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2.2. TÜRKĠYE‟DE BÖLGELERĠN EKONOMĠK GELĠġĠMĠ

2.2.9. Göçe ĠliĢkin GeliĢmeler

3.1 – O Brasil na Primeira República: história, política e educação.

O período que se estende da proclamação da República, em 1889, até a Revolução de 1930 é chamado pelos historiadores de Primeira República ou República Velha. A principal característica desse período foi o absoluto domínio das oligarquias agrárias (os grandes fazendeiros) sobre a política brasileira. A mais rica e poderosa, formada pelos cafeicultores, assumiu o controle do governo federal e o do governo do estado de São Paulo. As mais fracas, ligadas ao açúcar, ao algodão, ao cacau e a outros produtos secundários, assumiram o controle dos demais governos estaduais.

No período de 1889 a 1894, a República entra em crise devido a revoltas e à política econômica de Floriano Peixoto. Com a entrada do primeiro presidente civil, Prudente de Morais, em 1894, inicia-se um período de completo domínio pelas oligarquias. Aos poucos são abandonadas as medidas inovadoras do governo anterior, retornando à antiga política do Império: agricultura e sólidas relações com os grupos financeiros internacionais.

Os anos que se seguiram à proclamação da República foram de oposição entre o grupo militar, que detinha o poder, e o grupo agrário, interessado em garantir a supremacia política. As Forças Armadas formavam um grupo heterogêneo. Havia rivalidade entre Exercito e Marinha, que se opunham ao grupo social fortemente unido, os proprietários de terra. Embora tenham tido grande influência durante os primeiros anos da República, os militares faziam concessões ao grupo agrário exportador que dominava a economia, acabando por entregar-lhes o governo do país (PEIXOTO, 1983).

A Constituição de 1891 representou a vitória política das oligarquias, uma descentralização do poder. O domínio das diversas oligarquias, principalmente de São Paulo e Minas, encontrou seu apogeu na “política dos governadores” que se constituía numa troca de favores: os governos Estaduais apoiavam o presidente da República que, por sua vez, os apoiava. A política dos governadores foi complementada pela “política do café com leite”. Minas e São Paulo quase sempre se alternavam no exercício da Presidência da República.

A partir de 1910, o sistema reinante sofreu seus primeiros abalos. Com a primeira Guerra mundial, a partir de 1914, o Brasil viveu um período de crise. A sociedade passou por modificações tornando-se cada vez mais urbana, ou seja, passa de uma sociedade de natureza agrário-exportadora para uma sociedade de economia industrial-urbana, voltada para o consumo do mercado interno. Esses fatores determinaram o crescimento da indústria (PEIXOTO, 1983).

A Campanha Civilista e as conseqüências do surto industrial, ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial – crescimento da burguesia e do movimento operário – revelaram que o regime oligárquico não acompanhou a evolução do país, contribuindo para seu declínio político.

Anamaria Peixoto destaca ainda, que com o crescimento da atividade industrial, o domínio oligárquico enfraqueceu-se. Paralelamente à burguesia, as classes médias encontravam-se em um momento de expansão, que se acentuou nos anos 1914, em virtude da urbanização e expansão do comércio nos grandes centros do país. Vale ressaltar, segundo a autora, que:

As classes médias se identificam com os valores pertencentes ao universo ideológico das classes dominantes e aspiram suas formas de vida como um meio de superação de suas condições de classe, o que explica, em grande parte, as lutas pelo acesso à escola e a ânsia pelo diploma de bacharel (PEIXOTO, 1983, p. 31).

Durante a República Velha, as transformações sócio-econômicas no Brasil, embora lentas, foram significativas. A população passou de 14 milhões de habitantes, em 1889, para 37 milhões, em 1930. A população do sul aumentou muito, passando a ser o centro dinâmico do Brasil. Começaram a surgir cidades com características metropolitanas, como São Paulo.

As conquistas tecnológicas remetiam, a um mundo que nunca mais seria o mesmo. Nele, o homem que ia trocando o campo pela cidade criava automóveis para aposentar as velhas charretes, motores para acelerar o ritmo das fabricas, lâmpadas elétricas para iluminar a nova era e máquinas voadoras para encurtar as distâncias e dilatar as fronteiras do possível. Para registrar progressos até então impensáveis, aperfeiçoaram-se as câmaras escuras que viram máquinas fotográficas e, ainda mais incrível, desponta o cinema, capaz de reproduzir, na tela, o fluxo frenético da vida em contínuo movimento (CAMARGOS, 2001, p. 21).

