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IV. Ali Kemal’in İlm-i Ahlak Adlı Eseri

IV.III. Eserin Önemi

1.5. Faziletler ve Reziletler

1.5.6. Dalkavukluk

A cidade de Primavera do Leste situa-se entre os paralelos 15°32’ e 15º34’ Sul e entre os meridianos 54°17’ e 54º19’ Oeste, sobre a unidade geomorfológica de Chapada dos Guimarães com altitude média de 636 m, distando 230 km da cidade de Cuiabá. Sua localização dentro do estado de Mato Grosso está indicada na Figura 8 e a Figura 9 mostra a base cartográfica da região estudada. Apresenta clima tropical com temperatura média oscilando entre 18 e 24 °C, mínima entre 10 e 19 °C e máxima entre 29 e 34 ºC, com duas estações bem definidas no ano, uma de seca, em geral, nos meses de maio a setembro e uma de chuvas, indo de outubro a abril.

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Seu relevo é dominado por colinas e superfícies aplainadas bordejadas por escarpas, com vegetação característica de cerrado apresentando manchas de matas nas cabeceiras dos rios.

A origem da cidade de Primavera do Leste foi um loteamento à beira da rodovia que liga Cuiabá à Barra do Garças, em 1978. A partir dessa época, este núcleo urbano cresceu rapidamente, sendo criado, em 1986, o município de Primavera do Leste, com área de 5.664 km2. O núcleo urbanizado encontra-se, atualmente, circundado por áreas agrícolas. Sua população, em 1996, já era estimada em 20.996 habitantes, sendo 18.479 na zona urbana e 2.517 na zona rural (EMPAER, 1997). De acordo com o censo populacional de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), a população em 2000 era de 39.857 habitantes, enquanto as estimativas de 2004 (IBGE, 2004) prevêem uma população de 53.881, o que mostra o elevado crescimento da região, que teve um aumento em sua população de aproximadamente de 2,5 vezes, em 8 anos.

De acordo com o diagnóstico sócio-econômico do Estado de Mato Grosso de 1997 (UFMT, 1998), Primavera do Leste é um dos 20 municípios que teve maior crescimento populacional no estado. Como conseqüência deste rápido crescimento, surgiram diversos problemas de infraestrutura. Um destes é o abastecimento de água da cidade. O Departamento de Águas e Esgotos (DAE) abastece a cidade através de quatro poços tubulares (com profundidades e vazões de 78 m e 12,90 m3 h-1; 94 m e 15 m3 h-1; 65 m e 15 m3 h-1, 93 m e 10,50 m3 h-1, respectivamente) e uma estação de captação de água que fornece uma vazão média de 95 m3 h-1 atendendo a cerca de 3.130 domicílios. Esta estação de captação localiza- se em um reservatório de área de 1 ha abastecido por um pequeno córrego cuja nascente situa- se a aproximadamente 1000 m do reservatório. Tanto a água dos poços como a da represa sofre somente cloração antes de ser enviada aos domicílios. Cerca de um terço da população

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da cidade não é abastecida pelo DAE e existe uma quantidade elevada de residências com poços particulares.

A agropecuária na região é desenvolvida, principalmente, em propriedades rurais que podem ser classificadas como médias e grandes (56,2 % dos imóveis) ocupando uma área de 887.452 ha (95 % da área de município), como mostra a Tabela 3. Sua estrutura agropecuária é semelhante à do Estado de Mato Grosso como um todo. O município de Primavera do Leste é um dos 20 municípios do estado com maior área plantada (UFMT, 1998).

