BAĞIMSIZ DENETİME BAĞLI YAŞANAN ŞİRKET SKANDALLARI VE BAĞIMSIZ DENETİME YÖNELİK YASAL DÜZENLEMELER
2.1. BAĞIMSIZ DENETİME BAĞLI YAŞANAN ŞİRKET SKANDALLAR
2.1.1. Enron Skandalı
Os internos do HCTP II têm à sua disposição diversas atividades, sejam educativas, laborativas ou recreativas. São fomentados, portanto, o trabalho, o lazer e a educação, como estratégias fundamentais para o tratamento e a reinserção social dos internos.
3.3.2.1 Trabalho
Os internos têm a possibilidade de trabalharem no interior do Hospital. Nenhum deles trabalha fora do hospital, ao menos formalmente, eis que a sistemática das VDA’s, ainda que em seu momento ideal (vinte dias no meio social e sete dias57 no hospital), impossibilita a continuidade em um emprego. Na desinternação progressiva não funciona, portanto, o regime de hospital-noite58, no qual os custodiados trabalham diuturnamente fora do hospital e a ele retornam à noite para repousar. Embora isso fosse absolutamente desejável, sua implantação é muito improvável, justamente porque as saídas dos internos são pautadas por necessidades e possibilidades terapêuticas. Não há como garantir a regularidade das saídas, a longo prazo, pois os internos necessitam ser acompanhados paulatinamente, sendo comum alguns retrocessos no tratamento, que impossibilitam por um tempo as saídas. Sendo assim, o HCTP II não funciona como um hospital-noite, ao menos por enquanto.
Fato é que nenhum dos internos conta com registro em carteira de trabalho feito por instituições e empresas externas ao Hospital. Por outro lado, é comum a consecução de trabalhos informais, principalmente nas próprias comunidades de onde vieram. À margem da crítica que se deve fazer ao trabalho meramente informal, é extremamente positiva a manutenção do interno em serviços informais na sua comunidade de origem, porque isso viabiliza certamente seu retorno ao convívio social, ao passo que denota a acolhida que a comunidade dispensa a ele59.
Já dentro do Hospital propriamente dito há a possibilidade de trabalho, remunerado ou não. As atividades desenvolvidas basicamente são: serviços de manutenção, tais como
57 Ademais, como já dito, mesmo com relação àqueles internos que já alcançaram esse patamar, nem sempre há regularidade no número de dias autorizados em todas as saídas, mais um motivo a impossibilitar a consecução de um emprego formal extra-muros.
58 Data venia, ao contrário do que insinua Ferrari (2001b, p. 170-171). Na verdade, talvez o autor esteja se referindo a um outro período histórico da desinternação progressiva, em que o hospital-noite pode ter sido implantado. Ocorre que, atualmente, esse sistema não opera, e certamente teria dificuldades em se estabelecer. Confirmando a hipótese de que anteriormente, quando alocada no HCTP I, a desinternação progressiva funcionava como hospital-noite, Cf. Adomaitis et al (2000, p. 13).
pintura, alvenaria, conservação da parte elétrica e atividades assemelhadas; manutenção do jardim e do campo de futebol; capinação; e limpeza das dependências do hospital (pátio, pavilhão, parte administrativa, cozinha e refeitório). Estima-se que o número de custodiados envolvidos nessas atividades seja de cinqüenta a sessenta60, com alta rotatividade. Atualmente a Fundação "Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel" de Amparo ao Preso (FUNAP), ligada à Secretaria de Administração Penitenciária, emprega formalmente cerca de vinte internos61, remunerando-os com um salário-mínimo. Para dar oportunidade a um maior número de internos, há rotatividade entre os contratados. Note-se que todo o trabalho desenvolvido pelos custodiados relaciona-se às necessidades do próprio hospital, não havendo convênios com empresas que os contratem para realizar outros tipos de atividades laborativas, como ocorre em outros estabelecimentos penitenciários. É fundamental mudar essa realidade, proporcionando aos custodiados outras possibilidades, e empregando um maior número de internos.
Entre os internos formalmente empregados, dois realizam o trabalho de entrega e de circulação de papéis e documentos na parte administrativa do Hospital, entre os diversos setores e profissionais, recebendo por isso o nome de estafetas62. Obviamente não se trata de documentos sigilosos ou de extrema relevância, mas sim daqueles que se porventura forem lidos ou extraviados não gerarão maiores problemas para a unidade63. O estafeta percorre os corredores da parte administrativa do hospital, munido de sua pasta contendo a documentação a ser entregue e do caderno de protocolo, em que colhe a assinatura de cada destinatário visitado, através da qual é confirmado o recebimento da documentação. Finalmente, três outros internos contratados pela FUNAP têm por função zelar do Centro Cultural, que passamos a analisar, sempre com a supervisão de agentes de segurança penitenciária.
3.3.2.2 Educação e lazer
No HCTP II há o chamado Centro Cultural, em que é possível se desenvolver diversas atividades64:
60 Cerca de 30% dos custodiados, considerando que o número total de internos ronda duzentos. 61 10% portanto do total de internos. Nem é preciso dizer que seria fundamental aumentar esse índice. 62 Seu trabalho assemelha-se a de um “office-boy”.
63 Como exemplo de documento carregado e entregue a seus destinatários pelos estafetas, cite-se a autorização de saída que, como se verá, é assinada por diversos profissionais da unidade. O estafeta percorre sala por sala, colhendo a assinatura das autoridades responsáveis pela permissão da saída de um determinado interno. 64 Por exemplo, a realização de palestras e oficinas.
