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2.3. Altın Bankacılığı İşlemlerinin Fıkhî Tahlîli

2.3.5. Altın Forward İşlemleri

2.3.5.2. Forward İşlemlerinin Caiz Olmadığı Görüşü

A partir daqui tentaremos explicitar mais as mediações entre as linhas teóricas apresentadas e o objeto empírico da pesquisa: o fenômeno político dos movimentos antiglobalização. Optou-se por não aprofundar a análise sobre alguns casos particulares, mas sim construir uma espécie de interpretação do impacto político produzido pela ação coletiva desses movimentos. Isto porque, como veremos mais adiante em detalhe, tanto os “dias de ação global” e demais protestos, quanto os fóruns e os encontros desses movimentos são, na maioria das vezes, organizados segundo os princípios da “forma rede”. A forma rede refere-se àqueles tipos de ações (não só políticas) coordenadas por uma multiplicidade não hierarquizada de atores, nas quais a análise de uma parte isolada não é capaz de explicar como o todo se configura. Como explicam Aguiton e Cardon (2006:2):

Entende-se aqui por ‘forma rede’ os dispositivos organizacionais que se caracterizam por uma fraca ordem hierárquica, uma estrutura descentralizada que deixa uma importante margem de autonomia aos atores, a busca de coordenação com outras entidades exteriores e a preocupação do consenso nas tomadas de decisão. Porque a horizontalidade é a sua componente principal, os atores emprestam muitas vezes a esta forma organizacional um conjunto de valores (flexibilidade, mobilidade, respeito pelas individualidades, proximidade da ação, etc.) que os associam – parcialmente e de forma por vezes ambígua – às culturas participativas que reivindicam a democratização das organizações militantes pela participação, a transparência das decisões, a rejeição da burocratização e dos fenômenos de delegação. (...) Esta exigência torna-se uma valorização coletiva, como princípio de coordenação desejável para as próprias organizações, mas, sobretudo, para o tecido que elas formam ao se encontrarem.

Isto significa tentar contextualizar a sua emergência e atuação enquanto um acontecimento coletivo de destaque no momento contemporâneo, como uma experiência política que busca atualizar e reinventar formas de luta que sejam capazes de interferir no recorte policial do mundo sensível. Uma certa historiografia do processo inclui identificar ao menos algumas das cenas de dissenso, de desorganização da partilha policial do mundo que possam ter sido por eles criadas. O período em questão vai, grosso modo, de janeiro de 1994 a janeiro de 2007 – respectivamente, as datas do Levante zapatista em Chiapas, México, contra a entrada em vigor do NAFTA44; e da realização do último Fórum Social Mundial, em Nairobi, Quênia.

Os anos de 1990 a 1997 marcaram o momento de maior hegemonia do discurso neoliberal da globalização, quando todos aqueles que ousassem se opor ao modelo eram desde logo tachados como atrasados. Nos termos de Rancière, aqueles que tentaram enunciar

44 Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla inglesa). Alguns dos marcos

frequentemente apontados como fundadores dos movimentos antiglobalização são: o levante de Chiapas de 1994 e o “Encontro intergaláctico” promovido pelos zapatistas em 1996; a fundação de redes internacionais como a AGP (Ação Global dos Povos) em 1996 ou a Via Campesina em 1993; os protestos que barraram o AMI (Acordo Multilateral de Investimentos) na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 1997; e os protestos de Seattle contra a OMC (Organização Mundial do Comércio) em dezembro de 1999.

críticas a esse modelo econômico passaram a ser estigmatizados e ouvidos enquanto um “ruído” desprovido de mensagem relevante, politicamente qualificada.

Somente a partir dos anos 1990, e mais especificamente da segunda metade dos 1990, é que se inicia a problematização sobre a existência de um acontecimento como os movimentos antiglobalização. Dos anos 1980 até meados dos 1990 já há um grande debate acerca da dissolução do modelo de governo simbolizado pelo welfare state, dos novos problemas advindos da economia financeira globalizada e da hegemonia ideológica do neoliberalismo. Nesse período, contudo, ainda não há qualquer discussão na literatura sociológica sobre um movimento antiglobalização tal como veio a se formar posteriormente. É claro que não se trata, porém, de um fenômeno político “que surge do nada”.

A internacionalização da atividade política de cada “segmento” não é homogênea, ou seja, há diferentes momentos de entrada dos sujeitos políticos na cena internacional, resultando que é do acúmulo histórico desse processo de internacionalização que se constitui a forma de dissenso político posteriormente identificada como movimentos antiglobalização.

Os primeiros atores que se coordenaram no plano internacional, desde os anos 1970, foram algumas ONGs que contestavam o terreno da legitimidade da organização westfaliana do mundo45: Anistia Internacional sobre direitos humanos,

Friends of the Earth ou Green Peace sobre questões ambientais, Oxfam sobre desenvolvimento ou Médicos Sem Fronteiras sobre urgência humanitária. (...) Num contexto de crescimento da globalização, a internacionalização dos movimentos sociais é mais tardia, sendo as organizações internacionais tradicionais, como as internacionais sindicais, estruturas essencialmente formais (Aguiton e Cardon, op. cit.:3).

O contexto histórico de acumulação desse processo é o do pós-Guerra Fria, com o gradual aparecimento na cena política de novos modos de subjetivação, ou seja, novos sujeitos políticos (diga-se, bastante heterogêneos). Neste momento, é através da experiência

45 Referente ao acordo conhecido como “Paz de Westfalia”, que consolidou, no séc. XVII, a ordem dos Estados-

mesma das campanhas e dos protestos por eles realizados que se vai estabelecer uma dinâmica de convergências múltiplas entre uma imensa diversidade de temáticas, tradições e forças políticas. Portanto, trata-se um fenômeno político construído a partir da interação entre experiências e tradições “novas”, mas também outras “antigas”.

Uma das hipóteses de pesquisa que traduzem a relevância do tema está fundamentada sobre a premissa da existência da política segundo o pensamento de Jacques Rancière: significa dizer que o surgimento dos movimentos antiglobalização no contexto pós-socialista do final do século XX pode ser interpretado enquanto um ato de produção de novas instâncias e de uma nova capacidade de enunciação pública que não eram identificáveis num campo de experiência anteriormente dado, cuja identificação, portanto, caminha a par com a reconfiguração do campo da experiência política46 (Rancière, 1996:47-48, grifo nosso).

Decorre daí tentar compreender o nexo existente entre as utopias que movem esses movimentos e as formas de subjetivação política que deram ensejo ao seu surgimento. Assim, tentar entender as expressões variadas de ação coletiva empregadas visando desorganizar a ordenação policial do mundo sensível atual. Utopia será aqui entendida enquanto o “significado de um norte para a organização/reorganização da estrutura social: ‘a visão de futuro sobre a qual uma civilização baseia seus objetivos ideais e constrói suas esperanças’. (...) A utopia direciona a ação política e potencializa a insatisfação com o mundo existente” (Gorz, André, 1988, apud Miguel, Luis Felipe, 2006:93).

46 Rancière chama atenção para “a abertura de um campo do possível”, ao comentar a Revolução Francesa: “Em

1788 não havia um horizonte de fins imanentes próprio a acarretar na revolução. Houve de início a constituição de um certo espaço de decisão comum que criou novos possíveis e novos sujeitos e fins. É a criação de uma esfera de ‘poder do povo’ que definiu a abertura de um campo do possível” (Rancière, 2007:7). A abertura de novos possíveis na política contemporânea, como também aponta Klein (2003), está presente no debate entre ativistas sobre os movimentos antiglobalização.

CAPÍTULO II