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Devlet adamları grubunu temsil eden kitapların incelenmesine yönelik değerlendirme

ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

4.1 ÇOCUKLAR İÇİN YAZILMIŞ BİYOGRAFİ KİTAPLARININ İNCELENMESİ

4.1.2 Devlet adamları grubunu temsil eden kitapların incelenmesine yönelik değerlendirme

A Agenda 21, documento elaborado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente no Rio de Janeiro, em 1992, trouxe o ciclo de vida dos produtos como essencial para a gestão dos resíduos:

o manejo ambientalmente saudável dos resíduos deve ir além da simples disposição ou aproveitamento de métodos seguros dos resíduos gerados e buscar desenvolver a causa fundamental do problema, procurando mudar padrões não sustentáveis de produção e consumo. Isto implica na utilização do ciclo vital, o qual apresenta a oportunidade única de conciliar o desenvolvimento com a proteção do meio ambiente.71

Nesse mesmo sentido, Alexandra Aragão declara em nota prévia no Código de Resíduos:

o Direito de Resíduos (em sentido amplo), começará a aplicar-se num momento anterior ao próprio nascimento dos resíduos, ou seja, quando os futuros resíduos ainda são produtos destinados a ser transaccionados no mercado e a ser usados pelo consumidor final, e continuará a aplicar- se até ao momento em que, idealmente, o produto em fim de vida se

70 LEMOS, Patrícia Faga Iglecias. Resíduos sólidos e responsabilidade pós-consumo. 2. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: RT, 2012. p. 50.

transforma em um novo produto, através do processo de reemprego, reutilização ou reciclagem.72

A definição de ciclo de vida do produto, estipulada pela Lei da PNRS, contempla a análise do ciclo de vida, em um momento anterior ao nascimento do produto, ou seja, no momento do planejamento do produto na etapa de desenvolvimento do produto, ampliando a usual análise do ciclo de vida “do berço ao túmulo”,73 que considera o produto apenas depois do seu nascimento, para “da concepção ao túmulo”, pois considera o

desenvolvimento do produto como etapa integrante do seu ciclo de vida. In verbis: “série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final” (art. 3.º, IV).

A perspectiva adotada pela lei é a da gestão de todas as etapas do ciclo de vida dos produtos.

Na etapa do desenvolvimento do produto quando o produto está na fase de projeto, será analisado o seu futuro processo produtivo, sua durabilidade, assim como sua destinação final ambientalmente adequada. De acordo com a Lei da PNRS, os produtos, a partir de agora concebidos, devem ter: processo produtivo sustentável, produto com durabilidade, sem obsolescência programada74e resíduo com viabilidade de reutilização ou reciclável.

Na etapa de obtenção de matérias primas e insumos deve-se buscar reaproveitar os resíduos sólidos no processo produtivo.

72 ARAGÃO, Maria Alexandra Sousa. Código dos resíduos. Coimbra: Almedina, 2004. p. 9.

73 Na linguagem usual dos engenheiros ciclo de vida do produto é chamado de “do berço ao túmulo”. 74 Obsolescência programada significa reduzir a vida útil de um produto para aumentar o consumo. O

Na etapa da produção a Lei da PNRS determinou vários objetivos (art. 7.º):

III – estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços;75

IV – adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas76 como forma de minimizar os impactos ambientais;

V – redução do volume e da periculosidade dos resíduos sólidos;

XIII – estímulo a implementação da avaliação do ciclo de vida do produto;

XIV – incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento de resíduos sólidos, incluídos a recuperação energética.

O art. 3.º da Lei da PNRS define padrões sustentáveis de produção e consumo como produção de bens de forma a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das gerações futuras.

Na etapa do consumo foram estipulados os seguintes objetivos (art. 7.º):

III – estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços

XV – estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável;

75 “Nos termos do Processo de Marrakecch, ‘produção sustentável’ pode ser entendida como sendo a incorporação, ao longo de todo o ciclo de vida de bens e serviços, das melhores alternativas possíveis para minimizar impactos ambientais e sociais. Acredita-se que esta abordagem reduz, prevenindo mais do que mitigando, impactos ambientais e sociais à saúde pública, gerando efeitos econômicos e sociais positivos. Vista numa perspectiva planetária, a produção sustentável deve incorporar a noção de limites na oferta de recursos naturais e na capacidade do meio ambiente para absorver os impactos da ação humana. Uma produção sustentável será necessariamente menos intensive em emissões de gases do efeito estufa e em energia e demais recursos. Disponível em: <http//www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/produção-e-consumo-sustentavel/

conceitos/produção-sustentável>. Acesso em: 10 dez. 2013.

