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O que são os Parâmetros Curriculares Nacionais?
Temos uma resposta resumida no seguinte parágrafo, retirado dos PCNs de 1997:
Os Parâmetros Curriculares Nacionais constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual. (BRASIL,1997, p.13)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental – 1997 - são compostos por 10 volumes, todos relativos ao 1º e 2º ciclos – 1ª a 4ª séries. Um deles se refere à Introdução, oito desses volumes se referem às Áreas de Conhecimento (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais, História e Geografia, Arte, Educação Física, e Língua Estrangeira) e o último volume diz respeito aos Temas Transversais, visto como novidade por incluir temas sociais como Meio Ambiente, Ética, Saúde, Pluralidade Cultural e Orientação Sexual.
Ainda, em 1998, foram publicados os PCN para o Ensino Fundamental, referentes ao 3º e 4º ciclos – 5ª a 8ª séries, compostos por outros 10 volumes, também separados em Áreas de Conhecimento, e com os mesmos Temas Transversais, aqueles referentes aos 1º e 2º ciclos. A Resolução n°.2 instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental.
Posteriormente, em 1999, foram publicados os PCN para o Ensino Médio. Essa coleção foi composta por 4 volumes: V1. Bases Legais, V2. Linguagens Códigos e suas Tecnologias, V3. Ciências da Natureza e Matemática e suas Tecnologias e V4. Ciências Humanas e suas Tecnologias. Segundo os Parâmetros Curriculares de 1999, a Matemática no Ensino Médio tem um valor formativo, que ajuda a estruturar o pensamento e o raciocínio dedutivo, porém também desempenha um papel instrumental, pois é uma ferramenta que serve para a vida cotidiana e para muitas tarefas específicas em quase todas as atividades humanas.
Em seu papel formativo, a Matemática contribui para o desenvolvimento de processos de pensamento e para aquisição de atitudes, cuja utilidade e alcance transcendem o âmbito da própria Matemática, podendo formar, no aluno, a capacidade de resolver problemas genuínos, gerando hábitos de investigação, proporcionando confiança e desprendimento para analisar e enfrentar situações novas, propiciando a formação de uma visão ampla e científica da realidade, a percepção da beleza e da harmonia, o desenvolvimento da criatividade e de outras capacidades pessoais.
Com a finalidade de consolidar habilidades instrumentais da Matemática no Ensino Médio, segundo os PCNs, a Matemática deve ser vista pelo aluno como um conjunto de técnicas e estratégias para serem aplicadas a outras áreas do conhecimento, assim como para a atividade profissional.
Nesse sentido, é preciso que o aluno perceba a Matemática como um sistema de códigos e regras que a tornam uma linguagem de comunicação de ideias e permite modelar a realidade e interpretá-la. Assim, os números e a álgebra como sistemas de códigos e a geometria na leitura e interpretação do espaço, a estatística e a probabilidade na compreensão de fenômenos em universos finitos são subáreas da Matemática especialmente ligadas às aplicações. Nesse sentido, o Parecer da Câmara de Educação Básica n°. 4/98 e a Resolução n° 2 de 1998 propuseram sete diretrizes como referência para a organização do currículo escolar. Essas diretrizes estão explicitadas no art. 3° e, também, nos PCNs.
De acordo com o Parecer CNE N°. 4/98 – CEB, as diretrizes dizem respeito a:
1. As escolas deverão fundamentar suas ações pedagógicas em princípios éticos, políticos e estéticos que se complementam com a autonomia, responsabilidade e solidariedade, com a cidadania e a vida democrática.
2. Reconhecimento da identidade pessoal de alunos, professores e demais profissionais que atuam na educação escolar, bem como da identidade institucional das escolas e dos sistemas de ensino.
3. Considerar o processo educacional como uma relação indissociável entre conhecimentos, linguagem e afetos, constituinte dos atos de ensinar e aprender. 4. Estabelecer conteúdos curriculares mínimos para a chamada Base Nacional Comum, esta diretriz se apoia no art. 9 da LDB, e ainda o Parecer:
[...] a instituição de uma Base Nacional Comum com uma Parte Diversificada, a partir da LDB, supõe um novo paradigma curricular que articule a Educação Fundamental com a Vida Cidadã.
