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Çocuklara Yönelik Gazetecilik Etik Kuralları

The Protection of Children from Media Content and in Media Content: A Study of Ethical Codes for Children in Media

3. Çocuklara Yönelik Gazetecilik Etik Kuralları

A terceira realidade analisada é a do camponês Luís Damásio de Lima, onde será destacado seu compromisso político com a Agroecologia e com a Ecovárzea. O posicionamento assumido por todo o grupo envolvido no processo da comercialização direta por meio das Feiras (produtores, técnicos e parceiros) é determinante para a viabilidade do Projeto, contudo, o papel de liderança política exercido pelo camponês merece ser destacado, pois entendemos assim como Freire (1989: 58) que “será possível encontrar condições para romper o isolamento preso a velhos hábitos e alcançar a promoção humana, a partir de uma educação para emancipação. A construção desse caminho se faz dia a dia, com uma educação pautada exatamente na realidade a ser transformada pelos próprios atores sociais”.

Luizinho como é conhecido exerceu por três anos consecutivos a Presidência da Associação que representa a feira – a Ecovárzea, que atualmente está sob responsabilidade de sua esposa, Maria Albertina de Lima. Mesmo não estando diretamente à frente da Ecovárzea, Luizinho ainda é responsável por fazer toda a contabilidade dos custos de manutenção dos dois caminhões que servem à Associação, e apresentá-los nas reuniões mensais.

A sua atuação política transcende os espaços da Feira Agroecológica e da Ecovárzea, dessa maneira, Luizinho representa os interesses da agricultura camponesa na Política Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário – SDT\MDA através da Coordenação do Colegiado da Zona da Mata Norte; é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar – SINTRAF de Sapé – PB e do Memorial das Ligas Camponesas, e representa a Ecovárzea na Comissão dos Orgânicos da Paraíba – Cporg\PB. Através do SINTRAF desde janeiro de 2012, Luizinho tem um espaço na Rádio Comunitária Araçá FM, onde dirige um programa de duração de 1 hora, que aborda principalmente o universo na Agricultura Familiar na região.

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Foto 30: Reunião da Coordenação do Colegiado da Zona da Mata Norte da Política Territorial do MDA. Fevereiro de 2011

Foto 31: Reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável – CMDRS de Sapé. Março de 2011.

A respeito das motivações que o levou a assumir tal posição de liderança política tanto em defesa da agricultura como no encorajamento do grupo ele nos diz que, “sempre me vi como liderança, fosse lá em Antas para organizar os mutirões de trabalho ou nos

124 eventos da Igreja, mas a luta pela terra me ajudou muito em crescer”, e complementa “depois das reuniões da CPT veio as experiências dos intercâmbios e depois a Ecovárzea, e assim fui ampliando meu trabalho pro Sindicato e pro Memorial”74.

A renda de Luizinho é toda originada da comercialização na Feira da UFPB, cujos produtos vendidos são, as hortaliças da sua área de produção e as comidas típicas feitas por sua esposa. A material prima das comidas é quase toda também oriunda da área produtiva, como o leite para fazer os bolos e o queijo e a farinha para as tapiocas e beiju. Segue foto do preparo da farinha de mandioca para a produção da tapioca e do Beijú.

Foto 32: Preparo da Farinha. Autoria: Alane Damásio de Lima. Março de 2012

Luizinho nos diz que a sua atuação política, “atrapalha um pouco a produção, mas que no fim compensa porque se não for assim as coisas não acontecem, pois nosso compromisso é difícil, a formação política do nosso povo é muito pobre”.

Ao tratar do compromisso social e político dos camponeses Marcos e Luizinho, Tânia nos diz que: “eles cresceram demais nesse processo (da Agroecologia), são pessoas maduras que tem convicção e falam com propriedade, o projeto foi importante pra esse crescimento político” (Grifo nosso).

125 Assim, reforçamos a importância de sujeitos como Luizinho, na construção de alternativas de acesso à qualidade de vida por classes historicamente oprimidas. Assim concordamos mais uma vez com Freire (1989: 58) quando ao autor diz que “só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros”.

