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17 YÜZYIL OSMANLI-FRANSA İLİŞKİLERİ 2.1 17 Yüzyıl Siyasi İlişkiler

2.2. Osmanlı Ülkesinde Fransız Elçiler

2.2.1. François Savary de Bréves (1591-1606)

No final da Idade Média, a justice déléguée (justiça delegada) dominial era exercida, sobretudo, nos tribunaux de prévôté (tribunais de prebostados) pelos prévôts (prebostes) que, entre outras funções, julgavam infrações penais leves e pequenos litígios civis; nos tribunaux de bailliage ou de sénéchaussée (tribunais feudais) pelos baillis (ao norte) ou sénéchaux (ao sul), que nascem como fiscais dos prévôts e, posteriormente, se fixam como juges d'appel (juízes recursais), revendo sentenças proferidas pelos prévôts em primeira instância. E, em razão de, com o passar do tempo, as duas figuras acima serem consideradas corruptíveis e de julgarem muito mais a favor dos "notáveis" do que dos realmente necessitados, surge a figura dos enquêteurs royaux (supervisores reais), último escalão administrativo do final do século XIII, os quais controlavam os baillis e os sénéchaux. Nos présidiaux, tribunais que desafogavam os Parlements; e, por fim, nos Parlements, topo da hierarquia da justiça antiga na França, os quais proferiam decisões colegiadas, os arrêts (acórdãos), pela via recursal, o appel21.

bin/dico1look.pl?strippedhw=enquete&dicoid=ACAD1798&headword=&dicoid=ACAD1798).; e a Chambre

des requêtes, formada por juízes em primeira instância que julgam causas com algum tipo de privilégio. O

Parlamento, assim, é a principal jurisdição recursal e é o último grau de jurisdição. Suas decisões não eram passíveis de modificação no Ancien Régime, senão por meio de cassação apresentada perante o Conseil du roi (FOYER, 1996:28-29).

20 No original: « une voie de recours contre un jugement déjà rendu, jugement que n'accepte pas l'un ou l'autre

des plaideurs » (LEBIGRE, 1976: 163, tradução nossa).

21 Além das câmaras já mencionadas em nota, existia no século XVII, a Tourenelle, chambre (câmara)

Além disso, havia os tribunais extraordinários, que julgavam as requêtes de l'hôtel (requisições reais) e as requêtes du Palais (requisições judiciais), recursos provenientes do Parlement e um segundo grupo de tribunais extraordinários que julgava recursos provenientes de uma cour souveraine (Corte soberana) que não o Parlement (FOYER, 1996:31-32).

Porém, à medida que o Estado ia se constituindo como ente judiciário, político e administrativo22, dos séculos XIII ao XVII, essa justiça delegada se tornava cada vez mais complexa e, para seu exercício, havia um corpo de servidores e prestadores chamado le personnel judiciaire (pessoal da justiça) ou la noblesse de robe (nobreza togada), mais ou menos delineado ao final do séc. XVI. Esse corpo era dividido em magistrats (magistrados), gens du roi (magistrados reais) e auxiliaires de la justice (auxiliares da justiça), quase todos proprietários de seus cargos adquiridos da coroa mediante pagamento.

Apresentamos, abaixo, três organogramas com os principais nomes e funções do personnel judiciaire do Ancien Régime francês23:

Figura 1 - Organização geral dos funcionários da justiça no Ancien Régime

O personnel judiciaire (pessoal da justiça) no Ancine Régime estava dividido entre magistrados, procuradores do rei (chamados de magistrats du Parquet) e auxiliares da justiça. Entre os auxiliares da justiça, havia os auxiliares do juiz, os officiers (oficiais), e os auxiliares

22

Importante lembrar que nessa época não havia separação dos poderes do Estado.

23 Organogramas elaborados com base nas teorias apresentadas em Foyer (1996:33-38) e Lebigre (1976: 280-

das partes, também chamados plaideurs (demandistas).Os primeiros eram funcionários públicos proprietários de seus cargos adquiridos mediante pagamento, os offices de judicature (ofícios de judicatura). Tais cargos eram concedidos pelo rei por meio das Lettres de Provision d'Office (Cartas de provisão de ofício) e tinham como principais características a venalidade e a hereditariedade24. Como consequência da primeira característica desses cargos, Lebigre (1976:245) aponta a criação de inúmeros ofícios durante o período do Absolutismo francês, inclusive ofícios inúteis na prática e, ao longo do tempo, a possibilidade de inúmeras famílias ascenderem socialmente por meio do exercício de cargos nos ofícios, o que lhes conferia uma noblesse de robe (nobreza togada). Já a segunda característica, a hereditariedade, feita por meio da resignatio in favorem, possibilitou que os cargos se tornassem propriedade familiar, uma vez que após a morte do officier, seus herdeiros podiam dispor do seus cargos como bem entendessem, vendendo-os ou conservando-os25. Já a segunda classe de auxiliares, os auxiliares das partes ou plaideurs, era constituída por procuradores e advogados, sendo que somente os primeiros não eram titulares de uma função vendável. Vejamos o organograma seguir:

