Modern Visual Culture, Cinema and Video: Gaze, Body and the Power of Camera
2. Bedenin Tekinsizliğinden Gözün Tekinsizliğine Doğru: Kamera ve Sinema
Fonte: Haesbaert (2005:6777). Elaboração: Mariana Borba de Oliveira.
33 Cf: Lefebvre, H. La Production de l’Espace. Paris: Anthropos. 1986. • “Territórios da desigualdade”
• Território sem territorialidade (empiricamente impossível)
• Princípio da exclusividade (no seu extremo: unifuncionalidade)
• Território como recurso, valor de troca (controle físico, produção, lucro)
Território Funcional (Processos de
Dominação)
• “Territórios da diferença”
• Territorialidade sem território (ex.: “Terra Prometida” dos judeus)
• Princípio da multiplicidade (no seu extremo: múltiplas identidades)
• Território como símbolo, valor simbólico (“abrigo”, “lar”, segurança afetiva)
Território Simbólico (Processos de Apropriação)
74 Após concordar com a discussão teórica, procuramos inseri-lá no contexto estudado, ou seja, analisar os territórios em estudo sob a luz dos teóricos citados. Interpretamos que as relações estabelecidas no Espaço tende à auto sustentabilidade, fomentadas justamente pelos sujeitos que vivem nesses territórios, que estão envolvidos no processo da produção agroecológica, que por sua vez está fortemente relacionado à resistência à monocultura da cana de açúcar (dentro e fora dos assentamentos)34, ao resgate dos costumes em comum e a tradição de lidar com a terra; a organização social que determina de forma transparente as decisões de interesse comum. É um desenvolvimento construído por eles e para eles, uma territorialidade camponesa de resistência ao modelo do agronegócio. A relação de poder levantada por Raffestin (1993) está nesse caso, por trás da territorialidade camponesa vivenciada por esses sujeitos, que se sentem realmente donos e responsáveis pelo seu espaço habitado35. Nesta
perspectiva, ao percorrer áreas produtivas e de vida dos camponeses da Ecovárzea, concordamos com Saquet e Sposito (2008) e Haesbaert (2005), quando relacionam o desenvolvimento local com as relações ocorridas no território, havendo nos territórios da Ecovárzea exatamente um processo de apropriação e não de domínio, e a valorização do valor simbólico do território, no sentido da representação do território como espaços de vida.
Como veremos a seguir as Feiras Agroecológicas se constituem também como territórios que congregam aspectos do desenvolvimento local baseado em relações de poder vivenciadas pela territorialidade camponesa e pela Agroecologia, baseadas numa outra lógica de produção e consumo, antagônica aquela posta pelo Modo de Produção capitalista na agricultura.
Concordamos com Buarque (2002: 25) quando o autor conceitua o desenvolvimento local como:
um processo endógeno de mudança, que leva ao dinamismo econômico e a melhoria da qualidade de vida da população em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos. Para ser consistente e sustentável, o desenvolvimento local deve mobilizar e explorar as potencialidades locais, e contribuir para elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da economia local; ao mesmo tempo deve assegurar à conservação dos recursos naturais locais, que são a base mesma das suas potencialidades e condição para a qualidade de vida da população local.
34 Dentre os assentamentos que possuem camponeses que comercializam na Feira da UFPB, o assentamento Dona Helena localizado em Cruz do Espírito Santo é o que apresenta maior índice de arrendamento de terras para as Usinas de cana de açúcar, estando sujeito a perder a assistência técnica fornecida pelo INCRA.
35 Fazemos alusão a Milton Santos que define por território justamente o espaço habitado. Cf: SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988.
75 Assim, para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento rural se pressupõe uma agricultura agroecológica, e a valorização do território de determinada comunidade, assegurando a autonomia nas tomadas de decisões e na construção de projetos pilotos de desenvolvimento local. Segundo Marcos (2006: 15), para alcançar o Desenvolvimento Local Auto-Sustentável deve-se: 1. levar em consideração as necessidades da comunidade (basic
needs); 2. ser ao mesmo tempo endógeno, isto é, deve ser promovido e gerido pela
comunidade local (self-reliance); 3. ser capaz de dialogar com o ambiente externo e, assim, ser capaz de avaliar o seu impacto sobre o ambiente e de pensar em novas estratégias de ações, sempre que estas se fizerem necessárias (ecodesenvolvimento); 4. respeitar os saberes locais para sua realização.
Enfatizamos a partir destas colocações, que o conceito de Soberania Alimentar e o ideal da Agroecologia se configuram como reforço à possibilidade de valorização do território camponês, e trás a possibilidade de construção de um novo paradigma de desenvolvimento.
Concluímos dizendo que a Agroecologia representa uma alternativa de redução das contradições provocadas pela modernidade e seus tentáculos, nos espaços rurais e urbanos. Por considerar todas as dimensões do território estabelece relações de trabalho e de vida dignas no campo, e reorganizam algumas relações com os espaços urbanos, que geram externalidades positivas mais globais, como o Comércio Justo. É sabido que essas forças têm um ritmo bem menos acelerado que as que movem o paradigma do crescimento econômico, assim, como viabilizá-las num modo de produção que é impregnado de seu contrário?36 Experiências exitosas como o caso das Feiras Agroecológicas nos mostram que um novo modelo de desenvolvimento é possível, desde que esteja pautado num projeto coletivo.
1.2.4 O caso da Rede de Feiras Agroecológicas da Paraíba: Desafio ou Utopia?
O projeto que apresentaremos a seguir merece destaque como caso concreto da resistência e recriação camponesa na Paraíba gerador de um desenvolvimento local, que representa a luta e a ousadia camponesa num espaço marcado pela subordinação e violência. Estamos a tratar do
76 projeto das Feiras Agroecológicas37 que viabiliza a reprodução camponesa a partir da produção agroecológica e de sua comercialização direta com o consumidor à mais de 10 anos.
As Feiras Agroecológicas são espaços de comercialização de produtos hortifrutigranjeiros produzidos por camponeses (as) em sua maioria proveniente de áreas da Reforma Agrária do estado, e seu surgimento remete às discussões acerca de necessidade dos camponeses desfazerem os laços de dependência com os atravessadores para a comercialização de seus produtos, e também à necessidade de se assegurar a reprodução digna do núcleo familiar. Teve a Zona da Mata como palco das primeiras discussões, e de forma autônoma e pioneira o Projeto que se iniciou no Litoral e na Várzea foi multiplicado por todo território do estado da Paraíba, com ONG's e poder público a apoiar estes empreendimentos, que atualmente perfazem 22 experiências38 numa escala geográfica que se estende da Mesorregião da Zona da Mata Paraibana até o Sertão. Espacializamos as Feiras Agroecológicas da Paraíba no mapa a seguir:
37 Para maiores informações sobre a Rede de Feiras Agroecológicas da Paraíba Cf: SANTOS, Thiago Araújo. Agroecologia como prática social: Feiras Agroecológicas e insubordinação camponesa na Paraíba. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós Graduação em Geografia da USP. São Paulo, 2010.
38 Existem no estado da Paraíba mais de 40 Feiras da Agricultura Familiar, contudo algumas ainda encontram-se em transição para a produção agroecológica. As Feiras cartografadas são aquelas cuja assistência técnica e camponeses estabeleceram critérios de garantia da procedência orgânica dos produtos comercializados.
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