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ENFLASYON ORANLARINDA ÜLKE KARfiILAfiTIRMALARI

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3. F‹YAT HAREKETLER‹

3.3. ENFLASYON ORANLARINDA ÜLKE KARfiILAfiTIRMALARI

Respondendo ao pedido de um presidente do Conselho que conheça os dossiers em cima da mesa e que tenha mais tempo de preparação das reuniões para além dos seis meses das presidências rotativas, o Tratado de Lisboa introduz a figura do Presidente permanente do Conselho Europeu. O Presidente é eleito por um período de dois anos e meio, sendo esse mandato renovável por mais uma vez (cinco anos no máximo, no total). Esta figura é aliás, a par do Alto Representante, uma das maiores inovações do Tratado de Lisboa já que responde aos anseios de muitos Estados-membros. No entanto, durante o processo de preparação da Constituição e do Tratado, a criação desta nova figura institucional foi, inicialmente, rejeitada pelos pequenos países.

O Presidente do Conselho Europeu acaba, por isso, por funcionar não só como o anfitrião permanente das reuniões do Conselho Europeu, como também como figura central da UE, importante na definição da agenda das reuniões e como peça-chave na obtenção de consensos políticos. No quadro das funções a si destinadas pelo Tratado de Lisboa, esta nova figura institucional pode mesmo funcionar como ―uma figura suprema de autoridade e, em última instância, responsável pelos destinos da União‖52. Independentemente do carisma, o Presidente do Conselho deverá ser o árbitro das querelas no Conselho Europeu, uma figura que consiga obter consensos e que mostre, simultaneamente, liderança – um dos aspectos que muitos críticos referem que esteve em falta na UE até à ratificação do Tratado de Lisboa.

Desta forma poder-se-ão definir quatro funções principais atribuídas pelo Tratado de Lisboa ao Presidente permanente do Conselho Europeu: a condução dos debates, a preparação dos encontros, a redacção das conclusões e a prossecução das

52 "The Treaty of Lisbon: A Second Look at the Institutional Innovations", Joint European Policy Centre,

41 mesmas. Segundo o Tratado de Lisboa, o Presidente permanente do Conselho Europeu deve preparar ―os trabalhos do Conselho Europeu em cooperação com o Presidente da Comissão‖ [Art. 15 (6) TUE]. Por isso, espera-se do Presidente do Conselho uma boa relação interpessoal com o Presidente da Comissão e não propriamente uma rivalidade no que respeita à atenção mediática.

Por isso, terá como principal função assegurar o sucesso das reuniões. E para que haja sucesso, é necessário que haja um bom ―anfitrião que tenha um bom conhecimento das questões substanciais a serem debatidas e um entendimento claro das visões e dos interesses conflituantes à volta da mesa‖53 e que o anfitrião consiga levar a discussão de forma a que se chegue a um acordo que tente agradar a todas as partes envolvidas no processo de debate intergovernamental. E, ao contrário dos antecessores do Presidente permanente (que não eram permanentes, uma vez que eram apenas anfitriões diferentes a cada semestre), a melhor ferramenta de trabalho que estará a seu lado será o tempo. O Presidente terá, desta forma, mais tempo para preparar as reuniões do Conselho Europeu, mais tempo para sanar eventuais divergências entre Estados- membros, tempo para pôr os Estados-membros em acordo numa determinada matéria e, acima de tudo, mais tempo para estudar os dossiers. Na verdade, Herman Van Rompuy, o primeiro Presidente permanente, chegou mesmo a afirmar que o ―tempo é uma matéria-prima dos políticos‖54. Com o tempo, será garantido que o Presidente do Conselho iniciará cada Conselho com um conhecimento bastante mais aprofundado e mesmo das diferentes posições dos Estados-membros quanto aos assuntos em cima da mesa. Convirá, aliás, que o Presidente do Conselho Europeu mantenha estreitas relações interpessoais com os representantes dos países, de forma a poder detectar, atempadamente e preferencialmente antes das reuniões, quaisquer divergências e antagonismos de fundo, de forma a que – contrariamente ao que acontecia antigamente em que as reuniões do Conselho se prolongavam noite fora devido a diferendos entre Estados-membros – os Conselhos sejam breves e resolutos.

Por outro lado, sabendo-se de antemão que não há qualquer hierarquia expressa entre Presidente permanente do Conselho Europeu, anfitrião da presidência rotativa,

53 "The Treaty of Lisbon: A Second Look at the Institutional Innovations", Joint European Policy Centre,

Egmont, Centre for European Policy Studies Study, Brussels, September 2010, p.14.

54 Discurso realizado por Van Rompuy a 7 de Janeiro de 2010 na Alemanha. Acessível no site:

42 Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e Presidente da Comissão, e que todos participam nas reuniões do Conselho Europeu, será curioso equacionar quem irá exercer maior poder de influência nas reuniões do Conselho. Naturalmente que a maior ou menor predominância política terá muito que ver com os assuntos em cima da mesa (ex. dificilmente o Alto Representante será uma voz activa em questões económico-financeiras) e só mesmo o futuro poderá dar uma resposta. Dependendo dos temas em análise, até poder ser mesmo os representantes de alguns Estados-membros, designadamente os mais populosos, quem poderá ter mais a dizer nas reuniões do Conselho. Todavia, é mais que provável que seja o Presidente permanente do Conselho Europeu a figura que mais consensos irá encontrar entre interesses divergentes. É bastante verosímil que, por muito poder que tenham os Estados-membros mais populosos, seja o Presidente permanente a figura que mais trabalhará para pôr todas as partes em acordo quanto aos temas e quem mais acabará por ―quebrar o gelo‖ nas reuniões do Conselho Europeu. Até porque é o Presidente permanente quem define a agenda do Conselho e quem redige as conclusões dos encontros [Art. 3 (1) das Regras de Procedimento do Conselho Europeu]. Por isso será pouco provável que qualquer assunto que um Estado-membro queira colocar em cima da mesa o seja se não tiver passado pelo ―filtro‖ do Presidente permanente do Conselho Europeu. Tendo o Presidente ―tempo‖, muitos dos temas serão definidos com a antecipação que agora é permitida ao Presidente do Conselho, ainda que a regra possa ser quebrada quando em épocas de crises pontuais.

Em suma, contrariamente à época pré-Tratado de Lisboa, o Presidente permanente do Conselho passa a ter agora duas grandes vantagens que os anfitriões das presidências rotativas antes de Lisboa não tinham: o factor tempo e o factor lugar. Desde a ratificação do Tratado de Lisboa, o Presidente permanente será um anfitrião, terá quase as mesmas responsabilidades que teria um grande chefe de Estado ou governo de um grande país da UE e terá bastante tempo (pelo menos dois anos e meio) para preparar os dossiers, para convencer e persuadir os representantes do Estados e tempo para tentar fazer com que o máximo número de Estados-membros cheguem a um acordo. O mesmo tipo de persuasão poderá mesmo exercer – uma vez que susfrui de bastante tempo – para com o PE e com a própria opinião pública. Por outro lado, pela primeira vez na História da UE, há um presidente do Conselho Europeu em Bruxelas, no verdadeiro centro de decisão e, por isso, poderá informar a maioria das instituições

43 europeias e até mesmo os media sobre os avanços, as declarações finais e os acordos celebrados nos encontros que preside (e cujas conclusões são, em parte, responsabilidade sua e reflexo da sua maior ou menor habilidade de encontrar consensos entre a heterogeneidade de interesses na UE).

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Benzer Belgeler