• Sonuç bulunamadı

Ebeveynlerin Çocuklarının Televizyon İzlemesini Sınırlama Ne- Ne-denleri

Belgede AKDENİZ İLETİŞİM (sayfa 136-146)

FARKLI SOSYOEKONOMİK DÜZEYDEKİ ÇOCUKLARIN TELEVİZYON İZLEME ALIŞKANLIKLARI VE AİLELERİNİN

FAMILIES ABOUT IT ABSTRACT

3. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ

4.4. Ebeveynlerin Çocuklarının Televizyon İzlemesini Sınırlama Ne- Ne-denleri

As parcas, divindades responsáveis pela sorte dos homens, eram três irmãs, filhas da noite e de Cérbero. Chamam-se Cloto, Láquesis e Átropos e sua morada é vizinha à das horas. Possuem um palácio em que o destino dos homens está gravado em ferro e bronze, de sorte que nada pode apagá-lo. imutáveis em seus desígnios, tem nas mãos o fio misterioso que simboliza o decorrer da vida, nada podendo impedi-las de corta-lhe a trama. (COMMELIN, 2005, p. 82).

Em 1794, Erasmo Darwin conjecturou que a vida estava ligada por um fio. Para a época, uma ideia assombrosa (RIDLEY, 2001, p. 20). Antes dele, Van Imune, em 1648, e Wohler, em 1828, levantaram hipóteses de que a vida se resumia a uma estrutura química.

Passando por Darwin, Lamarck, Mendel e tantos outros, a ideia de um fio primordial, à maneira das parcas, tornava-se, cada vez mais, consistente, até que, em 1943, um cientista canadense, Oswald Avery, identificou o DNA. Estávamos na Segunda Guerra Mundial e Mengele fazia experiências com gêmeos. A genética começava a ganhar força. Dez anos depois, em 1953, James Watson e Francis Crick finalmente decodificam o DNA, chegando ao gene. Esse fio reduz a vida a um código de 120 letras. Tudo depende de um cálculo combinatório destas.

Para Ridley (2001, p. 23), o DNA é uma grande fábrica de bolos. As receitas transformam-se em proteínas, e estas representam a química da vida: respiração, metabolismo, replicação, comportamento, informação, sexo. Tudo está contido no gene. O genótipo é o que se passa dentro do organismo; o fenótipo é a interação deste com o ambiente. Dessa interdependência, genótipo e fenótipo dependem a natureza humana.

Para Ridley (2001, p. 89), faltava uma peça, mas, em 1980, Thomas Cecli e Sidney Altram decodificaram as importantes propriedades do RNA. O RNA é o Mercúrio, o mensageiro, o que faz as receitas chegarem até o bolo. Ridley (2001, p. 123) diz que, sem o RNA, os dois mundos , DNA e proteínas, não se ligam. Está desvendado o fio.

Os genes tecem os fios da vida humana, a partir do momento em que o óvulo e o espermatozóide unem-se. Para Burt Triviers (2008, p. 1-36), os selfish genetic elements entram em ação com a concepção. O gene é uma máquina egoísta, e cada um tende a se reproduzir e a perpetuar-se. Burt e Triviers (2008, p. 98-120) vêem o gene como uma fantástica máquina de guerra, mas, paradoxalmente, dessa guerra, surgem acordos e

cooperação, caso contrário, nenhuma estrutura viva tornar-se-ia viável.

Em 2001, o projeto genoma anunciou que 30.000.000 de genes respondem pela vida na terra. O genoma humano - o conjunto completo de genes humanos - vem acondicionado em 23 pares distintos de cromossomos, dos quais 22 são numerados por ordem aproximada de tamanho, do maior (número 1) ao menor (número 22), enquanto o par remanescente consiste em cromossomas sexuais X, nas mulheres, e um pequeno Y, nos homens.

Para tentar fazer uma analogia com o código genético, utilizamos uma fábula de La Fontaine: o Leão vencido pelo homem .