O trabalho de campo nos possibilitou afirmar que a Agroecologia possibilita e viabiliza o fortalecimento da territorialidade camponesa e da sustentabilidade no meio rural. Confirmamos através do empírico o que teóricos afirmam, ou seja, que o campesinato possui relações de reprodução específicas com características econômicas baseadas no trabalho familiar e na liberdade, além de forte capacidade de organização para se perpetuar no campo. Mesmo fragilizadas pela hegemonia do capital, essas famílias são capazes de conduzir o campo em direção à outras alternativas de desenvolvimento, ao reduzir as desigualdades territoriais existentes.

Reforçamos mais uma vez através do empírico que a luta pela terra e os assentamentos rurais são ferramentas de territorialização camponesa a partir do momento que viabiliza a função social da terra, e que aliados às práticas de manejo agroecológico são capazes de fomentar a sustentabilidade em todas as suas dimensões.

Assim, como Caporal entendemos (2011: 109) que,

(...) a Agroecologia, como ciência para uma agricultura mais sustentável, pode dar uma importante contribuição (...) na medida em que passar a fazer parte de grandes e potentes estratégias governamentais e dos programas incentivo à produção agropecuária, assim como dos programas de ensino, pesquisa e extensão rural. O desafio está posto, sabemos que o poder do capital prevalece nas relações com o território, mesmo que outras realidades estejam em construção. Tal afirmação se torna verdade principalmente quando falamos de territórios rurais, onde as políticas de desenvolvimento e a sociedade em geral especulam apenas a sua função produtivista. Porém, julgamos a partir dos subsídios bibliográficos e da pesquisa de campo, haver alternativas de reprodução camponesa, onde o camponês seja portador do orgulho de trabalhar a terra para a reprodução da família, com autonomia e condições dignas de vida e trabalho, resistindo às amarras do capital.

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2.3 Os Parceiros

Enfatizamos a importância dos parceiros envolvidos no Projeto da Feira Agroecológica da UFPB, para o fortalecimento dessa experiência, ao contribuir para a organização social, na formação política e educacional, e na implementação de tecnologias sociais. A seguir caracterizamos os principais parceiros dessa experiência, assim como destacamos suas principais contribuições:

2.3.1 Comissão Pastoral da Terra – CPT e Cáritas Arquidiocesana

Como vimos a atuação da Igreja Católica representada pela Comissão Pastoral da Terra – CPT e pela Cáritas Arquidiocesana foi imprescindível para viabilizar o Projeto das Feiras. Formação política, assessoria jurídica, assessoria técnica na área de produção e na comercialização, articulação com os demais parceiros, e empréstimos, são alguns dos apoios diretos prestados pelas entidades.

Atualmente a CPT ainda acompanha diretamente o andamento do projeto, contudo com uma atuação mais secundária. Tânia nos diz que, “trabalhamos pra que cada família se tornasse autônoma, porque achamos que a criança só começa a andar quando o pai solta e deixa correr risco”. Na opinião da Agente Pastoral, a formação política desses camponeses e a motivação em lutar por uma vida melhor foram as mais importantes contribuições prestadas pela CPT, e afirma que sente orgulho dos resultados da formação de alguns camponeses que fazem parte do Projeto como Luizinho e Marcos75.

Contudo, como uma boa orientadora, tece críticas em relação à estagnação sentida por ela em relação aos avanços do grupo nos últimos anos, e vincula essa estagnação à concepção de atraso enraizada no trabalhador pelo agronegócio. Tânia nos diz que,

Pra mim o ponto mais fraco e o maior desafio é ter a produção o ano todo, a ousadia de investir, de criar (...) A agricultura é uma atividade de risco e ela exige de quem cultiva de ser ousado, criativo e dinâmico. Como o agronegócio trata a agricultura familiar com desprezo, por conta da pequena quantidade de terra de produção etc, passa a visão de que é a quantidade que dá lucro, aí o pequeno não consegue se enxergar na sua posição (...) Eu não admito que em Padre

127 Gino com aquela quantidade de água com aqueles açudes, o pessoal não tem criatividade de melhorar a produção de suas hortas, de ficar mais permanente, o grande desafio mesmo é não ficar nesse nível de produção (baixo). Não justifica a acomodação, o pessoal precisa ter mais autonomia, falta esse comportamento ... (Grifo nosso).