros propostos para discussão e debate reuniriam críticos de arte, historiadores, pesquisadores, professores, jornalistas, músicos, cineastas, entre outros. No meio artístico surtiu efeito inédito, o que positivamente estimulou aqueles que participaram. Os brasileiros foram indicados pelo segundo Conselho da Fundação Bienal, assessorado por especialistas. Os estrangeiros foram convidados pelas entidades competentes de cada país. Foram enviados convites oficiais aos países, em nome do presidente da Fundação Bienal.

A avaliação do objeto desta Bienal era interesse da própria Fundação Bienal de São Paulo, portanto, fomentou-se a aplicação de pesquisas, por meio de levantamento de dados, envolvendo pessoas, instituições, obras e textos. Com noventa e nove propostas enviadas à área de ‘Manifestações’, somente quinze foram aceitas pelo Conselho, e dez outras participaram na área de ‘Documentação’.215 Ponderaram que haveria, com estas informações coletadas, necessidade de capacitação dos grupos de trabalho ‘polivalentes’. Isso significava que a área de ‘Apresentação’ também demandaria uma pesquisa equivalente ao tempo mínimo de dois anos de trabalho. Esta área representava a mostra expositiva da arte latino-americana. Como método operacional mais sério

e possível, da coleta de dados, proporam até uma alternativa, a da descentralização das indicações, em relação à representação brasileira.

Radha Abramo, em sua coluna editorial,216 avaliou que as informações provenientes das várias regiões do país poderiam, eventualmente, vir a compor peças-chave para a formação do corpo da pesquisa nacional. Radha constatou que, tanto o regulamento da Bienal Latino-Americana como a pesquisa, inverteram os procedimentos científicos do levantamento cultural, cogitados na inicial, apenas no recebimento de informações sobre o tema, e Radha evidenciou: “Se uma Bienal é contestada é porque é uma Bienal didática; e porque a discussão permanente é aprendizagem dialética”.217 Radha completou, em tom positivo, que se a Bienal de São Paulo viesse a acontecer com a passiva aceitaçãode suas propostas,“estaria morta e não teria mais razão para existir”.218 Tanto Radha Abramo como Norton Azambuja tocaram no mesmo vértice, perquirindo e reforçando os possíveis resíduos culturais legados pelos novos formadores das culturas latino-americanas. Verificou-se que havia contradições, inerentes aos processos adotados na coleta de amostras, e que ainda existiam subtemas referentes aos quatro mitos de origem: ‘mestiço, africano, eurasiano ou indígena’. Radha discursou sobre o conjunto de peças expostas, sendo que a leitura remetia, em vários níveis, a uma obra coletiva. Em sua análise, as respectivas significações da pesquisa, com foco latino-americano, mostravam a sociedade humana, que além de complexa, era fundamentadapor “parâmetros

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estáticos, e moderadores do conhecimento”.219 Destacamos que a globalidade das obras tornava-se um significante, em que a parte material e tangível da cultura contemporânea latino-americana, era a partir de uma totalidade, ou seja, com suas interpretações possíveis, possibilitando, desta maneira, infindáveis significados. Radha indicou que cada um dos observadores captava um significado, e absorvia alguns desses significados, sendo que esse processo se tornava parte de nossa referência cultural. O que Radha Abramo conjecturou foi o fato das peças serem rotuladas por origem mestiça, africana, eurasiana ou indígena, “isto sim, tornava-as discutíveis”.220

Houve atrasos, tanto com o planejamento como com o cronograma dos textos do Simpósio, pelo simples fato de muitos convidados não manterem a data de entrega, ou não enviarem a tese a tempo, para a tradução e organização da distribuição. Entretanto, houve algumas tentativas bem-sucedidas de documentação a citar, como por exemplo, as de “Mazda Perez, com ‘Santeiros do Nordeste’, Luiz Ernesto Kawall, com ‘Literatura de Cordel’,e Claudia Andujar, com o trabalho ‘Visão de Mundo dos índios Yanomani’”.221

Defendia-se a questão da importância da pesquisa, pela busca e reconhecimento da identificação dos povos colonizados. Lisbeth Rebollo Gonçalves complementa que a pesquisa no sentido de documentação se torna fundamental sob duas óticas de avaliação: críticos de arte e pesquisadores da arte. Lisbeth explicou que os espaços da crítica não são necessariamente os mesmos: “a primeira atua nos meios de comunicação, como periódicos, radio e

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TV; a segunda se aloca na universidade, mais em cursos de pós-graduação”.222 Reforçou a ideia de que ambas se cruzam nas instituições museológicas, nos espaços expositivos, em que o crítico pode ter “a exposição tanto como resultado de seu trabalho curatorial ou como objeto de sua analise textual, e o pesquisador pode tê-la tanto como objeto como resultado de estudos”.223 Lembrando que infelizmente “o rigor de análise é muitas vezes percebido como um ataque ao sistema como um todo”.224 Destarte, a I Bienal Latino-Americana foi proposta como debate aberto, como uma grande exposição que “mostrava concretamente o trabalho coletivo de pesquisa de dezenas de pessoas das mais variadas formações, com reflexo dos níveis culturais, de uma parte dos povos latino- americanos, motivadas pelos diversos interesses e posturas ideológicas”.225 Radha Abramo afirmou que era um alerta para a condição do terceiro mundo, como “um aviso das entranhas e das veias abertas da América Latina, um sinal marcante do distanciamento dos produtores oficiais da cultura desse continente”.226 Assim, Radha já sinalizava os caminhos expostos de integração da América Latina na feitura daquela Bienal que suscitaria muitas controvérsias, mesmo, positivando a ação corajosa de execução da pesquisa. A Bienal criaria uma dicotomia decisiva na forma de se ver todo o material que seria exposto.

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