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EK: EV YAŞANTISI VE ARABA

Os conhecimentos criados a partir da partilha e da troca de experiências, nas mais diversas situações, sejam em reuniões, colegiados ou em espaços informais, necessariamente, precisam ser organizados e formalizados através de registros para que não se percam. Nesse processo, o conhecimento começa a ser gerido, pois, intencionalmente, articulam-se os conhecimentos tácitos dos sujeitos envolvidos na instituição como meio de construir novos conceitos e elaborar documentos que sustentem a prática institucional (TAKEUCHI & NONAKA, 2008). Os autores tratam essa sistematização por externalização, segundo modo de conversão do conhecimento, e reafirmam que sua visibilidade é vista “tipicamente no processo da criação de conceitos e é desencadeado pelo diálogo ou pela reflexão coletiva” (TAKEUCHI & NONAKA, 2008, p. 62).

A Espiral do Conhecimento, modelo de Gestão do Conhecimento proposto por Takeuchi e Nonaka (2008, p. 23), abrange a interação entre os conhecimentos tácito e explícito, tendo como ponto inicial a criação de conhecimentos a partir da partilha dos saberes tácitos dos indivíduos, que passam pelo processo de conversão para conhecimentos explícitos, em um segundo estágio, compreendido para efeito desta pesquisa como registro, através do qual os conhecimentos individuais de professores, estudantes, funcionários e conselheiros se estendem ao grupo.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) da Escola é um registro importante e sistematizador dos conhecimentos refletidos e partilhados entre os sujeitos que compõem a comunidade escolar, por partir de diálogos e discussões planejadas para construir os conceitos que servem de norte às práticas institucionalizadas. Por outro lado, trata-se de um documento inacabado, que é comumente consultado, avaliado e atualizado pela comunidade escolar, o que se confirma nos trechos a seguir, retirados do PPP da unidade de ensino pesquisada.

A Escola de Referência em Ensino Médio Senador Nilo Coelho com a missão de alcançar as metas traçadas em prol da melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem dos nossos estudantes, convocou o corpo de docentes, discentes, pais e comunidade para elaboração de um Projeto Político Pedagógico que representasse a identidade de nossa escola e respondesse nossos anseios de crescimento quanto à qualidade pedagógica dos nossos educadores, o avanço intelectual dos nossos estudantes e a grandeza profissional de todos que compõem o quadro de funcionários da escola (PPP-EREMSNC, 2015, p. 10).

A última revisão aconteceu em fevereiro de 2015, após ampla análise, discussão e planejamento com a gestão, professores e comunidade (PPP- EREMSNC, 2015, p. 10).

Os trechos apresentam informações a respeito da construção do Projeto Político Pedagógico a partir de discussões coletivas, de processos reflexivos e avaliativos, além da análise de dados com apresentações de metas e informações, o que representa a interação entre diferentes ideias voltadas especificamente para a construção de conhecimentos explícitos sistematizados a partir da criação de um documento. A esse respeito, Alarcão (2011, p. 101) enfatiza que “são as pessoas que, na qualidade de atores sociais, que dão vida aos projetos, desenvolvendo atividades várias, e mobilizando, nesse sentido, as estratégias que se lhes apresentam como conducentes à realização das tarefas a executar”. A construção coletiva do Projeto Político Pedagógico é um exemplo da ocorrência da externalização na escola.

Por outro lado, se as oportunidades de partilha de conhecimento são comuns no ambiente escolar, as possibilidades de construção de novos conhecimentos explícitos são recorrentes e vão além das estratégias para elaboração do Projeto Político Pedagógico da Escola. Nessa direção, buscou-se identificar nas falas dos entrevistados de que forma os saberes que eles constroem individualmente e em conjunto, a nas mais variadas situações, são registrados e organizados com vistas à melhoria nos processos pedagógicos e administrativos. As falas a seguir apresentam as formas de registro utilizadas e a frequência em que ocorrem.

Algumas coisas a gente registra e deixa na biblioteca (EG1).

Nós temos registros em atas, fotos, filmagens, não só dentro da escola como fora dela (EG2).

Nós conseguimos registrar através de atas, através não só da escrita, mas através de vídeos, de gravações (EC2).

Então, essa prática de registro é realmente uma prática recente, eu acho que de uns dois anos pra cá, três anos no máximo, que a gente veio com essa questão de, com essa preocupação de registrar (EG1).

As falas revelam que a prática de registro dos conhecimentos construídos, quando ocorrem na escola, ainda são muito tímidas e não são planejadas no intuito de ampliar os conhecimentos da instituição. Ademais, compreendendo a gestão do conhecimento, enquanto um processo planejado e intencional, através do qual “a organização gera riqueza, a partir do seu conhecimento ou capital intelectual” (BUCKOWITZ et al., 2002, p. 16), percebe-se que na escola, os registros ainda são limitados e os conhecimentos construídos através da troca de experiências são incorporados somente aos conhecimentos tácitos dos participantes. A fala a seguir reitera esse posicionamento.

A gente vai aprendendo, vai ampliando os conhecimentos, mas fica só no nosso conhecimento teórico, não vai pra prática, não vai nada escrito, não fica nada sistematizado (EP2).

A fala demonstra certa despreocupação em efetuar registros, em formalizar os conhecimentos, embora ressalte que os conhecimentos individuais são ampliados a partir das aprendizagens desenvolvidas. Por outro lado, entre os entrevistados há os que veem os registros como fundamentais nos processos escolares e já conseguem efetivá-los com mais consistência e objetivos alinhados. Conforme se pode constatar nos fragmentos abaixo.

Se a gente não acompanhar e registrar, e não for registrando isso, a gente fica um pouco perdido, não sabe que caminho você está traçando, não tem uma visão mais ampla do que você está fazendo. Você tem que ter uma evolução, saber onde você está acertando e onde você está errando, porque senão você não progride. Até os simulados a gente faz isso, a gente tabula (EG1).

A primeira coisa é planejar aquilo que se quer executar, nós fazemos isso através de projetos (EP1).

Embora, fique claro que os registros ainda não sejam constantes para a maioria dos entrevistados, é possível inferir que, quando utilizada, essa sistematização volta-se para a análise e, consequentemente, para a melhoria das práticas. A partir do momento que se analisa dados, trabalhando-os, tabulando-os e contextualizando-os, geram-se novas informações e constroem-se novos conhecimentos. Choo (apud ALVARENGA NETO, 2008, p. 20) considera dado-informação- conhecimento através de um continuum que está em constante processamento e reflete em “gestão, ação, resultado, aprendizagem e retroalimentação”.

Portanto, mesmo que a preocupação em registrar não seja uma preocupação unânime, por parte dos entrevistados, alguns já a utilizam de modo a refletir o caminho percorrido no cotidiano, vislumbrando um crescimento nos resultados. A elaboração de projetos a serem desenvolvidos também reflete a delimitação de objetivos e metas, algo que se pretende executar. Nesse sentido, as práticas tendem a ser melhoradas e mais conhecimentos a serem construídos na escola.