3. Araştırmanın Metodu ve Kaynakları
1.2. MEHMET ZİHNİ EFENDİ’NİN ESERİNDE FAYDALANDIĞ
1.2.4. Dil Bilimciler
A semiótica da cultura orienta a análise desta tese. Como já enunciado, essa teoria foi desenvolvida por semioticistas da Escola de Tártu-Moscou e teve como expoente Iuri Lótman, então professor de literatura russa na Universidade de Tártu, Estônia (MACHADO, 2003b). Para a semiótica da cultura, o sistema semiótico resulta de uma construção estruturada a partir de diferentes processos de codificação.
O método semiótico-estrutural é um procedimento de análise de caráter empírico com foco na descrição e síntese como entendimento. A finalidade do método é compreender a dinâmica das transformações nos sistemas de signos variados e linguagens modelizadas (MACHADO, 2013b).
Esse método procura estudar os elementos invariáveis, que constituem a estrutura dos sistemas, no contexto das variações. O observador introduz a dialogia no modelo para estudar a complexidade dos sistemas semióticos (MACHADO, 2013b). Assim, as interpretações, também chamadas traduções, serão feitas pela autora desta tese com a finalidade de descrever um modelo dialógico.
Para LÓTMAN (1998, p.95), “a linguagem da descrição não está separada da linguagem da cultura e da sociedade a que o pesquisador encontra-se filiado”, portanto, a metalinguagem define o método semiótico e sua complexidade.
O objeto é complexo, sobretudo por usar a metalinguagem. Embora o desafio seja grande, exigindo um aprofundamento e interação do sujeito com o objeto como participantes da cultura, é possível apoiar-se na possibilidade de desvendar novas linguagens e melhor aproveitar o fluxo de informação. Como disse LÓTMAN (1978), o homem é o agente que transforma a informação em linguagem para que ela não se perca na cultura e, quanto mais linguagens houver, melhor aproveitaremos o fluxo da informação.
Outro desafio é contemplar com a interdisciplinaridade ou transdisciplinaridade e tentar estudar um objeto com as vertentes da ciência da informação, saúde, semiótica e outras disciplinas a elas relacionadas. Um trabalho interdisciplinar busca transpor fronteiras disciplinares e promover trocas na construção e interpretação do objeto (ALVARENGA e col, 2011). Lótman e Bakhtin reconhecem que o texto é um objeto transdisciplinar primário e unidade significante do tecido cultural. A diferença, grosso modo, é que para Lótman o interesse é pela funcionalidade do texto no interior de um
sistema dinâmico e para Bakhtin, o texto expressa a “consciência ativa do homem social e histórico” (ARAN, 2007, p. 151). Nesse caso, também encontramos apoio em
LÓTMAN (1978, p.50), quando afirma:
A transcodificação de uma linguagem noutra, extremamente produtiva na maioria dos casos e que surge em ligação com os problemas interdisciplinares, descobre num único objeto, tal como parecia antes, os objetos de duas ciências ou leva à elaboração de um novo domínio do conhecimento e de uma nova metalinguagem que lhe é própria.
A comunicação entre as disciplinas é complexa porque existem universos semióticos diferentes envolvidos nesse processo, mas essa diferenciação é importante para promover a inteligência e a memória coletivas porque abre o canal para o diálogo. Como disse LÓTMAN sobre o confronto entre arte e ciência, tão estudadas por ele pelo potencial criativo de ambas: “quanto mais a arte for arte e a ciência ciência, tanto mais específicas serão suas funções culturais e tanto mais o diálogo entre elas será possível e
fecundo” (1981, p.28). Imitando esse autor, é importante que as áreas da saúde e da
ciência da informação defendam seus princípios e pontos de vista para que o diálogo tenha uma razão para acontecer.
4.1 A ESCOLHA DA TEMÁTICA E DOS PESQUISADORES
A escolha da temática “aids” foi definida por representar uma doença com dinâmica diferenciada na área da saúde, como visto na introdução deste trabalho. Além da quantidade de trabalhos na literatura científica, há uma ampla divulgação de trabalhos sobre o tema em congressos, onde pesquisadores se agrupam para melhor estudar esse complexo tema.
Os pesquisadores são integrantes dos grupos de pesquisa Núcleo de Estudos para Prevenção da Aids (NEPAIDS), sediado em São Paulo, e Laboratório de Informação em Saúde (LIS) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/Fiocruz), com sede no Rio de Janeiro. A escolha dos pesquisadores foi feita por ocasião do desenvolvimento do trabalho de pesquisa, citado no próximo capítulo.
4.2 TRABALHO DE CAMPO E ENTREVISTAS
Os dados foram coletados para a pesquisa “Transformações na comunicação científica: identificando necessidades e experimentando tecnologias com grupos de pesquisadores em HIV/aids”, projeto elaborado por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Fundação Oswaldo Cruz e coordenação geral do Prof. Dr. Ivan França Junior. Esse projeto foi aprovado pela FAPESP e esteve em vigência de agosto de 2008 a agosto de 2010.
Nesse projeto foram utilizadas três ferramentas para coleta de dados:
Entrevistas semiestruturadas para recuperar a dimensão subjetiva das
experiências individuais estudadas (DENZIN e LINCOLN, 2000);
Grupo focal para levantar expectativas, ideias e perspectivas do grupo
(CARLINI-COTRIM, 1996).
Simulação em computador de busca em bases bibliográficas, para
identificar como os pesquisadores efetivamente buscam as informações, quais são as bases consultadas, as estratégias e as sintaxes construídas e o manejo eletrônico dos resumos localizados.