Era uma época notável, sobretudo para a parcela da população que tinha condições de aproveitar os benefícios do desenvolvimento industrial e do capitalismo, em seus primórdios.

Acompanhando a intensificação do processo de urbanização, a sociedade transformou-se, para escândalo dos conservadores, as mulheres começaram a viver “tempos de modernidade”: usam maquiagem, exibem pernas, seguem o modelo das atrizes de Hollyood - boca carmim, cabelos curtos, grandes decotes, costas descobertas e saias curtas. Com os novos prodígios da época da eletricidade, o cinema brasileiro (que em 1925 viveu uma época de expansão), o teatro e a vitrola despertam a atenção dessas mulheres, as melindrosas. Junto com o novo homem dos anos 1920 - o almofadinha - que tende a cultivar o corpo e ser um exímio dançarino, caracterizaram a crescente modernidade.

Enquanto a economia e a sociedade brasileira transformavam-se, o sistema de governo permanecia imutável. Para quaisquer problemas a resposta das oligarquias tinha como emblema as palavras do presidente Washington Luis: “a questão social é caso de polícia”. Com essa mentalidade, o governo fez cada vez mais inimigos: o povo, a classe média civil, os militares e até alguns setores da burguesia. Quando, em 1930, estourou a Revolução, ninguém ficou ao lado da situação.

Modernidade era a palavra de ordem desses tempos. Paralelamente a esse movimento, começou a surgir no ensino secundário brasileiro uma tentativa de reforma das suas características e objetivos. Apesar dessas transformações sociais, as conseqüências, segundo Jorge Nagle, “não chegaram a se manifestar no domínio da escolarização secundária” ou seja “a predominância, nos meados dos anos de 1920, dos valores da sociedade agrário-comercial, que no plano da cultura sustentavam o bacharelismo e o empreguismo, continuava a pesar sobre a estrutura da escola secundária” (1974, p. 156).

Diante de um quadro de intensas transformações econômicas, políticas e sociais deve-se analisar o papel da escolarização. “Aceitando-se a idéia de que a sociedade brasileira passa de uma ‘sociedade fechada’ para uma ‘sociedade

aberta’, torna-se necessário identificar o papel que a escolarização desempenhou, no sentido de favorecer ou dificultar a passagem” (NAGLE, 1974, p. 99).

De acordo com Peres (1989), desde a República, e com maior força na década de 1920, intelectuais e educadores lutaram por uma política que solucionasse problemas de aperfeiçoamento e difusão do ensino secundário que deveria sofrer modificações de base e se transformar de simples curso de preparatórios ao ensino superior, em um ensino formativo e aberto aos jovens de todas as camadas sociais.

O ensino secundário, desde o Império, estava caracterizado por aulas espalhadas, sem plano, pelas províncias. A criação do Colégio Pedro II, em 1837, tentou estruturar o curso secundário e propiciar um ensino mais sistematizado. O que ocorreu na verdade foi a existência concomitante de um sistema regular, representado pelo Colégio Pedro II, e os cursos preparatórios e exames parcelados de ingresso ao curso superior.

Peres relata ainda que desenvolveu-se um movimento de legisladores, intelectuais e educadores interessados na reconstrução e democratização dos estudos secundários, representando uma ”tomada de consciência das aspirações e iniciativas educacionais estrangeiras”. O “modelo” estrangeiro, entendido como princípios e diretrizes educacionais, tinha como propósito a democratização dos estudos secundários e estava presente nas reformas, principalmente da França, Inglaterra, Alemanha, EUA, Chile, Argentina e México. Essa democratização era um problema tanto quantitativo, relacionado ao acesso ao curso ginasial, quanto qualitativo, de reexame da finalidade desse curso.

A atenção se voltava para as reformas do ensino, o que não chegava, a alterar o caráter do ensino secundário brasileiro, sempre dando maior importância à memorização e habilidade de repetir mecanicamente, ao invés da habilidade para compreender o conhecimento ou sua aplicação. Entretanto o “modelo” estrangeiro contribuiu para que a reforma do ensino secundário na década de 1920, “se impusesse como um movimento de nacionalização” (PERES, 1985).

Segundo Nagle, como resultado das transformações culturais, aparece um entusiasmo pela escolarização. A crença na escolarização como caminho para o

progresso nacional, e para a verdadeira formação do novo homem brasileiro. A reforma da sociedade pela reforma do homem. Pela instrução, formar o cidadão cívica e moralmente, de maneira a colaborar para que o Brasil se transformasse numa grande nação4.

