2. Suriye Selçuklu Devletinde Suikastlar
2.1. Melik Rıdvan Dönemi Suikastları
2.1.2. Efamiye Kalesi Reisi İbn Mülaib Suikastı
A família do adolescente em questão é composta por quatro membros, são eles: o adolescente foco da proteção Edi (16 anos); a mãe Aparecida; a irmã dele mais nova,
Manoela, de seis anos e o pai da família, o Sr. Paulo, que não entrou inicialmente na proteção, sendo incluído em seguida. Desde o primeiro atendimento do Conselho Tutelar foram narrados os conflitos do pai com o filho adolescente. A família está protegida em uma localidade que chamaremos de Cidade da Serra, localizada a quase 250 km de Fortaleza.
Quanto aos aspectos da moradia, esta tinha um bom espaço e era bem arejada. Composta por uma sala ampla, dois quartos, dois banheiros e cozinha. Na primeira visita à família houve uma boa recepção de todos e, logo na entrada da casa, avistei a criança de seis anos, Manoela, que estava deitada em uma rede na sala. Dirigi-me a ela prontamente e iniciávamos, ali, uma boa relação de afeto que perduraria nas visitas posteriores.
O adolescente tem um cachorro chamado Sued, que ficou na residência anterior da família, ele demandou o transporte do cachorro, no entanto, ninguém conseguiu se aproximar do animal, somente o adolescente, pois Sued é arisco e bravo. O adolescente falou algumas vezes: “eu sou o Sued e o Sued é eu”, como se ele se identificasse com as características do cachorro e vice-versa.
Em uma das reuniões de equipe, o Psicólogo do PPCAAM descreveu Edi: “o adolescente é meio caricato, cabelo descolorido, cordão grande, mas é meio gordinho com um olhar meio perdido, também tem constantes alterações de humor”. Para Diógenes (1998, p. 22). “As imagens anunciadas através do uso de marcas não podem ser interpretadas fora da sua inscrição territorial. Em cada lugar, o estilo instaura uma cadeia particular de diferenciações, de semelhanças e de confrontos específicos.”.
Nos contatos estabelecidos com o adolescente, ele estava geralmente com o celular na mão e os fones no ouvido, segundo ele, escutando rap. Falou de alguns grupos que gostava e dos movimentos da cidade em torno do tema. Acrescentou que costumava escrever umas letras, mas que não gostava de mostrá-las.
O pai da família, Sr. Paulo, trabalhava em um supermercado do seu irmão e pediu demissão para acompanhar a família. Mostrava-se bastante calado e tímido, de forma que a maior parte das obrigações da casa ficavam sob responsabilidade da sua esposa, a Sra. Aparecida. Ele faz uso abusivo de álcool e, como consequência, tem uma relação conflituosa com a família. A Sra. Aparecida, esposa do Sr. Paulo e mãe de Edi, pareceu ser uma mulher de muita força, coragem e desenvoltura, com uma grande disponibilidade para mudança e novos aprendizados, além de muito comunicativa.
Realizei junto a equipe quatro viagens para visitas domiciliares à casa da família, cada uma com dois dias de contato intenso. Em geral, no primeiro dia, utilizávamos dois turnos manhã e tarde e, no segundo dia de visita, concentrávamos as atividades no período da manhã. Abaixo segue, de forma resumida, as ações e as atividades ocorridas durante as quatro viagens.
A primeira viagem ocorreu nos dias 05 e 06 de setembro de 2016 com o objetivo de apresentação da proposta de acompanhamento da família junto aos técnicos, que foi aceita por todos os membros. Os turnos de visitas foram destinados à atualização das relações entre a família, visita às instituições da assistência social e profissionalização.
A segunda ida à cidade ocorreu nos dias 19 e 20 de setembro, com o objetivo, mais uma vez, de acompanhamento das demandas dos membros, que perpassa desde as relações e conflitos familiares à inserção do grupo nas diversas instituições da cidade. A Sra. Aparecida compartilhou, logo no início, suas dificuldades frente aos conflitos existentes na casa e relatou como o filho estava se portando frente a alguns acordos combinados com a equipe técnica do PPCAAM.