Figura 2 - Organização geral dos magistrados no Ancien Régime

Entre os magistrados, que faziam parte do chamado le monde de la robe, quase a totalidade pertencia à categoria dos funcionários da justiça, os chamados officiers: tinham a garantia da inamovibilidade, eram proprietários de seus cargos e podiam transmiti-lo a um

24 Para maiores detalhes, ver Lebigre (1976:240-251). 25 Para maiores detalhes, ver Lebigre (1976:247)

herdeiro mediante a resignatio in favorem. Um único magistrado era commissaire (juiz comissário): o primeiro Presidente do Parlamento de Paris, cujo cargo comissionado tinha sido designado pelo rei mediante um documento chamado Lettre de Comission (Carta de Comissão) e que poderia ser, a qualquer tempo, destituído pelo rei.

Os juízes que tinham a função de julgar eram os juges du siège (juízes togados). A instituição do Parquet (Ministério Público), figura singular da França, também tinha seus juízes. Os magistrados do Parquet não tinham a função de julgar, mas de defender os interesses gerais, os interesses superiores da sociedade. Eram os defensores da lei e, portanto, na monarquia, do patrimônio e do interesse do rei, por isso também chamados de les gens du roi. O cargo mais alto do Parquet era ocupado pelo Procureur Géneral,(Procurador Geral) que exercia suas funções junto aos Parlamentos. Nos baillis e nos présidiaux (tribunais feudais de primeiro grau), o cargo de magistrat du Parquet era ocupado pelos procureurs du roi, como vemos a seguir:

Figura 3 - Organização geral dos auxiliares da justiça no Ancien Régime

Entre os funcionários da justiça encarregados de auxiliarem o juiz, também officiers (oficiais), havia os greffiers (escrivãos), os huissiers (oficiais de justiça) e os sergents (oficias de justiça de escalão inferior) Os primeiros, cargos de maior prestígio entre os auxiliares da justiça em razão dos altos lucros, redigiam as decisões proferidas pelos juízes em audiência e

conservavam as minutas. Podia-se encontrar em algumas áreas, como a do Tesouro, uma subdivisão em greffiers en chef (chefe dos escrivãos) e greffiers spécialisés (escrivãos especializados). Os huissiers, segunda categoria de auxiliares do juiz, faziam os serviços ligados à audiência. Ocupavam um cargo de menor prestígio se comparados aos greffiers, mas de maior prestígio se comparados à terceira categoria, a dos sergents. Figura extinta do Poder Judiciário francês moderno, os sergents se encarregavam da assignation (citação) dos atos do processo, ou seja, da ciência necessária dada às partes dos atos processuais e das sentenças, bem como se ocupavam das medidas relacionadas à execução, busca e apreensão de bens, entre outras medidas. Nas cortes soberanas, eram os huissiers que desempenhavam o cargo dos sergents. Todos os cargos associados ao auxílio do juiz eram cargos que poderiam ser adquiridos da coroa real, o que, durante o Ancien Régime, resultou em uma multiplicação de cargos e funções.

Como auxiliares das partes, havia os procureurs (procuradores) e os avocats (advogados). Somente os primeiros eram considerados profissionais autônomos não proprietários de seus cargos, como os outros auxiliares. Os procureurs eram profissionais responsáveis pela redação das peças processuais que instruíam os processos na justiça, função já extinta do direito moderno francês. Já os avocats, por sua vez, eram os profissionais que defendiam oralmente essas pretensões em audiência. Ou seja, no Ancien Régime, as funções exercidas pelo avocat moderno eram distribuídas em duas figuras diferentes. Aos procureurs era proibida a plaidoire (sustentação oral), cujo monopólio pertencia aos membros do barreau (espécie de Ordem dos Advogados). Perante o Conseil du roi (Conselho do Rei), os procureurs chamavam-se avocats aux conseils (advogados do Conselho); já os avocats, ao ingressarem na carreira, o que só poderia ser feito a partir dos 17 anos, com uma formação em direito civil ou canônico e pertencer à religião católica, eram écoutants (ouvintes); durante 20 anos, exerciam a plaidoire e, após esse período, passavam a ser consultants (consultores). O barreau, ordem que congregava os avocats, tinha como representante un bâtonnier (bastonário, aquele que carrega o bastão), pessoa que carregava o bâton de Saint Nicolas durante as procissões católicas.

Assim era composto, de forma bastante resumida, o personnel judiciaire da justiça delegada do Ancien Régime francês.