I. ÂŞIKLIK GELENEĞİ VE SAMSUNLU ÂŞIKLAR
I.III. Samsun’da Yetişen Âşıklar
3.4. Şiirlerinde İşlediği Konular
3.4.7. Din ve Tasavvuf Konulu Şiirleri
Diferente do que pensa Barth a respeito do cristianismo, considerado por ele como a única religião revelada, sendo as outras religiões falsas e idolátricas, a teologia católica
427 Id. Ibid., p. 97-98.
428Para Teixeira, “é no dado central da fé cristã, ou seja, o mistério mesmo da encarnação, que Geffré encontra o
argumento mais decisivo para firmar o caráter dialogal do cristianismo. Em sintonia com a reflexão de Paul Tillich, destaca que o caráter de alteridade do cristianismo origina-se no paradoxo do ‘Logos feito carne’. Esta doutrina do Logos manifesta a identidade do absolutamente concreto com o absolutamente universal. Identidade que colhe o seu significado na expressão cunhada por Nicolau de Cusa, de Cristo como ‘universal concreto’. O cristianismo ganha um novo paradigma de universalidade à luz da simbologia da cruz. [...] É a teologia da cruz que salvaguarda, segundo Geffré, a dimensão quenótica do cristianismo, protegendo-o contra qualquer pretensão absolutista. Este não pode ser entendido como uma totalidade encerrada em si mesma, mas convoca à relação com o outro e o diálogo, pois está sempre sob o signo de uma ‘falta’.” (TEIXEIRA, Faustino. op. cit., p. 63).
429 GEFFRÉ, Claude. op. cit., p. 99.
contemporânea está pronta a reconhecer que a revelação divina ultrapassa a tematização cristã, coincidindo com a história da salvação propriamente dita, ou seja, parte-se do pressuposto de que há “uma revelação geral imanente à história religiosa da humanidade.”431
A partir daí Rahner elabora uma distinção entre uma revelação transcendental coextensiva à consciência humana, e uma revelação categorial coincidente com o fenômeno histórico da revelação bíblica. A teologia moderna, herdeira da teologia patrística das semina Verbi, percebe claramente, de modo especial a partir do Concílio Vaticano II, a diferença entre uma
revelação cristã e uma revelação geral. Além disso, é possível admitir hoje que as religiões
além de serem portadoras de valores salutares, podem ser consideradas legitimamente como vias de salvação, derivadas do grande desígnio soteriológico divino sobre a humanidade. Tillich vai afirmar, em consonância com a tradição católica, que há “uma revelação universal que ultrapassa as fronteiras do cristianismo.”432 O cristianismo, tomando consciência do
paradoxo que o fundamenta, precisa exorcizar toda pretensão incondicional a monopolizar a revelação divina como sendo a única via exclusiva de salvação, como outrora sentenciou-se no extra Ecclesiam nulla salus. Para isso, é preciso distinguir entre a essência da revelação e a sua variedade de formas fenomenais de expressão concretas e históricas.
O acesso à revelação se dá por vias de salvação concretas, limitadas e contingentes. “Não há revelação perfeita (ou final) fora de uma via concreta de salvação.”433 Toda religião
precisa reconhecer que legitimamente não é possível obter a revelação final de forma absoluta, pois esta excede a dimensão histórica em sua caducidade, apesar de se manifestar na história e através dela. A imanência das vias não esgota a transcendência do conteúdo da revelação. É nesse sentido que Tillich afirma que nenhuma realização histórica constitui a essência do cristianismo.434 Nenhuma realização histórica consegue traduzir a riqueza da
essência cristã. Inclusive, esta pode ser encontrada em outras religiões para além do próprio cristianismo. O fundamento teológico do pluralismo religioso de direito está assentado sobre a relatividade histórica das religiões como traduções da revelação absoluta de Deus, percebendo que a verdade das religiões não se identifica com a pretensão à superioridade de umas sobre as outras. É em cada via de salvação concreta que as pessoas podem ter acesso à revelação final sobre Deus, o mundo e a humanidade, mesmo que de forma relativa e determinada. Essa tomada de consciência não diminui em nada a missão de cada religião, inclusive do cristianismo. Cada religião precisa se colocar humildemente diante do julgamento legitimador
431 GEFFRÉ, Claude. op. cit., p. 100. 432 Id. loc. cit.
433 Id. Ibid., p. 101.
da revelação final.
