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Candida albicans é considerada o comensal evidenciado com maior frequência na microbiota normal da boca, atingindo até 70% do total de isolamentos (Laet Sant’Ana et al., 2002, Queiroz-Telles et al., 2002; Damke et al., 2011). Entretanto, espécies consideradas patogênicas como C. kefyr, C. krusei, C. tropicalis e C. stelatoidea, entre outras, têm sido detectadas em casos de candidíase bucal, principalmente naqueles relacionados à imunossupressão (ANAISSIE, 1992; CHALLACOMBE, 1994; LIMA et al., 1994; LYNCH, 1994).

Os resultados encontrados corroboram com os dados da literatura, onde 84% do isolados utilizados correspondem a C. albicans, seguido por 6% de C. tropicalis e C. parapsilosis, 3% de C. glabrata. Onde, das amostras oriundas de Natal, cinquenta e nove foram C. albicans, quatro C. tropicalis, quatro C. parapsilosis, duas C. glabrata e uma C. dubliniensis; enquanto que de Maringá dezessete foram C. albicans, uma C. glabrata e uma C. tropicalis (Figura 1).

Figura 1

O emprego de isolados clínicos provenientes de pacientes predispostos ao desenvolvimento de infecções fúngicas, tem sido uma das principais estratégias para a investigação de potenciais novos agentes antifúngicos (ALMEIDA et al., 2009; DALBEN-DOTA et al., 2010).

A fim de avaliar a atividade antifúngica in vitro dos extratos brutos obtidos por turbólise, o grau de susceptibilidade dos isolados clínicos foi testado através do ensaio de microdiluição, partindo-se da concentração de 1000 µg/mL (de cada extrato bruto) no primeiro poço.

Em relação à espécie E. uniflora, os intervalos de variação da CIM foram menores para o extrato bruto do tipo acetona:água (7:3, v/v). Quanto a atividade apresentada frente às cepas de Candida não albicans, permaneceu entre 1,95-250 µg/mL, enquanto que para C. albicans de 1,95 a 1000 µg/mL, para esse mesmo tipo de extrato bruto. A CIM50 também apresentou

menor valor quando se trata de espécies de C. não albicans, tanto para o extrato bruto obtido apenas com água quanto para o extrato bruto obtido a partir da mistura acetona:água (7:3, v/v). Já a CIM90 também foi menor para os extratos produzidos com acetona:água (7:3)

Quanto à espécie L. ferrea, os resultados se mostraram semelhantes em relação aos tipos de extrato, apresentando mesma faixa de CIM entre 3,9 – 1000 µg/mL frente aos isolados de C. albicans, e entre 3,9 – 500 µg/mL para os isolados de C. não albicans. Além disso, os mesmos valores de CIM50 e CIM90 foram encontrados em relação aos dois tipos de extrato

testados, sendo a CIM50 igual a 31,25 µg/mL frente aos isolados de C. não albicans e 125

µg/mL para os isolados de C. albicans, enquanto que a CIM90 foi igual para todos os isolados,

500 µg/mL (Tabela 1).

Para a espécie P. guajava, o extrato bruto aquoso apresentou resultados semelhantes aos extratos aquosos de E. uniflora e L. ferrea em relação à faixa de concentração (3,9 a 100 µg/mL) quando observado os isolados de C. albicans. Quanto aos isolados de C. não albicans seguiu a mesma tendência, apresentando menores valores para a faixa de concentração, sendo entre 3,9-250 µg/mL para o extrato bruto produzido a partir de acetona:água (7:3) e 3,9 a 500 µg/mL para o tipo aquoso. Os valores de CIM90 foram iguais entre os isolados, entretanto

diferentes para os tipos de extrato, sendo igual a 250 µg/mL para o extrato do tipo acetona:água (7:3) e 500 µg/mL para o extrato aquoso; já em relação a CIM50 o menor valor

observado foi em relação ao extrato acetona:água (7:3), igual a 31,25 µg/mL (Tabela 1). Estes resultados mostraram que melhor atividade foi observada para todos os extratos quando se utilizou a mistura acetona:água (7:3), principalmente em relação aos isolados clínicos de C. não albicans.

Tabela 1

Duarte e colaboradores (2005) propuseram uma classificação para a atividade inibitória de extratos vegetais baseado nos valores de CIM, onde CIM menor que 500 µg/mL representa forte inibição, CIM entre 600 e 1500 µg/mL inibição moderada e CIM acima de 1500 µg/mL uma inibição fraca. De acordo com esta classificação e de acordo com os valores de CIM50 e

CIM90 obtidos para os isolados clínicos de C. albicans e C. não albicans, os extratos brutos

das três espécies vegetais deste estudo demonstraram uma forte atividade inibitória.

CONCLUSÃO

Dessa forma, os resultados obtidos com os extratos de E. uniflora, L. ferrea e P. guajava são otimistas uma vez que houve ação antifúngica com baixas concentrações de extrato bruto. É

possível que, após etapas de purificação a concentração necessária para alcançar a ação antifúngica seja menor do que a obtida neste trabalho.

Assim, mais estudos são necessários para isolar o(s) princípio(s) ativo(s) e purificar frações ou componentes, seguidos de novos testes de susceptibilidade, a fim de buscar novas alternativas de drogas antifúngicas disponíveis para a população.

REFERÊNCIAS

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Figura 1. Distribuição das espécies de leveduras isoladas de candidíase bucal de transplantados renais coletadas nas regiões de Maringá – PR e Natal – RN.

uniflora, L. ferrea e P. guajava contra 91 diferentes isolados clínicos e seus valores de CIM50 e CIM90.

Extrato Bruto Micro-organismos N

E. uniflora L. ferrea P. guajava

Faixa

de CIM CIM50 CIM90

Faixa

de CIM CIM50 CIM90

Faixa

de CIM CIM50 CIM90

µg/mL µg/mL µg/mL

Aquoso

Candida albicans 78 3,9 - 1000 125 250 3,9 - 1000 125 500 3,9 - 1000 250 500 Candida não albicans 13 1,95 - 500 31,25 500 3,9 - 500 31,25 500 3,9 - 500 62,5 500

Acetona:água (7:3)

Candida albicans 78 1,95 - 1000 62,5 125 3,9 - 1000 125 500 3,9 - 1000 125 250 Candida não albicans 13 1,95 - 250 31,25 250 3,9 -500 31,25 500 3,9 - 250 31,25 250

Benzer Belgeler