H- Destekten Yoksun Kalma Tazminatının Ödeme Şekli
I- Görevli ve Yetkili Mahkeme
“(...) Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra. (...) Todavia segundo os arvoredos são muitos e grandes, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves! (...) Entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos. (...) Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! (...)”. (Carta de Pero Vaz de Caminha) 202
Com efeito, verifica-se que a normatização da proteção ambiental
não teve sua origem nas normas constitucionais. A evolução jurídica das normas de
proteção ao meio ambiente principia pela legislação infraconstitucional, culminando na
sua constitucionalização.
Quanto aos primórdios
203, observa Juraci Perez Magalhães
204:
202 Carta de Pero Vaz de Caminha (Escrivão da frota de Cabral). Pero Vaz de Caminha redigiu esta carta
ao rei Dom Manuel para lhe comunicar o descobrimento das novas terras. Datada de Porto Seguro, no dia 1º de maio de 1500, foi levada a Lisboa por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota, sendo o primeiro documento escrito da nossa história. Disponível em <
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/carta_caminha.htm>. Acesso em: 18/03/2014.
203 Destacam-se o Tratado de Tordesilhas, de 1494, e de meados do século XVI, a divisão das novas terras
portuguesas em capitanias hereditárias. Nesse sentido, esclarece Douglas Santos, “dividir um mundo desconhecido: eis a questão. Medir, projetar, desenhar, identificar, geometrizar: eis a solução. O “planejamento territorial” da conquista: esse é o papel da carta de Colombo, do mapa de Behain, do Tratado de Tordesilhas, das capitanias hereditárias e do legado do mais importante poeta da época, com seu precioso produto: Luís de Camões e Os Lusíadas. O caso brasileiro, tal como todo e qualquer processo ocorrido no que veio a ser denominado continente americano, envolve um duplo processo de destruição-construção da ordem territorial, no qual o ato de destruir é a condição básica do próprio existir da colônia” (SANTOS, Douglas. A reinvenção do espaço: diálogos em torno da construção do
significado de uma categoria, Op. cit., p. 69). E acrescenta Capel: “Em geral, o que impressiona nos primeiros cronistas são suas repetidas afirmações sobre a força do homem para dominar e modificar o ambiente natural; em especial através da introdução e aclimatação de plantas e animais europeus. Este fato permitiu que se formulasse, bem rapidamente, a ideia de que os colonos estavam contribuindo para transformar profundamente o território, até o ponto de que “se está domando (o clima), e aplicando o
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(...) desde as Ordenações Filipinas, podemos constatar que a
legislação ambiental teve grande progresso em terras
brasileiras. (...). A partir daí esse novo ramo jurídico não parou
de crescer, chegando aos nossos dias como um direito
especializado, de forte tendência publicista, destacando-se
como um dos mais importantes da era contemporânea.
No Brasil, as primeiras leis que disciplinaram a proteção ambiental
foram trazidas de Portugal. Diversos juristas, como Magalhães, consideram o período
colonial brasileiro como a manjedoura de nosso direito à proteção ambiental. Tanto as
Ordenações Manoelinas, datadas de 1495, quanto as Ordenações Filipinas, (portanto
vigentes em Portugal já à época do Descobrimento), do ano de 1650, no que se refere à
proteção ambiental, possuíam penas extremamente severas no concernente à
conservação dos recursos naturais.
Cabe ressaltar que, apesar da ação e da omissão do homem na
exploração dos recursos naturais e a proteção ambiental ser algo tão antigo quanto a
própria história da humanidade, apenas nesse século iniciou-se uma cruzada pelo
regramento da proteção ambiental.
A evolução normativa pela busca da proteção jurídica ambiental é
decorrente do avanço do homem na ciência e na tecnologia, e as suas formas de
utilização; é que foi estabelecida, como prioridade, a análise ambiental, buscando-se a
melhoria da qualidade geral de vida do ser humano e o enfrentamento de questões
como, por exemplo, processos de urbanização, crescentes procuras e explorações de
recursos naturais e hídricos, crescimento da industrialização, expansão da energia
nuclear, em face da relevância e a emergência que invocam
205.
