Case of the Advertisements of Audi and Skoda Abstract
5. Bulgu ve Yorumlar
5.5. Duygulara Seslenen Reklamlar
Entendemos assim como Organista (2006: 127) que é o trabalho “que permite o salto do ser meramente biológico para o ser social”. Contudo, sabemos que na sociedade do capital as relações de trabalho estão pautadas na exploração da classe trabalhadora e na precarização das condições de trabalho com fins de acumulação capitalista, levando a classe trabalhadora a uma verdadeira prisão social. Defendemos que, a territorialidade camponesa estabelece relações de trabalho libertárias e emancipadoras, sendo essa, uma de suas características de resistência ao capital.
Nesta perspectiva, concordamos com a noção de desenvolvimento colocada por Sen (2010: 29), ao assegurar que,
o desenvolvimento tem de estar relacionado sobretudo com a melhora da vida que levamos e das liberdades que desfrutamos. Expandir as liberdades que temos razão para valorizar não só torna nossa vida mais rica e mais desimpedida, mas também permite que sejamos seres
110 sociais mais completos, pondo em prática nossas vocações, interagindo com o mundo em que vivemos e influenciando esse mundo.
Paulino e Almeida (2010) diferem a noção de liberdade corrente na sociedade burguesa, que está diretamente associada a igualdade jurídica entre os indivíduos, da liberdade gestada na sociedade camponesa. Nesta perspectiva as autoras afirmam:
a terra camponesa se insere numa concepção de liberdade que se contrapõe à ilusória liberdade burguesa, porque dá ao indivíduo a possibilidade de se realizar como sendo portador de sonhos, de aspirações como, por exemplo, do desejo de se enraizar no seu pedaço de chão (PAULINO e ALMEIDA, 2010:54).
Utilizamos a análise feita na família de Daniel Lopes Rodrigues para exemplificar a viabilidade da construção posta acima. A família do camponês é descrita pelo mesmo da seguinte forma: pela figura do pai, que é o próprio e tem 40 anos; da esposa, chamada Cristina que tem 32 anos; da filha que tem16 anos e de um filho do primeiro casamento de 21 anos, mas que não mora com ele.
Essa família teve acesso à terra por meio da organização dos camponeses sem terras da região, apoiada CPT – Comissão Pastoral da Terra, em prol da luta pela terra. As pessoas envolvidas na luta pela terra ou residiam na zona rural de municípios próximos (Caaporã, Alhandra, Jacumã - PB) ou eram moradores da própria fazenda Baraúna, sendo este o território em disputa. Em 1995, a fazenda Baraúna pertencente à Lundgren Pastoril Agrícola S/A, de propriedade do Sr. Almir Machado Corrêa de Oliveira, foi ocupada por 250 famílias sem terras, e após meses de conflitos, incluindo despejos e prisões a fazenda foi desapropriada assentando 110 famílias camponesas68.
A parcela de Daniel, assim como as demais do assentamento Dona Antônia, possui 5 hectares. Toda a área produtiva possui estrutura de irrigação, melhoria realizada com recurso próprio. Sua área produtiva é separada da casa onde mora com a família, por causa da estrutura do assentamento, que é em forma de agrovila. Próximo a casa a família cria galinhas e possui uma área destinada ao gado, que recentemente foi vendido (13 cabeças) para viabilizar a irrigação da área produtiva. A família cultiva macaxeira,
111 inhame, jerimum, feijão, milho e uma grande diversidade de frutas (banana, mamão, acerola, mangaba, araçá, saputi, abacate, manga, maracujá, coco, etc), sendo toda a produção utilizada para consumo e comercialização. Quase toda a área da parcela do camponês está produtiva, e é consorciada com duas ou mais culturas por terreno. As hortaliças consumidas pela família são provenientes da Feira da UFPB, onde o camponês troca itens da sua produção com aqueles que produzem hortaliças. Praticamente todo o consumo alimentar da família é retirado da produção ou adquiridos na Feira da UFPB, cujas ilustrações destacamos a seguir:
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Foto 22: Área consorciada de banana e mamão. Autoria: Mariana Borba de Oliveira. Maio de 2012
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Foto 24: Daniel e “Barriga” trocando os produtos na Feira. Autoria: Mariana Borba de Oliveira. Abril de 2012
Achamos relevante elaborar um croqui da unidade produtiva de Daniel, para melhor espacializar a sua diversidade de produção. Segue croqui da área produtiva de Daniel:
114 Figura 2: Croqui da área produtiva do Camponês Daniel Lopes Rodrigues
Fonte: Trabalho de campo da autora.
