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Fonte: Acervo Rossini Perez.

Em 2013, a Pinacoteca de São Paulo, promoveu uma exposição para celebrar as recentes doações de Rossini Perez ao espaço, com a exposição: Rossini Perez um passante e duas margens, realizada no Gabinete de Gravura Guita e José Mindlin, no período de 27 de abril a 29 de setembro de 2013.

Sua exposição mais recente foi no ano de 2015, no Museu de Arte do Rio-MAR, no Rio de Janeiro: Rossini Perez – Entre o Morro da Saúde e a África no Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR, onde foram apresentados objetos e tecidos africanos, mobiliário, gravuras, fotografias e vídeos.

Rossini Perez desenhou sua trajetória recheada de histórias deliciosas, de fatos da infância, de viagens, de amigos, de trabalhos, de prêmios. Uma vida vivida intensamente, que rendeu frutos, prestígio, e uma enorme contribuição para a Gravura Brasileira.

4 PASSEIO NO ACERVO ROSSINI PEREZ

Trago dentro do meu coração, Como num cofre que se não pode fechar de cheio, Todos os lugares onde estive, Todos os portos a que cheguei, Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, Ou de tombadilhos, sonhando, E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. CAMPOS, Álvaro de.) _______________________

Apresentamos neste capítulo, os documentos que constituem o acervo privado pessoal de Rossini Perez e suas peculiaridades, a partir do registro fotográfico dos documentos que o compõe, buscando identificar suas características, e atividades que documentam sua trajetória artística.

Nos diários de Rossini, constam anotações de todos os acontecimentos de cada dia, com as atividades desenvolvidas, incluindo o que comeu em cada refeição, a sesta que costuma tirar após o almoço, e os valores gastos. No dia 25 de maio de 2005 ele registrou: 12

Segue-se, o registro gravado no dia do seu aniversário em 2014. Foi melancólico: “Setembro 2014, 15, segunda-feira. Completando 83 anos! Bom sono graças à medicação do Dr. Mario Antonio. [...] este foi um dos + melancólicos almoços de 15 de setembro que me passa na memória [...]” (PEREZ, 2014). Rossini explicou que nesta data estava adoentado e almoçou sozinho em casa.

As anotações no diário se encerraram abruptamente neste ano de 2015. Ele confessou que não tem mais ânimo para escrever, atividade que demanda tempo e dedicação. Continua, apenas, a anotar as despesas e os acontecimentos mais importantes. Prefere, nas horas vagas, organizar o acervo, fazer os contatos para a doação de parte do seu patrimônio e visitar as instituições culturais do Rio de Janeiro e de São Paulo. O último apontamento no diário foi sucinto: “sexta-feira 8 maio 2015.

12 Marisa chegou 15:30 + - e saiu 2 hs depois. Ficamos na mesinha da “varanda”, ela anotando meu

“roteiro” de vivência dos anos 31 até 53/54. Material que ela selecionará. Valeu. Senti-me a vontade, narrando detalhes da infância em Macaíba, Fortaleza, Juiz de Fora, RJ (PEREZ, 2005).

5h! Inútil cochilar! Desjejum. Saída Lampsam” (PEREZ, 2015). Lampsam é o nome do estabelecimento onde Rossini costuma ir quase todos os dias, pela manhã, para fazer cópias dos trabalhos, gravar CDs com imagens do acervo, e encaminhar os e-mails, já que não possui computador em casa. A filha do proprietário da loja, abre seu e-mail para enviar e receber sua correspondência.

Falando sobre o seu acervo, Rossini diz: “Esse acervo faz parte do meu patrimônio pessoal. Ele vai se acumulando e passa a ser uma coisa pesada. ” (PEREZ, 2016). Ele tem dificuldade em se desprender, gosta de ter para consulta. A imagem é o que motiva seu trabalho. Apesar de mudar os materiais, está sempre consultando esse acervo, e as imagens sempre voltam a aparecer no seu trabalho. Desde pequeno, esse movimento de manter o acervo ajudou-o a superar os problemas de saúde. Apegou-se muito a essa produção, mesmo que as pessoas não dessem muita importância. Deixar o conforto da casa e viver em função desta linguagem, nunca foi fácil. Ele se pergunta o porquê de tanta dificuldade para obter aquele resultado. É quase que uma obrigação, se sente dependente desta atividade. Gostaria de encontrar um local para guardar esta coleção, preservando-a para exposições e pesquisa.

Para tanto, dado o volume de suas produções não tivemos escolhas, a não ser optar por registrar seus feitos, ora em depoimento, ora por meio do registro fotográfico, considerando sua relação direta com os arquivos modernos, como assegura Schellenberg (2006, p. 41):

Todos os livros, papéis, mapas, fotografias ou outras espécies documentárias, independentemente de sua apresentação física ou características, expedidos ou recebidos por qualquer entidade pública ou privada no exercício de seus encargos legais ou em função das suas atividades e preservados ou depositados para preservação por aquela entidade ou por seus legítimos sucessores como prova de suas funções, sua política, decisões, métodos, operações, ou outras atividades, ou em virtude do valor informativo dos dados neles contidos.

4.1 A FOTOGRAFIA COMO REGISTRO DO FAZER ROSSINEANO

As lembranças em forma de fotografias, têm como característica primordial a presença do cotidiano, marcado não só pelo fato, do conteúdo narrado centrar-se no

vivido, como também por sua organização em datas. Os relatos de Rossini Perez, abarcam os assuntos destacados por ele para serem narrados, e ganham, no seu todo, um sentido, que nos pareceu ser, as preocupações que nosso protagonista mostrava em relação a sua vida. Os relatos, como forma de uma escrita de si, remetem ao surgimento da ideia de vida privada, um movimento de valorização de uma intimidade.

Nesse cenário, as histórias de vida das pessoas, suas narrativas, estão reunidas na documentação que gira em torno da trajetória familiar, social, artística e cultural de Rossini Perez.

Os registros familiares encontram um lugar de destaque no seu acervo. São imagens preservadas por Rossini, que acompanham a história da família e a narrativa da sua autobiografia. Como afirmação da sua linhagem, guarda uma foto de Benigno Quintas, o avô paterno que não conheceu.

Foto 97 - Benigno Quintas, pai de Jayme Quintas Perez e avô de

Benzer Belgeler