No mês de setembro de 2006, internos e funcionários se reuniram para transformar uma pequena casa situada a poucos metros da administração, no ‘Posto Cultural Encontro do Saber’; o lugar era usado, até então, apenas para guardar ferramentas. No local foram montados uma biblioteca, uma sala de aula e um ateliê de arte, onde se pode fazer trabalhos manuais e até pintar quadros [...]. (SÃO PAULO, on-line, destaque do autor).
Destaque-se a biblioteca nele sediada, contando com cerca de 800 exemplares à disposição dos internos. O ritmo de leitura, entretanto, fica aquém do desejado. Espera-se que paulatinamente se crie uma cultura de leitura mais abrangente. Existe também uma videoteca, sendo facultado aos custodiados assistirem às fitas VHS ou aos DVD’s no interior dos pavilhões, consistindo, essa sim, em um atividade muito procurada.
Desenvolve-se também na unidade o artesanato, contando principalmente com oficinas de pátina, bijuteria e confecção de caixas de madeira. Com relação a essas atividades, inicialmente a procura é maior, mas nem todos persistem no aprendizado. Interessante registrar que é urgente a presença de um terapeuta ocupacional65 que tome a frente dessas atividades, aumentando-as e aprimorando-as, para que melhor atinjam seus objetivos. Especialmente em se tratando de doentes mentais, que em razão da patologia tiveram muitas de suas habilidades comprometidas, um profissional dessa área seria salutar para aumentar- lhes o rendimento.
Os esportes também se fazem presentes no HCTP II, sendo muito cultivados pelos internos, especialmente o futebol. Partidas de futebol são muito comuns, inclusive com a participação do corpo funcional da unidade. Também ocorrem partidas de voleibol e de pingue-pongue, assim como é muito freqüente a participação no dominó66 e no xadrez. Com relação a essa questão, notabilizou-se a necessidade de profissionais da área de educação física, que direcionassem a prática do esporte não apenas com finalidade recreativa, mas também com objetivos educativos, entendidos como o ensino e a aprendizagem global dos esportes e de suas regras, assim como a apreensão de pressupostos essenciais a essas atividades, como disciplina e cuidados especiais com a saúde. Nem é preciso dizer que o desenvolvimento de tais habilidades se coaduna perfeitamente com os objetivos da desinternação progressiva.
Consideradas essenciais para o tratamento e reinserção social do custodiado no contexto da desinternação progressiva, as atividades recreativas extra-muros também são
65 Necessidade essa patenteada por diversos entrevistados e informantes, chegando-nos a parecer a mais urgente do ponto de vista da própria instituição. Da mesma forma, aventou-se a necessidade de um pedagogo e de um diretor de educação, ausentes na unidade.
fomentadas, como idas ao cinema ou a restaurantes supervisionadas pelos técnicos do Hospital. Esse tipo de passeio é fundamental, porque auxilia o interno na retomada do contato com o meio social, ao mesmo tempo em que instrui e diverte, sem contar com a possibilidade de os técnicos observarem o comportamento dos internos no meio social. O difícil é viabilizá- las, eis que não são suficientes as verbas destinadas a esse tipo de atividade, absolutamente compatível com a sistemática da desinternação progressiva.
Seja como for, todas essas atividades elencadas são orientadas e supervisionadas por agentes de segurança penitenciária, evidenciando-se a urgência na contratação de outros profissionais especializados que os auxiliem nessa tarefa, fundamental para o êxito da desinternação progressiva, eis que detém um grande potencial terapêutico e de reinserção social.
Constatou-se também a existência de aulas ministradas67 diariamente por uma professora contratada pela FUNAP, sendo que seu trabalho se desenvolve principalmente com a alfabetização. É comum, no entanto, o ensino de conteúdos do ensino fundamental ou mesmo do ensino médio, seguindo as necessidades de cada interno. Deve-se registrar que diversos deles já conseguiram complementar os seus estudos, mediante avaliações comprovativas do aprendizado, que garantem a certificação de conclusão daquele nível de estudo. Observe-se também que nem todos os internos participam das aulas, mas somente aqueles que se interessam68.
Outras atividades são ainda desenvolvidas dentro do Hospital por outras entidades, como as reuniões semanalmente ministradas pelos Alcoólicos Anônimos (AA) e pelos Narcóticos Anônimos (NA). Nem é preciso dizer que o trabalho desenvolvido por essas entidades é muito importante, pois muitos internos são dependentes de álcool ou de substâncias entorpecentes, que têm efeitos avassaladores em seu tratamento, já que diminuem o efeito do medicamento e pioram o quadro clínico da doença69.
Vale lembrar que, ao lado das possibilidades permanentes de lazer e educação, muitas outras atividades já foram desenvolvidas na unidade. Como exemplos relevante, citem-se os cursos ministrados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) na unidade, como os de olericultura, horticultura, fabricação de conservas vegetais, minhocultura, preservação do meio ambiente e piscicultura. Como conseqüência desse último curso,
67 As aulas acontecem no Posto Cultural.
68 Segundo estimativa feita por um entrevistado, cerca de um quinto dos internos, no máximo, participariam dessa iniciativa.
funcionários70 e os internos da unidade construíram um lago, aliando também os conhecimentos adquiridos no curso de preservação ambiental. O objetivo da construção do lago era continuar praticando os ensinamentos fornecidos no curso, no que tange à criação de peixes, assim como também desenvolver com os internos a pesca. Essa fantástica iniciativa tem uma dúplice função: atuar terapeuticamente e propiciar a reinserção do interno no mercado de trabalho, quando da desinternação71. No entanto, faz-se necessário observar que o lago não tem sido explorado adequadamente, por falta de funcionários suficientes para tanto, ocorrendo o mesmo com a horta constante na unidade.