Vamos imaginar que, em uma edição, constem 23 fábulas, sendo a do Leão a de número 11. As 23 fábulas representam os cromossomos, os parágrafos das fábulas são chamados

exons, que são interrompidos por introns, que são as gravuras. Os códons são as palavras

compostas em todos os parágrafos, e cada palavra é escrita por letras que se chamam bases 49.

Os introns são regiões do DNA que não estão no mRNA de alguma proteína, já os exons são as regiões do DNA que estão no mRNA de alguma proteína.

As cadeias de RNA recém-sintetizadas de núcleos isolados são muito maiores que as moléculas de mRNA derivadas delas. De fato, o transcrito primário do gene de globina beta contém duas regiões não-traduzidas. Essas seqüências intercalares no transcrito primário 15S são removidas, e as seqüências codificantes são simultaneamente ligadas por um mecanismo de processamento preciso para formar o mRNA 9S maduro.

As seqüências codificantes dos genes divididos são chamadas éxons (regiões que se expressam), enquanto as seqüências intercalares não-traduzidas são conhecidas como introns. Geralmente, os introns são seqüências que são eliminadas na formação das moléculas de RNA maduro.

Outro gene eucariótico dividido é o da ovalbumina em galinhas, que é composto de oito éxons separados por sete longos íntrons. Ainda mais marcante é o gene do colágeno, que contém mais de 40 éxons. Uma característica comum na expressão desses genes é que seus exons são ordenados na mesma seqüência tanto do mRNA quanto do DNA. Assim, os genes divididos, como os genes contínuos, colineares com seus polipeptídeos produzidos. Um código de uma só base pode especificar apenas quatro tipos de aminoácidos, pois existem somente quatro tipos de bases do DNA. Dezesseis tipos de aminoácidos podem ser

49

Os introns e os exons foram descobertos quando viram uma diferença de tamanho entre o mRNA da proteína da globina beta e o DNA que o codificava.

especificados por um código de duas bases, ao passo que por um código de três bases determinam 64 tipos de aminoácidos. Por esse cálculo ficou evidente que três ou mais bases são necessárias para especificar um aminoácido. Experimentos genéticos mostraram que um aminoácido é de fato codificado por um grupo de três bases, chamado códon.

Figura 1: Cada códon de ARNm liga-se ao respectivo códon de ARN t, que transporta um aminoácido específico. O ribossomo move-se ao longo do ARN m, ligando-se nos final os aminoácidos na seqüência exata da proteína codificada.

Figura 01: Código Genético. Fonte: SADLER, 2001.

Existem 1 bilhão de palavras no livro do genoma. Imaginar esta quantidade é algo assustador. Vamos agora reproduzir a fábula que corresponde ao cromossomo 11.

Havia exposto um quadro no qual o artista pintou um enorme leão sendo dominado e abatido por um único homem. As pessoas por ali passavam e admiravam o quadro, se vangloriando da proeza; porém, um leão que por ali também passou, baixou-lhes o entusiasmo: Posso ver bem que o pintor atribuiu a vitória a vocês, porém ele os enganou, pintando aquilo que lhes ditou a presunção. Com maior razão seria a nossa vitória, caso os leões soubessem pintar.

Se trocarmos as letras, em alguns trechos, vamos ver como fica?

Havia imposto um quadro na qual o arti pintou um enorme loaõ o sendo dominado e abat por um único horem .

Dá para compreender? Lemos um trecho sem nexo, aparentemente. Podemos supor que as letras trocadas são mutações, produzidas por alimentação artificial, uso de drogas, radiação.

A fábula passa a ter um significado estranho, e o leitor não vai interagir com ela. Agora vou, tal como uma parca, reintroduzir o fio em alguns estudos científicos, em que o exemplo ganha cada vez mais sentido.