O significado que atribuímos à Vida Cidadã é do exercício de direitos e deveres de pessoas, grupos e instituições na sociedade, que em sinergia, em movimento cheio de energias que se trocam e se articulam, influem sobre múltiplos aspectos, podendo assim viver bem e transformar a convivência para melhor. (BRASIL, 1998)
5. A quinta diretriz, complementa a quarta pois, junto do artigo 27 da LDB, orienta as escolas sobre como conduzir as propostas curriculares e sobre como articular os conhecimentos e valores da Base Nacional Comum e da Parte Diversificada ao contexto social durante o processo de ensino.
6. A sexta diretriz enfatiza a autonomia escolar e fundamenta-se na LDB para orientar as escolas no uso da Parte Diversificada ao contexto social.
7. Essa diretriz diz respeito, às condições e possibilidades da interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, do sistema seriado ou por ciclos, do currículo, da relação de a escola com a sociedade serem objeto de planejamento e avaliação constantes da escola e de sua proposta pedagógica.
Por sua vez, os Parâmetros Curriculares Nacionais, Introdução na Seção dos Princípios e Fundamentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dizem que
A educação básica tem assim a função de garantir condições para que o aluno construa instrumentos que o capacitem para um processo de educação permanente. Para tanto, é necessário que, no processo de ensino e aprendizagem, sejam exploradas: a aprendizagem de metodologias capazes de priorizar a construção de estratégias de verificação e comprovação de hipóteses na construção do conhecimento, a construção de argumentação capaz de controlar os resultados desse processo, o desenvolvimento do espírito crítico capaz de favorecer a criatividade, a compreensão dos limites e alcances lógicos das explicações propostas. Além disso, é necessário ter em conta uma dinâmica de ensino que favoreça não só o descobrimento das potencialidades do trabalho individual, mas também, e sobretudo, do trabalho coletivo. Isso implica o estímulo à autonomia do sujeito, desenvolvendo o sentimento de segurança em relação às suas próprias capacidades, interagindo de modo orgânico e integrado num trabalho de equipe e, portanto, sendo capaz de atuar em níveis de interlocução mais complexos e diferenciados. (BRASIL, 1997, p.28)
É importante lembrar que os PCNs e as Propostas da Secretaria de Educação – SP-2008 representam um material para subsidiar a escola no sentido de orientar o trabalho que o educador vai desenvolver, assim como o de estabelecer um currículo capaz de atender as reais necessidades dos alunos. Além disso, os PCN dizem que
Apesar de apresentar uma estrutura curricular completa, os Parâmetros Curriculares Nacionais são abertos e flexíveis, uma vez que, por sua natureza, exigem adaptações para a construção do currículo de uma Secretaria ou mesmo de uma escola. Também pela sua natureza, eles não se impõem como uma diretriz obrigatória: o que se pretende é que ocorram adaptações, por meio do diálogo, entre estes documentos e as práticas já existentes, desde as definições dos objetivos até as orientações didáticas para a manutenção de um todo coerente. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão situados historicamente — não são princípios atemporais. Sua validade depende de estarem em consonância com a realidade social, necessitando, portanto, de um processo periódico de avaliação e revisão, a ser coordenado pelo MEC. (BRASIL, 1997, p.29).
Em 1997, os conteúdos curriculares, nos Parâmetros Curriculares Nacionais, propuseram uma mudança de enfoque:
ao invés de um ensino em que o conteúdo seja visto como fim em si mesmo, o que se propõe é um ensino em que o conteúdo seja visto como meio para que os alunos desenvolvam as capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos. (BRASIL, 1997, p.51).
Para isso, um item que requer nossa atenção é quanto à realização das atividades de ensino e aprendizagem na sala de aula. Os Parâmetros nos propõem que “a programação deve garantir uma distribuição planejada de aulas, distribuição dos conteúdos segundo um cronograma referencial, definições das orientações didáticas prioritárias, seleção do material a ser utilizado, planejamento de projetos e sua execução”. Além disso, que a responsabilidade seja compartilhada com a equipe da escola por meio da co-responsabilidade estabelecida no projeto educativo.
Outro fato a se considerar é que junto ao planejamento das políticas públicas referentes à educação, a fim de fortalecer a escola e o trabalho do professor, articula-se o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, SAEB, criado em 1988, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep.
Igual a esse sistema, a resolução SE no. 27, de 29 de março de 1996, vinculada à lei 9394/96, cria o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo, o SARESP, também para fortalecer as políticas públicas da educação.
É bem verdade, como visto acima, com relação às reformas e ou à implantação de um sistema educacional e aos exames de avaliação, que propostas pedagógicas, mudam de tempos em tempos porque a sociedade também vai se transformando.