A terceira visita à família ocorreu nos dias 20 e 21 de outubro de 2016. Esse encontro foi um pouco mais rápido, ficamos com eles dois turnos, na quinta à tarde e na sexta no período da manhã. No primeiro dia, a Educadora Social, o Psicólogo e os pais do adolescente se dirigiram a um Projeto de mediação de conflitos – uma parceria da Defensoria Pública com uma faculdade do município, momento importante que gerou diversos encaminhamentos e desdobramentos para a família. No período da tarde, como os ânimos da família pareciam estar tranquilos, e já era a minha terceira visita, pensamos, eu e a equipe, que poderia ser um momento adequado para fazer a entrevista com Edi (as nuances desse processo estará nos capítulos de análise à frente).
A quarta visita à família ocorreu nos dias 03 e 04 de novembro. A Sra. Aparecida, estava preparando bolos e outras comidas, quando chegamos. Disse que já estava vendendo haviam 10 dias e que voltava para casa sem nenhuma mercadoria, mostrando a inserção produtiva que ela vinha alçando. Além disso, com o auxílio da assistente social do projeto de mediação de conflitos, Aparecida conseguiu tirar a carteira de trabalho do adolescente e já o encaminhara ao Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) para pleitear uma vaga de emprego. A família vinha desenvolvendo bons aspectos de inserção, mas cada um a seu modo e separadamente. Entre eles os conflitos eram intensos e constantes.
Em uma das curtas conversas com o adolescente durante as visitas, ele passou por nós escutando som em volume alto e aproveitei para estabelecer uma interação:
Excerto nº 5
P: Que som é esse que tu tá ouvindo? Edi: TRIBOS DA PERIFERIA10.
P: De onde é?
Edi: Sei lá... [e termina o papo]
Depois ainda ficamos um pouco na sala com o adolescente. Ele, mesmo conversando de forma objetiva, às vezes até monossilábica, disse que gostava também de ouvir Sabotagem, Racionais e Crioulo, todos artistas da cena rap nacional. A esse respeito temos que:
O rap valoriza a palavra, celebra a palavra, num momento em que sua posição cultural, no universo dos jovens seduzidos pelo tráfico, parece ceder força a brutalidade armada, em cujo campo de experiência predomina o reducionismo semântico, a mimetização onomatopeica, numa escala mental de extremos, sem nuances e gradações: o grunido, a gíria elíptica, o esgar, o escárnio e a cauterização de toda eloquência. O hip-hop acena com a paz politizada, que se afirma com agressividade crítica, isto é, com estilo afirmativo do orgulho reconquistado. A
atitude é o avesso da violência. Mesmo sendo mais abrangente que a linguagem verbal, incorporando as modulações da coreografia e do grafismo criativo, a atitude cultua a oratória pública e a riqueza lexical das rimas, pontuadas pelo ritmo. (SOARES, 2005. p. 84).
Edi ainda trocou conosco algumas poucas palavras, como a vontade de ir a festas locais, a saudade de uma amiga que está em Fortaleza, o término do namoro atual e o desejo de ter um cartão de memória no celular para gravar uma maior quantidade de músicas. Sua mãe também havia mostrado a Assistente Social da equipe um rap composto por Edi, narrando sua vida, e ela acrescenta que percebe os avanços do filho nesse processo de proteção.
Essa conversa com Edi foi uma das mais duradouros e espontâneas que tive, já que as chances de aproximação eram poucas, tanto por certa ausência dele durante as visitas, como pelo fechamento que ele demonstrava frente às presenças “institucionais”. Essa foi a nossa última visita à família para a pesquisa, tendo em vista algumas tensões que se
10Banda de Brasília (hip hop/rap) – gravou o primeiro CD em 2002 e em 2005 ganharam maior repercussão.
acumularam, a dificuldade de viajar com a equipe e a possibilidade que foi se delineando do desligamento deles do Programa.