Foi utilizada nesta tese somente a técnica de entrevistas semiestruturadas com dois grupos de pesquisa: um de São Paulo e um do Rio de Janeiro. Essa técnica foi escolhida com a intenção de levantar as percepções dos pesquisadores sobre como buscam e utilizam as informações científicas e as interferências das novas tecnologias nesse processo.
Foi elaborado um roteiro com questões para orientar as entrevistas, que passou por modificações conforme o ritmo e interação entre entrevistadora e entrevistado (Anexo). As entrevistadoras foram orientadas a deixar os entrevistados à vontade e a interagirem e dialogarem com eles. A autora deste trabalho participou das entrevistas efetuadas com o grupo de São Paulo. Para o grupo do Rio de Janeiro a autora contou com o relato de campo elaborado pelas entrevistadoras.
Foram realizadas 25 entrevistas com os grupos de São Paulo composto por: 6 pesquisadores doutores seniores, 4 doutores, 1 doutorando, 3 mestres e 1 mestrando; e o do Rio de Janeiro composto por: 4 doutores seniores, 2 doutores, 2 doutorandos e 2
mestrandos. As entrevistas, realizadas no primeiro semestre de 2009, foram gravadas e transcritas para posterior análise.
As entrevistas foram realizadas num período médio de uma hora e meia cada. Algumas delas se estenderam pela vontade e disponibilidade do entrevistado. O ambiente das entrevistas era privativo. Em sua maioria, foi no local de trabalho dos entrevistados. As exceções ocorreram em São Paulo: houve uma entrevista realizada na residência do entrevistado e seis numa sala da Biblioteca da Faculdade de Saúde Pública.
As entrevistadoras foram orientadas a deixar o pesquisador falar à vontade, principalmente no início da entrevista, quando discorriam sobre a trajetória profissional e acadêmica. Foi uma maneira de descontrair a entrevista para ambos, entrevistador e entrevistado, permitindo uma primeira impressão. Em alguns casos foi necessário interferir nessa primeira parte da entrevista para que não se estendessem demais.
Após a transcrição, feita por profissionais especializados, os textos foram lidos pelas entrevistadoras com a finalidade de completar ou corrigir palavras, especialmente siglas desconhecidas ou que ficaram inaudíveis na gravação.
4.3 O PROCESSO DE ANÁLISE DOS DADOS
As entrevistas compõem-se de 25 textos transcritos, totalizando por volta de 450 páginas. A análise dos textos foi feita com base na teoria semiótica da cultura, de modo aberto e experimental, ou seja, buscando informações novas. Os textos decorrentes das transcrições foram lidos com o objetivo de levantar os sistemas de signos que se destacavam para os pesquisadores entrevistados e identificar as invariáveis nos sistemas semióticos. Com base na compreensão das invariantes, foi possível identificar as informações novas que transpareceram nas expressões e que geram sentido na cultura.
O texto é um ato comunicativo no complexo universo das ações humanas e nele estão contidos o dado e o novo, ou criado, que interferem na construção de sentido. A construção de sentido se faz a partir do texto (KOCH, 2013). Além do intratextual, a análise foi feita no contexto extratextual.
Fizeram parte da análise da linguagem de descrição, conceitos semióticos usados em estudos de metalinguagem, como noções de: signo discreto e contínuo, modelização e memória da cultura. Signos discretos são decomponíveis em unidades, como letras,
números, notação musical, e signos contínuos são perceptíveis no todo, indecomponíveis, como imagens, ilustrações (MACHADO, 2010). Modelização é a recodificação ou ressignificação da linguagem e memória é o acúmulo de informações com o objetivo de processar mensagens. Esses conceitos e outros similares, não relacionados, vão além da análise semiótica aplicada, pois essas formulações
procuraram “compreender as manifestações de cultura para as quais se alcançou uma
linguagem de descrição” (MACHADO, 2013b, p. 34).
Um foco importante de análise foi quanto às percepções dos entrevistados sobre a interação com os bibliotecários. Em algumas entrevistas houve menção à presença de bibliotecários e, em outras não, fato esse que foi explorado no momento de análise. Algumas vezes foram apresentados diálogos existentes entre o entrevistado e as entrevistadoras.
Na apresentação dos resultados, composto por excertos das falas ou de diálogos, algumas palavras ou frases foram grifadas nos textos das transcrições para destacar informações utilizadas na discussão.
Foi realizado um estudo do contexto (meio ambiente) em que se processou a semiose, procurando entender os esforços, os conflitos e as diversidades de relações do ponto de vista dos pesquisadores. A semiose, ou ação sígnica, pode ser representada pela tríade semiótica de Peirce e foi utilizada como unidade básica para o desenvolvimento dos resultados e discussão deste trabalho.
4.4 ASPECTOS ÉTICOS
O projeto original, intitulado “Transformações na comunicação científica: identificando necessidades e experimentando tecnologias com grupos de pesquisadores em HIV/aids”, foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade Saúde Pública da USP e pelo Comitê de Ética da Fiocruz. Os dados foram cedidos pelo coordenador do projeto.
As questões éticas relacionadas à pesquisa com a participação de seres humanos foram respeitadas e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para os participantes foi redigido tendo em vista a Resolução 196/96. Toda a documentação referente aos aspectos éticos está arquivada de posse do coordenador do projeto acima citado.
Foram usados codinomes para garantir o anonimato dos entrevistados e omitidos nomes de instituições citadas nas entrevistas, quando se referem a críticas.