Entre as décadas de 1930 e 1960, a promulgação de leis voltadas para
a defesa do meio ambiente foi realizada de forma setorizada, sem apresentar qualquer
rigor da região com o domínio dos espanhóis, tal como os índios e os homens e animais naturais além de todos os outros desta terra” em particular graças à derrubada dos bosques e à multiplicação do gado que “com seus alentos e grandes rebanhos rompem o ar, tornam-no respirável e rompem significativamente os vapores”. (...) O eixo está em desvendar até que ponto viver em um certo tipo de ambiente define o caráter de um povo”. É esse um dos pontos importantes da referência bibliográfica levantada pelo autor, já que ele desvenda o embate geográfico que serve tanto de pano de fundo para a luta ideológica como de ferramenta do próprio processo de apropriação territorial” (CAPEL, H. “Naturaleza y cultura: América y el nacimento de la geografia moderna”, In: História da ciência: o mapa do conhecimento, São Paulo: Expressão e Cultura, EDUSP, 1995, p. 269).
204 MAGALHÃES, Juraci Perez. A evolução do direito ambiental no Brasil, São Paulo: Oliveira
Mendes, 1998, p. 03 e 05.
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tipo de unidade sistemática. Nesse contexto, podemos destacar o Código de Águas, de
1934; o Código Florestal, de 1965, e o Código de Pesca, de 1967.
A partir da década de 1970, com a nítida influência da Conferência
das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, no ano
de 1972, foram promulgadas, no Brasil, legislações de extrema importância para a
proteção ambiental: o Decreto nº. 73.030, de 1973, criando o SEMA, órgão de
fiscalização ambiental e, em 1977, a Lei nº. 6.453, para disciplinar a exploração de
Energia Nuclear no País.
Dessa forma, foi a partir da década de 1970 que surgiu a maioria das
disposições ambientais brasileiras, decorrente de um movimento ambientalista que
exigia uma nova postura no relacionamento sociedade-natureza e na medida de seu
avanço teórico-prático, tem feito também evoluir o Direito Ambiental no plano
legislativo.
A partir da década de 1980, as disposições legais referentes à
proteção ambiental ganharam força, culminando na Constituição de 1988, que dedicou
um capítulo inteiro ao tema.
Nesse contexto, destacam-se três momentos normativos importantes:
o ineditismo da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº. 6.938/81), a qual pela
primeira vez conceituou o meio ambiente no plano legislativo (o meio ambiente como o
mundo natural: conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física,
química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas); a Lei
nº. 7.347/85, que disciplinou a Ação Civil Pública por danos causados ao meio ambiente
e outros bens de valor artístico, paisagístico, estético e histórico; a Constituição de 1988
(artigos 225 e seguintes), que além de consagrar diversos institutos voltados para a
proteção ambiental, dedicou todo um Capítulo destinado à disciplina da relação do
cidadão brasileiro com o meio ambiente.
De fato, em relação à ordem constitucional, importa ressaltar o fato
de que nenhuma das Constituições anteriores à de 1988 tenha contido em seu corpus
tamanha proteção aos recursos ambientais, com a dedicação de todo um Capítulo
denominado “Do Meio Ambiente”.
Atualmente, a legislação brasileira avançou no sentido de elevar à
categoria de crimes diversos atos lesivos ao meio ambiente, além de reconhecer a
possibilidade da pessoa jurídica ser responsabilizada penalmente, através da Lei de
Crimes Ambientais nº. 9.605/98).
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Por fim, o estabelecimento de uma Política Nacional de Educação
Ambiental, através da Lei nº. 9.795/99, representou um significativo amadurecimento
por parte do Poder Público com relação aos instrumentos de treinamento de pessoal e
conscientização coletiva no tocante às questões ambientais.
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“Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidade. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra”. (Darcy Ribeiro) 206
“O homem tem a necessidade de estabelecer relações com outros seres
humanos e com a natureza. O fenômeno da convivência, a rigor, encontra-se na própria
natureza humana, fruto de uma ´interdependência recíproca`, alterando e
desenvolvendo o homem e o meio em que habita”, observa Miguel Reale
207.
Essa convivência humana pressupõe uma constante busca de valores. A
cada instante o ser humano se depara com a necessidade de optar por uma ou outra
decisão, atribuindo, nessa tomada de decisão, valores segundo suas concepções e na
busca incessante de seus objetivos. Nesse sentido, o mundo da cultura
208e do
conhecimento
209baseiam-se nuclearmente no conceito de fim, sem o qual jamais poderá
o homem alterar, “aquilo que lhe é dado, alterando-se a si próprio”
210.
