• Sonuç bulunamadı

2.2 OKUL ETKİLİLİĞİ

2.2.3 Etkili Okulun Özellikleri

Inicialmente, cabe destacar que, apesar do grande período de atuação da escola na cidade, o registro em Ata, em 1968, do descarte parcial de documentação do arquivo passivo da instituição, por serem considerados desnecessários, manteve mesmo assim, muitos documentos que auxiliaram o desenvolvimento desta pesquisa.

A Escola Marcílio Dias foi criada em 1922 como grupo escolar (Anexo C) com a denominação de Grupo Escolar da Vila de Torres, sancionada pelo então presidente do estado Antônio Augusto Borges de Medeiros.

Como neste período a escola ainda não tinha prédio próprio, as aulas eram realizadas na casa do padre Lamônaco. Localizada na Rua Joaquim Porto com a Rua Júlio de Castilhos, o prédio tinha dimensões imponentes para a época. De acordo com relatos, o prédio era

“magnífico com duas portas e sete janelas, andar térreo e mais três janelas na parte de cima,

todas as aberturas terminadas em arco; no lado norte, um portão coberto dava entrada para o

pátio. O mais majestoso prédio da época”.97

O local possuía três salas de aula, duas no térreo e uma no andar superior. Na imagem que segue (Figura 6), podemos observar à esquerda o Casarão do Padre Lamônaco, que possui uma chaminé ao fundo. Nota-se que a cidade ainda era muito pequena, com poucas moradias, apenas a parte mais alta da cidade possuía casas e estabelecimentos.

Figura 6 – Rua de Cima em Torres/RS – Início do século XX

Fonte: Acervo Fotográfico do Centro Municipal de Cultura de Torres.

Nesse prédio, seriam atendidos 107 alunos, para realizarem o Ensino Primário. O professor Carlos Alexandre Schilling foi nomeado diretor da escola pelo intendente Coronel Pacheco de Freitas (Anexo D).

No entanto, Schilling ficou pouco tempo na direção do Grupo Escolar da Vila de Torres, sendo transferido para o Grupo Escolar da Costa do Mampituba. Assume então Fúlvia Bertolaci, atuando por quatro anos; a partir dela, diversos diretores passaram pela escola, conforme levantamento realizado (Anexo E).

Por volta dos anos 40, o Casarão do Padre Lamônaco em que a escola funcionava, tem suas estruturas abaladas pela ação do tempo e acaba sendo demolida. Porém, uma casa paroquial fora construída ao lado da Igreja São Domingos, na Rua de Cima (Figura 7), que passou a ser o novo endereço da escola. Nota-se que, nos dois momentos, por meio do contato com a Igreja Católica, Torres/RS pôde manter um local que oportunizou ensino às suas crianças. A fotografia destaca o papel centralizador do ensino, pois, no segundo local, a escola está ao lado da Igreja Matriz.

97 O documento que relata as características do prédio em que funcionava o Grupo Escolar da Vila de Torres em ...1922, encontra-se na Casa de Cultura do Município de Torres/RS.

Ainda naquele período, a escola adquire nova denominação; em 1938, passa a chamar-se Grupo Escolar de Torres. E iniciam-se as lutas para que a cidade possuísse o seu primeiro prédio escolar e se desvinculasse da Igreja.

Figura 7 – Fotografia aérea da cidade de Torres / Década de 40

Autor: Estúdio de Ídio K. Feltes. Dimensões: 10x15 cm

Fonte: Banco de Imagens e Sons – Ulbra Torres.98

O local escolhido, para a construção da primeira escola pública de Torres/RS, foi o Morro do Farol, onde havia o espaço necessário para uma escola e que pudesse atender um maior número de alunos. O local não tinha fácil acesso,99 apesar de bem localizado. Como a cidade desenvolvia-se na parte mais alta, correspondente às Ruas de Cima e Rua de Baixo, buscou-se manter a escola, nesse espaço privilegiado, com “um prédio moderno”,100 que se destacava na cidade.