Tabela 3 – Imóveis rurais e respectivas áreas existentes na região de Primavera do Leste (municípios de Primavera do Leste e Campo Verde) e no Estado de Mato Grosso em 1996 (os valores entre parênteses representam as porcentagens em relação ao total)

Estado de Mato Grosso Região de Primavera do Leste Categoria dos imóveis Número de imóveis rurais Área (ha) Área média por imóvel (ha) Número de imóveis rurais Área (ha) Área média por imóvel (ha) Grandes 11.964 (12,7) 55.374.154 (77,0) 4.620 311 (25,7) 710.530 (76,1) 2.285 Médios 16.544 (17,6) 11.016.987 (15,3) 666 369 (30,5) 176.923 (18,9) 480 Pequenos 25.295 (26,9) 4.173.261 (5,8) 165 266 (21,9) 38.549 (4,1) 145 Minifúndios 40.305 (42,8) 1.307.393 (1,9) 32 266 (21,9) 8.041 (0,9) 30 Total 94.108 (100) 71.771.795 (100) 763 1.212 (100) 931.043 (100) 771

Fonte: Extraído e adaptado de UFMT (1998)

A agricultura e pecuária na região são desenvolvidas em grandes e médias propriedades (Tabela 3), sendo a agricultura baseada na monocultura, que se utiliza de alta tecnologia, maquinário e grandes quantidades de insumos, dentre eles fertilizantes e pesticidas.

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A Tabela 4 mostra a área plantada das principais lavouras da região, no município de Primavera do Leste nos anos de 1995 a 2002 de acordo como o IBGE (2004). Observa-se um grande crescimento nas áreas plantadas de algodão, soja e feijão neste período, sendo a área de soja superior a três vezes a soma das demais culturas.

Tabela 4 – Área plantada, em hectares, de algodão, arroz, feijão, soja, milho e sorgo nos anos de 1995 a 2002, no município de Primavera do Leste

Ano / área plantada (ha) Cultura 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Algodão 413 500 792 5.720 13.289 16.690 24.488 20.600 Arroz 6.990 8.240 6.792 4.000 20.100 10.100 5.000 4.800 Feijão 189 231 241 319 2.499 1.170 3.400 5.000 Milho 19.806 31.843 39.708 32.000 25.309 37.393 32.000 35.000 Soja 167.445 147.352 143.329 159.000 146.000 170.000 183.000 220.000 Sorgo 3.000 4.540 7.980 5.000 2.000 2.500 7.000 7.000

Como pode ser visto na Tabela, o plantio de algodão é outra atividade agrícola que vem despontando na região. Quanto ao rebanho bovino, o diagnóstico sócio-econômico do Estado de Mato Grosso (UFMT, 1998) relata uma redução de 103.398 cabeças em 1995 para 95.251 cabeças em 1996.

Com relação à área desmatada na região de Primavera do Leste (municípios de Primavera do Leste e Campo Verde), até 1994, havia uma área de 2.304,6 km2 de vegetação natural contra 5.482,43 km2 de área desmatada. Observa-se então um alto índice de ocupação da região (UFMT, 1998).

A presente área foi escolhida para desenvolvimento deste estudo, considerando, então, que:

a cidade de Primavera do Leste é circundada por áreas agrícolas com as características descritas acima;

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alguns pesticidas usados na região, como as triazinas simétricas, podem ter um tempo de residência em águas subterrâneas de 10 a 20 anos (SHESTOPALOV; MOLOZHANOVA, 1992);

o abastecimento de água na cidade pelo DAE é precário e a água distribuída não é tratada (sofre somente cloração);

a população urbana utiliza também água de poços particulares, não muito profundos, para uso doméstico (sem tratamento) e

estudos sobre contaminação de águas subterrâneas, em diversos países, têm detectado resíduos de pesticidas.

2.8 Herbicidas estudados

Como foi mencionado na introdução, um dos objetivos do presente estudo foi levantar os pesticidas usados nas proximidades do núcleo urbano de Primavera do Leste e, a partir deste levantamento, selecionar aqueles a serem analisados em amostras de água. Neste item está apresentada uma revisão sobre os herbicidas escolhidos segundo os critérios apresentados no item 3.1 (Material e Métodos).

2.8.1 Atrazina

Nome químico: 6-cloro-N-etil-N-isopropil-1,3,5-triazina-2,4-diamina Estrutura química: N N N Cl N N H H CH 2C H3 C CH 3 CH3

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A EXTOXNET (1998b) apresenta um resumo das propriedades químicas, físicas, toxicológicas e comportamento no ambiente da atrazina, cujos aspectos relevantes para este estudo estão apresentados a seguir.