A conseqüência desse estado de espírito foi o aparecimento de amplas discussões e freqüentes reformas da escolarização. O que distingue a última década da Primeira República das que a antecederam, foi justamente isso: a preocupação bastante vigorosa em pensar e modificar os padrões de ensino e cultura das instituições escolares, nas diferentes modalidades e nos diferentes níveis (NAGLE, 1974, p. 100).

A primeira reforma Republicana do ensino brasileiro ocorreu em 1890, no mesmo ano da criação de uma nova secretaria de estado denominada “Secretaria de Estado dos Negócios de Instrução Pública, Correios e Telégrafos”. O responsável pela reforma foi o Tenente Coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1836 – 1891), figura proeminente entre os republicanos, pertencente ao exército e professor de matemática da Escola de Guerra. Esta reforma teve entre outros objetivos, o de ampliar o caráter meramente preparatório do ensino secundário para o ingresso nas escolas superiores. Ampliou objetivos e estabeleceu finalidades. Estabeleceu exames de suficiência para matérias que teriam seqüência no ano seguinte, e exames finais para as que seriam concluídas. Os exames finais constariam de provas escritas e orais (ROCHA, 2001).

Nesta reforma as matemáticas seriam ensinadas nos sete anos de curso, sendo o primeiro ano destinado ao estudo da Aritmética e Álgebra e os demais à Geometria e Trigonometria, Cálculo Diferencial e Integral.

A segunda reforma do ensino, na Primeira República ocorreu em 1901, instituída por Epitácio Pessoa. Com o objetivo de implantar cursos seriados através da equiparação ao Ginásio Nacional, esta reforma fracassou. Os curso preparatórios continuaram existindo.

4 As idéias de democratização do ensino, segundo Marta Carvalho (1998), foram criadas na ABE (Associação

Brasileira de Educação) e estavam centradas em projetos políticos bem definidos. Diferente de Nagle, ela defende a idéia de que o “entusiasmo pela educação” não se constituía em vãos discursos políticos sem alcance real.

Em 1911, efetivava-se mais uma reforma no ensino brasileiro, a mais curta e liberal da Primeira República. Proposta pelo ministro Rivadávia Correia, a reforma retirava do estado a capacidade de interferir no sistema educacional e a necessidade de diploma para o ingresso nos cursos superiores. Bastava passar nos exames vestibulares e ter idade mínima de 16 anos. Como conseqüência dessas medidas, o ensino secundário quase desapareceu e a matrícula no Colégio Pedro II diminuiu consideravelmente (NUNES,1993).

Em 1915 impôs-se uma nova reforma, sob a responsabilidade do Ministro Carlos Maximiliano, que tentou manter o que acreditava serem os pontos importantes das anteriores:

Da reforma Benjamin Constant conserva o caráter restrito da equiparação aos estabelecimentos estaduais (Art. 24). Das tradições do Império restaura os exames de preparatórios, pelos quais os estudantes não matriculados em escolas oficiais podem obter certificados de estudos secundários reconhecidos pela União. Da lei Rivadávia mantém a eliminação dos privilégios escolares e o exame de entrada às escolas superiores, ou seja, o exame vestibular (NAGLE, 1974, p.145).

Entretanto não interessava às oligarquias um ensino estruturado. Brechas na reforma permitiram que o ensino continuasse elitista e propedêutico.

A quinta e última mudança no ensino da Primeira República ficou conhecida como Reforma Rocha Vaz. Instituída a 13 de Janeiro de 1925 pelo Decreto nº 16.782-A, tinha como características principais a seriação e a freqüência obrigatória.

Como resultado do combate à reforma João Luís Alves, mais conhecida como Rocha Vaz, ocorreram alterações com o objetivo de se retornar à situação instaurada pela reforma Maximiliano. Dentre elas, duas se destacaram. A primeira, formalizada pelo Artigo 1º do Decreto nº 5.303-A, de 31 de outubro de 1927 estabelecia:

Nos estabelecimentos do ensino secundário, oficiais ou a eles equiparados, são permitidos os exames parcelados a qualquer candidato que requerer inscrição na época legal de exames de 1927, de acordo com o Decreto nº 11.530, de 1915. A segunda corresponde ao Decreto nº 5.578 de 16 de novembro de 1928, e determina que:

