I. BÖLÜM
3.5. KAMU MALİ YÖNETİMİ VE KONTROL KANUNU ÖNCESİ KAMU DENETİMİ
4.2.3. KAMU MALİ YÖNETİMİ VE KONTROL KANUNU İLE GETİRİLEN İÇ
4.2.3.11. İç Denetim Faaliyetinde İlgili Birimler
A primeira questão que salta aos olhos quando nos deparamos com os números da Folha são os períodos em que as palavras terrorismo e terrorista ganham mais destaque. Em 1930, o jornal Folha da Manhã publicou apenas três matérias abordando esses assuntos. Já em 1934, início do Governo Vargas, foram publicadas 70 matérias sobre essa temática. Abaixo, um exemplo de matéria retirada no jornal Folha da Manhã, publicada em 10 de janeiro de 1934:
Nessa época, as notícias sobre terrorismo baseavam-se em informações sobre atentados terroristas em outros países e a ameaça do terrorismo – que muitas vezes justificaria um
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regime ditatorial, como no caso citado acima. A ditadura seria o remédio para resolver o terrorismo, entre outros problemas, e para reestabelecer a ordem no país.
Esse período – 1934 a 1937 - marca a época do Governo Constitucional de Vargas. Foi
exatamente o período que preparou terreno para o “Estado Novo”, iniciado em 1937, que trouxe ao Brasil um governo ditatorial exercido pelo próprio Vargas e que durou até 1945. Como podemos ver nos números das páginas anteriores, nos anos que se seguem, a aparição da palavra terrorismo gira em torno de 30 por ano. Após 1949, já dentro de um novo regime democrático no Brasil, o uso das palavras “terrorista” e “terrorismo” decai consideravelmente na Folha.
A partir de 1965, já temos a publicação da Folha de S. Paulo, um jornal com um número consideravelmente superior de páginas. Nesse ano, os termos selecionados aparecem 79 vezes, já durante a Ditadura Militar brasileira.
11 de maio de 1972 – p. 11
Na matéria acima, um exemplo de como a ideia de terrorista é utilizada nesse período pela Folha, normalmente respaldada por fontes oficiais. A matéria fala sobre como o sistema de controle de taxis, que estava sendo implementado na cidade de São Paulo, daria mais segurança aos usuários, que não correriam o risco de pegar um carro que estivesse “nas mãos de um marginal, um louco, um tarado ou um terrorista”. Ou seja, o medo do terrorista aparecia juntamente com o medo de criminosos em geral.
No ano de 1968 é fundada a revista Veja, também analisada neste trabalho. A palavra terrorismo aparece já na primeira edição da revista, associada ao medo do mundo
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comunista. O termo volta a aparecer inúmeras vezes ao longo desse ano. Na edição de 25 de setembro de 1968, por exemplo, foi publicada a matéria a seguir:
Fica claro que a própria mídia não sabia quais os limites do que podia ser considerado terrorismo numa época em que até mesmo reuniões de estudantes eram assim classificadas.
No entanto, durante a Ditadura Militar brasileira, o que mais chama a atenção na cobertura de Veja são as tentativas de compreender quem ou o que eram os terroristas. Esse foi, inclusive, tema da capa da edição de 13 de agosto de 1968.
Neste momento é curioso observar que tanto Veja quanto a Folha utilizam poucas fotografias para se referir aos terroristas até, por que eles procuravam se colocar em certa clandestinidade. Neste caso, era comum ao invés de fotos, utilizar ilustrações ou fotos-conceito para as matérias sobre esse assunto. Isso ajudava a criar uma imagem secreta do terrorismo, aumentando a sensação de terror, já que qualquer um poderia ser o terrorista ao lado.
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A matéria de seis páginas tenta mostrar quem são os terroristas brasileiros e o que querem. Explica também como o governo combate o terrorismo no Brasil. Ainda faz um apanhado dos principais grupos terroristas da América Latina. A revista compra o discurso dos militares e presta um verdadeiro serviço à manutenção do estado de ditadura ao tentar explicar como agem os terroristas. A palavra final está colocada num box intitulado “As teorias sobre explosões” (imagem a seguir). O texto começa perguntando: “o que dizem os teóricos e dirigentes comunistas sobre o terrorismo?” ao invés de responder, a matéria abre espaço para que um técnico do Departamento da Polícia Federal explique porque a polícia condena o terrorismo. Além disso, toda a matéria se baseia em informações da própria polícia. As imagens que ilustram as seis páginas se referem a “atentados supostamente praticados por ´esquerdistas`”. Ocorre aí além da compra do discurso das autoridades, uma confusão entre militantes de esquerda e terroristas, exatamente segundo os interesses do governo militar.
