4.4. TÜRKİYE'DE OMBUDSMAN KURUMUNUN KURULMASINA
4.4.5. Devlet Planlama Teşkilatı'nın Çalışmaları
4.6.2.2. Kamu Denetçiliği Kurumunun Görev Alanı
Os desenhos selecionados são a seguir apresentados com a indicação da idade de seu autor e com seu respectivo título, caso a criança o tenha definido. Trechos da fala das crianças durante a entrevista acompanham a maioria dos desenhos. Como dissemos antes, os nomes verdadeiros foram substituídos por fictícios. O conjunto formado pelos desenhos recolhidos não permitiu o sequenciamento etário das fases do desenvolvimento gráfico. As características das fases pré-figurativa, realismo fortuito, realismo intelectual e realismo visual puderam ser reconhecidas, mas sem rigorosa vinculação com a idade determinada pelas teorias tradicionais (Gardner, 1980).
Há desenhos que se situam na transição entre o pré-figurativo e o realismo fortuito, como o de Mauro, com oito anos, em que apenas algumas figuras como os carros podem ser facilmente reconhecidas (Figura 4).
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Segundo as classificações formais, com esta idade, ele já estaria superando o realismo intelectual que caracteriza o desenho de crianças entre cinco e oito anos, e ingressando na fase de realismo visual, ou seja, seria mais habilidoso e interessado em retratar os objetos com seus atributos e características reconhecíveis.
A fase de realismo intelectual, caracterizada pelo esforço da criança em demonstrar o que sabe acerca do objeto desenhado, pôde ser observada no uso de transparências e rebatimentos conforme vemos no desenho de Ana Rita com seis anos (Figura 5). As paredes transparentes da casa nos permitem ver o que acontece em seu interior. No detalhamento dos personagens e descrição da cena ela enumera atividades individuais sem relação aparente: “essa aqui tá brincando, essa tá jogando a bola para cima, essa tá passeando com o cachorro, essa daqui tá indo dormir, essa já ta dormindo”.
Figura 5. Ana Rita, 6 anos.
Nesta fase, que antecede o realismo visual, as crianças desenham figuras sem a preocupação de isomorfismo com o objeto retratado, mas por meio de uma
correspondência global. Já Romel, também com seis anos, foi menos detalhista em seu relato, procurando resumir a cena de modo a integrar seus participantes - “os pássaros foram buscar comida para seus filhotes” (Figura 6).
O desenho de Lia, com dez anos, também se situa no realismo intelectual, em mais um exemplo de diferença entre o momento da criança e aquilo que é esperado para sua idade conforme as teorias de evolução do desenho (Figura 7). Lia gira o papel e efetua rebatimentos para representar os diferentes planos que percebe no ambiente. Seu desenho expressa a decalagem entre aquilo que a criança é capaz de perceber e sua habilidade em representá-lo graficamente.
Anselmo, com nove anos, também procura mostrar seu conhecimento acerca do ambiente trazendo o ninho sobre a árvore para nosso ângulo de visão. Seu desenho não revela a intenção de realizar um desenho fotográfico, podendo ser situado na fase de realismo intelectual (Figura 8). Quando perguntado por que não havia pessoas em seu desenho, Anselmo respondeu – “por que não tem pessoas? porque as pessoas foram embora”.
A partir dos nove anos é esperado que a criança denote mais preocupação em relação a distâncias, proporções e unidade do ponto de vista, no que foi denominado realismo visual. O desenho de Carine, com onze anos, deixa claro o ponto de vista adotado. Desta margem do rio podemos ver o pássaro de costas voando (Figura 9). Amenina não quis detalhar ou explicar seu desenho na entrevista.
Flavio, com nove anos, fez uma floresta em vários planos, ao fundo vemos as colinas (Figura 10). Seu desenho retrata a paisagem a partir de um ponto de vista unificado, traço característico da fase de realismo visual. A comparação com uma foto tirada no local demonstra que o menino é capaz de perceber a organização da paisagem em distintos planos e tonalidades e de expressá-los em sua obra (Figura 11). Quando perguntado pelos personagens ele justificou sua ausência – “porque é só floresta”.
Figura 10. Flávio, 9 anos.
Estes exemplos nos levaram a considerar que se por um lado as fases do desenvolvimento gráfico nos auxiliam na compreensão do desenho fornecendo referências de como as habilidades da criança podem encontrar expressão, por outro lado fica claro que não podem ser rigidamente atreladas a determinado período etário, sobretudo em um contexto escolar multisseriado e multietário. Neste sentido, acreditamos que as habilidades gráficas das crianças sofrem influências ambientais determinantes como a oportunização de situações de desenho, a oferta de material, a estimulação no contexto familiar e o repertório imagético disponível.
No desenho de Maia (Figura 12), os elementos foram dispostos de modo que a relação entre eles não está evidente. Seus títulos também indicam um foco mais voltado para os elementos do que para o conjunto por eles formado.
Lucas, com oito anos, privilegiou a exploração de formas e cores sem clareza na composição de uma cena (Figura 13). Em seu relato a criança indicou - “os pássaros, as cobras que mordem e os peixes”.
Eduardo (Figura 14), com apenas seis anos, ainda que não tenha estabelecido conexões visíveis, já insinuou uma organização adequada para os elementos animais, vegetais e geográficos. Na sua paisagem as árvores e as flores flutuam como as borboletas sobre um rio sem margens precisas. Quando questionado acerca de personagens em cena, respondeu – “a natureza é sem gente, só com animais”.
No desenho de Manoel, com seis anos (Figura, 15), também foi possível notar sua intenção de relacionar os elementos vegetais, humanos, animais e construídos em cena por meio das linhas de chão. Segundo a criança, “o cachorro foi procurar o bicho que tava dentro do mato, que era o tatu. O lobo é que está dirigindo o carro”. O nome dado à obra foi “Tubarão Negro”, acompanhando a sobreposição dos ambientes reais com os imaginários.
O desenho de Ricardo, com dez anos, expressou preocupação com a organização dos elementos em cena (Figura 16). As interações entre os elementos naturais são mais evidentes e o nome dado à sua obra é “A Mata”, indicando também compreensão da integração dos elementos que desenhou. Ricardo considerou a tarefa fácil – “foi fácil porque eu sabia o que ia fazer”.
Na cena desenhada por Laura, onze anos, percebemos maior integração dos elementos naturais do ambiente. A criança foi capaz de retratar seus aspectos geográficos principais, como as colinas e as matas que as ocupam, e o rio em seu curso sinuoso margeado por pedras (Figura 17 e Figura 18). Uma cobra se estende à beira do rio, e Laura chamou sua obra de a “Ciência da Natureza”, o que denota sua capacidade de compreender a coerência que relaciona os seres vivos em seus ambientes.
Figura 17. Laura 11, anos. “Ciência da Natureza”.