2.1.2. Tüketici DavranıĢ Modelleri
2.1.2.1. Klasik (Açıklayıcı) DavranıĢ Modelleri
2.1.2.1.3. Freud Modeli
Na segunda edição do livro “Breve painel etno-histórico de Mato Grosso do Sul”, mais especificamente no capítulo “Pré-história e arqueologia de Mato Grosso do Sul”, Martins (2002, p. 30) exibe uma fotografia de um “recipiente de cerâmica coletado em sítio arqueológico no município de Bodoquena” (Figura 7). Apesar de não haver uma descrição da vasilha, é possível caracterizá-la como uma vasilha fechada com pescoço, com contorno composto, caracterizado por um ponto suavemente angular entre o segmento distal-mesial esférico, constituído pela base, o bojo e a constrição acima do bojo, e o pescoço, dotado de uma forma semicônica invertida. A vasilha ainda apresenta ao menos dois apêndices em forma de alças de suspensão perpendiculares à abertura da boca, aplicados na constrição acima do bojo, no limite entre este e o pescoço. A face externa apresenta decoração mista no segmento superior do bojo, no pescoço e nas alças de suspensão, composta por apliques de filigranas de argila onduladas e retilíneas, horizontais, perpendiculares e oblíquas, e pinturas vermelhas de motivos geométricos com linhas horizontais e perpendiculares, faixas horizontais e oblíquas, campos geométricos contornados pelas filigranas e pontos esféricos. Não há escala na foto, mais como a mesma foi tirada com a vasilha sendo segura pelas mãos, pode se inferir que a mesma possua pelo menos dois palmos de altura.
No artigo sobre datações arqueológicas em Mato Grosso do Sul, Martins, Kashimoto e Tatumi (1999, p. 76, 91) apresentam uma datação arqueológica por termoluminescência de uma cerâmica coletada em superfície, no sítio Campina 1, implantado em uma caverna calcária, no município de Bodoquena/MS, em uma área drenada pela bacia do rio Miranda, com 680 ± 80 AP, porém não há como saber se a vasilha exibida por Martins (2002, p. 30) foi recolhida no mesmo sítio da cerâmica datada. De qualquer modo, uma e outra foram trazidas de sítios localizados no mesmo município. Os autores do artigo sobre as datações ainda apresentaram mais três datas termoluminescentes de cerâmicas provenientes de sítios encontrados na bacia do Miranda, sendo uma de 400 AP, associado ao sítio histórico da cidade espanhola de Santiago de Xerez, outra de 900 AP, de um abrigo sob rocha na Serra de Maracajú, e uma de 1.135 ± 140 AP, de um sítio à céu-aberto aberto encontrado em Terenos/MS. As ruínas de Santiago de Xerez e o abrigo sob rocha, denominado Aquidauana 3, encontram-se em Aquidauana/MS. As cerâmicas do Aquidauana 3 e do sítio localizado
em Terenos, chamado Córrego Barreiro 1, não foram associados a nenhum dos “horizontes arqueológicos” identificados pelos autores.
No livro “12.000 anos: arqueologia do povoamento humano no Nordeste de Mato Grosso do Sul”, Martins e Kashimoto (2012, p. 47), no capítulo “Pesquisas arqueológicas no Sul do Brasil Central”, exibem a mesma fotografia da vasilha descrita acima, porém em uma resolução um pouco melhor, legendada com os seguintes termos: “Cerâmica da tradição arqueológica Serra da Bodoquena, Bodoquena/MS”. Na página anterior, os autores exibem outra fotografia, referenciada com uma legenda idêntica, na qual podem ser contempladas três estatuetas antropomórficas, sendo uma feminina, a outra masculina, e a última, menor que as outras, provavelmente de uma criança. Todas as estatuetas possuem perfurações, sendo que nas duas primeiras há uma perfuração na barriga e duas perfurações em cada um dos braços, ao passo que na última há uma perfuração transversal na cabeça. Porém o mais interessante são os longos cabelos da estatueta feminina, confeccionados por meio de apliques de filigranas de argila (Figura 8). Na mesma página que a fotografia das estatuetas, há um parágrafo no qual os autores se referem às fotos citadas, em conjunto com outras duas fotos, as quais, por sua vez, mostram a “Escavação arqueológica de um sepultamento em um sítio Tupiguarani, Corumbá/MS”. O parágrafo citado trata das observações arqueológicas relativas ao surgimento das evidências de povos ceramistas no Pantanal, “o que pode significar o início do processo formativo das etnias indígenas conhecidas tanto pela arqueologia quanto pela etnografia (...) uma ruptura cultural... origens endógenas e/ou exógenas (...) o manejo e a domesticação de... vegetais... a sedentarização parcial” (MARTINS; KASHIMOTO, 2012, p. 46).
Infelizmente, apesar da proposição de uma nova tradição ceramista, não há no restante do livro nenhuma definição a respeito da “Tradição Serra da Bodoquena”, tampouco em outros títulos publicados pelos arqueólogos que a propuseram. Também não há como saber se as estatuetas, assim como a vasilha com apêndices de suspensão e decoração mista, conforme discutido acima, provém do sítio Campina 1, datado em 680 ± 80 AP, ou de outros sítios encontrados em Bodoquena/MS. Eu seria capaz de apostar que os autores consideraram todos estes dados para propor a dita tradição, porém isso não os exime do fato de tê-la lançado, salvo melhor juízo, sem a devida sistematização. Contudo, pelo que é possível extrair dos dados fragmentados nas três últimas publicações discutidas acima, é possível que os proponentes da Tradição Serra da Bodoquena a associe com povos indígenas agricultores que ocuparam cavernas na
região da Serra da Bodoquena, principalmente em Bodoquena/MS, desde períodos pré- históricos. No meu pensamento, a vasilha exibida por Martins (2002) e Martins e Kashimoto (2012) apresenta alguns elementos tecnológicos notavelmente semelhantes aos inseridos na Fase Jacadigo por Schmitz et al. (1998).
Figura 7: “Cerâmica da tradição arqueológica Serra da Bodoquena, Bodoquena/MS” (MARTINS; KASHIMOTO, 2012, p. 47, foto 34).
Figura 8: “Cerâmica da tradição arqueológica Serra da Bodoquena, Bodoquena/MS” (MARTINS; KASHIMOTO, 2012, p. 46, foto 35).