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3.2. Alman Askeri Misyon Heyeti İçerisinde Görev Alan Yahudiler

3.2.6. Erich von Falkenhayn

A hermenêutica consiste em tradição antiga que remonta à Grécia Clássica. Ciente das muitas transformações que sofreu ao longo do tempo, John B. Thompson (1995) constitui referencial metodológico baseado em filósofos hermeneutas dos séculos XIX e XX, com destaque a Hans-Georg Gadamer, Martin Heidegger, Paul Ricoeur e Whilhelm Dilthey. “Esses pensadores nos lembram, em primeiro lugar, que o estudo das formas simbólicas é, fundamental e inevitavelmente, um problema de compreensão e interpretação” (THOMPSON, 1995, p. 357).

Mesmo que sem enfoque metodológico específico para o estudo em torno dos meios de comunicação de massa, o esboço engendrado por Francisco Ricardo Rüdiger (1991) é de útil valia para um melhor esclarecimento conceitual. Ele interpreta a hermenêutica como o

paradigma que repõe à história a pergunta pelo seu fundamento. Observa que a historiografia não pode ser dissociada de estrutura de pré-compreensão do seu campo de estudo, ao permitir a sua configuração como saber. “O passado não se encontra nunca em estado bruto. O historiador precisa compreendê-lo e explicá-lo através de dados pontos de vista, dando-lhes, assim, um sentido no curso do tempo e da história” (RÜDIGER, 1991, p. 100).

Fernando Bastos e Sérgio Dayrell Porto (2005) valem-se do aforismo 22 de Além do bem e do mal37, de Friedrich Wilhelm Nietzsche, em que o filósofo alemão afirma: “Não há fatos, somente interpretação”. Garantem ser esta a base da teoria geral da interpretação, a hermenêutica.

Ora, a desconstrução hermenêutica não se refere a uma desconstrução radical da destituição dos sentidos e dos significados, mas a uma desconstrução que, ao interrogar e reinterpretar, reelabora historicamente os sentidos e os significados da compreensão humana (...).

(...).

Entendido como ser-no-mundo, como afirma Heidegger, o homem se encontra sempre lançado no horizonte de um projeto, no interior do qual se dão os entes, manifestos e percebidos através de sentidos. Nessa situação ou círculo hermenêutico, sua intencionalidade vincula-se a pré-compreensão originária, a qual permite que a compreensão, mais ampla e mais profunda, se efetive numa interpretação e se expresse pela linguagem. A compreensão é histórica e a linguagem é ontológica (BASTOS & PORTO, 2005, ps. 316, 317).

Inspirado em Heidegger, Thompson (1995) problematiza o conceito de interpretação, já que, ao tentar entender uma forma simbólica, o analista pode estar se voltando a objeto resultante de outra atividade interpretativa. Trata-se de re-interpretar campo pré-interpretado.

Assim, quando os analistas sociais procuram interpretar uma forma simbólica, por exemplo, eles estão procurando interpretar um objeto que pode ser, ele mesmo, uma interpretação, e que pode já ter sido interpretado pelos sujeitos que constroem o campo-objeto, do qual a forma simbólica é parte. Os analistas estão oferecendo uma interpretação de uma interpretação, estão re-interpretando um campo pré- interpretado (THOMPSON, 2007, p. 359).

Thompson (1995, p. 360) também destaca que “os sujeitos que constituem parte do mundo social estão sempre inseridos em tradições históricas”. Logo, sustenta não fazer sentido estudar qualquer objeto de maneira dissociada do seu contexto sócio-histórico. “(...) a experiência humana é sempre histórica, no sentido de que, ao procurar compreender o que é

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Os autores não especificam a edição com que trabalham. É sabido que o título foi publicado, pela primeira vez, em 1886. Há outras edições, caso de: NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal. Porto Alegre: L&PM, 2008.

novo, nós sempre e necessariamente construímos sobre o que já está presente” (THOMPSON, 2007, p. 360).

Portanto, a primeira etapa desse processo metodológico, a análise sócio-histórica, visa a reconstruir as condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção das formas simbólicas.

O mundo sócio-histórico não é apenas um campo-objeto que está ali para ser observado; ele é também um campo-sujeito que é construído, em parte, por sujeitos que, no curso rotineiro de suas vidas quotidianas, estão constantemente preocupados em compreender a si mesmos e aos outros, e em interpretar as ações, falas e acontecimentos que se dão ao seu redor (THOMPSON, 2007, p. 358).

