BÖLÜM 1: HAZAR DENİZİ VE JEOPOLİTİK TEORİLER
1.6. Jeopolitik Teoriler Çerçevesinde Enerji Kaynakları
1.6.2. Enerji Arz Güvenliği Kavramı
A economia açucareira, iniciada na região Nordeste do País, trouxe consigo uma ocupação extensiva do solo pela cultura da cana-de-açúcar. Em poucas décadas, toda a região costeira foi dividida em latifúndios, onde a monocultura canavieira se
consolidou com o trabalho escravo transformando o açúcar na base econômica do Brasil até meados do século XVII. (PINAZZA & MACEDO, 1993).
Segundo Ramos (1991), o trabalho escravo se tornou a forma mais adequada para o tipo de exploração agrícola colonial implantado no Brasil, “contribuindo para a formação do característico tripé: latifúndio, escravidão e monocultura”, em que se assentou a atividade canavieira no Brasil.
Após a proibição da importação de escravos, no final do século XIX, no Brasil entrou em cena a figura do Colono, como uma nova forma de relação de trabalho na agricultura, que se manteve em algumas culturas até a segunda metade do século XX.
Nesse sistema de trabalho, a subsistência do trabalhador e sua família era realizada com a produção direta de alimentos na propriedade em que trabalhava, seja em uma gleba destinada a ele, geralmente próxima a colônia, seja em meio à cultura principal, quando assim era possível, pois tudo dependia do acordo que este firmava com o proprietário ou fazendeiro.
De acordo com Osakabe (1999), o colonato, regime de trabalho que se instaurou após a chegada das famílias italianas ao Brasil, teve suas características próprias: o trabalhador possuía um pedaço de terra para plantar e subsistir com a sua família, sendo ele trabalhador das fazendas de café, trabalhando durante a época de safra na colheita e a época de entressafra arrumando cercas, cortando mato, adubando, replantando, etc. Esse trabalhador era remunerado em dinheiro ou em espécie, de acordo com a quantidade colhida, o que deixava claro que quanto mais pessoas colhessem o café, maior seria a remuneração. Daí o fato de termos a presença da família toda na colheita deste produto.
Durante esse período, o relacionamento patrão-colono era tão próximo e paternalista que, em muitas fazendas, os colonos convidavam os donos das fazendas para serem padrinhos de seus filhos. Para a autora, a vida naquela época, quando comparada à situação atual dos trabalhadores, parecia ser mais digna, pois não faltava emprego para nenhum membro da família e ninguém passava fome ou necessidade. 43
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Uma realidade muito bem descrita pelo cinema nacional, como no clássico “Tristeza do Jeca” de Mazzaropi, popular comediante comparado a Chaplin e a Cantinflas, que consagrou-se no tipo mais famoso das telas nacionais, o Jeca, um caipira ingênuo mas que sempre acabava se saindo bem em suas artimanhas.
De acordo com Alves (1991), no início da década de 1960 com as taxas de crescimento do país apresentando sinais de esgotamento, um rico debate traz à tona duas correntes distintas de desenvolvimento nacional.
De um lado uma corrente marcada pela possibilidade de ascensão dos movimentos de massa, que colocava claramente a necessidade de se constituir um amplo mercado interno para o desenvolvimento nacional, e que para isso defendia propostas de distribuição de renda, o que incluía a necessidade de uma reforma agrária, sob o controle dos trabalhadores. Ao se democratizar a propriedade da terra, um amplo contingente de trabalhadores teria acesso ao consumo, e crescendo o consumo, cresceria também a produção agrícola e industrial, o que estimularia o desenvolvimento econômico.
Do outro lado, figurava a corrente das classes dominantes, onde uma parcela da burguesia com pretensões no mercado internacional, objetivava unicamente a ampliação de seus ganhos, independentemente da distribuição de renda, através de um processo amplo de desenvolvimento das estruturas capitalistas de produção.
Como já sabemos, o golpe militar de 1964 pôs um fim nessa discussão, implementando sem ressalvas os planos dessa segunda corrente. Neste, a proposta de reforma agrária foi abortada e a agricultura passou a ter um novo papel, a de absorvedora de parte da produção industrial, particularmente das indústrias químicas e metal-mecânica, que marcam a chamada “Revolução Verde” brasileira.