Utilizando os estudos de Dilalla e Gottesman (1991), envolvendo genes e desenvolvimento, os autores dividem os grupos violentos em:

1) Delinquentes transitórios ou comportamentais, que se limitam à adolescência;

2) Antissociais contínuos, que são violentos, ameaçadores e homicidas durante a adolescência e a vida adulta;

3) Desabrochados tardiamente, que iniciam os atos violentos antissociais na idade adulta.

Para Dilalla (2008, p. 139), a influência genética específica na violência tem sido explorada através dos estudos de neurotransmissores. Um dos genes identificados é o DRD4, situado no cromossomo 11. Esses genes codificam as proteínas que respondem no cérebro ao neurotransmissor dopamina, que, no sistema límbico, é responsável pelo comportamento de busca de novidades e agressão. A presença do alelo 4 repetido do gene versus a repetição deste, potencia a busca por novidades e atos violentos. Para Ridley (2008, p. 98), esse gene atua, facilitando traços de comportamento relacionados à busca de novidades e atitude agressiva e podem facilitar a eclosão de transtornos destrutivos na infância, tais como transtorno de conduta oposicional desafiante, que vão ser responsáveis pela violência da criança contra outras crianças e adultos, seja em forma de disputa por objetos, agressão física, desafio a adultos, maus tratos a animais.

Ridley (2001, p. 138) defende que a predisposição genética é apenas um fator. O importante é a interação com o meio, os adultos, as outras crianças, em suma, a cultura. Nesse aspecto, não podemos esquecer-nos do Emílio, que aponta para esse caminho.

Vamos supor que a criança tenha uma forte influência do DRD4 e nasça em ambiente onde existem brigas, não introjeção de modelos parentais, inadequação aos traços de temperamento da criança. Como diz Lacan (1988, p. 98), falta a função materna e paterna. Nesse jogo, o gene vai, progressivamente, produzindo dopamina, e a criança fica, cada vez mais, agressiva e excitada. Resultado: como diz Rousseau, um pequeno tirano é formado. Utilizando o jargão da Psiquiatria, podemos ter uma criança com transtorno de conduta.

Mas, com os avanços da interação gene e ambiente, essa situação é apenas uma possibilidade. Um gene sozinho e uma mãe não fazem verão. Quanto mais se estuda genes, mais percebemos a complexidade da interação dentro do gene e entre genes. Os estudos

envolvendo interação entre genótipo e fenótipo estão apenas começando.

Vamos citar outro exemplo, o BNDF (Brian Derived Neurotrophic Factor), que se encontra também no cromossomo 11, é um gene curto, de 1335 letras. Segundo Ridley (2007, p. 111), a simples troca de uma letra G por A produz mudanças significativa na expressão de traços de comportamento. A troca de letras acarreta duas variantes, uma com duas proteínas de metionina e a outra com duas de valina, o que Ridley (2001, p. 111) denomina MET-MET e VAL-VAL. O gene que apresenta duas moléculas de valina apresenta traços de ansiedade acentuados, sendo mais vulneráveis às intempéries do ambiente.

Imaginemos agora uma criança VAL-VAL em um ambiente onde a mãe foi abandonada pelo pai, este é alcoólatra, ameaça e agride a mãe, esta não apresenta rede de apoio, tipo parente. Cada vez mais, essa relação com a criança vai ficando complicada e pesada. O VAL- VAL vai atuando, estimulado pelo ambiente, e, aos poucos, a criança começa a agredir a todos.

Bem, essa é apenas uma hipótese, um jogo de dados de Hume, em que os dados caem mais no número 5. Repete várias vezes o mesmo número, e acreditamos que este número repetido é a realidade, mas é uma hipótese.

A dopamina é apenas uma das inúmeras substâncias neurotransmissoras. Temos a serotonina, hoje estudada como co-responsável por conduta agressiva e perda no controle dos impulsos; a noradrenalina, o gaba, a epinefrina, a adrenalina, além dos hormônios, como o cortisol, responsável pela reação do estresse, os hormônios da tireóide, a testosterona, incriminada em conduta agressiva, principalmente no gênero masculino. São milhares de circuitos cerebrais e genes em proporção suficiente, para fazer um livro com muitas e variadas versões.

