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İç Denetim Faaliyeti ve Süreci

I. BÖLÜM

3.5. KAMU MALİ YÖNETİMİ VE KONTROL KANUNU ÖNCESİ KAMU DENETİMİ

4.2.3. KAMU MALİ YÖNETİMİ VE KONTROL KANUNU İLE GETİRİLEN İÇ

4.2.3.2. İç Denetim Faaliyeti ve Süreci

Crime e violência figuram entre os temas de maior relevância na cobertura do jornalismo. Particularmente no caso do tema aqui estudado, vale a pena um aprofundamento maior para compreender as motivações para que esses assuntos sejam

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tão recorrentes e, portanto, para que sirvam como ferramentas para a visibilidade buscada pelos agentes do terrorismo.

Para Girard (1990), amamos a violência da mesma forma que a repudiamos. O autor acredita que a violência está presente em todo ser humano – assim como já estava presente no homem antes da criação da cultura. Ela seria uma necessidade para nossa

sobrevivência – nossos antepassados precisavam caçar e fugir de predadores.

Precisavam garantir território e alimento. Assim como acontece com outros animais, o instinto da violência facilitava nossa sobrevivência e teria sido fator crucial para nosso desenvolvimento. Segundo Girard,

Estudos recentes sugerem que os mecanismos fisiológicos da violência pouco variam de indivíduo para indivíduo ou mesmo de cultura para cultura. Segundo Antony Storr, em Human

Agression, nada é mais parecido com um gato ou um homem encolerizados que um outro gato ou um outro homem encolerizado. (GIRARD, 1990, p.12 - grifo do autor)

E se pensarmos na violência como indispensável e fator preponderante à sobrevivência de nossos antepassados, podemos concluir que somos descendentes exatamente dos grupos munidos com mais instintos e impulsos violentos que povoaram o mundo no passado. Ao construir a cultura e civilizar-se o homem não conseguiu se livrar de seus instintos violentos, mas também não poderia lidar com eles abertamente, sob pena de desestabilizar toda a ordem criada. A solução foi canalizar a violência a fim de controla- la. Segundo Girard, a violência natural do ser humano só é canalizada quando há uma válvula de escape.

A violência não saciada procura e sempre acaba por encontrar uma vitima alternativa. A criatura que excitava sua fúria é repentinamente substituída por outra, que não possui característica alguma que atraia sobre si a ira do violento, a não ser o fato de ser vulnerável e de estar a seu alcance (GIRARD, 1990, p. 13)

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Ele aponta os rituais de sacrifício como a solução alternativa encontrada pela humanidade para extravasar a necessidade da violência inata. Essas vítimas dos sacrifícios podem ser outros seres humanos ou animais. Durante toda a história da humanidade há inúmeros episódios de grupos que sacrificavam crianças, virgens, inimigos ou mesmo carneiros e galinhas com o intuito de apaziguar a fúria dos deuses, quando oferecidos a eles. Para Girard, no fundo esses rituais aplacariam de fato não a fúria de deuses ávidos por sangue, mas a fúria dos próprios homens, que canalizavam sua violência para as arenas e os altares onde aconteciam os rituais, numa abstração daqueles para quem gostaria de direcionar a violência. Os deuses seriam, então, apenas um reflexo dos desejos culturalmente controlados dos humanos. Dessa forma, a multidão sentia-se aliviada coletivamente, favorecendo a organização pacífica e cotidiana e, consequentemente, ajudando na manutenção da ordem social.

São grandes os números de registros de grupos sociais que realizavam sacrifícios para agradar aos deuses ao longo da história da humanidade. Dos hebreus, aos índios das Américas pré-colombianas, os rituais violentos e sangrentos com a utilização de vítimas alternativas para expiar o mal e aplacar a fúria dos deuses eram práticas comuns. A expressão “bode expiatório”, aliás, vem exatamente daí: segundo a tradição judaica, os sacerdotes deveriam colocar suas mãos sobre um bode e sacrificá-lo, para que o animal carregasse consigo todos os pecados daquele povo.

Mas, e num mundo dessacralizado como o nosso, esses rituais tenderiam a desaparecer, certo? Em partes. De fato, com exceção de alguns grupos que ainda realizam rituais de sacrifício com intuito sagrado, a grande maioria das pessoas não convive mais com o sangue derramado em nome da pacificação dos deuses. Porém, a violência e o instinto violento há tanto presentes nos homens, não deixaram de existir, eles foram recanalizados de outra forma: hoje, não podemos mais, ou não queremos mais, participar de rituais em praça pública. A ideia de ver o sangue escorrendo na nossa frente não combina com o esclarecimento do homem moderno. Muito menos a ideia de que os deuses ficarão felizes com aquele episódio. Mas continuamos tendo de controlar a violência, que está presente em todos nós muito antes da cultura existir e que não desaparece com ela. Onde buscar, então, o apaziguamento dos desejos violentos? A

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solução para isso está, segundo Girard, exatamente no consumo da violência, que passa a se dar pelos meios de comunicação de massa. Os meios de comunicação se transformaram nos altares de sacrifício modernos. Não é necessário sujar as mãos de sangue, não é necessário criar um ritual ao redor do sacrificado. As imagens da violência substituem o ritual e aplacam os desejos violentos da multidão.

Amarrando essa questão com os pontos levantados nos tópicos anteriores, podemos perceber que a violência serve como fermento para a comunicação voltada para as massas por vários motivos:

a. Há um desejo natural por ela. Ou seja, na raiz da cultura humana existe a necessidade de extravasar o impulso violento. Esse impulso já foi responsável pela sobrevivência de nossa espécie e hoje é controlado e canalizado através dos meios de comunicação de massa. É um instinto, guardado nas camadas mais profundas do humanos que serve como fermento para os meios de comunicação contemporâneos.

b. Pela mídia, a violência pode ser saciada sem que se cometa um crime. Berman, (2005) apresenta uma série de argumentos e exemplos par amostrar como na idade Moderna, o homem passa a buscar a mediação daquilo que deseja, mas não quer fazer com as próprias mãos, pois não combina com o espírito moderno. A violência e a “maldade” estão entre os desejos e necessidades mediados. E nada melhor que os media, os mediadores por natureza, para exercer esse papel. c. Se não é mais praticada diretamente, mas é vista e absorvida, a violência é,

portanto, consumida. A lógica do consumo é a mesma que alimenta de maneira

geral o mass media. Amparada, sobretudo, por imagens – que, sendo

jornalísticas, ganham caráter de “verdade” – e vista entre um intervalo comercial e outro, a violência torna-se mais um produto vendável. Aliás, um produto que atrai atenção do público, supre suas necessidades a, no final acaba ajudando a vender de sabonetes a planos de previdência.

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Assim, a violência é facilmente transformada em espetáculo, com todas as consequências que isso traz. Se, por um lado, o espetáculo serve à necessidade da canalização instintiva dos desejos violentos, por outro, ele banaliza a violência, tornando-a mais um produto a ser consumido. E como todo produto consumível, a demanda por violência é cada vez maior. O espetáculo da violência ou a violência espetacularizada aparecerão em todo tipo de produto da cultura de massas:

O que a diferencia [a cultura de massas] das outras culturas é a exteriorização multiforme, maciça e permanente da violência que jorra dos comics, da televisão, do cinema, dos jornais (sensacionalismo, acidentes, catástrofes), dos livros (série negra, policial, aventura). Bofetadas, golpes, tumultos, batalhas, guerras, explosões, incêndios, erupções, enchentes assaltam sem cessar os homens pacíficos de nossas cidades, como se o excesso de violência consumida pelo espírito compensasse a insuficiência de violência vivida. (MORIN, 2005, p. 114)

Conforme já víamos anteriormente, o jornalismo também é terreno fértil para a propagação dos temas e, sobretudo, das imagens da violência. Não sem motivo ela figura, como vimos anteriormente, quando tratamos dos critérios de noticiabilidade, como um dos principais temas da cobertura jornalística. Como explica Morin,

À proliferação das violências imaginárias se acrescenta a vedetização das violências que explodem na periferia da vida cotidiana sob forma de acidentes, catástrofes, crimes. A imprensa da cultura de massa abre suas colunas para os fatos variados, isto é para os acontecimentos que só se justificam por seu valor emocional (2005, p. 114).