O homem é, portanto, “essencialmente coexistência”
211, pois não existe
apenas, mas coexiste, isto é, vive necessariamente em companhia de outros indivíduos.
206 RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, Op. cit., p. 449.
207 REALE, Miguel. Lições preliminares de direito, 27. ed., São Paulo: Saraiva, 2006, p. 23-26. “A
afirmação da naturalidade do social é reforçada pelos procedimentos teóricos propostos por Augusto Comte para a Sociologia. (...) A defesa da ideia de que o ser humano é por natureza um ser social leva a considerar a família como prova da naturalidade da vida social, ou seja, seria a própria Natureza que nos levaria à vida social ao fazer-nos seres que só podem viver e sobreviver na companhia de outros. Supõe- se, assim, que a família é a primeira célula natural da sociabilidade; ao expandir-se em muitas famílias ou células reunidas num mesmo espaço, dá início à sociedade propriamente dita ou ao corpo social” (CHAUÍ, Marilena. O ser humano é um ser social, Op. cit., p. 16).
208 No conceito da antropóloga norte-americana Margareth Mead, cultura “é tudo aquilo que o homem
não pode mais esquecer” (MEAD, Margareth. Sex and temperament in three primitive societies, London: Routledge & Kegan Paul, 1963, p. 292).
209 Na visão de Miguel Reale, “o primeiro ato de conhecimento foi concomitantemente um ato de cultura,
razão pela qual a Teoria do Conhecimento deve ser estudada em conexão com a Teoria da Cultura, visto como esta acompanha todas as iniciativas humanas desde o aparecimento do homo sapiens sobre a face da Terra. Assim, o conhecimento é um processo de interpretação, e essa relação hermenêutica está também condicionada, culturalmente” (REALE, Miguel. Cinco temas do culturalismo, São Paulo: Saraiva, 2000, p. 68-73).
210 REALE, Miguel. Filosofia do direito, 17. ed., São Paulo: Saraiva, 1996.
211 ACKER, Leonardo van. “Sobre um ensaio de jusnaturalismo fenomenológico-existencial”, RBF,
20(78):193. Para Simmel, “a sociedade existe como um dos modos pelo qual toda a experiência humana pode ser potencialmente organizada, e num sentido concreto, designa um complexo de indivíduos socializados, uma rede empírica de relações humanas operativa num dado tempo e espaço; num sentido
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Na acepção de Hannah Arendt
212, “todo homem nasce membro de uma comunidade
particular e só pode sobreviver se nela é bem-vindo e se sente à vontade”. E “a
finalidade dessa sociedade humana”, como afirma Dalmo de Abreu Dallari
213, “é o Bem
Comum
214”.
2.1 N
OÇÕESG
ERAIS DEM
EIOA
MBIENTEU
RBANO“A Terra é azul” – foi a reação de Yuri Gagarin, o primeiro a vê-la do espaço, em 1961. E John Glenn, no ano seguinte: “Impressiona ver como é diminuta a espessura da nossa atmosfera, que sustenta toda a vida na Terra. Se nós a degradarmos, será irreparável”.
(Moysés H. Nussenzveig) 215
O meio ambiente, embora seja uno e indivisível, apresenta-se sob
diversos aspectos: meio ambiente natural (ou físico), artificial (ou urbano), cultural e do
trabalho.
Porém, ele não se mostra segmentado, de modo a se identificarem
esses aspectos de forma isolada dos demais, sendo impossível negar a interação entre
eles
216.
abstrato, denota a totalidade dessas formas relacionais através das quais os indivíduos tornam-se parte de tal rede. A sociedade seria, em suma, a modalidade de interação entre indivíduos: o processo geral e os processos particulares de associação (Vergesellschaftung)” (SIMMEL, Georg. “A sociabilidade” (1917),
In: Questões fundamentais da sociologia, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 09-10).
212 ARENDT, Hannah. Crises da república, tradução de José Volkmann, São Paulo: Perspectiva, 2004, p.
68. Nessa perspectiva, Simmel assinala: “o status nascendi da sociedade reside nos processos de interação microssociológicos através dos quais se constituem associações (ou “sociações”), não bastando apenas interagir (através de condicionamentos recíprocos), pois é preciso ainda que os indivíduos em interação ‘uns com, para e contra os outros’ formem, de alguma maneira, uma ‘unidade’, uma ‘sociedade’ e estejam conscientes disso” (SIMMEL, Georg. A sociabilidade (1917), In: Questões fundamentais da sociologia,
Op. cit., p. 09-10).
