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GÖSTERGE YÖNETİMİ Göstergelerin İzlenmesi

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GÖSTERGE YÖNETİMİ Göstergelerin İzlenmesi

Acredita-se que, pelos motivos expostos anteriormente, pode-se considerar o processo de ancoragem uma espécie de primeiro nível de historicidade das representações sociais. Um segundo nível, tributário justamente do fato destas se inscreverem em um referencial de pensamento preexistente, pode ser analisado por meio do conceito de thêmata81 proposto por Moscovici a partir das considerações de

Holton na área da filosofia da ciência (cf. Mazzotti, 2002)82 e que tem a ver com o

questionamento sobre a origem das idéias que geram as representações sociais. Assim,

[...] do ponto de vista epistemológico, o que está em questão aqui é a análise de todos aqueles modos de pensamento que a vida cotidiana sustenta e que são historicamente mantidos por mais ou menos longos períodos (longues durées); modos de pensamento aplicados a

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Utiliza-se aqui a definição de conteúdo elaborada por Roussiau e Bonardi em que este é visto como um “[...] conjunto de normas, valores, crenças ou ainda imagens, opiniões e atitudes [...] Em uma primeira abordagem, todos esses elementos se manifestam em referência ao passado” (2002: 34). Cf. original: “[...] ensemble de normes, valeurs, croyances, ou encore images, opinions et attitudes [...] En première approche, tous ces éléments se conçoivent forcément, et se déploient manifestement, en référence à du passé, du déjà-là”.

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Segundo Marková, “os thêmata são concepções, imagens e categorias primitivas partilhadas culturalmente. Eles se transmitem por meio da memória coletiva de geração em geração nos contextos sociais e históricos, freqüentemente em um longo período. Eles são taxionomias comuns como moralidade/imoralidade, liberdade/opressão ou simetria/assimetria. O que importa nesses exemplos de taxionomias é que elas são de natureza oposicional. Ou seja, é impossível qualificar qualquer coisa de moral sem implicar, ao mesmo tempo, a existência de fenômenos que não são morais, como é impossível fazer referência a uma coisa simétrica sem pressupor a existência de fenômenos que não o são etc.” (2000: 55). Cf. original: “Les thêmata sont des conceptions, des images et des catégories primitives partagées culturellement. Ils se transmettent à travers la memóire collective de génération en génération dans des contextes sociaux et historiques, souvent sur une longue période. Ce sont des taxionomies communes comme, par exemple, moralité/imoralité, liberte/oppression ou symétrie/asymétrie. Ce qui importe dans ces exemples des taxionomies est qu’elles sont de nature oppositionnelle. En d’autres termes, il est impossible de qualifier quelque chose de moral sans impliquer, en même temps, l’existence de phénomènes, quin ne sont pas moraux, tout comme il est impossible de faire référence à une chose symétrique sans présupposer l’existence de phénomènes qui ne le sont pas, etc.”.

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De acordo com Mazzotti, Holton propõe que “[...] os thêmata são os organizadores das argumentações científicas, uma vez que operam por meio de pares antitéticos como, por exemplo, contínuo e discreto, evolução e degeneração, hierarquia e unidade [...]” (2002: 105).

Uma abordagem da historicidade das representações sociais

“objetos” diretamente socializados, mas que, de maneira cognitiva e discursiva, as coletividades são continuamente orientadas a reconstruir nas relações de sentido aplicadas à realidade e a si mesmas (Moscovici, 2003: 218 – grifos do autor).

