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Duygu Düzenleme İle İlgili Yurtiçi ve Yurtdışında Yapılan Çalışmalar

2.2. İlgili Araştırmalar

2.2.4. Duygu Düzenleme İle İlgili Yurtiçi ve Yurtdışında Yapılan Çalışmalar

Na parte da doutrina do conciliare destinada a teorizar especificamente sobre a construção da persona do orador (2, 182), nota-se a preocupação de Cícero em fornecer evidências das qualidades do patrono para se granjear a benevolência dos juízes (Facilitatis, liberalitatis, mansuetudinis [...] signa proferre perutile est “exibir sinais de

371 Cf. § 89 do Pro Milone: oppressisset omnia, possideret, teneret; lege nova, quae est inventa apud eum

cum reliquis legibus clodianis, servos nostros libertos suos effecisset (Teria subjugado tudo, de tudo se apoderaria, teria tudo em suas mãos; por uma nova lei, encontrada em sua casa junto com outras leis clodianas, teria transformado nossos escravos em seus libertos).

afabilidade, generosidade, brandura, [...] é extremamente útil”). A intenção do orador é procurar atender à exigência retórica da verossimilhança, fator que leva à credibilidade (fides), geradora de persuasão. Esta, para ser obtida, depende em grande medida da geração de efeitos para a produção de um estado mental de confiança e aceitação nos ouvintes. Tais efeitos, por sua vez, em se tratando do conciliare, dependem da capacidade do orador de colocar os próprios méritos diante dos olhos de seus ouvintes.

Desse modo, a eficácia da segunda função oratória está subordinada à habilidade do orador em oferecer uma imagem positiva de si mesmo à audiência, imagem esta que deve ir ao encontro das expectativas nutridaspor essa mesma audiência. O orador não persuade se não leva em conta as ideias prévias dos seus ouvintes, se não compartilha de sua linguagem, se não identifica seus modos aos deles372.

Como já referido ao longo deste estudo, em se tratando da sociedade romana, a crença nos valores da tradição e o culto aos ancestrais concediam um relevo extraordinário à noção de caráter373. No contexto do tribunal, portanto, o orador devia ser capaz de tornar manifestas suas qualidades de caráter se quisesse ser bem sucedido. O orador deve ser e parecer bom374. Por isso, vemos Antônio afirmar no De Oratore 2, 176 que, se o orador detiver o conhecimento dos tópicos e “a isso se somar o fato de parecer ser tal qual pretende parecer [...]” ( [...] ut talis videatur, qualem se videri velit [...]), então nada faltará a sua eloquência.

A necessidade de ser e parecer também é mencionada por Quintiliano, que alude deste modo ao tema:

Atque Aristoteles quidem potentissimum putat ex eo qui dicit, si sit vir bonus375: quod ut optimum est, ita longe quidem sed sequitur tamen videri376.

Aristóteles, de fato, considera que o mais poderoso argumento reside no orador, se ele é um homem bom; assim como este [argumento] é o melhor, do mesmo modo parecer bom comparece em seguida, embora distante.

372

Cf. De Orat. 2, 159: “É que é preciso acomodar nosso discurso aos ouvidos da multidão [...]” (Nostra

oratio multitudinis est auribus accommodanda); e De Orat. 2, 186: “[...] sondar, da forma mais apurada possível, o que pensam, o que julgam, o que esperam, o que desejam, para que pareçam ser conduzidos pelo discurso com maior facilidade” (Ut odorer quam sagacissime possim quid sentiant, quid existiment,

quid expectent, quid velint, quo deduci oratione facillime posse videantur). 373 MAY, 1988: 6 passim.

374 CIC. De Orat., 1, 204; 3, 55. 375 ARIST. Ret., 1356a13. 376 QUINT. Inst. 5, 12, 9.

Quintiliano, portanto, no mesmo espírito catoniano, coloca em primeiro plano a exigência de que o orador seja um homem bom, mas não deixa de notar que também deve parecer bom.

Michelle Zerba, no ensaio “Love, envy, and pantomimic morality in Cicero’s De

oratore”, afirma que “retórica é a arte de construir imagens que criam a aparência de

integridade e bondade moral377”. Zerba não emprega o termo “aparência” estritamente para significar algo falso ou imaginário, antes, para designar aquilo que é mostrado aos sentidos. Também não faz menção especificamente a qualidades de caráter irreais: o objetivo não é manipular o caráter do orador, mas a opinião do ouvinte, pois a reputação dificilmente depende apenas de grandes feitos e disposição moral, afirma378, deixando supor que é necessário também um considerável esforço para a construção da imagem.

A consideração de Zerba encontra apoio no fato de que, se o orador realiza por meio do discurso uma apresentação pouco expressiva das qualidades do seu caráter, deixará de obter os benefícios que tais qualidades, se fossem bem colocadas diante do público, poderiam obter. No contexto retórico, diante de um tribunal judiciário, não basta simplesmente apresentar a verdade: é preciso apresentá-la de modo verossímil. Para construir a verossimilhança, é de grande ajuda ao orador o efeito dos ornamentos retóricos e da evidência. Além disso, a captatio benevolentiae a que visa a descrição do caráter na doutrina de Cícero envolve um elo emocionalcom a audiência, com o fim de torná-la favoravelmente disposta em relação ao próprio orador e seu cliente. A falta desses elementos pode levar uma causa ao fracasso.

Pelo menos é o que afirma Antônio (De orat. 1, 229), que fornece um exemplo prático de que a verdade não é suficiente para vencer uma causa. Públio Rutílio Rufo, modelo de virtude e honestidade, tendo sido processado por acusação de corrupção, recusara, “como o fizera Sócrates”, que durante o julgamento fossem empregados apelos emocionais, e nem sequer permitira que sua defesa fosse realizada com o uso de alguns ornamentos ou liberdades além da simples verdade. O resultado foi a condenação, que teria sido evitada, segundo Antônio, se a defesa tivesse sido realizada por Crasso, cuja oratória de forte poder emocional teria levado o caso à vitória.

377 ZERBA, 2002: 303. 378 ZERBA, 2002: 305.

Se o caso de Públio Rutílio Rufo é paradigma de fracasso, o caso de Norbano, ao contrário, é repetidamente mencionado no De oratore como paradigma de sucesso379. Nele, o próprio Antônio atuara como patrono, defendendo seu antigo questor, Norbano, acusado de lesa-majestade. Antônio conta como contornou as dificuldades da elevada rejeição do público em relação a seu cliente mediante o uso de uma estratégia baseada no seu próprio caráter e suscitando certas paixões nos juízes. Não podendo contar com o caráter do cliente para conquistar a benevolência, Antônio coloca em destaque sua própria persona, e consegue conquistar não só a benevolência do público, mas também o ânimo dos juízes.

Assim, pelos exemplos oferecidos por Antônio, Cícero comprova com a prática o que já havia afirmado pela teoria: o orador deve ser e parecer bom. Daí a insistência na recomendação de que o orador deve criar determinadas impressões na audiência, por meio de certos sinais, para obter reações que lhe serão vantajosas.