2.2 OKUL ETKİLİLİĞİ
2.2.4 Etkili Okulun Boyutları
2.2.4.3 Etkili Okulda Öğrenci
Esta instituição de ensino manteve, em seu arquivo passivo, muitas atas e registros das atividades realizadas desde o início de sua atuação como Grupo Escolar da Ronda. Todavia, os decretos e portarias, que atestam as alterações da Escola, não foram encontrados, perderam-se ao longo de muitas mudanças de local em que os arquivos foram armazenados. Portanto, realizou-se o levantamento de informações disponíveis nesses materiais restantes, juntamente com alguns depoimentos cedidos por ex-alunas e ex-professores.
Localizada inicialmente na Rua Joaquim Porto, a uma quadra da Avenida Barão do Rio Branco (Centro), foi fundada, em 1959, como Grupo Escolar da Ronda, em um prédio de madeira com quatro salas, assemelhando-se muito às Brizoletas (Figura 9). O prédio atendia um número significativo de alunos, segundo pôde-se observar na imagem. Ao lado da escola, existia uma Igreja Católica. Além dessa igreja, outra se encontrava na parte alta da cidade.104 Na imagem, parte do sino pode ser visualizado; além disso, algumas considerações sobre os alunos são importantes, isto é, notou-se, que desde o início das atividades desta instituição, optou-se pelo uso de uniforme para ambos os sexos, porém distintos para cada grupo. Ao observar a fotografia, é possível perceber que o fotógrafo posicionou todos os alunos da escola para a realização da imagem, diferenciados pelo sexo. As professoras estavam atrás dos alunos; estes, por sua vez, posam para a câmera fotográfica. Estavam todos alinhados, os menores à frente.
Figura 9 – Grupo Escolar da Ronda / Data: 1960
Autor: Estúdio Fotográfico de Ídio K. Feltes. Dimensões: 8,5 x 11,5 cm
Fonte: Acervo da Escola Governador Jorge Lacerda.
Foi em 25 de junho de 1961 que a escola adquiriu um novo prédio (Anexo I), na Rua Almirante Barroso, em frente à Praça Getúlio Vargas. Desta vez, de alvenaria, com um espaço mais amplo, onde podia ser atendido um número significativamente maior de alunos, e passou a ter refeitório e auditório.
A inauguração foi realizada com festa, pela comunidade torrense. Estava presente o Secretário de Educação e Cultura do estado, assim como a Delegada Regional de Ensino, o prefeito do município e representantes da Igreja Católica. Os alunos apresentaram às autoridades diversas atividades que foram programadas com antecedência pelos professores. Destacaram-se o grupo de alunos que representavam o Pelotão da Saúde e de Educação Física, além de alunos trajados com roupas típicas gauchescas. Sua entrada estava no lado oposto da quadra, na Rua Bento Gonçalves. Possuía oito professores, um funcionário e atendia a média de 200 alunos. Na imagem que segue (Figura 10), pode-se observar a entrada principal da escola, onde alunos trabalhavam em canteiros. Da frente da escola, é possível observar o Salão Paroquial, local onde muitas atividades eram realizadas. Mas a imagem demonstra, também, as mudanças encontradas, pois tal visão não pode mais ser realizada, dado que está cercada de muros altos toda a quadra em que envolvia a escola. Dos imóveis baixos que estão na fotografia, apenas o salão paroquial se mantém, o restante deu lugar a prédios altos.
Figura 10 – Escola Governador Jorge Lacerda / Data: 1978
Autor: Professor da escola. Dimensões: 9x14 cm Fonte: Acervo da instituição.
Passou a denominar-se Grupo Escolar Governador Jorge Lacerda no ano de 1965 em homenagem ao ex-governador do Estado de Santa Catarina. Anteriormente, o patrono da
instituição era Getúlio Vargas, quando a escola adquiriu o prédio novo. A partir de 1965, todas as homenagens voltam-se à Jorge Lacerda.105
A instituição foi criada para suprir a demanda de Ensino Primário na cidade. Em 1959, a escola possui sete turmas, cinco do 1º ano, e duas do 2º ano, sendo muitos alunos transferidos da Escola Marcílio Dias. Já em 1961, a escola passou a oferecer aulas até a 5º série (Anexo J). Ao poucos, os atendimentos aumentaram, inclusive quando a escola adquiriu maior espaço físico com mais salas de aula. Conforme depoimento cedido por Naida Carvalho,106 as turmas eram organizadas de acordo com o desenvolvimento apresentado, ou seja, havia cinco turmas do primeiro ano; nestas, estavam separados os alunos de acordo com o rendimento escolar e a idade, pois, apesar de os alunos somente iniciarem o Ensino Primário com 7 anos completos, aspecto previsto pela LDB de 1961, muitos entravam na escola com idade superior, conforme lembrou Naida Carvalho: as repetências, faziam com que muitos alunos concluíssem o Ensino Primário com 15 ou 16 anos de idade.