213 DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do Estado, 19. ed., São Paulo: Saraiva, 1995,
p. 19-20.
214 DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do Estado, Op. cit., p. 19. “Um conceito
extremamente feliz de bem comum, verdadeiramente universal, que indica um valor reconhecível como tal por todos os homens, sejam quais forem as preferências pessoais, foi assim formulado pelo Papa João XXIII: ´Conjunto de todas as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento
integral da personalidade humana`. Papa João XXIII, Pacem in Terris (Encíclica, II, 58)”.
215 NUSSENZVEIG, H. Moysés (org.). O futuro da Terra, Rio de Janeiro: FGV, 2011, p. 11-18.
216 SPÓSITO, Maria Encarnação Beltrão. “Embate entre as questões ambientais e sociais no urbano”, In:
CARLOS, Ana Fani Alessandri (org.) Dilemas urbanos: novas abordagens sobre a cidade, 2. ed., São Paulo: Contexto, 2005, p. 295-297. “O Cristianismo redefiniu a relação entre os homens e a natureza, ao estimular a construção de uma representação de mundo, tendo o homem como centro dele, visto que, para esse campo doutrinário, ele foi feito à imagem e representação de Deus. Assim a natureza e tudo que a ela se associa passam a ser vistos como bens disponíveis aos homens. O capitalismo só acentuou essa visão de mundo ao estimular a capacidade técnica da sociedade em transformar a natureza e ao sobrepor, ao primado do espírito, o da razão. A cidade contemporânea, a partir dessa perspectiva analítica, em muito distingue-se da cidade antiga ou da medieval. No caso destas, a preocupação com a visão holística levava
88
Segundo Helena Ribeiro
217, “ecossistema urbano é um sistema
complexo cujos elementos e funções estão estreitamente correlacionados. Nele existem
sempre uma correlação e uma associação entre o meio natural e o construído, em que a
presença da atividade humana na transformação do ambiente natural é extremamente
forte”. Seu caráter holístico dificulta um conceito universal, já que as cidades, como
construções humanas que apresentam particularidades históricas, socioeconômicas e
culturais não se constituem em um modelo único.
Ao se estudar, portanto, o meio ambiente urbano
218, verifica-se que
nele, como em nenhum outro aspecto do meio ambiente, encontram-se presentes, de
forma marcante, todos os demais aspectos. O solo, a água e o ar influenciam
diretamente; a fauna e a flora integram-na; o aspecto cultural evidencia-se no aspecto
físico por meio de construções histórico-culturais e sentimentos afetivos e nele estão
localizados os mais variados locais de trabalho: a indústria e o comércio, em suas mais
diversas formas de apresentação.
Por isso, não há como se pensar as cidades sem o meio ambiente
físico, sem uma formação cultural, sem o trabalho.
Conforme entende José Afonso da Silva
219, “o aspecto artificial do
meio ambiente é aquele constituído pelo espaço urbano construído, consubstanciado no
conjunto de edificações (espaço urbano fechado) e dos equipamentos públicos (ruas,
praças, áreas verdes, espaços livres em geral: espaço urbano aberto)”.
O meio ambiente urbano, ou artificial, é representado pelas
cidades
220, entendidas como aglomerações humanas dotadas de edificações e
infraestrutura consistente em áreas de lazer, serviços públicos, saneamento etc.
à busca dos nexos entre a cidade e a natureza, como se pôde depreender das formas urbanas produzidas, das leituras filosóficas engendradas sobre essas sociedades e de suas representações artísticas de natureza e cidade. Quando se analisam essas mesmas leituras de mundo no período contemporâneo, claramente percebe-se a cisão entre o natural e o urbano. Sendo a cidade, uma das expressões materiais mais contundentes da capacidade social de se apropriar da natureza e transformá-la, ela é vista como contraponto da própria cidade, ou seja, a cidade é considerada, por excelência, a não-natureza”.
217 RIBEIRO, Helena (org.). Novos instrumentos de gestão ambiental urbana, São Paulo: Edusp, 2001,
p. 15.