A proposição do conceito de thêmata introduz a questão do referencial temporal no estudo das representações sociais na medida em que estas são apresentadas com uma espécie de sentido geral, mas não teleológico, localizáveis histórica e socialmente. As referências ao historiador Fernand Braudel, sobretudo em relação ao conceito de longa duração,83 permitem situar as representações em um

passado que, mesmo distante, é constitutivo de sua dinâmica, tornando possível uma pesquisa do tipo genealógico, embora não se possa esquecer o fato de que “toda representação social é constituída como um processo em que se pode localizar uma origem, mas uma origem que é sempre inacabada, a tal ponto que outros fatos e discursos virão nutri-la ou corrompê-la” (Moscovici, 2003: 218).84

De acordo com Moscovici, os thêmata expressam uma “regularidade de estilo”, ou seja, se apresentam como uma espécie de permanência de certas temáticas no cotidiano da vida social por meio de uma ”[...] repetição seletiva de conteúdos que foram criados pela sociedade e permanecem preservados pela sociedade. Eles se referem a possibilidades de ação e experiência em comum que podem se tornar conscientes e integradas em ações e experiências passadas” (2003: 224).

Marková (2000) apresenta esses “temas” como taxionomias comuns de natureza oposicional, tais como moralidade/imoralidade, liberdade/opressão,

83 Apesar de a noção de temporalidade ser mais bem discutida adiante, é necessário enfatizar que se

utiliza aqui a periodização desenvolvida por Braudel (1988) em seu estudo sobre o Mediterrâneo em que ele se preocupa em mostrar que o tempo avança em diferentes velocidades. Assim, o tempo longo refere- se às estruturas, a uma “[...] história quase sem tempo” (Vainfas, 1997a: 134), o tempo médio, à história das conjunturas econômicas, sociais e políticas e o tempo curto ligado à história dos acontecimentos. Contudo, há que ressaltar que a idéia de longa duração proposta por Braudel apresenta-se, em linhas gerais, “[...] como um domínio temporal basicamente ligado às relações entre o homem, a geografia e as condições da vida material” (Vainfas, 1997a: 134), sendo avessa à investigação acerca das mentalidades, cuja relação com a idéia de longa duração será estabelecida pelos historiadores da chamada “nova história”. Para mais informações sobre a problematização dos tempos históricos, ver Braudel (1969) e Vainfas (1997a).

84 Ainda segundo Moscovici, “temas nunca se revelam com clareza; nem mesmo parte deles é

definitivamente atingível, tanto porque eles estão completamente interligados com certa memória coletiva inscrita na linguagem como também porque são combinações, iguais às representações que eles sustentam, ao mesmo tempo cognitivas (invariantes ancorados em nosso aparato neurossensor e em

Uma abordagem da historicidade das representações sociais

simetria/assimetria, que se tornam thêmatas e começam a gerar representações sociais a partir do momento em que as oposições são explicitamente formuladas no pensamento social. De acordo com a autora:

[...] Certos thêmata aparecem como essenciais ao desenvolvimento e ao progresso humano, por exemplo, liberdade/opressão, justiça/injustiça, moralidade/imoralidade etc. Pode-se referir a tais taxionomias oposicionais como thêmata de base. Os thêmata de base são os mais profundamente ancorados nos indivíduos e no pensamento social. Os mais implícitos culturalmente, eles formam a ontologia do senso comum (Marková, 2000: 61-62 – grifos do autor).85

Os thêmata transmitiriam uma espécie de sentido geral que ultrapassa indivíduos e instituições e que pretende, de certa forma, dar conta da generatividade das representações sociais conferindo um peso ainda maior aos seus processos de formação, sobretudo o de ancoragem.

Ainda que a relação com a média e longa duração não esteja tão evidente, a preocupação com a “permanência” de determinadas temáticas na composição das representações sociais pode ser observada também nos trabalhos desenvolvidos por Abric (2003, 1996, 1994a e 1994b) e Flament (1994a e 1994b), no âmbito da vertente estrutural da teoria, em que a estabilidade dos elementos que formam uma representação é analisada. De acordo com seus estudos, pode-se afirmar, em linhas gerais, que as representações sociais são orientadas por um duplo sistema (central e periférico)86 em que o sistema central, ligado às condições

históricas, sociológicas e ideológicas, desempenharia um papel mais estável e duradouro nas representações sociais e o sistema periférico, por ser mais flexível,

nossos esquemas de ação), como culturais (universais consensuais de temas objetivados pelas temporalidades e histórias do longo espaço de tempo [longue durée]” (2003: 248-249).