76 O conceito de Produção Mais Limpa (P+L) foi definido pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas PNUMA, no início da década de 1990, como a aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva integrada aos processos, produtos e serviços para aumentar a ecoeficiência e reduzir os riscos ao homem e ao meio ambiente. Aplica-se a: processos produtivos – inclui conservação de recursos naturais e energia, eliminação de matérias-primas tóxicas e redução da quantidade e da toxicidade dos resíduos e emissões; produtos: envolve a redução dos impactos negativos ao longo do ciclo de vida de um produto, desde a extração de matérias-primas até a sua disposição final, e serviços: estratégia para incorporação de considerações ambientais no planejamento e entrega dos serviços.

A rotulagem ambiental, de acordo com a Associação de Normas Técnicas (ABNT), é a certificação voluntária de serviços/produtos com qualidade ambiental, que atesta por meio de uma marca colocada no produto ou na embalagem, que determinado produto/serviço (adequado ao uso) apresenta menor impacto ambiental em relação a outros produtos “comparáveis” no mercado.77

O consumidor pode escolher entre um produto que considera o desempenho ambiental ou não. Quando o consumidor adquire um produto rotulado o seu consumo é considerado mais sustentável do que se ele tivesse adquirido um produto sem rotulagem.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entende-se por “consumo sustentável”:

Fornecimento de serviços e produtos que atendam às necessidades básicas, proporcionando uma melhor qualidade de vida enquanto minimizam o uso de recursos naturais e materiais tóxicos, como também a produção de resíduos e a emissão de poluentes no ciclo de vida do serviço ou do produto, tendo em vista não colocar em risco as necessidades das futuras gerações.

Incorpora-se o princípio do desenvolvimento sustentável à tutela das etapas de produção e consumo do ciclo de vida dos produtos.

Na etapa da disposição final, deve-se analisar todo o processo, incluindo a

destinação final dos resíduos sólidos, isto é, somente depois de esgotadas as possibilidades de reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação energética, entre outras admitidas por lei, a lei permite a disposição final ambientalmente adequada. Essa é a hierarquia imposta pela lei, o “objetivo síntese preconizado pela Lei da PNRS”78 que foi reafirmado como ordem de prioridade no art. 9.º da Lei de PNRS. Nessa etapa, a gestão

77 Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Disponível em: <http//www.abntonline.com.br/rotulo/Abnt.aspx> . Acesso em:10 dez. 2012.

78 HIPPLER, Vera Regina. Contornos jurídicos da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida

do produto prevista na Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos – repercussões na responsabilidade pós-consumo. Tese (Doutorado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2013. Termo utilizado pela autora, p. 103.

dos resíduos sólidos objetiva minimizar a quantidade de rejeitos gerados, isto é, estimula a transição do que é rejeito para resíduo sólido.

Rejeitos são os resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição ambientalmente adequada (art. 3.º, XV)

A ordem de prioridade, apesar de rígida e legalmente estabelecida, tem sua força diminuída pelo disposto na definição de rejeitos “esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis”. O Poder Público pode não observar a ordem de prioridade na destinação final dos

resíduos sólidos e fundamentar na inviabilidade econômica.

Cumpre ressaltar, que a lei da PNRS diferenciou gestão integrada de gerenciamento de resíduos sólidos. A gestão integrada é ampla, contempla a busca de soluções para os resíduos, considerando todo o seu ciclo de vida, o gerenciamento consiste na operacionalização do que foi instituído nos planos de gestão integrada dos Municípios, refere-se às etapas depois que o resíduo sólido foi gerado. A Lei da PNRS define gerenciamento de resíduos sólidos como:

Gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com o plano municipal de gestão integrada dos resíduos sólidos ou com o plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei; (art. 3.º, X)

Antes da Lei da PNRS, o Poder Público limitava-se ao gerenciamento dos resíduos, isto é, serviços de coleta e destinação final dos resíduos sólidos.

Quadro 6. Etapas do ciclo de vida e os respectivos objetivos Etapas do ciclo de vida do produto Objetivos estabelecidos na lei da PNRS.

Desenvolvimento do produto Análise do ciclo de vida do produto que será produzido: produção sustentável, durabilidade do produto, tipo de resíduo gerado depois de consumido.

Obtenção de matérias primas e insumos Reaproveitamento de resíduos.

Processo produtivo Padrão sustentável de produção de bens e serviços, adoção de tecnologias limpas, redução do volume e da periculosidade dos resíduos sólidos.

Consumo Padrão sustentável de consumo de bens e serviços. Consumo sustentável e rotulagem ambiental.

Disposição final Ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação energética, distribuição em aterros.