218 No que se refere ao espaço urbano, “este se caracteriza como a superfície ocupada pelas cidades ou
pelo menos a superfície necessária ao funcionamento interno da aglomeração. Compreende as áreas construídas, a rede urbana de ruas, as implantações de empresas industriais e de transporte, os jardins, os parques de diversão e de lazer, colocados ao alcance imediato do citadino” (DOLLFUS, Olivier. O
espaço geográfico, Op. cit., p. 78).
219 SILVA. José Afonso da. Direito ambiental constitucional, Op. cit., p. 21.
220 Como bem sintetiza Graças Índias Cordeiro, “uma antropologia da cidade (e não apenas na cidade)
deveria olhar as mesmas como estruturas sociais de domínios múltiplos, com uma particular atenção às formas e graus de inter-relações, não só no interior dos domínios, como entre eles” (CORDEIRO, Graças
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Fábio Nusdeo
221, já na década de 1970, referindo-se ao meio
ambiente artificial, registra: “Esse meio, embora não natural, também envolve a espécie
humana e deve ser objeto de proteção, evitando-se a sua deterioração e o seu
congestionamento, inclusive como condição para a estabilidade afetivo-emocional e
sociocultural do homem”.
Assim, a natureza, vista em dimensão histórica
222, inclui o homem,
seus atos, objetos, conhecimentos, crenças, potencialidades e limites.
Cuidar
223do meio artificial é cuidar, também, do meio natural, pois
este sofre as consequências da degradação ambiental urbana.
Assevera Walter Ceneviva
224:
Se não nos cuidarmos, repercutirá no direito a conhecida
insuficiência de meios dos defensores da natureza, em face dos
que querem tirar proveito dela a qualquer custo. Sabemos que
defender a natureza é difícil, até pela falta de uniformidade na
compreensão universal dos efeitos daninhos no dia a dia.
As áreas urbano-industriais representam, pois, a mais profunda
modificação humana da superfície da Terra, da atmosfera e do ecossistema terrestre.
“Todos os aspectos do ambiente são alterados pela urbanização e a industrialização,
inclusive o relevo, o uso da terra, a vegetação, a fauna, a hidrologia e o clima”, aponta
David Drew
225.
Índias. “A antropologia urbana entre a tradição e a prática”, In: CORDEIRO, Graças Índias; BAPTISTA, Luís V.; COSTA, António F. da. (orgs.). Etnografias urbanas, Oieiras: Celta, 2003, p. 12-13).
221 NUSDEO, Fábio. Desenvolvimento e ecologia, 2. ed., São Paulo: Saraiva, 1975, p. 24.
222 Interessantes as novas galerias do Itaú Cultural, em São Paulo, que contrastam com a alta voltagem das
obras de arte e documentos históricos que abrigam. Duas salas inteiras da mostra exibem uma avalanche de imagens da flora e da fauna do Brasil” (MARTÍ, Silas. “Galerias high-tech levam a passeio por origens do país”, Folha de São Paulo, Ilustrada E4, São Paulo, 12/12/2014).
223 A preocupação com o meio ambiente é uma ideia já antiga. Machado de Assis no seu maravilhoso
“Dom Casmurro”, através de seu narrador Bentinho, já falava de pessoas inteligentes que iam jantar em sua casa na sua infância e falavam que os polos estavam derretendo...
224 CENEVIVA, Walter. “Clima radical preocupa”, Folha de São Paulo, Cotidiano 2, São Paulo,
1º/12/2012.
225 DREW, David. Processos interativos homem-meio ambiente, tradução de João Alves dos Santos, 4.
ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998, p. 177. Nesse sentido, conforme ressalta o urbanista norte- americano e professor de Geografia da Universidade de Dublin Mike Davis: “Estamos vivendo em uma nova Terra. No próximo século, o sistema climático global será governado por níveis de acumulação de gases sem precedentes nos últimos três milhões de anos. A maior retenção da energia solar conduzirá a mais eventos climáticos extremos; contudo, e mais importante, reorganizará padrões de chuvas regionais e temperaturas, com grandes implicações para a agricultura irrigada e a qualidade da água consumida nas cidades. A incidência de colapso dos sistemas urbanos por eventos climáticos extremos tem aumentado. Serão necessários trilhões de dólares para adaptar as cidades, mesmo as mais ricas, ao clima novo que está chegando” (DAVIS, Mike. “Clima pesado”, Folha de São Paulo, Caderno Mais, C4, São Paulo, 15/02/2009).