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Cf. original: “Certaines thêmata apparaissent comme essentiels au développement et au progrès de l’homme, par exemple, liberté/oppression, justice/injustice, moralité/imoralité, etc. On peut se référer à de telles taxionomies oppositionnelles comme à des thêmata de base. Les thêmata de base sont les plus profondément ancrées dans les individus e dans la pensée sociale. Les plus implicites culturellement forment l’ontologie du sens commun”.

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Para Abric, as representações sociais são orientadas por um duplo sistema (central e periférico) que permite “compreender uma das características básicas das representações, que pode parecer contraditória: elas são, simultaneamente, estáveis e móveis, rígidas e flexíveis. Estáveis e rígidas, posto que determinadas por um núcleo central profundamente ancorado no sistema de valores partilhado pelos membros do grupo; móveis e flexíveis, posto que alimentando-se (sic) das experiências individuais, elas integram os dados do vivido e da situação específica, integram a evolução das relações e das práticas sociais nas quais se inserem os indivíduos ou os grupos” (1998: 34). O sistema central é composto por um núcleo determinado “[...] de um lado pela natureza do objeto representado, de outro, pelo tipo de

Uma abordagem da historicidade das representações sociais

possuiria a propriedade de modificar-se mais facilmente, assumindo uma função de “proteção” do sistema, na medida em que permite a adaptação a uma dada situação, sem que isso implique a modificação do núcleo central.87 Desse modo, sua

determinação está mais ligada ao contexto imediato e às características individuais (cf. Abric, 1998 e 1994b).

Seguindo essa linha de argumentação, o “núcleo central”, componente mais estável das representações sociais, é utilizado pelos indivíduos como referência para orientar suas apreensões e percepções sobre a vida social. Nesse sentido, para pôr termo a uma determinada representação, faz-se necessário promover uma ação direta em seu núcleo, uma vez que ele corresponde à parte mais permanente do sistema que não tende a se modificar, mesmo que a informação recebida o contradiga, haja vista que esta termina por ser interpretada de acordo com esse núcleo central (Villas Bôas, 2003 e 2004).

O núcleo central tem duas funções basilares: a “geradora”, necessária para que os elementos adquiram um sentido na representação, e a “unificadora”, que integra e estabiliza a representação. Apresenta também duas dimensões definidas: a “funcional” e a “normativa”, que variam de acordo com a posição que nele ocupam os elementos (Abric, 1998). Assim, a dimensão funcional envolve uma situação operatória em que os elementos basilares para a elaboração de uma determinada tarefa passam a constituí-lo. Já as situações que demandam reações socioafetivas, ideológicas etc. terão, como núcleo central, elementos ligados a estereótipos ou a atitudes (Sá, 1996).

A existência, portanto, de um sistema resistente à mudança na base das representações sociais aponta uma historicidade estrutural, na medida em que “[...] os traços históricos transportados pela nossa memória social se inscrevem no coração do núcleo central” (Bertrand, 2002: 498),88 de modo a interagir com as

condições históricas, sociológicas e normativas de uma dada sociedade servindo como “guia para ação” (Moscovici, 1978). Tais traços históricos, relacionados tanto com a história do objeto como com a história do grupo e transmitidos por meio da

relações que o grupo mantém com esse objeto e, enfim, pelo sistema de valores e normas sociais que constituem o meio ambiente ideológico do momento e do grupo” (Abric, 1998: 31).

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Sobre os aspectos periféricos presente nas representações sociais, ver Flament (1994b).

88 Cf. original: “[...] les traces historiques transportées par notre mémoire sociale s’inscrivent au coeur du

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memória, se entremeiam com o presente forjando os quadros estruturantes das representações sociais.89