Os estudantes que tiverem iniciado o curso preparatório, na conformidade Art. 297 do Decreto nº 16.782-A de 13 de janeiro de 1925 e do Artigo 1º do Decreto nº 5.303-A, de 31 de outubro de 1927, poderão prestar exames de primeira e segunda épocas do ano letivo de 1928, nos institutos particulares de que sejam alunos matriculados, desde que esses institutos obtenham a concessão de juntas examinadoras, de acordo com o dispositivo no citado Decreto nº 16.782-A de 13 de janeiro de 1925. Art. 2º- Aos exames de preparatórios serão admitidos os candidatos que foram aprovados até o ano letivo de 1924, em 1a ou 2a épocas,

em um exame, pelo menos, feita a competente verificação pelo inspetor; não havendo para este limitação do número de exames que requerer, tanto em 1a

como em 2a época, e os que iniciarem os exames pelo regimento de

preparatórios, de acordo com o Decreto nº 5.303-A, de 31 de outubro de 1927. Com esses decretos, a Reforma Rocha Vaz, que pretendia eliminar o sistema de preparatórios tornando obrigatória a seriação, vê o retorno do antigo sistema, passando a conviver com ele.

3.2 - São Paulo nos anos 1920

Conforme Camargos, antes da primeira guerra mundial o Brasil, São Paulo especialmente, viveu uma época de ‘aformoseamento civilizatório’, Civilizar e embelezar era o objetivo nesta época, dominada pelas oligarquias agrárias:

No Brasil a Belle Époque tem início no governo de Campos Sales. Alçado à presidência da república em 1898, deixa o governo, quatro anos depois com a divida externa do país quitada e as finanças nacionais estabilizadas. Ainda que mais tarde as providências de Sales no campo econômico viessem cobrar pesados tributos... Reconstituía-se um Brasil republicano, capitalista e racional. Instalava-se uma nova ordem, impondo padrões europeizados de condutas públicas e privadas“ (2001, p. 21).

São Paulo seguia os moldes europeus e perseguia um afrancesamento que moldava cultura e modismos das elites. O conceito de modernidade consistia em copiar. Camargos descreve esta época e o início de um ponto de encontro para artistas, literatos e políticos:

Corria o ano de 1904 e a cidade de São Paulo, antes provinciana e acanhada, começava a ostentar símbolos do progresso. Lâmpadas da Light iluminavam as ruas e avenidas recém abertas, onde bondes, agora movidos a eletricidade, não tardariam a disputar espaço com os primeiros automóveis. Vivia-se a Belle Époque, com suas conquistas tecnológicas e a harmonia política propicia ao florescimento de uma sociedade urbana elegante e culta entre as elites regionais. No final do espigão da Avenida Paulista, escolhida pelos barões do café para

erguer seus palacetes de estilo eclético, José de Freitas Valle adquirira uma chácara. (...) Sua propriedade, localizada na Rua Domingos de Morais, número 10, e batizada Villa Kyrial, iria transformar-se em um núcleo irradiador de cultura que por cerca de vinte anos marcou significativamente o cenário intelectual da futura metrópole (CAMARGOS, 2001, p. 15).

A importância da Villa Kyrial evidencia-se quando se leva em conta o fato de São Paulo, apesar de tornar-se um dos principais pólos industriais, comerciais e políticos do país, praticamente não contar com instituições culturais (CAMARGOS, 2001). Com a expansão das cidades, as agendas culturais e espaço de sociabilização foram se multiplicando e democratizando.

Intensos conflitos sociais decorreram da primeira Guerra Mundial. Os anos 1920 são marcados, como já se disse anteriormente, pelo conflito entre a tradicional oligarquia latifundiária e as novas forças sociais, surgidas com a industrialização e a expansão das cidades. O estado de São Paulo (o mais populoso do Brasil) possuía aproximadamente 4,6 milhões de habitantes, sendo responsável por 31% da produção industrial do país. As indústrias contavam com milhões de imigrantes, na maioria italianos, portugueses e espanhóis, trabalhadores do campo, que começaram a migrar para as cidades em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Na política, os anos 1920 são marcados pelo Tenentismo e a Revolução de 1930. Nas Artes, o Modernismo. Em 1922, explode a Revolta do Forte de Copacabana, início do movimento de contestação tenentista. De 13 a 15 de outubro de 1922, um grupo de artistas intelectuais paulistas, subiu ao palco do Teatro Municipal e virou a arte pelo avesso. O escritor Graça Aranha abriu o evento denominado Semana de Arte Moderna, a partir da idéia do pintor Di Calvalcanti e do casal Paulo e Marinette Prado, fazendeiros de café. Sua intenção era “assustar essa burguesia que cochila na glória de seus lucros”, nas palavras de Paulo Prado. As idéias modernistas de “destruir para criar” espalharam-se pelo país tendo São Paulo como berço. Tentava-se uma revolução estética, visual.