Mas, o que interessa, parafraseando Ridley (2008, p. 84), é a interação gene e ambiente. A sopa que começa a ser feita no DNA, passa por RNA, produz proteínas, interage com o ambiente, provoca mutações, enfim, faz do ser humano uma mistura de moléculas que interage com o mundo, em uma relação dialética de retroalimentação contínua.

Tomasello (2003, p. 84) fala de meio ontogenético , que é a matriz da criança, em que esta nasce e começa a desenvolver-se. Esse meio não é escolha mas contingência, é o ponto de partida da interação com os genes.

A tendência para a agressividade encontra-se nos genes? Podemos dizer, provisoriamente, que essa é uma parte da questão. Traços de busca de novidades, agressividade, escassez de dopamina, serotonina ou excesso, em determinadas regiões

cerebrais, ajudam a produzir temperamentos agressivos. Aristóteles criou uma biotipologia, que, na realidade, remonta a Hipócrates, com tipos sanguíneos, fleumáticos, bilios. Thomas Hobbes, no De Cive, fala sobre o temperamento ígneo e temperado, sobre constituições diferentes com diversos tipos de desejos, cita os sensuais, os invejosos, o dominado pela vanglória, cita diversos tipos de loucuras. Rousseau fala da interação criança e adulto.

Todos esses aspectos soam atuais, se analisarmos a genética, a interação genótipos e fenótipos, pelos relacionamentos: essa é a sopa primordial. Com o advento da linguagem, temos consciência da violência. Sentir, ou não sentir culpa nos distingue de outras espécies, pois a culpa requer memória, e esta precisa da linguagem para criar signos. O gene é a receita; a violência, o bolo, mas a perversão e o mal só estão presentes no homem, pois este possui a linguagem. Não brigamos apenas por hierarquia e território, mas pela vanglória e por vaidade. Poder, perversão, paixões, como vanglória, vaidade, inveja são resultados de interações dos genes com o ambiente. Agora vamos aproximar toda essa discussão de nossa herança primata. Aos poucos, estamos montando um complexo quebra-cabeça.

Para clarear as ideias, neste ponto, podemos falar que a genética nos fornece uma chave para a predisposição a sermos mais ou menos agressivos. A agressividade faz parte do ser vivo, e os genes, principalmente, no homem, podem originar alterações bioquímicas, anatomofisiológicas que podem levar a uma resposta mais agressiva, porém a violência é de outra ordem, só se encontra no homem e tem que existir relação deste com outros ou consigo. A interação de um genótipo, nos circuitos cerebrais, que acarrete um temperamento agressivo, não leva diretamente à violência, uma vez que existe a mediação do social, da cultura. Nesse caso, uma pessoa com predisposição para maior agressividade, pode, ou não, tornar-se uma pessoa violenta.

Levando a discussão para nossa proximidade genética com primatas não humanos, segundo Katharine S. Pollard (2009, p. 34), temos que considerar que 99% de nossas cópias de DNA são idênticas às dos chimpanzés e bonobos. Para a autora, apenas 15 milhões ou 1% de letras formadoras do genoma humano passaram por mudanças em 6 milhões de anos.

O que diferencia humanos de chimpanzés e bonobos neste 1%? A sequência HAR 1, que ativa o córtex e é especialmente grande em humanos. A sequência FOXP2, que é fundamental para o desenvolvimento da linguagem humana. Utilizando Hobbes, o FOXP2, interagindo com o ambiente, foi a responsável pela maior invenção da espécie humana.

