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DENETĠMLĠ SERBESTLĠK SĠSTEMĠNĠN AMACI ve KONUSU

E. Türkiye Cumhuriyeti

III. DENETĠMLĠ SERBESTLĠK SĠSTEMĠNĠN AMACI ve KONUSU

PRESSÃO)

A análise do discurso dos senadores da CRE evidenciou o uso político da prerrogativa constitucional65 de convocar ministros e autoridades. Na linguagem parlamentar, a palavra convocação tem um sentido de comparecimento compulsório que causa constrangimento ao convocado. Por sua vez, a palavra convite se referiria ao parágrafo 1º do artigo 50 da Constituição, em que o comparecimento dos Ministros de

65Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas comissões, poderão convocar Ministro

de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando em crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada.

§ 1º Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados ou a qualquer de suas comissões, por sua iniciativa e mediante entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto de relevância de seu Ministério.

§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de informação a Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput deste artigo, importando em crime de responsabilidade a recusa, ou o nãoatendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas.

Estado se dá na base de entendimentos entre os parlamentares e o Ministros. Em geral, os senadores utilizam o termo convite quando querem esclarecimentos de Ministros de Estados ou titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República. Desta forma, qualquer requerimento de convocação é, quase sempre, convertido em convite, conforme se depreende do discurso político dos senadores da CRE sobre essa questão na sessão de 25/02/2003:

Senador Arthur Virgílio (PSDB–AM) – Sr. Presidente, procurarei ser bastante claro em relação às duas proposituras. Primeiro, creio que formulei mal – e devo me penitenciar por isso – o que seria convocação. E a palavra convocação me agrada menos que a palavra convite, apenas me orientaram a fazer assim, dizendo que depois seria transformado em convite por sugestão de V. Exª.

Senador Aloizio Mercadante (Bloco/PT–SP) – Sr. Presidente, o Governo do Presidente Lula tem todo o interesse em que os Ministros venham às comissões e, com total transparência, discutam em profundidade as políticas de governo. Tanto é assim que encaminhei um ofício a todos os Senadores, sugerindo que fizessem convites, porque queremos o debate, [...] Hoje pela manhã, na Comissão de Assuntos Econômicos – apesar de o Líder Arthur Virgílio não estar presente, e o art. 242 do Regimento não permitir sequer que seja lido o requerimento, pela ausência do Parlamentar –, fiz questão de encaminhar no sentido de aprovação, na condição de convite, de todos os Ministros que foram sugeridos, porque creio que esse é o caminho da democracia, e é nesse sentido que devemos andar nesta Casa. Senador Pedro Simon (PMDB–RS) – [...] Penso que devemos entender que podemos convidar essas pessoas no sentido de que vejam que é essa a tradição. Convocação é o fim disso.

Senador Tião Viana (Bloco/PT–AC) – Em relação a esse assunto, entendo que a tradição da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional tem sido a de convidar, pelo menos no exercício da Presidência do Senador José Sarney - para as audiências públicas de que participei -, os Ministros de Estado [...] Também considero um termo elegante e eufêmico a vinda de Ministro por convite - é melhor para nós. Há um clima de democracia plena no País e de boa relação e não faria mal o convite.

Os senadores da CRE, nessa sessão, expressam a tradição de se fazer convites em vez de convocações, um procedimento que vem desde os governos anteriores. Os senadores oposicionistas Arthur Virgílio, Antero Paes de Barros e Pedro Simon concordam com a prática reiterada dos convites em lugar das convocações. O líder do governo, senador Aloízio Mercadante, afirma que não fará objeção ao comparecimento de Ministros de Estados ao Senado, conquanto seja pela forma de convites. Os

senadores Heloísa Helena e Jefferson Peres, na mesma sessão de 25/02/2003, discordam da tradição de se optar pelo eufemismo convite em vez de convocação, como está disposto na Constituição:

Senadora Heloísa Helena (Bloco/PT–AL) – Durante várias vezes, enquanto atuava na Oposição, tive a oportunidade de manifestar-me em relação a alguns gestos - não é o caso presente - que sempre eram feitos pela então base governista quanto a uma polêmica - para mim absolutamente infrutífera - sobre as palavras convite e convocação. Entendo que não existe absolutamente nada de mais. Creio não ser uma regra pouco civilizada estabelecer o termo convocação. Aliás, a própria Constituição, em seu art. 50, trata da convocação e não do convite de Ministro de Estado ou qualquer titular de órgão diretamente subordinado à Presidência da República. No entanto, alguém poderá dizer: “A Constituição preceitua “poderão convocar”. Nunca ouvi um tempo verbal ser tão utilizado para impedir que o Congresso Nacional cumpra realmente sua obrigação.

Senador Jéfferson Peres (PDT–AM) – Sr. Presidente, é assunto superado o de convite à convocação. É praxe transformar todos os requerimentos de convocação em convite. Parece que os detentores de poder sempre têm extrema susceptibilidade. Não vejo nenhum desdouro em convocar um Ministro, mas os que estão do lado de lá o vêem, não sei porquê. É curioso isso. Eu viria, se fosse Ministro, convocado pelo Congresso Nacional, não estaria sendo intimado por nada vergonhoso. Poderia ser convocado como previsto na Constituição. A rigor, Sr. Presidente, nem poderíamos convidar Ministro, sabe por quê? Porque o direito privado e o direito público são regidos por dois princípios diferentes. No direito privado, tudo que não for proibido é permitido. No direito público, ao contrário, é proibido tudo que não seja expressamente permitido. Nem a Constituição, nem o Regimento permitem ou autorizam que se convide Ministro. A rigor não poderiam fazê-lo. É uma figura esdrúxula, não prevista nas normas que nos regem, tanto as constitucionais quanto as regimentais. Mas, como todos os Ministros se sentem ofendidos por serem convocados, vamos ser delicados, Sr. Presidente, e convidá-los!

O ponto de vista destes dois senadores é diferente daquele expresso pela maioria: convocar é o termo correto a ser utilizado pelos senadores, pois é o que confere a Constituição aos parlamentares. Entretanto, além de ser uma tradição (um assunto superado), a maioria dos senadores da CRE prefere o convite, um vocábulo que está implícito no parágrafo 1º do artigo 50 da Constituição Federal. A suscetibilidade dos Ministros de Estado e dos governistas para a palavra convocação está no sentido de um comparecimento compulsório, cuja inobservância é crime de responsabilidade (artigo 50, §2º, CF/88), enquanto que convite é um dispositivo mais informal e favoreceria o debate. Ademais, a convocação passa a ser um forte mecanismo de controle das ações

do Poder Executivo, passando a ser uma importante reserva de poder dos senadores em causar constrangimento ao governo. A convocação é, portanto, um meio discursivo direto de participação legislativa, pois é uma convocação para o debate sobre uma política executiva que preocupa os parlamentares.

A menor exigibilidade de um convite, em relação a uma convocação, pode, entretanto, diminuir a força daquele instrumento, ou seja, há um maior risco de o convite não ser atendido prontamente, como seria no caso de uma convocação. Na verdade, o convite é um instrumento mais informal e tem a vantagem de transformar a convocação em um mecanismo de pressão política, principalmente para a oposição; mas, também tem a desvantagem de se sujeitar a protelações, pois não há a exigência legal de que os convites sejam atendidos de forma expedita. As ameaças de convocação não se foram efetivadas quando apareceram, como se verá no capítulo seguinte.

Na CRE, não houve manobras dos governistas para evitar a audiência com Ministros de Estado. A presença do Ministro das Relações Exteriores foi uma constante nos trabalhos da comissão e as eventuais protelações foram uma exceção, e sanadas a contento da oposição. Para concluir essa seção, fica claro que a intenção dos governistas é evitar o desgaste de uma convocação, enquanto que os convites são geralmente bem aceitos por eles. E essa intenção, no contexto da CRE, foi bem sucedida.