3.3 - A educação paulista e o Ginásio da Capital

O clima de intensos conflitos sociais gerados pelo pós – guerra não chegou a afetar a educação que continuou elitista.

As camadas médias urbanas, mistura heterogênea de setores diferenciados pela origem e pelo dinamismo permaneceram à margem do sistema de ensino. Seus reais interesses e aspirações não afetaram a institucionalização da educação, pelo menos até 1930 (NADAI, 1987, p. 133).

Em 1891, Artur Breves, apresentou na Câmara dos Deputados, o primeiro projeto que propunha a reforma da instrução pública no Estado. Este projeto organizava a instrução pública em escolas de três graus, cada um dividido em 3 secções. O ensino seria leigo e gratuito. O objetivo das escolas de primeiro, segundo e terceiro graus era formar indivíduos para as tarefas burocráticas, necessárias à organização do novo estado. Rejeitado pela câmara dos deputados, foi substituído por um segundo, aprovado com modificações em 12/9/1892, classificando o ensino em primário e secundário, ambos leigos e gratuitos. Este segundo projeto era o primeiro que aventava a criação de Ginásios, para o sexo masculino. Um, localizado na Capital, e os demais em três cidades principais do Estado (NADAI, 1987).

O colégio São Paulo, primeiro Ginásio Oficial e seriado do Estado de São Paulo, inaugurado a 16 de setembro de 1894, representaria o ponto intermediário entre o ensino primário e o superior. Funcionaria como um elo indispensável na cadeia da instrução. Desde sua inauguração lutou com deficiências materiais e inadequação de instalações. Sofreu ao longo de várias décadas, verdadeiras peregrinações, mudando-se diversas vezes de local. Começou herdeiro do prédio e dos móveis, de material barato até mesmo quebrado da Escola Normal, em um palacete da Praça da República. Transferiu-se da rua Boa Morte, atual Rua do Carmo para o palacete da travessa da Gloria n0 23, em 1898; depois, em 1901, para a Rua Conde do Pinhal no prédio do Liceu de Artes e Ofícios; Parque Dom Pedro II; novamente para a Rua do Carmo e por fim, Parque Dom Pedro II, em prédio próprio. Esteve muitas vezes às portas de fechamento por falta de alunos, uma vez que o governo estadual tendo consciência de que enquanto não se

abolissem os exames parcelados, a instituição nos moldes em que foi criada e pensada, não teria condições de assumir o seu verdadeiro papel, ou seja, educar os jovens prioritariamente, nas novas idéias democráticas e cívicas.

Apesar de todos esses percalços, a idéia de preservar estabelecimentos dedicados ao ensino gradual e paulatino, subsistiu e tornou-se vitoriosa com a criação de mais dois Ginásios oficiais no Estado: o de Campinas, instalado a 4 de dezembro de 1896 e o de Ribeirão Preto, inaugurado a 1 de abril de 1907 (NADAI, 1987).

O primeiro Ginásio de São Paulo recebeu várias denominações: Ginásio de São Paulo, Colégio de São Paulo, Colégio Estadual “Franklin Delano Roosevelt”, Colégio Estadual “Presidente Roosevelt”, Colégio Estadual de São Paulo e Escola Estadual de 2o grau de São Paulo.

Inúmeras personalidades de renome estudaram no Ginásio do Estado: Julio Prestes de Albuquerque (governador de São Paulo, escolhido por Washington Luís para sua sucessão na presidência; eleito em 1º de março de 1930), Armando Sales de Oliveira (fundador da U.S.P.), Paulo Setúbal (escritor), Orígenes Lessa (escritor), Benedito Castrucci (matemático, professor de matemática e autor de diversas obras) dentre muitos outros.

Através da trajetória escolar de Benedito Castrucci, aluno do Ginásio da Capital a partir de 1925, o próximo capítulo intentará reconstruir aspectos do cotidiano escolar dessa década, analisando especificamente, a educação matemática.

Capítulo 4

BENEDITO CASTRUCCI E O CURSO