Nem o cristianismo histórico, nem as Igrejas da terra são Absolutos. Só é absoluta a revelação final como advento do Reino de Deus. A missão da Igreja não é tanto a de converter os membros das outras religiões a esta religião particular, que é o cristianismo, como a de convertê-los à incondicionalidade da revelação final. Desse modo, a missão deve estar menos polarizada na mudança de religião e mais no testemunho do Reino de Deus, que fez irrupção desde a origem da humanidade, e continua a se manifestar na história religiosa da humanidade, muito além das fronteiras visíveis da Igreja.435
O cristianismo está convicto que Jesus Cristo, o Ser Novo, que sacrificou a sua existência histórica, é a plenitude da revelação em relação aos outros meios teofânicos, cujo privilégio histórico é concedido às outras tradições religiosas. Segundo a fé cristã, Jesus Cristo é o centro da história, “o Alfa e o Ômega” (Ap 1,8), o meio e o critério da revelação final. Para Tillich, todas as demais revelações se relacionam necessariamente com o Ser Novo, absolutamente concreto e universal, presente no coração da humanidade. A presença espiritual elevando o homem por meio da fé e do amor para a unidade transcendente da vida inequívoca cria o Ser Novo acima da lacuna entre essência e existência e, consequentemente, acima das ambiguidades da vida.436 As religiões e as culturas estão transpassadas por essa presença
espiritual do Ser Novo. Nesse sentido, uma teologia cristã que não seja capaz de empreender um diálogo criativo com o pensamento teológico das outras religiões perde uma ocasião histórico-mundial e permanece provincial437, deixando de ampliar os seus horizontes.
Tillich defende a existência de uma revelação universal e afirma que a humanidade jamais foi abandonada a si mesma. Graças a essa presença do Espírito divino no espírito do homem, temos o direito de falar de experiências reveladoras que têm um poder salvífico e transformador. É-nos permitido pensar que esse é, em primeiro lugar, o caso das religiões do mundo. Essas experiências reveladoras são participações fragmentárias na união transcendente da vida não ambígua.438
Segundo Tillich, mesmo aquelas pessoas que fazem experiências fragmentárias da fé e do amor já têm condições de constituir uma comunidade santa, seja na sua latência ou já em sua manifestação, dentro da dinâmica da revelação universal que se expressa nas revelações históricas, partindo da percepção do acontecimento kairológico de Jesus Cristo como extensivo à totalidade dos momentos da história da humanidade. Tillich afirma que o Espírito que criou Cristo no interior de Jesus é o mesmo Espírito que preparou e continua a preparar a humanidade para o encontro com o Ser Novo nele.439 Tendo como ponto de referência o
fenômeno Jesus Cristo, não podemos correr o risco de reduzir a compreensão da dinâmica da economia histórica da revelação à distinção pura e simples entre a comunidade espiritual
435 GEFFRÉ, Claude. op. cit., p. 103.
436 Cf. TILLICH, Paul. Systematic Theology, vol. 3, p. 138 apud GEFFRÉ, Claude. op. cit., p. 104. 437 Cf. Id. Ibid., p. 6 apud GEFFRÉ, Claude. op. cit., p. 105.
438 GEFFRÉ, Claude. op. cit., p. 105.
latente do período da preparação (povo de Israel) e a comunidade espiritual manifesta do período da recepção (Igreja apostólica), porque querida e fundada por Cristo. “É preciso ir além da linearidade cronológica, e chamar de Igreja em estado latente toda comunidade espiritual de antes ou depois de Cristo.”440 É o que Tillich vai nos lembrar quando cita como
comunidade espiritual latente não só o povo de Israel, mas também as comunidades culturais islâmicas, as comunidades de adoração dos grandes deuses da mitologia, o misticismo clássico da Ásia e da Europa, etc.