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Disiplin Suç ve Cezalarının Kanun ile Düzenlenmesi Güvencesi

C. Disiplin Yaptırımlarına Sağlanan Anayasal Ek Güvenceler

2. Disiplin Suç ve Cezalarının Kanun ile Düzenlenmesi Güvencesi

Ao longo das décadas que marcaram os ciclos coloniais brasileiros, precedentes à mudança da família real para o País, pode-se observar a prática de uma política fiscalista por parte da metrópole portuguesa. Por meio dessa política, verificava-se a implementação de uma lógica que intencionava explorar os recursos nacionais e impor aos habitantes da colônia o pagamento de impostos capazes de manter a robustez dos cofres da Coroa. Para tanto, eram proibidas quaisquer iniciativas de desenvolvimento industrial, pois isso implicaria no estabelecimento de uma concorrência entre os produtos locais e as manufaturas portuguesas.

O Alvará de 5 de janeiro de 1785 é bastante elucidativo nesse sentido, pois proíbe que se instalem fábricas e se produzam manufaturas no Brasil, citado por Paula Forgioni, o texto do Alvará diz estarem proibidas:

Todas as fábricas, manufaturas, ou teares ou galões, de tecidos, ou de bordados de ouro, e prata: de veludos, brilhantes, setins, tafetás, ou de outra qualquer qualidade de sedda: de belbutes, chitas, bombazinas, fuftões, ou de qualquer outra qualidade de fazenda de algodão, ou de linho, branca, ou de cores: e de panos, baetas, droguetes, saetas, ou de outra qualquer quantidade de tecidos de lã; ou os ditos tecidos sejam fabricados de um só dos referidos gêneros; excetuando tão somente aqueles dos ditos teares, e manufaturas, em que tecem, ou manufaturam fazendas graofas de algodão, que fervem para o uso e vestuário dos negros, para enfardar e empacotar fazendas, e para outros ministérios semelhantes. (FORGIONI, 2012, p.86).

Dessa forma, apurar as condições em que se dava o desenvolvimento conceitual e prático da livre concorrência no período colonial brasileiro resulta em tarefa inócua, posto não haver ambiente capaz de ensejar o uso apropriado do conceito. A colônia era

proibida de realizar qualquer beneficiamento de matéria-prima e os fornecedores de manufaturas encontravam-se todos na metrópole, ingressando e permanecendo no mercado brasileiro sem que lhes fossem opostas nenhuma restrição ou competição. Como seria de se esperar, os preços dos produtos tornaram-se excessivamente caros e o desabastecimento passou a ser constante.

A vinda da família real para o Brasil foi determinante para a mudança nesse quadro. Com o estabelecimento de D. João VI e sua corte no Rio de Janeiro, várias medidas de cunho desenvolvimentista foram adotadas. Os portos foram abertos às nações amigas, beneficiando, especialmente, os ingleses e foi revogado o Alvará de 5 de janeiro de 1785. Desse modo, pode-se dizer que foi posto fim à política fiscalista encampada pela metrópole face à colônia brasileira. No entanto, benefícios excessivos concedidos à Inglaterra minaram a possibilidade da incipiente indústria nacional se firmar de maneira mais sólida nesse período em que o liberalismo econômico começava a engatinhar na economia brasileira.

Os primeiros anos de independência do Brasil também significaram pouco no avanço da disciplina de normas concorrenciais. O mercado interno continuava a ser fartamente abastecido por produtos importados que entravam no País facilitados por reduzidas taxas de importação. Mudança significativa só pode ser notada com o advento da Constituição de 1934. Por meio do seu art.115, foi implantado o primeiro gérmen de disciplinamento da liberdade econômica, posto dizer que a ordem constitucional ali defendida deveria estar organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional, fazendo com que a todos fosse proporcionada uma existência digna, ainda frisando que - apenas nesses limites - a liberdade econômica deveria ser plenamente garantida.

Entretanto, na esteira da Constituição de 1934 não foi editada uma lei específica que viesse a planificar as regras de competição entre os agentes econômicos. Contudo, a Constituição de 1937, em seu art. 141, ocupou a legislação ordinária de elaborar garantias especiais à economia popular. Por meio do mencionado artigo, a Constituição de 1937 determinou que a legislação superveniente instituísse penas graves aos delitos que viessem a ser tipificados como condutas violadoras da economia popular, além de estabelecer que tais delitos, quando tipificados, tivessem tratamento tão severo quanto os crimes contra o Estado.

Em obediência à Constituição vigente na época, foi elaborado o Decreto-lei nº 869 de 18 de novembro de 1938 de caráter penal, sob a pena de Nelson Hungria. Conforme Vaz (1993), as sanções culminadas no Decreto nº869/38 integravam a margem entre dois e dez anos de prisão cautelar e também eram previstas multas bastante vultosas. O julgamento dos crimes ali previstos era de competência do Tribunal de Segurança Nacional e as condutas eram inafiançáveis. Pode-se dizer que, com o escopo de proteger a economia popular, o Decreto-lei nº869/38 introduziu as primeiras normas antitrustes na tradição jurídica pátria. Quanto à natureza antitruste das disposições do Decreto-Lei, Benjamin Shieber leciona que:

No campo antitruste, o decreto-lei n.869 proibiu em determinadas circunstâncias a destruição ou inutilização de bens de produção ou consumo, o abandono ou a inutilização de meios de produção “mediante indenização paga pela desistência da competição”, promoção ou participação em um consórcio “com o fim de impedir ou dificultar, para efeito de aumento arbitrário de lucros, a concorrência em matéria de produção, transporte ou comércio”, retenção ou açambarcamento de bens de produção ou consumo “com o fim de dominar o mercado em qualquer ponto do País e provocar a alta dos preços”, venda de mercadorias abaixo do preço de custo com o fim de impedir a concorrência, exercício de gerência de mais de uma empresa do mesmo ramo de indústria ou comércio com o fim de dificultar a concorrência e “celebrar ajuste para impor determinado preço de revenda ou exigir com comprador que não compre de outro vendedor”. (Vide decreto-lei n.869 de 18 de novembro de 1938, art. 2º §§ I, II, II, IV, V, VIII e o art. 3º, §I.). (SHIEBER, 1966, p.6).

Em pesquisa realizada nos anos subsequentes à entrada em vigor do Decreto-lei, Benjamin Shieber (1966) encontrou apenas uma menção em julgados e textos doutrinários à aplicabilidade do Decreto. Para ele, o decreto teve reflexos importantes na política de delimitação razoável de preços e no combate às fraudes ocorridas quando da comercialização de produtos. No entanto, no que tange aos abusos de natureza antitruste, o texto surtiu poucos efeitos e Shieber (1966) associa esse fracasso ao fato de não ter sido criado um órgão competente para julgar e executar as normas antitruste contidas no Decreto-lei.

2.2 AGAMEMNON MAGALHÃES E AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE