2. ŞER‘Î DELİLLERDEN HÜKÜM ÇIKARMA
2.1. LAFIZLAR VE ÖZELLİKLERİ
2.1.4. Emir ve Nehiy
CAPÍTULO 5
USO E APLICAÇÕES DO SDP3D PELAS PNEV’s PARA UMA
APRENDIZAGEM DE REPRESENTAÇÃO 3D.
Neste capítulo, são apresentados os principais recursos utilizados pelas PNEV’s para o aprendizado dos sistemas tátil e auditivo, suas aplicações no estudo de percepção e representação 3D. Finalmente, é apresentado um curso com uma proposta visando o aprendizado em percepção e representação 3D.
5.1 Contato inicial das PNEV’s com SDP3D
Para conhecer a percepção vivida por 10 pessoas portadoras de cegueira congênita, foram realizadas interações nos laboratórios a fim de estudar o nível de percepção de cada um dos participantes. Quando se fala em observar, logo vem à idéia de ver ou olhar, ou seja, uma ação visual. O observador deve captar do ambiente o maior número de informações possíveis, por meio de todos os sentidos que possui. Por isso, não existe um método personalizado de observação para as PNEV’s e outro para videntes, mas sim um método universal de observar, utilizando todos os sentidos possíveis para tal exame e apreensão de dados (BALLESTERO-ALVAREZ, 2003, p.18).
Os participantes foram selecionados a partir de contatos com instituições de ensino e empresas que possuem em seu quadro de funcionários PNEV’s. Com base nas entrevistas e no programa que deveria ser cumprido, todos optaram para que tais eventos ocorressem nas quintas-feiras, no período da tarde para os graduandos, e para os profissionais aos domingos, no período da manhã.
Esses encontros e as participações em laboratório, possibilitaram o conhecimento das peculiaridades de cada participante no quesito perspectivas. A seguir, é feita uma breve apresentação das características de cada participante.
5.1.1 Os Participantes;
Para elaboração desta pesquisa foram observados alguns critérios básicos para a seleção dos participantes do ensino de Perspectiva e Representação 3D esse grupo deveria:
• Ter cegueira congênita;
• Ser adulto e no mínimo graduando;
• Estar no mundo do trabalho no mínimo 2 anos (para os graduados);
Foram 10 as pessoas selecionadas para este estudo, sendo 4 ainda graduandos, destas 2 do curso de Pedagogia, 1 em Licenciatura da Computação e 1 cursando Direito. Além de 6 profissionais já atuando no mercado há no mínimo dois anos. Onde havia, 1 Analista de Sistema, 1 Psicólogo, 1 Músico, 1 Pedagoga, 1 Programador e 1 Advogada.
A fim de atender essas condições, pude contar com as valiosas contribuições das seguintes instituições: UNASP/SP e as Instituições: 1. Órgão Público de Processamento de Dados, 2. Clínica de Psicologia, 3. Prefeitura Municipal, 4. Instituição Educacional e 5.
Empresa de Informática67. Os participantes selecionados, descritos abaixo, contribuíram da
seguinte forma: os 2 participantes do curso de Pedagogia, 1 de Licenciatura da Computação e 1 estudante de Direito, colaboraram participando nas reuniões68 de quintas-feiras, e os
seis profissionais aos domingos no LATEC/UNASP. Ao todo são dez os integrantes, sete do sexo feminino e três do sexo masculino, e foram divididos em dois grupos, o Grupo 1 composto de quatro graduandos e o Grupo 2 de seis profissionais, a maioria atuando no mundo do trabalho. A seguir a caracterização desses participantes:
Tabela 2 - Reuniões às quintas-feiras – Graduandos.
Profissão Curso Identificação Sexo Idade Estado
Civil
Secretária Pedagogia P1 F 35 Casada
Desempregada Pedagogia P2 F 30 Solteira
Professora de
Informática Ciências Computação da P3 F 26 Solteira
Bolsista Direito P4 F 20 Solteira
Tabela 3 - Reunião aos domingos – Profissionais. Profissão Identificaçã o Sex o Idade Estado Civil Filhos Local Analista de
Sistemas P5 M 53 Casado 2 Empresa
67 Essas Instituições solicitaram que não fossem identificadas. 68
Cada reunião teve a duração de duas horas e meia, foram seis em 2007 e quatro em 2008, ao todo 10 encontros.
Psicólogo P6 M 35 Casado 1 Clínica Professor de
Música P7 M 43 Casado Privada Escola
Pedagoga P8 F 35 Casada Escola
Privada
Advogada P9 F 38 Casada Prefeitura
Programadora P10 F 30 Solteira Empresa
Participante-1 – estudante de Pedagogia, 35 anos de idade, casada com um DV e tem uma filha de 14 anos. Atualmente trabalha em uma instituição pública como secretária do departamento de cidadania.
Participante-2 – do sexo feminino, estudante de Pedagogia, com bolsa de estudo integral, atualmente com 30 anos de idade, solteira e desempregada. Causa da cegueira: cega congênito.
Participante-3 – do sexo feminino, estudante de Licenciatura da Computação, 26 anos de idade, solteira, trabalha como professora de informática para Deficientes Visuais em uma instituição pública. Causa da cegueira: cega congênito.
Participante-4 – do sexo feminino, estudante de Direito com bolsa de estudo integral, 20 anos de idade, solteira e não trabalha. Causa da cegueira: cego congênito.
Participante-5 – do sexo masculino, Analista de Sistema, formado há 15 anos, casado com uma Vidente, tem duas filhas videntes, uma de 14 e outra de 18 anos. Trabalha como Analista Programador em uma instituição pública. Atualmente está com 53 anos. Causa da cegueira: cego congênito.
Participante-6 – do sexo masculino, Psicólogo, formado a oito anos, casado com uma Vidente, tem um filho vidente de oito anos. Possui uma clínica e trabalha há nove anos. Está com 35 anos de idade. Causa da cegueira: cego congênito.
Participante-7 – do sexo masculino, Professor de Música, formado há cinco anos, casado com uma DV, tem uma filha vidente de 10 anos, está com 43 anos. Causa da cegueira: cego congênito.
Participante-8 – do sexo feminino, Pedagoga formada há dois anos, casada com um DV, possui uma filha vidente de 10 anos, tem 35 anos. Causa da cegueira: cego congênito.
Participante-9 – do sexo feminino, Advogada e trabalha há sete anos em uma prefeitura da grande São Paulo, casada e está com 38 anos. Causa da cegueira: cega congênito.
Participante-10 – do sexo feminino, Programadora há 3 anos em uma empresa de Informática, solteira 30 anos de idade. Causa da cegueira: cega congênito.
Esta parte do estudo foi feita no LATEC/UNASP, com dez participantes, todos cegos congênitos, duas vezes por semana, nas quintas e nos domingos, num período de seis meses. O ambiente era composto de software básico da Microsoft, computador, microfone, webcam, placas com marcadores e de identificação da Realidade Aumentada. Para a construção do SDP3D, foi utilizada a RA com SACRA, foram realizadas as seguintes etapas:
1. Gravação dos conceitos e características dos objetos em questão;
2. Posicionamento dos objetos e placas de identificação com a placa referência e a webcam;
3. Interação dos objetos, placas de identificação, placa de referência e webcam com os níveis conceituais que o SACRA deverá “explicar”.
4. Adequar a repetição as informações aos interessados, quantas vezes forem necessárias.
5.1.2 Estudo Inicial da Acuidade Tátil
Para este estudo, foram feitas atividades onde os participantes manipulavam vários tipos de objetos, a fim de mensurar o nível de acuidade tátil, baseado no modelo de análise utilizado por Soler (1999, p.61)
A seguir, nos Quadros 7 e 8 mostraremos, de forma a exemplificar, uma pequena relação de algumas sensações táteis, utilizadas na análise da acuidade tátil, utilizada por Soler (1999, p.61).
Quadro 7 – Nível de acuidade tátil dos participantes - graduandos.
Part-1 Part-2 Part-3 Part-4 Obs:
Formas geométricas69 (seis
peças) Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP70/Pelúcia Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente.
STP/Algodão Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Veludo Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Madeira Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Cortiça Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN71/Lixa Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente.
STN/Cartão áspero Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Objeto pontiagudo Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Objetos que queimam Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Objeto cortante Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente.
No Quadro 7, podemos observar o resultado dos 4 graduandos que compõe o grupo1, todos identificaram facilmente os objetos de formas geométricas, os que apresentam a sensação tátil positiva e os de sensação tátil negativa. E o mesmo podemos afirmar dos componentes do grupo2 os graduados que atuam no mundo do trabalho, isto é confirmado no Quadro 8.
69
As Formas Geométricas utilizadas para serem identificadas pelos participantes foram: cilindro, cubo, prisma, esfera, pirâmide e cone.
70 STP – Sensação Tátil Positiva. 71
Quadro 8 – Nível de acuidade tátil dos participantes – profissionais atuando no mercado de trabalho.
Part-5 Part-6 Part-7 Part-8 Part-9 Part-10 Obs:
Formas geométricas - (seis peças)
Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente.
STP/Pelúcia Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Algodão Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Veludo Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Madeira Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STP/Cortiça Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Lixa Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Cartão áspero Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Objeto pontiagudo Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Objetos que
queimam Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente. STN/Objeto cortante Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Reconheceu Todos identificaram facilmente.
Diante dos resultados obtidos, pude concluir que os componentes dos grupos 1 e 2, segundo Ballestero-Alvarez (2003, p.60), demonstram ser pessoas que não apresentam nenhuma dificuldade em manifestar afeto72, sabem discernir e exemplificar os objetos tanto
como sensações positivas, quanto como negativas, qualidades imprescindíveis para este estudo.
5.2 Percepção Artísticas das PNEV’s.
Pode-se dizer que o mundo dos “DV’s” é bem diferente, pois os sistemas auditivo, olfativo, gustativo e tátil são muito mais importantes para suas experiências sensoriais. Em termos qualitativos é muito diferente do mundo dos videntes. É sobretudo, um mundo de sons, temperaturas, cheiros e texturas, onde as informações trafegam (BALLESTERO- ALVAREZ, 2003, p.36). Nesse contexto de domínios sensoriais, a quantidade e qualidade de informações que se recebe é significativamente importante. Tendo em vista o aprimoramento de tais habilidades, as PNEV’s participaram da Oficina de Aprendizagem sobre o Sistema de Desenvolvimento de Percepção em 3D (SDP3D), com instrutor humano, representado pelo autor da pesquisa. Essa atividade foi desenvolvida em duas fases, descritas a seguir.
A-1 - Quadro de Captação por meio do tato – vista superior. Fonte: foto de Roberto Wataya
A-2 - Quadro de Captação por meio do tato – vista em perspectiva. Fonte: foto de Roberto Wataya A-3 - Quadro de Captação 3D por meio do tato – vista em perspectiva. Fonte: foto de Roberto Wataya
A-4 - Quadro de Captação 3D por meio do tato – vista lateral direita em perspectiva. Fonte: foto de Roberto Wataya
Figura 27 – São apresentadas imagens de um contexto que contém: árvores, trilho de trem e casas, nas seguintes situações conforme descritas nos quadros, A-1, A-2, A-3 e A-4.
Fase-1: nesta fase inicial todos os participantes tiveram contato com o quadro de captação 3D (acima na Figura 27 A-1) sem nenhuma explicação prévia, fazendo em seguida e individualmente a “leitura e descrição” de cada objeto que compõe o quadro. Essas informações foram registradas e posteriormente tabuladas. Tais dados foram confrontados com os resultados da Fase-2, quando os participantes, após todas as etapas cumpridas, novamente fariam a “leitura e descrição” de cada objeto do quadro de captação 3D. A seguir farei uma descrição das características dos Quadros de Percepção e Representação 3D, Figura 27 A-3 e A-4, que foram utilizados no pré-teste deste estudo
2. Trilho de trem, com 10 dormentes, o primeiro (perto do visitante) constituído de 10 dormentes, o segundo com 9 dormentes, o terceiro com 8 dormentes, o quarto com 7 dormentes, o quinto com 6 dormentes, o sexto com 5 dormentes, o sétimo com 4 dormentes, o oitavo com 3 dormentes, o nono com 2 dormentes o décimo com 1 dormente;
a. Trilho de ferro (simbolizado pelo espeto de madeira de 50 cm de cada lado);
3. Quatro árvores73: (Figura 29 – C1, C2, C3, C4 e C5)
a. A primeira (perto do visitante e ao lado do primeiro dormente com 10 lâminas ), simbolizando uma árvore adulta com 9 cm de altura;
b. A segunda (também perto do visitante e ao lado do primeiro dormente com 10 lâminas), simbolizando uma árvore pequena com 3 cm de altura; c. A terceira (próximo do sexto dormente com 5 lâminas), simbolizando uma
árvore adulta, mas distante 300 metros com 6 cm de altura;
d. A quarta ( próximo do décimo dormente com 1 lâmina), simbolizando uma árvore adulta e distante 1000 metros, com 3 cm de altura;
4. Uma caixa quadrada de 9cm de cada lado (simbolizando uma casa perto do observador; outra com 6cm de cada lado (simbolizando uma casa mais distante do observador, e por fim a de 3cm de cada lado (simbolizando uma casa bem distante do observador (Figura 29 – C1, C2, C3, C4 e C5).
Após essas considerações, segue-se a explanação, com as imagens de um contexto composto de árvores, trilhos de trem e casas, sob diversos ângulos como: vista superior, vista em perspectiva, vista em perspectiva 3D e vista lateral direita em perscpectiva 3D.
A seguir, serão abordados conceitos de ponto de fuga em diferentes situações, como em profundidade das linhas de convergência 3D para o ponto de fuga. Também a vista lateral em profundidade das linhas de convergências 3D para o ponto de fuga. Vista em profundidade das linhas de convergências 2D para o ponto de fuga. E finalmente, vista lateral em profundidade das linhas de convergências 3D para o ponto de fuga, conforme Figura 28 abaixo:
73
B-1 - A foto mostra a entrada do Castelo de Tegel, em Berlim, muito bonita74. Sobre a foto digitalizada passei as principais linhas de convergência. O exemplo ainda é simples e a foto foi escolhida exatamente por possibilitar essa simplicidade. Vista em perspectiva das linhas de convergência 3D para o ponto de fuga.
Fonte: foto de Roberto Wataya
B-2 - Neste plano 3D, foram feitas as linhas de convergência, duas no plano horizontal e duas no plano vertical, todas se encontrando em um ponto, na linha denominada ponto de fuga. Vista lateral em perspectiva das linhas de convergência 3D para o ponto de fuga. Fonte: foto de Roberto Wataya
B-3 - Nesse mesmo raciocínio, agora temos o desenho da linha do trem, que mostra a questão da convergência das linhas para o ponto de fuga. Vista em perspectiva das linhas de convergência 2D para o ponto de fuga. Fonte: foto de Roberto Wataya B-4 – Outro exemplo de convergência em uma série de casas geminadas, onde cada casa é composta de uma janela e uma porta. A representação desse conjunto de casas, está de acordo com as características de convergência. Vista lateral em perspectiva das linhas de convergência 3D para o ponto de fuga.
Fonte: foto de Roberto Wataya
Figura 28 – Mostra uma seqüência de fotos e imagens que se completam para conceituar “ponto de fuga”, nas seguintes situações conforme descritas nos quadros, B-1, B-2, B-3 e B-4.
Na Figura 29, serão abordadas tópicos como: perspectiva e representação 3D75 nas
seguintes situações, na imagem C-1 temos a vista superior do quadro 2D, já na imagem C-2 vista superior em perspectiva 2D, para a imagem C-3 é enfatizada a vista lateral em perspectiva 3D das três etapas, perto, médio e longe. Para a imagem C-4. observamos a vista em perspectiva 3D, ângulo de 30º. E por fim, a vista superior em perspectiva em 3D.
C-1 - Vista superior do quadro. Fonte: foto de Roberto Wataya C-2 - Vista superior em perspectiva em 2D. Fonte: foto de Roberto Wataya C-3 - Vista lateral em perspectiva 3D das três etapas, perto, médio e longe. Fonte: foto de Roberto Wataya C-4 - Vista em perspectiva 3D, ângulo de 30º. Fonte: foto de Roberto Wataya C-5 - Vista superior em perspectiva em 3D. Fonte: foto de Roberto Wataya
Figura 29 – Quadro de Percepção e Representação 2D e 3D, vista sob vários ângulos, conforme descritas nos quadros, C-1, C-2, C-3, C-4 e C-5.
74 Castelo de Tegel (CYBERARTES, 2007). 75
5.2.1 Oficina de aprendizagem das PNEV’s sobre Percepção em 3D,
com Instrutor Humano.
Na fase-1 foram oferecidos cursos de pequena duração aos participantes deficientes visuais, durante os meses de agosto e setembro do ano de 2007. O curso foi ministrado pelo instrutor humano e as aulas tiveram duração de trinta minutos no período vespertino, uma vez por semana. Os conteúdos foram ensinados por meio de exposição oral e as práticas foram efetuadas de maneira que, os participantes tivessem oportunidades de executar atividades exploratórias ou simulações.
O curso contou com avaliação quanto à assimilação dos conteúdos, e para isso, utilizou-se o mesmo instrumento no pré e pós-teste (Apêndice 1). Os conteúdos e as estratégias selecionadas estão no Quadro 9.
Quadro 9 – Programa do curso de pequena duração aos participantes DV’s, apresentamos o conteúdo, a estratégia e a carga horária.
CONTEÚDO ESTRATÉGIA CARGA HORÁRIA
1. Sólidos geométricos; 2. Introdução à Perspectiva; 3. Linhas do horizonte; 4. Ponto de Fuga;
Exposição dialogada, e a prática dos tópicos abordados;
30 minutos; 30 minutos; 30 minutos; 30 minutos;
As etapas desta pesquisa são as seguintes76 (BALLESTERO, 2006):
• Individual: apresentação, conceituação e exemplificação sobre o
desenvolvimento tátil, e as atividades que serão desenvolvidas e contextualização da importância de sua contribuição e colaboração.
• Individual; atividades práticas de manuseio, associações e análises técnicas dos
sólidos;
• Discussão e observação de cada um;
• Individual: iniciação à conceituação e às características de figuras e desenhos em
perspectiva com um ponto de fuga;
• Individual: modo de manipulação, posicionamento das mãos quanto ao manuseio
e disposição adequadas para facilitar a apreensão das informações;
• Apresentação e discussão, como forma de socializar o entendimento individual;
76
• Finalmente, se promove a avaliação final individual. O propósito deste posicionamento é assegurar a leitura tátil em sólidos e desenhos em perspectiva com um ponto de fuga.
A escolha de sólidos geométricos77 ocorreu com o objetivo de facilitar o entendimento
tridimensional básico (BALLESTERO, 2006). A seguir são usadas reproduções desenvolvidas para aprendizagem de Perspectiva e Representações 3D.
A perspectiva mostra as coisas como vemos, em 3 Dimensões (3D), enquanto que a Planta e a Fachada são desenhos em 2 Dimensões, que podem ser medidas quando é conhecida a Escala do desenho. A perspectiva mostra os objetos como eles aparecem à nossa vista, com volume, não como eles realmente são, ela dá Visão de Conjunto do objeto num só desenho, mas não permite tomar medidas (MONTENEGRO, 2005).
Para este estudo, fico determinado que a Linha do Horizonte (LH) estará sempre na altura do olho do observador, ou seja, estará sempre no plano de estudo. O Ponto de Fuga, é o lugar onde as retas paralelas parecem se encontrar na LH (MONTENEGRO, 2005).
A escolha e as adequações das estratégias adotadas nos respectivos conteúdos foram respaldadas em trabalhos anteriores como a importância da percepção tátil- sinestésica de Ballestero (2006), sobre a perspectiva de Montenegro (2005), reflexões sobre o uso de resposta tátil de O’Modhrain (2002), Griffin e Gerber (1996) e a compreensão do cego através do procedimento de desenhos e histórias de Amiralian (1992).
Os procedimentos adotados, visaram a contextualização com fatos experienciados anteriormente, a fim de haver comparação com os novos conceitos, e assim gerar a sua plena compreensão. É importante ressaltar que sempre iniciava-se a aula com a apresentação de um fato da vida, e buscando gerar associações com experiências vividas pelas PNEV’s, possibilitando assim, uma maior identificação e mais facilidade de trabalhar os conhecimentos abstratos e associá-los com os concretos.
Como exemplo, destaquei a Figura-25 B-1, primeiro quadro, que apresenta uma foto da entrada do Castelo de Tegel, em Berlim, com linhas de convergência. Para reforçar, a imagem B-2 e B-3, que mostra as questões de convergência em um plano 3D, (composto por linhas de convergência, duas no plano horizontal e duas no plano vertical, todas se encontrando em um ponto, na linha denominada ponto de fuga). Finalmente, na imagem B-4 – Outro exemplo de convergência - uma série de casas geminadas, onde cada casa é
77 Cúbico, esférico, paralelogramo irregular, prismático, ovóide, cônico e piramidal de base quadrada. Os
composta de uma janela e uma porta, Sendo que a representação desse conjunto de casas está de acordo com as características de convergência.
5.3 Experiência com o Sistema de RA com o SDP3D
No sentido de coletar os dados dos sujeitos de maneira mais ampla e completa, e para melhor embasar teoria e prática, descrevo os passos da pesquisa realizados no LATEC/SP, no período de 2007 e 2008, que foram de capital importância no cumprimento das etapas e também para a pesquisa.
As etapas desenvolvidas nesse trabalho, foram feitas sempre em duas sessões, nas quintas-feiras para os graduandos e nos domingos para os profissionais que já atuam no mundo do trabalho. A seguir farei comentários das etapas que se sucederam.
• No primeiro encontro, foram feitas as apresentações78 a fim de criar uma
atmosfera mais amistosa e familiar no grupo, enaltecer a importância de cada participante, e como grupo, trabalhar de maneira entrosada para alcançar os