ENFLASYON MUHASEBESİ UYGULAMALARININ TÜRKİYE’DEKİ DÜZENLEMELER KAPSAMINDA
3. ENFLASYON MUHASEBESİNİN 5024 SAYILI KANUN’A GÖRE İNCELENMESİ
Demorou muito tempo até que se desse conta de que as crianças não são homens ou mulheres em dimensões reduzidas. As crianças criam para si, brincando, o pequeno mundo próprio.
Walter Benjamin
As pesquisas de campo que realizamos na cidade de Rio Verde, durante quatro momentos em 2005, envolvendo 202 crianças, na faixa etária dos sete aos 14 anos, com o objetivo de analisar a recepção e a mídia do Projeto Ciranda, utilizando-se da teoria da recepção de Martin-Barbero, notadamente quando apóia sua visão na atribuição dos sentidos, percebemos que seria uma ingenuidade dar à recepção uma total autonomia, afinal, surgiram, em toda pesquisa, uma série de opiniões divergentes das crianças em relação aos fatos veiculados na mídia, tanto em televisão quanto em rádio e jornal. Alguns pontos, creio, merecem reflexão:
A televisão é a mídia das crianças. Com exceção de poucas citações de emissoras de rádios locais, não percebem a presença dos outros meios.
Não há distinção entre a mensagem jornalística e a publicitária, o que se configura um universo extremamente fragilizado à disposição das estratégias de coaptação das mídias.
A presença de “iguais”, principalmente na televisão, gera uma maior identificação com a mensagem. As crianças são mais impactadas “quando se vêem na televisão”.
As mensagens são percebidas, mas não são contextualizadas dentro de determinado programa jornalístico ou intervalo comercial. As crianças sabem que “viram na televisão”.
As mensagens são investidas de grande credibilidade. “Eu vi na televisão” passa a validar o discurso da criança, principalmente quando se encontram em grupos.
A família não detém o controle sobre o consumo de mídia,
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principalmente da televisão, com momentos episódicos de domínio dos país e irmãos mais velhos.
9A mãe domina nos horários das telenovelas, com destaque para a das 20 horas. O pai controla nos
momentos de futebol e os irmãos mais velhos são hegemônicos em todos os horários (e lugares) quando se encontram presentes.
As crianças passam, em média, 4 horas expostas à televisão. Geralmente ficam deitadas nos sofás ou largadas sobre poltronas ou cadeiras. Fisicamente a atitude diante da televisão é passiva. Almoços, jantares, lanches ou qualquer outro alimento é consumido, quase sempre, diante da televisão, o que já se tornou também um hábito nos adultos.
O “Efeito Zapping” nas televisões providas de controle remoto é um fenômeno que faz parte do “habitus”, principalmente nos intervalos comerciais. Nas residências que não possuem controle remoto, com crianças, é feito um rodízio entre as crianças para ver “quem vai mudar o canal”. Os adultos não participam do processo, exceto na definição de qual canal deve ser sintonizado.
As opiniões das crianças sobre as mensagens veiculadas, sejam jornalísticas, publicitárias ou de ficção são emitidas no momento da exposição. Quando estão expostos às mensagens em grupo, tendem a trocar opiniões entre si, o que favorece as relações sociais e evita o isolamento.
As mensagens recebidas pelas crianças produzem significados antes, durante e depois da sua veiculação. Em grupos, quando perguntadas sobre os filmes publicitários do Projeto Ciranda, por exemplo, ocorreu uma interpenetração de informações que compuseram uma amostra perfeitamente identificada com a intenção mercadológica dos publicitários.
Há, em determinados momentos da recepção televisiva, um “afastamento” da atenção da criança em relação às mensagens da televisão. É um desligamento, uma viagem para lugares nem sempre conhecidos, um deslocamento onde pode ocorrer uma transferência, uma corporificação dos personagens admirados, sempre super-heróis, ídolos musicais, “seres de outro mundo”. A identificação das crianças com super-heróis é um flagrante delito. 82% por cento das crianças entrevistadas souberam reconhecer esses personagens em algum momento da programação, principalmente nas mensagens comerciais de produtos alimentícios, que sempre propõe atitudes de força, grandeza e devaneios em seus apelos publicitários.
O “afastamento”, a dispersão das crianças em determinados momentos da recepção televisiva, ocorre frequentemente nos intervalos comerciais ou em programas que não atendem aos seus interesses imediatos, sendo tratados como programas “chatos”, “de
véio”, “páia dimais”, etc.
Perguntadas se as mensagens do Projeto Ciranda, veiculadas nas mídias, correspondiam exatamente ao que encontraram ao entrarem no “Circo do Ciranda”, 93% afirmaram que viram “in loco” era mais bonito, “mais grande” e tinha mais gente do que viram na televisão. Esse fato contradiz as pesquisas de audiência e recepção, que sempre denotam que o espaço lúdico da imagem, do som e dos movimentos da televisão amplificam, embelezam e dão grandeza aos fatos apresentados.
As crianças não permanecem passivas diante das mensagens da televisão. 72% delas compreendem que “não podem comprar tudo o que a TV mostra” enquanto 84% entendem perfeitamente o que é de “mentirinha” e o que é real. Quando vêem jornalísticos, por exemplo, onde aparecem crianças sendo mortas ou violentadas, como as imagens recentes do Iraque, elas se identificam, penalizam e fazem injunções com o seu quotidiano, na maioria das vezes (78%) se sentindo beneficiados, privilegiados com o seu status quo, mesmo sendo pertencentes às classes mais baixas da sociedade.
Os programas que mais chamam a atenção das crianças nas mídias, incluem filmes com violência e sexo, programas musicais nas emissoras de rádio, programas de auditório, desenhos, novelas e as propagandas ( o índice de recall está ancorado em produtos alimentícios, brinquedos e eventos ).
Questionadas sobre as brincadeiras que mais gostavam quando não estavam no Projeto Ciranda, 48% delas disseram que “era ver televisão”. Para as crianças a televisão é um espaço lúdico, uma brincadeira e, diante dela, se comportam como diante de seus brinquedos preferidos, se extasiam.
Pertencer a uma comunidade de apropriação é compartilhar de uma mesma maneira de produzir sentido, e o fato de o processo de recepção não se restringir ao ato de ver tv faz com que o resultado final derive de apropriações subseqüentes. Por exemplo, a apropriação que um adolescente faz dos conteúdos massivos pode passar por diversos grupos a que pertence, como os adolescentes da vizinhança, os colegas do colégio, a turma do clube, resultando em confirmação de sua primeira apropriação ou em re-apropriações sugeridas pelos diferentes grupos (Jacks, 1993:50).