A atrazina é um herbicida pós-emergente seletivo, do grupo das triazinas, usado para controlar ervas de folhas largas em culturas de milho, sorgo, cana-de-açúcar, dentre outros. A atrazina é absorvida pelas plantas, principalmente pela raiz, mas também pelas folhas. Uma vez absorvida é translocada para cima e se acumula nos brotos e folhas novas. Em plantas susceptíveis, age inibindo a fotossíntese, enquanto em plantas resistentes, a atrazina é metabolizada.

A atrazina é moderada a altamente móvel no solo, especialmente quando o solo tem baixo teor de argilas e de matéria orgânica. É fracamente adsorvida a partículas do solo (Koc = 124 mL g-1) e neste, tem uma meia-vida de 60 a mais de 100 dias, apresentando alto potencial de contaminar águas subterrâneas mesmo sendo moderadamente solúvel em água (33 µg mL-1). Entretanto, não é normalmente encontrada abaixo de 30 cm no solo, mesmo após anos de uso contínuo. O principal caminho de degradação deste herbicida é a hidrólise seguida pela ação de microrganismos no solo sendo que a hidrólise ocorre mais rapidamente em ambientes fortemente ácidos ou básicos e mais lentamente em pH neutro. A atrazina é também susceptível à fotodecomposição e volatilização quando sob altas temperaturas e exposição a luz solar prolongada após ocorrência de chuvas, mas estes efeitos são pequenos sob condições ambientais normais. A atrazina pode persistir por mais de um ano sob condições que não sejam favoráveis à hidrólise e atividade biológica, como clima seco e frio.

Panshin, Carter e Baylles (2000) analisaram atrazina, DIA, DEA, DIDEA e HA em amostras de água percolada em lisímetros com profundidades de 0,9 e 1,5 m, em Indiana, EUA, nos anos de 1994 e 1995. A atrazina e seus produtos de degradação foram transportados rapidamente através da zona vadosa, com valores máximos de atrazina variando de 2,61 a

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8,44 g L-1 de 15 a 57 dias após a aplicação, a 1,5 m de profundidade. As concentrações máximas dos produtos de degradação ocorreram de 11 a 140 dias após aplicação, sendo que estes se mostraram mais persistentes do que a atrazina em água intersticial do solo. O DEA foi o produto de degradação predominante no primeiro ano e o DIDEA no segundo.

Laabs et al. (2002b) encontraram para a atrazina uma meia-vida de dissipação no campo de 7,4 dias em Latossolo e de 2,2 dias em Neossolo Quartzarênico na região do Planalto dos Guimarães em Mato Grosso, o que pode ser explicado pela maior permeabilidade deste último por ser um solo arenoso, no qual a lixiviação deve ter sido a maior responsável por esta diferença. Conforme enfatizam os autores, estes valores são muito inferiores aos dados de dissipação em campo em ambiente temperado, provavelmente por uma maior volatilização e degradação nas temperaturas mais elevadas onde o estudo foi desenvolvido.

A degradação da atrazina em solo tem sido amplamente estudada, ocorrendo tanto a degradação química como microbiana sendo que as condições ambientais irão determinar que mecanismo irá predominar. Os principais processos metabólicos/degradativos deste herbicida no solo são a substituição do cloro pela hidroxila formando hidroxi atrazina (Figura 10), que é atribuída à hidrólise química e a desalquilação que parecem ser a primeira etapa da degradação microbiana. Também tem sido citada a desalquilação da hidroxi atrazina (ROBERTS et al., 1998).

Segundo Roberts et al. (1998), em vários estudos, os principais produtos de degradação isolados são a hidroxi atrazina (HA), a desetil atrazina (DEA) e a desisopropil atrazina (DIA).

A atrazina é somente levemente tóxica para pássaros, peixes e outras formas de vida aquática, podendo bioacumular em peixes em níveis até 11 vezes mais altos do que a concentração presente na água onde vive, o que é um nível baixo de bioacumulação. Também, não é tóxica para abelhas.