Além da atuação dos professores nesta escola, é marcante o registro da presença de padres e freiras, seja em visitas quase diárias à instituição, seja em reuniões de professores, em que padres abriam a reunião com alguma passagem bíblica e uma oração, lembrando que havia uma grande proximidade do prédio escolar com a Igreja local, o que facilitava as visitas e o acompanhamento das atividades escolares pelos sacerdotes. Estes também participavam de reuniões de pais e mestres, em que pediam aos pais para participarem das campanhas realizadas pela Igreja Católica, como a Campanha da Fraternidade. Havia uma relação muito próxima entre os padres, a Igreja Católica e a escola nesse momento, inclusive muitos professores eram convidados e participavam das atividades religiosas dos alunos, como a Primeira Comunhão e a Crisma. Durante os anos 70, era realizada, nas quartas-feiras, uma aula catequética radiofônica, para todos os alunos da escola. Ainda, os padres pediam auxílio para que os professores ensinassem aos alunos os dez mandamentos e as principais orações como, uma forma de auxiliar os padres para a catequese.
Além de padres e freiras, a escola recebia muitas visitas de pais, estes, segundo Naida Carvalho, eram muito participativos na vida escolar de seus filhos. Ainda, a visita de
105 Jorge Lacerda foi governador do Estado de Santa Catarina entre os anos de 1956-1958, e a escola lhe realizou
.... essa homenagem tendo em vista que uma escola do município vizinho, que pertencia ao Estado de Santa
...Catarina, em Passo de Torres, havia feito homenagem a Ildo Meneghetti ao colocar seu nome no grupo ...escolar. Assim, houve essa troca de homenagens entre as escolas. As comemorações do patrono da escola ...eram realizadas no dia 20 de outubro.
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Depoimento cedido em 22/3/2013. Naida Carvalho foi professora no Grupo Escolar da Ronda em 1961 e ...passou a ser diretora do Grupo Escolar Governador Jorge Lacerda no ano de 1965, ficando no cargo até o ano ...de 1980.
professores de outras escolas da cidade, de funcionários da Delegacia de Educação foram registradas. Estes últimos, inclusive, aumentaram a frequência a partir de 1970.
A merenda escolar merece destaque, pois os registros demonstraram que era algo muito organizado. Inclusive, encontrou-se uma Ata do ano de 1963 (Anexo K) que específica a quantidade de alimento que seria ofertado a cada aluno. Em 1970, ocorreu a semana da alimentação, quando, em cada dia, era oferecido algo diferente aos educandos, como canjica e leite com chocolate. Cursos para a preparação da merenda foram realizados em 1971. Durante esse período, havia uma relação de troca entre as escolas, e notaram-se constantes visitas realizadas por professores de outras instituições. Foi assim que a escola ganhou de presente, da Escola Justino Alberto Tietboehl, uma tábua para cortar alimentos.
No entanto, a instituição se destaca no que diz sentido às comemorações de eventos. Apesar de as fotografias da escola se aterem às festividades da Semana da Criança e do 7 de Setembro, o universo de comemorações era extremamente rico. Comemorava-se o Dia do Índio, Dia da Bandeira e do Soldado, Dia do Papa, Dia das Mães e Pais, a Semana Farroupilha, o Dia da Árvore, a entrada da primavera, o Dia do Trabalho, a Proclamação da República, a morte de Tiradentes e a inauguração de Brasília, Abolição da Escravatura, Festa de São João, o Descobrimento da América, Dia Universal da Saúde, a Batalha do Riachuelo e ainda comemorações referentes à “Revolução Democrática de 31 de março de 1964”.107
Mas, é importante destacar que esses eventos não diziam respeito a uma única atividade; praticamente todos os eventos perfaziam o ciclo de uma semana, em que os alunos eram envolvidos por trabalhos realizados sobre o tema, ou, como no caso da Semana da Criança, com a realização de gincanas entre as turmas, atividades esportivas entre professores e alunos e, ainda, era oferecida uma alimentação diferente, com cucas, bolos e refrigerantes para os educandos.