Em 7 de julho de 1940, por meio do Decreto 91, a escola passou a denominar-se Grupo Escolar Marcílio Dias, em homenagem ao marinheiro que morreu na Batalha do Riachuelo, em 11 de junho de 1865. A escola atualmente possui um quadro com uma imagem de quem seria o bravo marinheiro, na imagem ele é negro. Todavia, até os anos 80, o mesmo quadro ocupava um lugar nas paredes do hall da escola, a imagem representava um homem branco.

98 Disponível em: <http://imagensesons.ulbratorres.com.br/>. Acesso em: 14 jan. 2013.

99 Em depoimentos de ex-alunos, evidenciou-se a dificuldade que muitos alunos possuíam para chegar até a ...escola todos os dias; alguns alunos chegavam a fazer dez quilômetros todos os dias a pé, pois residiam em área ...afastada do centro da cidade, além dos relatos a respeito do frio que fazia em dias de inverno.

Dois anos mais tarde, em 2 de setembro de 1942 foi lançada a pedra fundamental da escola e inaugurado o novo prédio (Figura 8).101 A escola funcionou nesse local até 1977, quando muda-se novamente para uma outra área da cidade, na Rua Travessa Armando Torres.

Figura 8 – Grupo Escolar Marcílio Dias

Autor: Estúdio Feltes. Dimensões: 10x5 cm

Fonte: Banco de Imagens e Sons Ulbra – Torres.

Durante as décadas de 60 a 70, a escola foi uma referência na região, tendo em vista que os professores que eram encaminhados para atuarem em Escolas Rurais do interior do município, ou nos demais grupos escolares da cidade, realizavam o termo de posse na Escola Marcílio Dias. Nesse período, praticamente todas as comunidades do interior do município possuíam escolas, as mencionadas Brizoletas.

Dessa forma, a escola prestava auxílio e orientação pedagógica aos professores das outras instituições; as visitas foram constantemente registradas em atas. Geralmente, as escolas menores possuíam um, quando muito, dois professores, por meio da troca de experiência e de materiais, o que tornava o trabalho destes professores mais preciso e eficiente. A mesma era responsável pela distribuição da merenda escolar, e do leite em pó, que era ofertado aos alunos da rede estadual,102 pois esta, somente prestava auxílio no transporte, mas a logística de distribuição era realizada pela direção da escola.

Muitas comemorações circundaram as atividades da instituição, inclusive as comemorações de aniversários das professoras, com a realização de chás, as festividades de

101

Após a mudança da Escola Marcílio Dias deste prédio, o mesmo teve diversas utilizações. Nele funcionaram ... .mais duas escolas, além de uma casa de shows. Hoje, o local encontra-se fechado; sendo propriedade do .... ...município, cogita-se a possibilidade de torná-lo um museu, tendo em vista sua significação para a história do ...município e, ainda, tendo em vista o local privilegiado em que se encontra.

102 A utilização do leite na merenda escolar foi uma das ações provenientes do governo de Leonel Brizola no ... ...setor educacional do estado.

São João, do Dia do Índio, do Dia das Mães e dos Pais, assim como as datas cívicas. A escola manteve um registro de todas essas atividades em uma Ata de Comemorações, iniciando no ano de 1962 e estendendo-se até o ano de 1996; porém, na observação deste material notou-se que os registros mais precisos, ou seja, que acompanharam as atividades de cada data de comemorações referem-se aos anos de 1962 a 1967; após, os registros cessaram e reiniciaram somente em 1971. Contudo, somente as datas de comemorações cívicas recebem mais atenção a partir de então.

Alguns grupos destacam-se na história desta instituição de ensino: o Pelotão da Saúde é um deles. Constantemente há relatos de atendimentos a alunos, que iam para a escola com ferimentos, ou que se machucavam em atividades físicas, ou nos intervalos das aulas. A preocupação com um aluno limpo, a eliminação dos surtos de piolhos ou outras doenças são constantemente destacados e comemorados pelo Círculo de Pais e Mestres quando realizado com sucesso. As campanhas de vacinação eram geridas pelo Pelotão da Saúde da escola.

A presença de representantes da Delegacia de Educação de Osório ocorre durante vários períodos do ano letivo. Deixam escritos em atas da escola a sua visita e a impressão encontrada ao visitarem a escola. Notou-se que a presença dessas autoridades torna-se menos frequente em fins dos anos 70.