A sequência AMY1 facilita a digestão do amido, o que facilita uma maior articulação para a busca de alimentos, o que significa maior socialização e trocas, o que, para Ridley

(2000, p. 145), é a origem da cooperação. A troca de alimentos, a especialização das funções, a divisão do trabalho é, para Ridley (2000, p. 189), a origem do sentimento de cooperação e ajuda mútua.

A sequência ASPM, também é responsável pelo desenvolvimento do cérebro. O uso de ferramentas depende desse crescimento e do desenvolvimento cerebral. Cérebro, linguagem, uso de ferramentas, alimentação, trocas, especialização e divisão de trabalho diferenciam, geneticamente, humanos de primatas não humanos, principalmente chimpanzés e bonobos.

Para concluir, entre as sequências gênicas que diferenciam humanos de primatas não humanos, temos o LCT, que envolve a digestão do açúcar, que, como foi citado por Ridley (2008, p. 238), é fundamental para a formação de trocas sociais e divisão de trabalho. Enfim, temos a sequência HAR2, que responde pela habilidade manual e pela destreza, possibilitando o uso de ferramentas.

Temos uma chave genética neste 1%: cérebro, linguagem, alimentação e uso de ferramentas respondem pelo surgimento das linhagens de hominídeos que culminam com o

homo sapiens.

Do Sahelanthopus Tchadensis, que é considerado o hominídeo mais antigo, passando pelo Australopithecus Aferensis, Homo Ergaster e o Neadenrtalensis, que dominaram o Oeste da Ásia e a Europa glacial por quase 2000 anos. O Homo Sapiens, cujos fósseis foram encontrados na Etiópia, em 1967, na sequência, foi o único hominídeo a colonizar todos os continentes, a usar símbolos, a desenvolver linguagem e ferramentas e a realizar trocas sociais complexas. O Sapiens conviveu com outras espécies, mas não temos como conjecturar como foi a única espécie que conseguiu se expandir pela terra, criando estruturas sociais e políticas complexas.

Para Buller (2009, p. 62), a situação é mais complexa e não podemo-nos deter nas diferenças genéticas e focar o Homo Sapiens por esse aspecto. Para Buller (2009, p. 62), o cientista evolutivo Jaak Panilsepp identificou sete sistemas emocionais bem anteriores ao pleistoceno, época do alvorecer do homo sapiens .

Emoções, como cuidado, pânico e ação remetem a primatas bem menos evoluídos que chimpanzés e bonobos (como lêmures, saguis), enquanto reações, como raiva, medo, perseguição e prazer têm origem em pré-mamíferos. Nesse aspecto, temos emoções elementares em espécies, que não os primatas próximos ao homem.

O sapiens herdou também essa herança. Um substrato de emoções antigas, que remete a pré-mamíferos, acompanha nossas emoções. Temos o córtex mais desenvolvido entre as

espécies, mas nossas emoções básicas vêm de um passado reptiliano, que não faz parte do 1% que nos diferencia dos chimpanzés e bonobos; ao contrário, compõe um patrimônio genético de espécies bem menos complexas e anteriores filogeneticamente ao homo sapiens.

Em relação à agressividade, para Dilalla (2008, p. 131-148), existem fortes indícios de que a genética influencia traços de temperamento em humanos, inclusive essa herança reptiliana.

Estudos, como o de Aniskiewycz (1979), demonstram uma hereditariedade de 82% para agressão em crianças de até 5 anos. Para Dilalla (2008, p. 138), esses estudos são duvidosos e merecem ser revistos, pois seguem um padrão de gêmeos monozigóticos que estabelecem uma estimativa de, ao menos, 40% de traços de temperamento agressivos em crianças. Outros estudos aumentam para 51%. Em dizigóticos, chega a 21%.