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N N N N N N N N N N N N N N N N N N N N N N N N Cl Cl Cl Cl HO HO HO HO NH2 NH2 NH2 NHCH2CH3 NHCH 2CH3 NHCH2CH3 NHCH2CH3 NH2 NH2 NH2 NH2 NH2 NH2CHCH3 CH3 NH2CHCH3 CH3 NH2CHCH3 CH3 NH2CHCH3 CH3 (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)

Figura 10 – Esquema da degradação e metabolismo da atrazina em solo: (1) atrazina; (2) desisopropil atrazina; (3) hidroxi atrazina; (4) desetil atrazina; (5) hidroxi desetil atrazina; (6) hidroxi desisopropil atrazina; (7) desisopropil desetil atrazina; (8) hidroxi desisopropil desetil atrazina (Modificado de Roberts et al., 1998)

Com relação à sua toxicidade aguda, é leve a moderadamente tóxica para humanos e animais. Pode ser absorvida indo para a corrente sangüínea por exposição oral, dérmica e inalação. É um irritante dérmico leve. Os sintomas de intoxicação incluem dor abdominal, diarréia e vômito, irritação dos olhos e das mucosas além de possíveis reações dérmicas. Em doses orais elevadas, ratos exibem fraqueza muscular, hipoatividade, dificuldade respiratória, prostração, convulsão e morte.

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No que se refere à toxicidade crônica, foram observadas mudanças morfológicas e biológicas no cérebro, coração, pulmões, rins, ovários e órgãos endócrinos de ratos que receberam doses orais de 20 mg kg-1 dia-1 durante 6 meses (DL50 oral para ratos = 672 a 3000 mg kg-1). Não foram observados efeitos teratogênicos nem mutagênicos, no entanto a USEPA classifica a atrazina como um possível agente carcinogênico para humanos (USEPA, 1996).

A atrazina foi classificada pela USEPA como pesticida de uso restrito, por apresentar alto potencial de contaminação de águas subterrâneas. O nível máximo estabelecido para águas potáveis (HAL = Lifetime Health Advisory Level) é de 3 µg L-1 (USEPA, 1996). À luz do conhecimento atual, águas que contenham concentrações de atrazina igual ou abaixo deste limite são consideradas aceitáveis para consumo diário ao longo de toda a vida, sem representar riscos para a saúde.

A atrazina tem seu uso proibido em oito países da Europa, sendo a França o último país a banir o uso deste herbicida devido a sua ocorrência freqüente em águas subterrâneas em níveis superiores ao limite de 0,1 g L-1 estabelecido pela Comunidade Econômica Européia (EPA REFUSAL, 2001).

2.8.2 Simazina

Nome químico: 6-cloro-N,N-dietil-1,3,5-triazina-2,4-diamina Estrutura Química: CH2CH3 CH2CH3 H H N N Cl N N N

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Segundo a EXTOXNET (1998c), a simazina é um herbicida pós-emergente seletivo do grupo das triazinas. É usado para controlar ervas de folhas largas e capins em campos, e na agricultura. As plantas absorvem a simazina principalmente pelas raízes, com pouca ou nenhuma penetração foliar. A partir das raízes é translocada para cima para os caules, folhas e brotos. Age inibindo a fotossíntese. Enquanto plantas resistentes à simazina rapidamente metabolizam-na, plantas sensíveis acumulam-na, sem alteração. É possível que animais que ingiram capins tratados com simazina sejam intoxicados.

No ambiente, a simazina é persistente e não adsorve fortemente a partículas do solo (KOC = 115 mL g-1). Devido à sua longa meia-vida no solo (36 a 234 dias em solo areno- argiloso; 16,3 a 25,5 semanas em solo argilo-arenoso), é um provável contaminante de águas subterrâneas; porém, sua tendência à lixiviação é limitada por sua baixa solubilidade em água (6,2 µg mL-1). É susceptível a decomposição por radiação ultravioleta, mas este efeito é pequeno sob condições ambientais normais. No solo, a atividade microbiana é provavelmente responsável pela decomposição de uma parcela significativa da simazina. Este herbicida apresenta pouco movimento lateral no solo, mas pode ser carreado juntamente com partículas edáficas. Em média, a meia-vida da simazina em lagos é de 30 dias.