Voltando ao Jornal Folha de S. Paulo, a frequência de aparições do termo “terrorismo”
vai aumentando e chega a 537 em 1980 e 618 em 1981, ano do atentado do Riocentro. Esse evento foi um dos momentos marcantes do final do regime militar no Brasil. Em 30 de abril de 1981, vinte mil pessoas se reuniam no espaço de eventos para assistir a shows em comemoração ao Dia do Trabalhador, organizados por centrais sindicais. Enquanto a festa acontecia, uma bomba foi detonada dentro de um carro ocupado por dois militares. O sargento Guilherme Pereira do Rosário morreu em decorrência dos ferimentos. O outro ficou gravemente ferido. Ambos foram imediatamente transformados em vítimas de terroristas pelo discurso da imprensa. Soube-se depois que
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a bomba estava ali colocada pelos próprios militares para acusar supostos “terroristas” e manter o poder do governo militar. A ideia era fabricar um grande atentado. O sargento que morreu segurava a bomba no colo, quando da sua explosão. O curioso é que, embora tenha se comprovado posteriormente que o atentado foi provocado pelos próprios militares, o fato rendeu uma série de suítes no jornal sobre possíveis organizações e grupos terroristas no Brasil e no mundo. Na grande maioria das matérias sobre terrorismo e terroristas durante esse período, a principal fonte é o próprio governo militar, o exército ou a polícia militar, portanto, braços do próprio governo.
No caso da revista Veja, o discurso de que o atentado havia sido provocado por grupos terroristas de esquerda foi imediato. Na capa de 6 de maio de 1981 vemos a chamada “1º de maio no Rio: volta do terror”
Nesta matéria, publicada logo depois do atentado, a revista até levanta a hipótese de a bomba ter sido levada pelos militares que explodiram com ela no carro, mas a principal desconfiança é de que trata-se mesmo de um ato provocado por terroristas de esquerda, que estariam “novamente” aterrorizando a população. Curiosamente, isso acontece num momento em que grande parte da mídia brasileira apoia campanhas pela redemocratização do país. Ou seja, tivesse o plano atrapalhado dos militares dado certo, muito provavelmente a mídia se voltaria de fato contra os grupos de esquerda, o que poderia ter tido consequências significativas nos rumos da história política do Brasil.
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O que pode-se perceber ao analisar a cobertura midiática do período militar é que o governo brasileiro se utilizou das ameaças terroristas e, portanto, do terror, para dar suporte à sua própria manutenção no poder, particularmente num período em que o regime cambaleava e que as ruas começavam a se encher de pessoas pedindo eleições diretas. As ações dos militares nesse período eram justificadas pela necessidade de dar fim ao terror e àqueles que ameaçavam a ordem. O pânico do caos que poderia surgir caso os perigosos “terroristas” dominassem o país certamente ajudou a respaldar e segurar os militares no poder por tanto tempo.
Além disso, qualquer pessoa e especialmente, qualquer grupo – armado ou não – que se
colocasse publicamente – ou não – como contrário ao governo e, sobretudo, que se dispusesse a lutar contra a ditadura, era rapidamente taxado de “terrorista”, o que dava aos militares o direito de se “desfazer” daquela pessoa ou grupo em nome de uma suposta manutenção da ordem pública.
Portanto, de forma indireta, os veículos de comunicação, mesmo aqueles que lutavam contra a ditadura, acabavam por colaborar com a disseminação do discurso militar ao acatar os termos terror, terrorismo e terrorista em suas páginas. Dessa forma, colaborando para a disseminação do medo do caos e, portanto, para o estado de terror da população. Obviamente, nesse período os considerados terroristas atuavam mais e com mais força. No entanto, na maioria das vezes em que o termos aparecem, eles surgem simplesmente como uma ameaça, sem um motivo concreto que justifique a publicação da matéria.
Não sem motivo, a utilização dos termos terrorismo e terrorista volta a decair abruptamente tanto na Folha quanto em Veja a partir do início dos anos 1990. Na Folha de S. Paulo, das 618 páginas em 1981 o número cai para 162 páginas em 1990. Até o final dessa década, marcada pela retomada da democracia no Brasil, o termo irá aparecer em média entre 130 e 220 vezes a cada ano na FSP. Em geral, as matérias sobre terrorismo nesse período estão mais ligadas a ataques fora do Brasil e sem grandes repercussões dentro do país. O terrorismo, nesse período, é tratado como algo distante, que não nos traz risco direto. Recebem destaque atentados provocados, por exemplo, pelo ETA (Pátria Basca e Liberdade), no País Basco, Espanha, e pelo IRA
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terrorista, mesmo distante, continua sendo uma ameaça aos bons e à ordem. Outro ponto importante a ser destacado nas ações dos terroristas do final do Séc. XX é que os grupos responsáveis pelos atentados começam, lentamente, a se mostrar e a assumir publicamente suas ações. Essa tendência da busca pela visibilidade do autor será reforçada no Séc. XXI, como veremos a seguir1.