Conforme Thompson (1995), a estrutura articulada de construções simbólicas requer segunda análise, a análise formal ou discursiva. Para esta etapa, como alternativas, ele indica a análise semiótica, análise da conversação, análise sintática, análise narrativa e análise argumentativa. A presente pesquisa optará pela análise narrativa, por meio de uma análise de discurso, a partir da técnica de análise do discurso das mídias, de Patrick Charaudeau (2006), processo este que será mais bem explicitado, na sequência.

A possibilidade de o pesquisador tomar escolhas quanto a que técnicas de pesquisa utilizar está prevista no próprio referencial da hermenêutica, de Thompson (1995; 2007), como ele esclarece:

A maneira como essas três fases [análise sócio-histórica; análise formal ou

discursiva; interpretação/re-interpretação] de análise são mais eficientemente

aplicadas, na prática, dependerá do pesquisador. Embora eu queira recomendar e defender o referencial metodológico da H.P., não desejo insinuar que questões referentes aos métodos mais adequados de pesquisa possam ser respondidas a priori. Dentro de cada fase do enfoque da H.P., uma variedade de métodos de pesquisa pode estar à disposição, e alguns métodos podem ser mais adequados que outros, dependendo do objeto específico de análise e das circunstâncias específicas da investigação (THOMPSON, 2007, p. 366).

No que tange à análise formal ou discursiva, Thompson (2007) esclarece que, embora as instâncias do discurso situem-se em circunstâncias sócio-históricas particulares, elas também podem ser analisadas formalmente, momento em que se faz necessária a realização da análise discursiva. Como se disse, empregar-se-á uma análise narrativa. “Os métodos de análise discursiva procedem através da análise. Eles quebram, dividem, desconstroem, procuram desvelar os padrões e efeitos que constituem e que operam dentro de uma forma simbólica ou discursiva” (THOMPSON, 2007, p. 375).

Neste ponto, embora o autor se valha de exemplos do campo da literatura, entende-se que, na medida em que matérias jornalísticas constituem-se de relatos, ou seja, narrações, a opção ganha sustentação. “Ao estudar a estrutura narrativa, podemos procurar identificar os efeitos narrativos específicos que operam dentro de uma narrativa particular, ou elucidar seu papel na narração da história” (THOMPSON, 2007, p. 374).

Ele também comenta que a análise precisa manter os fatores sócio-históricos e discursivos imbricados, a fim de que o trabalho analítico não corra o risco de considerá-los isoladamente. Em nenhum momento, uma das etapas pode prevalecer sobre a outra.

Em termos de concepção de pesquisa, Thompson (1995; 2007) prevê que se englobem enfoques tidos como ideais, para compreender o processo da comunicação de massa. O modelo é tríplice e contempla: a) produção e transmissão ou difusão; b) construção da mensagem; c) recepção e apropriação da mensagem.

De maneira lógica, a categoria “a” liga-se com a análise sócio-histórica; “b”, com análise formal ou discursiva; e “c”, com interpretação.

Evidentemente que, pela constituição de fatores históricos, políticos e sociais, porém, com ênfase, sobretudo, nas questões atinentes ao próprio desenvolvimento da imprensa, no contexto sul-rio-grandense, será possível, neste trabalho, ter alguma noção a respeito de cenários internos e externos aos objetos estudados. Mesmo assim, não se tem a pretensão de, mediante breves revisões bibliográficas, dar conta de todo o panorama que compõe a instância de produção e transmissão da notícia, por assim dizer. Menos, ainda, no caso da área de recepção.

Portanto, é na construção da mensagem que se situa o ponto de maior preocupação desta dissertação. “Quando nos centramos nesse aspecto, damos prioridade àquilo que chamei de análise formal ou discursiva, isto é, analisamos a mensagem comunicativa como uma construção simbólica complexa, que apresenta uma estrutura articulada” (THOMPSON, 2007, p. 393).

A execução da terceira e última etapa, a de interpretação e re-interpretação, acontece a partir da análise que a antecedeu e dos resultados da análise sócio-histórica. Mas, se, anteriormente, houve procedimento de desconstrução das formas discursivas, nessa fase, prevalecerá o caminho em direção à síntese analítica, a serviço do que Thompson (2007) designa potencial crítico de interpretação.

O processo de interpretação, mediado pelos métodos do enfoque da H.P., é simultaneamente um processo de re-interpretação. Pois, (...) as formas simbólicas que são o objeto de interpretação são parte de um campo pré-interpretado, elas já são interpretadas pelos sujeitos que constituem o mundo sócio-histórico. Ao desenvolver uma interpretação que é mediada pelos métodos do enfoque da H.P., estamos re- interpretando um campo pré-interpretado; estamos projetando um significado possível que pode divergir do significado construído pelos sujeitos que constituem o mundo sócio-histórico (THOMPSON, 2007, p. 376).