Com o termo “vedetização das violências” Morin se refere à supervalorização da exposição desse assunto e à sua valorização nos produtos midiáticos. Como fruto do capitalismo, a violência na mídia é rapidamente transformada em produto. Se interessa ao público, vende. Se vende, é notícia. O autor afirma ainda que a imprensa capitalista

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consome de uma vez só as grandes catástrofes como Fréjus, os grandes atos de sadismos, os raptos, os belos crimes passionais. Através do sensacionalismo, através dessas “esquisitices do comportamento humano que refletem a verdadeira natureza do homem” (DURREL, Mountolive), através do universo do crime, enfim, o leitor redescobre, vivendo-os e realizando-os, seus sonhos menos conscientes. Sádicos, assassinos, “são a personificação de instintos simplesmente reprimidos por outros homens, a encarnação de seus homicídios imaginários, de suas violências sonhadas” (R. MUSIL, L`Homme sans Qualités, II, P. 445). Os grandes criminosos são, portanto, os bodes expiatórios da sociedade. (MORIN, 2005, p. 115)

Para Wainberg, “a violência tem-se revelado capaz de despertar o aparato cognitivo humano de sua apatia costumeira. É por isso um dos principais ingredientes que integra não só as atrações da indústria do entretenimento, mas também e em especial, do jornalismo” (2005, p. 1). Seguindo uma linha parecida com a observada em Girard e Bystrina, o autor afirma ainda que “uma ampla rede de informação arquivada na mente e no ‘espírito’ das pessoas é rapidamente acionada”, o que geraria interesse imediato pelo assunto coberto e a consequente expansão dos índices de audiência.

Sangue, corpos feridos ou mortos fazem parte das imagens cotidianas do jornalismo na cobertura do “mundo real”. O consumo dessas imagens midiáticas serviria, na nossa época, para substituir os corpos dos rituais de sacrifício do passado, citados por Girard. Há mais um ponto interessante a ser observado nessa relação sociedade / mídia / violência: se, por um lado, a violência com as próprias mãos é condenada, por outro, curiosamente, ela passa por um processo de aceitação quando é feita como forma de vingança. Mais que isso: como vimos no capítulo anterior, sangue derramado e consumido na mídia só pode ser vingado com sangue derramado do outro lado. A violência explícita e mostrada nos meios de comunicação atrai o interesse do público ávido por sangue e, ao mesmo tempo, provoca o desejo de vingança. Ou seja, a violência na mídia não apenas aplaca os desejos violentos, mas traz consigo o desejo direto de vingar o sangue derramado. Ainda segundo Girard,

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é porque o assassinato horroriza e para evitar que os homens matem que se impõe o dever de vingança. Na verdade, o dever de nunca derramar sangue não é distinto do dever de vingar o sangue derramado. Assim, não basta convencer os homens de que a violência é odiosa para acabar com a vingança. Da mesma maneira que em nossos dias isto não é suficiente para acabar com a guerra. É justamente por estarem convencidos deste fato que os homens consideram seu dever de vingar-se. (GIRARD, 1990, p. 27)

Matar, não pode. A sociedade não permite. É crime, que só pode ser consumido. Mas vingar o sangue derramado dos nossos é mais que uma possibilidade, é um dever. A vingança dá uma razão para a violência e estimula sua execução. Por outro lado, seguindo essa mesma lógica, cada ato violento será vingado e “revingado” infinitamente.

Mais adiante, retomaremos essas questões para entender como se dá a relação e entre terrorismo e jornalismo na mídia contemporânea. Por hora, vamos chamar a atenção para o fato de que o terrorismo é hoje um dos grandes produtores de imagens de violência para a mídia. Obviamente, se violência atrai interesse público e do público, não podemos deixar de observar que essa nada mais é que uma estratégia de comunicação dos terroristas para ganhar espaço e visibilidade, uma visibilidade que não seria possível de outra forma com tanta intensidade: se o público quer violência, a mídia dá isso a ele em troca de audiência. Segundo Rondelli,

a violência aparece não só como mero fenômeno de agressão física, mas também como linguagem, como ato de comunicação. Não por qualquer decisão consciente de suas vítimas ou praticantes, mas por ser a expressão limite de conflitos para cuja solução não se pode contar com formas institucionalizadas de negociação política ou jurídica legítimas (in PEREIRA et all, orgs., 2000, p. 147)

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Se a violência faz as lentes dos meios de comunicação se voltarem para seu produtor, os terroristas se utilizam dessa tendência para obter o que querem. Nesse ciclo, o terrorismo alimenta a mídia e a mídia alimenta o terrorismo, a partir da disseminação do estado e do sentimento de terror – e do desejo de vingança.