Para essa integração na formação dos chamados Complexos Agroindustriais, a agricultura brasileira entra em processo de forte modernização, cujo crédito agrícola subsidiado torna-se o principal instrumento de política econômica no sentido de impor à agricultura estas transformações. No entanto, esse mecanismo passou a dividir as atividades agrícolas, do ponto de vista tecnológico, uma vez que privilegiava as grandes propriedades que produziam determinadas culturas, inclusive impondo-lhes pacotes tecnológicos, em detrimento da pequena produção. O setor agroindustrial canavieiro foi um dos que conseguiu constituir, neste processo, “um Complexo Agroindustrial completo, articulado ao setor industrial, tanto a montante, quanto a jusante da produção agrícola”. (ALVES, 1991).
Dentre essas transformações, a formação de uma categoria de proletários rurais, ou seja, de trabalhadores desvinculados dos meios de produção, teve uma importância particular para a capitalização da agricultura brasileira.
Segundo Micheloto (1980), até meados da década de 1960, boa parte da produção agrícola nacional se dava através de relações não-capitalistas de produção, como através de parcerias, que não caracterizavam a desvinculação do trabalhador com os meios de produção, como ocorre no trabalho assalariado.
Com a modernização da agricultura, fatores como a mudança para culturas mais rentáveis, ampliação de monoculturas e mecanização de alguns processos produtivos, fazem com que os proprietários percam o interesse no antigo regime de colonato, e assim as famílias de trabalhadores colonos começam a ser expulsas das propriedades, e a se alojar nas periferias das cidades, passando a depender fundamentalmente do recebimento de salários (dinheiro) para o seu sustento.
Segundo o autor, esse processo ocorre em três momentos: no primeiro, ocorre a liberação da mão-de-obra empregada nos antigos processos de trabalho; no segundo, a transição para o trabalho assalariado puro e, no terceiro, a integração dos trabalhadores nas novas relações.
O processo de proletarização do trabalhador rural, segundo o autor, carrega consigo o sentido de transformar a força de trabalho em uma mercadoria, o que é fundamental para a passagem das relações não-capitalistas para as relações capitalistas de produção.
Para que seu trabalho se torne uma mercadoria, o trabalhador precisa ser livre, ou seja, ter o direito de dispor livremente de sua força de trabalho, o que não ocorre com o escravo ou com o servo, e também precisa ser livre face aos meios de produção e aos meios de existência, pois então ver-se-á obrigado a vender sua força de trabalho. (LAPIDUS e OSTROVITIANOV, 1978 apud MICHELOTO, 1980).
O capital, segundo Marx (1988), não se confunde com os objetos materiais que entram no processo produtivo, pois ele é, antes, uma relação econômica e social que se estabelece entre produtores diretos e proprietários dos meios de produção.
Apesar de capitalistas e trabalhadores parecerem estar em um mesmo nível de troca mercantil, as relações capitalistas se dão de forma assimétrica entre os mesmos,
pois a reprodução do capital se dá sob condições cada vez mais propícias para uma das partes, os capitalistas, e mais desfavoráveis para a outra, os assalariados.
No processo de produção capitalista, o capital é o único elemento que se valoriza. O trabalhador, malgrado tenha sido seu trabalho excedente o real gerador do valor, sai do processo tal como entrou, como simples força de trabalho subjetiva que, para conservar-se, terá de percorrer novamente o mesmo processo. (MARX, 1988).
O resultado disso foi que no período entre os anos de 1964 e 1975, a mão-de- obra ocupada e residente nas fazendas reduziu-se de 1,7 milhões para 0,8 milhões, ao passo que os não residentes aumentaram de 324 mil para 465 mil pessoas. Além disso, a demanda pela mão-de-obra no campo se reduziu em 1/3, enquanto que a produção crescia exponencialmente. (GRAZIANO da SILVA, 1980).
De acordo com Alves (1991), em nível nacional, entre 1960 e 1980, cerca de 28 milhões de pessoas deixaram o campo e foram se estabelecer nas cidades. O Estado de São Paulo foi responsável pela migração de 4,5 milhões de pessoas do campo para a cidade nas duas décadas.
Deste modo, a lógica da organização econômica capitalista no país foi capaz de produzir um gigantesco “exercito industrial de reserva”, cujo significado, pela definição marxista, é o de uma população numericamente superior às necessidades imediatas do processo produtivo, e que atua como fator de rebaixamento dos salários.
Entre as culturas que mais contribuíram para essa proletarização do homem do campo está a cana-de-açúcar. Segundo Villarinho (1984), a intensificação da produção canavieira na década de 1970 nos municípios monocultores foi diretamente responsável pela concentração da propriedade da terra. Desde então, a exclusão de pequenos e médios produtores do sistema vem sendo um dos principais problemas sociais gerados pela expansão canavieira.