Maria Sueli Peres,108 que foi aluna da escola nos anos 60 e, atualmente, trabalha na instituição, relatou que as atividades e os eventos realizados pela escola eram muito esperados pelos alunos. Nas comemorações do Dia do Índio, segundo ela, os alunos se preparavam com antecedência para a data, deviam trazer barro para construir ocas e ainda, faziam as roupas com penas de galinhas.
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Em diversas atas das escolas pesquisadas encontraram-se registros sobre comemorações da “Revolução Democrática de 31 de março de 1964”.
Todas as atividades comemorativas da escola iniciavam com missa na Igreja Matriz, e, ainda, os alunos participavam de missas realizadas por outras escolas em suas comemorações.
A escola recebeu colônias de férias promovidas pelo governo de Leonel Brizola; recebia durante as férias de verão alunos provenientes de diversas regiões do estado. Para tanto, uma sala era destinada a guardar, durante o ano letivo, os beliches. Quando as aulas encerravam, eram retiradas as classes e cadeiras das salas, colocando beliches no lugar. Recebiam grupos de alunos que eram renovados a cada quinze dias, o mesmo ônibus que trazia os novos alunos, levava de volta os que já estavam na cidade.
Em 18 de junho de 1971, foi registrado que houve uma reunião na prefeitura para tratarem dos preparativos da visita do presidente da República Emílio Garrastazu Médici, em 19 de agosto, recepcionado pela comunidade torrense e escolar, às 8h30min, no campo de aviação da cidade, atual parque do Balonismo.
Nos documentos da instituição, observou-se que o papel destinado ao Pelotão da Saúde era importante. A insistência para que os alunos estivessem limpos para ir à escola se fez presente em quase todas as Atas do período; a escola passava por constantes surtos de piolho, e o papel do Pelotão era conscientizar alunos e pais sobre a necessidade da higiene corporal. Durante os anos 70, conforme Naida Carvalho, realizaram-se exames médicos nos alunos; aqueles que não podiam pagar pela consulta eram auxiliados pela escola.
Entretanto, a falta de higiene não era o único problema enfrentado pelos professores, a indisciplina era queixa constante nas reuniões docentes, e expostas nas reuniões com os pais. O cumprimento dos horários, e a necessidade de frequentarem com assiduidade as aulas eram objetivos a serem alcançados pelos professores.
Apesar de a escola atender alunos de ambos os sexos, havia uma diferenciação nas filas que eram organizadas antes de entrarem na sala de aula. A sala de aula, conforme Maria Sueli Peres, organizava-se com diferenciação de sexo, cada fila que seguia na vertical até o fundo da sala era composta por alunos de um único sexo; as filas intercalavam-se entre meninos e meninas.
Os alunos deveriam vestir uniforme, que consistia em um guarda-pó branco. Como muitos alunos eram carentes, em 1973 registrou-se em Ata o pedido da direção para que os professores providenciassem uma lista com o número de alunos carentes e os respectivos tamanhos de guarda-pós, bem como o número do calçado, para que fossem adquiridos e doados.
As mudanças que ocorriam na educação, por meio da LBD de 1971, foram acompanhadas de perto. No dia 21 de março de 1972, reuniram-se no Município de Torres/RS o delegado de Educação, Isaque Irinei Marques, e todos os diretores das escolas do município (públicas e privadas); logo após a reunião, houve outra no salão paroquial para transmitir as mudanças aos pais dos alunos, sobre a “nova escola”. As mudanças no ensino iniciaram em 1978 com a implantação do ensino de 1º grau. O ensino de 2º grau somente foi implantado na década de 90.
Em 2000, recebeu a denominação atual: Escola Estadual Governador Jorge Lacerda, atendendo estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio. A partir de 2005, o turno da noite passou a oferecer Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Ensino Médio. Em 2009, a escola passou a atender alunos com deficiência auditiva com a Classe Especial – Ensino Médio à noite.
Atualmente a escola atende 1.100 alunos, distribuídos no Ensino Fundamental, Ensino Médio e EJA; conta com 77 professores, cinco secretárias, cinco merendeiras, duas monitoras e cinco funcionários da manutenção e infraestrutura.