Aprofundando mais a questão, alguns estudos delimitam forte componente genético na agressão física (50%), que se correlaciona com traços de temperamento de busca de novidades e fraca regulação do autocontrole e tolerância à frustração. A agressão social, que se relaciona ao abuso psicológico do tipo xingamento, depreciação, humilhação, ofensas, negligência e racismo, possui uma menor influência genética. Segundo Brendem et al (apud RIDLEY, 2008), para a agressão social, temos apenas 20% de influência genética, cabendo os 80% restantes ao meio ambiente. Esses estudos são realizados em crianças e podem ser considerados pouco conclusivos, fornecendo apenas algumas pistas.

Podemos conjecturar que a genética fornece apenas uma hipótese para as agressões humanas, ou melhor, é apenas um ingrediente da sopa. Um tempero, ou, usando o código genético, letras a mais ou a menos, que, associados ao ambiente, à cultura, à situação socioeconômica formam um prato, em que os temperos provocam um gosto apimentado e diferente. Podemos usar a metáfora da dança da criança e do adulto de Rousseau, que pode produzir um pequeno tirano. Genes, tipo DRD4 e uma mãe e pai abusadores ou pouco continentes, produzem uma sopa venenosa e destrutiva. A violência instaura-se nessa relação: é social. A genética nos fornece faces de um dado. Chamary e Hurst (apud RIDLEY, 2008, p.4-39) colocam que sabemos ainda muito pouco sobre genes. Termos como gene egoísta ,

máquinas de sobrevivência nada dizem.

As mutações silenciosas, para Chamary e Hurst (apud RIDLEY, 2008 p. 38), só agora começam a ser investigadas, e cada espécie apresenta sua peculiaridade. Na espécie humana, temos uma cultura complexa, que, para Lestel (2006, p. 156), não é apanágio de humanos. A arte, que, em humanos, encontra-se plenamente desenvolvida; a utilização de ferramentas, que

para Lestel (2006, p. 98), encontra-se em primatas não humanos, em uma forma mais simples, mas os chimpanzés, por exemplo, já fazem uso de ferramentas, e a linguagem, essa sim, específica de humanos, se considerarmos a linguagem verbal, a formação de símbolos, e a escrita.

Podemos, provisoriamente, resumir que a genética é um componente importante dos quebra-cabeças do estudo da natureza humana e pode predispor temperamentos com maior tendência à agressividade. Pode também ser um fator de predisposição para alguns transtornos mentais na infância, tais como transtornos disruptivos, que são responsáveis por condutas agressivas. Parodiando Ridley (2008, p. 98), esse é apenas um lado da eterna luta natureza

versus criação. Na realidade, Ridley (2008, p. 145) propõe que essa é uma falsa questão.

Estamos apenas engatinhando nos estudos das influências genéticas, mutações silenciosas, partes não estudadas do código, interação genótipo e fenótipo, todos esses estudos estão apenas começando. Só podemos, por enquanto, constatar o óbvio: a espécie humana é a mais violenta de todas as espécies, e essa violência é diferente da agressividade, que pode, no máximo, contribuir para gerar pessoas que o processo de socialização torna violentas. Um exemplo: certo indivíduo nasce com predisposição a ter um comportamento que busca novidades e respostas agressivas mais acentuadas. Os pais, sendo permissivos, incentivam essa conduta, mas a violência se instaura nos interstícios dessa socialização, quando pais incentivam um filho a humilhar outras pessoas, ou eles presenciam os pais sendo preconceituosos e racistas com terceiros. Poderíamos citar mais exemplos envolvendo outras situações, como abuso, negligência parental. Nesses temas, vamo-nos deter mais adiante, mas é o que nos ajudará a ver como a agressividade pode ser utilizada socialmente, para produzir condutas violentas.

Utilizando uma linguagem mítica, as parcas tecem o destino, mas podem mudá-lo. Moram perto das horas. O fio das narrativas dos contos de fadas e dos contos maravilhosos, o fio da Sherazade, o fio do DNA, todos se entrelaçam, mas são apenas fios; nada definem sobre o destino do homem. Nele, temos a história, produto real e material feito por seres

Belgede AKDENİZ İLETİŞİM (sayfa 136-146)