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Filistin-Suriye Cephesi’nde Etkili Diğer İsimler

2.6 Filistin Suriye Cephesinde Karşımıza Çıkan Diğer Yahudiler

2.6.4 Filistin-Suriye Cephesi’nde Etkili Diğer İsimler

O fait divers, notícia que causa impacto ao leitor, como crimes envolvendo pessoas conhecidas (ERBOLATO, 2008), apresenta caráter quente e circunstancial (MAFFESOLI, 1988). Relatos assim abastecem a imprensa sensacionalista com ingredientes insólitos e extravagantes, para a manchete de capa. O formato apresenta carga suficiente de interesse humano, para causar a “tênue sensação de algo vivido no crime, no sexo e na morte” (ANGRIMANI, 1995, p. 26). É quando a dramatização prepondera sobre a informação (MORIN, 1997).

Segundo Roland Barthes (1982), ao contrário da notícia, estrito senso, que remete a outros discursos e realidades, o fait divers possui estrutura fechada, cujas chaves para compreendê-lo estão nele mesmo, entendido como informação total ou imanente. Sem contexto, possui sentido de base “altamente ambíguo” (ESCOBAR, s/d, p. 113).

Barthes (1982) exemplifica a sua proposta, do fait divers como notícia, por meio da divulgação de assassinato: “Se é político, é uma informação, se não o é, é uma notícia” (p. 57). A notícia geral, ou, melhor, os fatos diversos, no entendimento de Barthes (1982), consiste em classificar o inclassificável. Na primeira situação, o fato remeteria a conhecimento exterior a ele, o contexto político. Trata-se de informação parcial. Compara com fragmentos de romances, ou seja, do saber incompleto e variante.

Por outro lado, afirma que o fait divers contém em si todo o seu saber. “Ele não remete formalmente a nada além dele próprio; (...) seu conteúdo não é estranho ao mundo: desastres, assassínios, raptos, agressões, acidentes, roubos, esquisitices, tudo isso remete ao homem, a sua história, a sua alienação, a seus fantasmas, a seus sonhos, a seus medos” (BARTHES, 1982, p. 59). Acrescenta a característica de ele ser notável e conter relações surpreendentes.

O autor aponta as causas perturbada e esperada para o fait divers de causalidade. A causa perturbada aborda o desconhecimento causal e a possibilidade de pequeno fato produzir grande efeito, motivado, sobretudo, pela imprecisão dos motivos ou pelo ilógico das “perturbações da causalidade”, alimentadas por “poderosos estereótipos: drama passional, crime por dinheiro, etc.” (1982, p. 60). O grau de excepcionalidade é o conflito formalizado, “inexplicável aos recursos da racionalidade (...), cujo código de fala é a língua da emocionalidade” (RAMOS, 2001, p. 125).

Quanto à causa esperada, Barthes (1982) refere que, de certa forma, a causalidade é normal. Embora a sua ênfase não esteja na relação de espanto, que constitui a estrutura narrativa, trata-se do que ele denomina dramatis personae (criança, velho, mãe, etc.), “espécies de essências emocionais encarregadas de vivificar o estereótipo” (p. 60).

A causalidade estrutural do fait divers termina por ser menos reveladora que o acaso que suscita (ESCOBAR, s/d). Essa peculiaridade leva Barthes (1982, p. 63) a problematizar a questão causal:

Todos esses paradoxos da causalidade têm um duplo sentido; por um lado, a ideia de causalidade sai deles reforçada, já que se constata que a causa está em toda parte: com isso, o fait divers nos diz que o homem está sempre ligado a outra coisa, que a natureza é cheia de ecos, de relações e de movimentos; mas, por outro lado, essa mesma causalidade é constantemente minada por forças que lhe escapam; perturbada sem, entretanto, desaparecer, ela fica de certo modo suspensa entre o racional e o desconhecido, oferecida a um espanto26 fundamental; distante de seu efeito (e é isto, no fait divers, a própria essência do notável), a causa aparece fatalmente penetrada por uma força estranha: o acaso; no fait divers, toda causalidade é suspeita de acaso.

O semiólogo francês traça, contudo, os limites de extensão causal. Para ele, a ignorância real da causa de um crime misterioso obriga o fait divers a estender-se por vários dias, a ponto de perder o seu caráter efêmero, característico da natureza imanente. No limite,

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“o atraso causal não exaspera nele o crime, mas o desfaz” (BARTHES, 1982, p. 62). Ao perder a relação fundamental que o caracteriza, o fait divers desaparece.

Ele ainda enumera o segundo tipo de relação que pode articular a estrutura do fait divers. Trata-se da coincidência, quando repetir é significar algo, já que, em situações assim, quebra-se a lógica de que o acaso deveria variar os acontecimentos. Exemplos não faltam: uma joalheria assaltada três vezes; mulher que põe em fuga quatro bandidos, caso este em que a coincidência paradoxal tem a função de unir dois percursos distintos num só (BARTHES, 1982).

Enquanto isso, Antonio Hohlfeldt (2002) alerta para o risco de se confundir fait divers com sensacionalismo. Destaca que, embora seja possível, a coincidência entre ambos não é obrigatória:

O sensacionalismo advém do tratamento dado ao tema, enquanto que a perspectiva do fait divers é pura e simplesmente o conteúdo em si mesmo, que quebra o ritmo cotidiano das séries de acontecimentos a que estamos acostumados a descobrir nas páginas do noticiário que acompanhamos. É correto dizer-se, contudo, que o fait

divers está sempre presente em um jornal sensacionalista, porque constitui matéria-

prima que pode vir a ser inclusive posteriormente explorada pela publicação, que a desenvolverá ou lhe dará tratamento de exceção (HOHLFELDT, 2002, p. 146).

No que conceitua como dramas do destino humano, Patrick Charaudeau (2006) sugere categorias para classificar o tratamento que a mídia dá aos fatos, entre as quais, encontra-se o trágico, que descreve o conflito entre paixão e razão, entre pulsões de vida e de morte.

Charaudeau (2006) comenta que o jornal francês Libération foi o primeiro a considerar que os fait divers são fatos da sociedade, capazes de revelar a realidade, da mesma forma que os da política. Em 1995, o periódico publicou série de textos nessa linha.

Baseado em Alain Monestier (1982) e Romi (1962), Danilo Angrimani (1995) conta que muitas obras-primas da literatura basearam-se em fait divers. Em O sofrimento do jovem Werther, publicado, pela primeira vez, em 1774, Johann Wolfgang Von Goethe inspirou-se nas próprias desilusões amorosas, devidas a paixões por mulheres comprometidas, e no suicídio de Karl Wilhelm Jerusalem, pessoa próxima a amigo seu, Christian Kestner, cuja noiva, Charlotte Buff, também fora cortejada pelo escritor alemão. Em 1773, Jerusalem desferiu um tiro na própria cabeça, já que a esposa de um colega não correspondera a seu amor (TOLLE, 2006).

No livro, Werther idealizava Carlota, que se casara com Alberto. Atormentado, o protagonista envia cartas de despedida aos entes mais próximos, inclusive, a ela, adiantando o suicídio. Assim, é narrado:

Um vizinho viu o clarão da pólvora e ouviu o tiro (...). No dia seguinte, pelas seis horas da manhã, o criado entrou na câmara com luz; achou seu amo caído no chão, para um lado a pistola, e todo alagado em sangue (...). A bala, havendo penetrado o coronal na parte superior ao olho direito, tinha ofendido essencialmente o cérebro. (...). Werther morreu ao meio-dia (GOETHE, 2006, ps. 162-163).