De acordo com Alves (1991), a densidade da ocupação de mão-de-obra na cana é pequena e com grande oscilação de uso no decorrer do ano, “sendo maior a ocupação no período da colheita e menor na entressafra, o que resulta no emprego preferencial de trabalhadores volantes ou temporários”. Com o crescimento da área plantada com cana, decresce, portanto, a utilização do trabalho familiar e a utilização de assalariados permanentes.
Deste modo, a cana, ao mesmo tempo em que aumenta o emprego nas regiões que ampliam o seu plantio, paradoxalmente, reduz a quantidade de bons empregos existentes, pois tanto remunera mal os seus trabalhadores, quanto transforma uma grande parte dos bons empregos em trabalhos temporários.
De acordo com Osakabe (1999), boa parte dos trabalhadores empregados nas atividades agrícolas da cana-de-açúcar trabalha hoje como "volante" ou "diarista", um tipo de trabalho característico pela sazonalidade44 na contratação do serviço, em época de safra, que vai de maio a novembro. Estes trabalhadores normalmente são demitidos durante a entressafra, permanecendo sem trabalho nesse período, o que é um grande problema social para as regiões canavieiras.
De acordo com a autora, uma grande parte dos trabalhadores que são empregados nos canaviais paulistas provém de outros Estados, particularmente do norte de Minas Gerais, Sul da Bahia e Goiás, e encontram na safra da cana-de-açúcar oportunidade de aumentar sua renda anual.
Estes trabalhadores “migrantes” são contratados por empreiteiros, os chamados "gatos", que se apropriam de parte do seu pagamento. Hoje, este empreiteiro é a figura direta do patrão, é o formador das turmas de trabalho, é o responsável pelo alojamento dos trabalhadores migrantes e do transporte do trabalhador até o local de colheita. São os empreiteiros que negociam, geralmente, os contratos com as usinas e fazendas. Hoje existem várias firmas especializadas na contratação de mão de obra, que executam este tipo de serviço, porém o registro em carteira corre por conta das usinas contratantes. Estas firmas geralmente ficam com 35% do pagamento destinado ao trabalhador.
O que diferencia um trabalhador volante de um trabalhador registrado45 são as garantias oferecidas pelo registro. O trabalhador registrado tem direito ao Fundo de Garantia por tempo de Serviço - FGTS, assistência médica gratuita, repouso semanal garantido, férias remuneradas, etc. Em contrapartida, o trabalhador volante é contratado por uma temporada de serviço que no geral dura de maio a meados de novembro,
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Sazonal : “relativo à sazão ou estação; próprio de, ou que se verifica numa estação ou época do ano; periódico.” Trabalho Sazonal é um emprego que só é encontrado em certas épocas do ano.
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Entende-se por trabalhador registrado aquele que, em seu contrato de trabalho, não está sujeito a um tempo pré-determinado, ao contrário do trabalhador volante, cujo contrato tem apenas um período de validade.
período que dura a safra de cana-de-açúcar. Não possui garantia alguma de serviço, podendo ser demitido quando convier à usina.
O trabalhador volante, regra geral, é um trabalhador de baixa qualificação técnica, e a explicação para isso, segundo Micheloto (1980), encontra-se nos mecanismos de reprodução do capital, como uma forma de reduzir o tempo de formação e o custo de reprodução destes trabalhadores, e de legitimar a depreciação e desvalorização do trabalho da grande massa de trabalhadores que compõe a base da empresa moderna. Deste modo, a exploração do trabalhador volante se caracteriza pela extração da mais-valia absoluta. Tal exploração apresenta-se para o capitalista como vantajosa, sempre que comparada com técnicas mais avançadas e produtivas, porém dispendiosas.
É essa razão, portanto, que permitiu que ritmo de mecanização na atividade canavieira paulista fosse muito mais lento do que em outros países, principalmente na implantação da colheita mecanizada.
No entanto, não estamos afirmando que todo esse processo ocorreu de forma pacífica e homogênea, pois, muito pelo contrário, foi e ainda é marcado por uma constante luta social, característica básica da formação da identidade dos trabalhadores em seu meio.
Uma fase importante dessa luta foi analisada por Alves (1991), onde o autor deixa claro que é no “bojo dessas lutas” que os trabalhadores assalariados rurais vão se identificando como uma “categoria social”, com reivindicações próprias, específicas, em busca pelo “controle do processo de trabalho”, que enquanto uma bandeira operária, específica dos trabalhadores que não detêm a propriedade ou a gestão dos meios de produção, distingui-os dos demais trabalhadores rurais.
Essa fase, que data da década de 1980, foi marcada por greves e manifestações de trabalhadores canavieiros, que chegavam a paralisar totalmente as atividades de algumas usinas e destilarias paulistas, um fator que se tornou determinante na tomada de decisão dos proprietários e usineiros.