N → S Escala: 1: 2.000
LEGENDA: 80 metros 48 0 m etr os 120 metros Gado Saputi, Manga e Macaxeira Mamão e Abacate A ce ro la , M an ga e A ba ca te M am ão e M an ga A ce ro la , A ba ca te , M an ga e C oc o M an ga Macaxeira, Jerimum e Feijão Inhame e Abacate Milho, Abacate, Jerimum e Limão M am ão e B an an a Inhame, Banana, Mamão e Maracujá Inhame, Banana e Mamão Barraco de apoioEstrada que dá acesso à parcela
Rio e riacho
115 A divisão do trabalho na família desse camponês é bem próxima daquela encontrada em Moura (1986), onde há uma divisão do trabalho a partir do gênero e da idade. Daniel é responsável pelo plantio e colheita de culturas curtas e longas, e pelo cuidado (alimentação, vacinação, corte) dos animais de grande porte, e também das galinhas. A Cristina é responsável por todo o serviço doméstico, por cuidar da filha, ajuda na coleta de acerolas, na colheita de outras culturas e apenas no período das férias acompanha o marido à feira, pois Cristina dá aula às crianças da sua comunidade. Daniel afirma que a tranqüilidade de deixar a esposa cuidando da casa é essencial para que ele vá trabalhar, e reconhece o valor do trabalho dela como professora, mas admite que sua contribuição no roçado faz falta: “eu preferia que ela tivesse comigo, que era mais um braço ajudando, principalmente na época de catar acerola, mas nas férias ela vem pra cá, tá sempre ajudando...”. A filha tem 16 anos estuda, e ajuda a mãe nos serviços domésticos. A jornada de trabalho de Daniel é de segunda a sábado no roçado e todos os dias da semana nos cuidados básicos com os animais. Dentre esses dias, a sexta feira é prioritariamente destinada à comercialização na feira, apenas ocasionalmente vai ao roçado à tarde. De acordo com Daniel a jornada de trabalho começa ao nascer do sol (um pouco antes das 5:00) e termina perto das 16 horas, com pausa para o almoço e um pequeno descanso. Até o meio dia Daniel está no roçado (plantando, limpando, adubando ou colhendo), depois do almoço ele cuida dos bichos e planeja o trabalho a ser feito no dia seguinte. À noite geralmente Daniel ainda volta pra área de produção para cuidar da irrigação.
O camponês ao ser indagado sobre o grau de satisfação com a sua rotina do trabalho responde que, “eu trabalho o suficiente para minha sobrevivência, tenho liberdade de fazer o que quero na hora que quero, sem ter o rabo preso com ninguém”, informação que nos faz relacionar a sua carga de trabalho à Teoria da Economia Camponesa de Chayanov (1981) que defende que no universo camponês, o trabalho só se justifica até que seja atingido o que a família estabelece como necessidade, havendo um equilíbrio entre trabalho e consumo, chamado de equilíbrio interno.
Daniel conta com a ajuda de dois trabalhadores, de forma quase contínua, que recebem o pagamento através de diárias. O camponês diz que planta muita coisa e não consegue cuidar de tudo sozinho. Apesar de num modo geral o trabalho do camponês estar
116 representado pela família, não é excluída a possibilidade de terceiros no complemento da força de trabalho, principalmente se forem em períodos específicos como a colheita e realizado juntamente com o camponês. Reportamo-nos à Shanin (1980) quando o autor trata da heterogeneidade das formas de reprodução camponesa dentro do capitalismo, e defende a não homogeneidade das características do campesinato.
Acerca do trabalho de pessoas de fora da família no campesinato, Oliveira (1997: 58) nos diz que:
A presença da força de trabalho assalariado na unidade produtiva camponesa pode também aparecer como um elemento desta unidade. É evidente, que esse assalariamento no interior da unidade camponesa baseada fundamentalmente no trabalho familiar precisa ser muito bem entendido. Em primeiro lugar, essa contratação, em geral, se deve ao ciclo de existência da família camponesa, pois há momentos críticos do ciclo agrícola em que os membros da família camponesa não são suficientes, pois as tarefas exigem rapidez e muitos braços (...). Contrata-se, então, trabalhadores temporários. Em geral, o período da colheita tem levado o camponês a experimentar o assalariamento. E o camponês que o contrata não é um capitalista, não trava com ele uma relação social de produção especificamente capitalista (...)
Daniel é vinculado a duas entidades que representam seus interesses, que são, a Cooperativa da Agricultura e Serviços Técnicos do Litoral Sul - Coasp e a Associação de Agricultores (as) Agroecológicos da Várzea paraibana – Ecovárzea, e afirma que, toda a comercialização da sua produção acontece devido à articulação dessas duas entidades. Além da Feira Agroecológica da UFPB, Daniel comercializa através do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA. A quantidade de produtos comercializados por Daniel é a mais representativa dentro da realidade da Ecovárzea. A Agente Pastoral Tânia69 nos diz que: “Sabe por que Daniel tem a produção que tem ? É porque ele tem ousadia, ele está com a área toda irrigada e ele é assentado como os outros... ele é dinâmico e ousado”. A renda de Daniel está entre R$2.000,00 e R$ 3.000,0070 mensal.
69 Entrevista concedida a autora em Março de 2012.
70 Informações retiradas de entrevista realizada com Daniel e em resultados da pesquisa e extensão realizada pelo GEA. Relatório do edital MCT/CNPq/MDA/SAF/MDS/SESAN - Nº 36/2007.
117 Segue quadro com a quantidade de produtos comercializados por Daniel na safra 2010/2011.
Quadro 7: Quantitativo de produtos comercializados por Daniel na safra 2010/2011
Ano PAA Feira UFPB Total
2010 3.675 kg 24.000 kg 27.675 kg
2011 3.803 kg 36.000 kg 39.803 kg
Total 7.478 kg 60.000 kg 67.478 kg
Fonte: Relatório Técnico Agrícola elaborado por Luiz Pereira Sena em junho de 2012.
Quando indagado acerca do que seria o desenvolvimento para a sua realidade Daniel respondeu: “seria o desenvolvimento da minha família, por exemplo. Se a feira tá se desenvolvendo com certeza minha família também, porque tudo que faço é em torno da minha família, eu meço pela família, hoje por exemplo, eu tenho uma vida muito melhor do que eu tinha antigamente...”.