É relativamente estável em meio neutro ou levemente ácido ou levemente básico mas se hidrolisa rapidamente me valores altos ou baixos de pH. A simazina apresenta em comum com as outras clorotriazinas, a conversão a hidroxi simazina e a desalquilação formando a desetil simazina que é estruturalmente igual ao produto de degradação da atrazina a desisopropil atrazina.

A simazina é altamente tóxica se inalada, moderadamente tóxica se ingerida e levemente tóxica via exposição dérmica. Os sintomas de intoxicação incluem dificuldade para caminhar, tremor, convulsão, paralisias, cianose, respiração lenta, miose, diarréia e função adrenal prejudicada (ROBERTS et al., 1998).

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A meia-vida de dissipação em campo da simazina em Latossolo é de 16,9 dias e em Neossolo Quartzarênico é de 4,4 dias, ambos determinados na região da Chapada dos Guimarães em Mato Grosso (LAABS et al., 2002b). À semelhança da atrazina, essa dissipação é muito mais rápida do que em clima temperado.

Com relação à sua toxicidade crônica, ratos alimentados com simazina na dose de 100 mg kg-1 dia-1 por 6 meses (DL50 > 5000 mg kg-1), tiveram redução no ganho de peso, aumento da contagem de glóbulos brancos no sangue, redução da atividade sangüínea da colinesterase e deterioração e inflamação do estômago. Não foram observados efeitos teratogênicos. Testes de mutagenicidade em culturas de células do pulmão humano produziram tanto resultados positivos como negativos. A USEPA classifica a simazina como um possível agente carcinogênico para seres humanos (USEPA, 1996).

O limite máximo de simazina em água potável, estabelecido pela USEPA (USEPA, 1996), (HAL = 4 µg L-1) inclui um fator de segurança adicional devido ao risco de câncer em humanos.

2.8.3 Metribuzim

Nome químico: 4-amino-6-tert-butil-4,5-dihidro-3-metiltio-1,2,4-triazin-5-ona Estrutura química: N N N O NH 2 SCH3 (CH 3)C

A metribuzim é um herbicida pós-emergente seletivo do grupo das triazinonas; age inibindo a fotossíntese. É usado para controlar ervas de folhas largas e capins em campos, e na agricultura. A metribuzim é absorvida pelas folhas quando as plantas recebem tratamento

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aéreo, mas a principal rota de absorção pelas plantas é através das raízes. A partir das raízes é translocada para cima ficando concentrada nas raízes, caules e folhas das plantas tratadas (EXTOXNET, 1998d).

A metribuzim é altamente solúvel em água (1.050 mg L-1) e tem baixa tendência de ser adsorvida na maioria dos solos (KOC = 60 mL g-1). A USEPA classifica a metribuzim no grupo dos compostos pesticidas que apresenta maior potencial de ser lixiviado e contaminar águas subterrâneas. O principal mecanismo de decomposição da metribuzim no solo é a degradação microbiana. As perdas por volatilização ou fotodegradação são insignificantes em condições de campo. A meia-vida da metribuzim no solo varia de acordo com o tipo de solo e condições climáticas, sendo que foram relatadas meias-vidas de menos de um mês a mais de seis meses. Em águas de lagos, a meia-vida da metribuzim é de aproximadamente sete dias. A meia-vida da metribuzim por hidrólise é de 9 a 28 semanas.

Este herbicida é moderadamente tóxico para humanos por via oral, dérmica ou respiratória. Ratos envenenados com metribuzim mostraram sedação e dificuldade de respiração. Em uma única dose a metribuzim parece deprimir o sistema nervoso central. Não foram observados efeitos teratogênicos, atividade mutagênica ou influência sobre a reprodução, e ainda permanece não classificada pela USEPA em relação à carcinogenicidade pela inexistência de estudos conclusivos (USEPA, 1996).

O HAL para águas potáveis estabelecido para a metribuzim é de 100 µg L-1 (USEPA, 1996).