E, assim, como se observou nas outras escolas, a presença da Igreja Católica é muito marcante no cotidiano escolar; padres constantemente participam de reuniões do Círculo de Pais e Mestres e de aulas de Ensino Religioso, inclusive na realização de aulas catequéticas.

A criação do Centro de Artes, Ciências e Tecnologia (CAT) na Escola Justino Alberto Tietboehl, em 1965, é atestada com o afastamento de alguns professores da Escola Marcílio Dias, que passam a atuar na Escola Técnica, devido à necessidade de muitos professores, pelo aumento significativo de alunos nesta escola, inclusive advindos da Escola Marcílio Dias.

Dois presidentes do Regime Ditatorial visitaram a cidade de Torres/RS, e as escolas de toda região recepcionaram os mesmos. Em 28 de março de 1968, a escola iniciou a organização das atividades para a recepção do presidente Costa e Silva, que visitou o município em 5 de abril do mesmo ano. Os alunos recepcionaram o presidente e sua comitiva no aeroporto, atual parque do Balonismo na cidade. Da mesma forma, foi recepcionado, em 1971, o presidente da República Emílio Garrastazu Médici.

Enquanto a instituição funcionava no Morro do Farol, tinha ao seu redor o Farol de Torres e, ainda, o cemitério municipal. Muitas histórias decorrem a respeito desse “vizinho”. Uma delas é relembrada pela ex-professora Nedda Larré Pozzi, em depoimento cedido para o

livro comemorativo da escola. Segundo Nedda, durante os anos de 1960, uma das alunas entrou em sala de aula com a mão de um cadáver em decomposição. Esse fato a marcou durante muitos anos. Ainda, as queixas da comunidade, a respeito dos alunos que atiravam pedras na direção do presídio, que ficava abaixo do morro, eram constantes. Como pode-se observar, a indisciplina era fator preocupante para a maioria dos professores e pais, conforme registros em atas; a necessidade de organizar o tempo dos alunos para evitar tais comportamentos tornou-se uma necessidade constante.

Em 1977, a escola adquire novo endereço, na Rua Travessa Armando Torres, local onde a escola permanece até os dias atuais; contou com doação de terreno pelo Município de Torres/RS, com uma área de 10.000 metros quadrados. Ou seja, um espaço maior do que o antigo local. A mudança decorreu da necessidade de ampliação de sua oferta de ensino. Conforme registros na instituição, durante esse período a escola estava atendendo, além de seus alunos matriculados, os alunos da Escola Justino Alberto Tietboehl. A partir de então, a Escola Marcílio Dias passa a localizar-se ao lado da Escola Justino Alberto Tietboehl.

Destaca-se que entre os anos de 1922 a 1975, a escola ofertava Ensino Primário; a partir de 1976 passou a ofertar o ensino de 1º grau, previsto na Lei de Diretrizes e Bases de 1971 (Anexo F) e, no ano de 1980, ampliou o atendimento para o 2º grau (Anexo G).

Pereira destaca que a escola

representou, assim, até os anos finais da década de 1990, à exceção de Arroio do Sal e Três Cachoeiras, a única opção, como estabelecimento público, para que os jovens e adultos, da cidade e da região, pudessem realizar seus estudos relativos a esta modalidade de ensino.103

Nos anos 80, a escola ofertou o ensino de 1º e 2º graus além de alguns técnicos, como o de Edificação e de Magistério (Anexo H), durante muitos anos esta escola foi referência no Litoral norte, na formação de professoras para o Ensino Primário. Atualmente, o Instituto Marcílio Dias atende cerca de 1.200 alunos, entre Ensino Primário, Ensino Fundamental e Médio; ensino médio com Magistério e ensino pós-médio do curso Técnico em Edificações. Este último deve-se em parte à demanda advinda do setor de construção civil na cidade, que atualmente encontra-se em grande desenvolvimento.

103

PEREIRA, Antonio Serafim. Análise de um processo de inovação educativa numa escola gaúcha: a

...interdisciplinaridade como princípio inovador. 2007. Tese (Doutorado) – Universidade de Santiago de