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2.8.4 Metolacloro Nome químico:2-cloro-6’-etil-N-(2-metoxi-1-metiletil)acet-o-toluidida Estrutura química: CH 3 N CCH2Cl CHCH 2OCH3 CH 3 H 3CH2C O

A apresenta um resumo das propriedades químicas, físicas, toxicológicas e comportamento no ambiente do metolacloro, cujos aspectos relevantes para este estudo são apresentados a seguir.

Metolacloro é herbicida pré-emergente do grupo das acetoanilidas, usado para controlar certas ervas de folhas largas em lavoura de milho, soja, amendoim, sorgo, batata, algodão, dentre outras. Age inibindo a síntese de proteína, de modo que lavouras com alto teor de proteínas podem ser afetadas pelas aplicações de metolacloro. É absorvido pelos brotos logo acima da semente e pode ser absorvido a partir do solo através das raízes. É um inibidor do crescimento afetando a raíz e o crescimento dos brotos após as sementes haverem germinado (EXTOXNET, 1998e).

O metolacloro é móvel no solo, sendo facilmente lixiviado e resiste à degradação por longos períodos de tempo. Sua degradação é afetada pela temperatura, umidade, atividade microbiana, lixiviação, tipo de solo, nitrificação, concentração de oxigênio e luz solar. O metabolismo no solo ocorre tanto por microrganismos aeróbios como anaeróbios. A decomposição por ação da luz é outro caminho importante. Se este herbicida for incorporado ao solo, então a degradação por fotólise é mínima. Muito pouco metolacloro é perdido por volatilização. É resistente à degradação em água numa larga faixa de acidez. A 20 °C, sua

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meia-vida em águas altamente ácidas é de 200 dias e em águas básicas é de 97 dias, sendo também relativamente estável em águas sob luz solar natural. O metolacloro tem potencial de contaminar águas subterrâneas, devido à sua alta solubilidade em água (488 mg L-1), e a lixiviação é maior se as partículas do solo forem grossas e se o nível freático for raso.

O principal caminho metabólico envolve o deslocamento nucleofílico do cloro pela hidroxila sendo este o principal metabólico detectado em estudos com lisímetros em laboratório (ROBERTS et al., 1998).

Em um estudo realizado na região da Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, Laabs et al. (2002b) determinaram uma meia-vida de dissipação em campo de 20 dias em Latossolo e de 7,9 dias em Neossolo Quartzarênico.

O metolacloro não é muito tóxico para seres humanos. É mais perigoso quando inalado do que quando ingerido. Os sinais de intoxicação por metolacloro são espasmos abdominais, anemia, respiração curta, urina escura, convulsões, diarréia, fraqueza, náusea, suor e tontura.

Com relação à toxicidade crônica, foi observado que este composto é capaz de causar efeitos tóxicos crônicos em níveis de exposição substancialmente menores do que aquele que causa toxicidade aguda. Foi observado pouco ou nenhum efeito sobre a reprodução. Não apresentou evidências de teratogênese nem mutagênese, mas é classificado como um possível agente carcinogênico para seres humanos (USEPA, 1996).

O HAL para águas potáveis, estabelecido para o metolacloro, é de 70 µg L-1 (USEPA, 1996).

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2.8.5 Trifluralina

Nome químico: , , -trifluoro-2,6-dinitro-N,N-dipropil-p-toluidina Estrutura química: CF 3 NO 2 NO 2 N(CH 2CH2CH3)2

A trifluralina é um herbicida pré-emergente seletivo, do grupo das dinitroanilinas, usado para controlar ervas de folhas largas em uma grande variedade de lavouras de vegetais e grãos. Age inibindo o crescimento de raízes e brotos quando absorvida pela raiz de sementes de ervas recém-germinadas. A trifluralina não é translocada para as folhas e frutos da maioria das plantas de modo que resíduos deste herbicida somente ocorrem nos tecidos das raízes que tenham tido contado direto com o solo contaminado (EXTOXNET, 1998f).

Herbicidas do grupo das dinitroanilinas não se movem muito no solo, mas permanecem no local aplicado. A trifluralina adsorve fortemente às partículas do solo (KOC = 6.417 mL g-1) e é praticamente insolúvel em água (0,0002 g L-1), sendo pouco provável que ocorra lixiviação e contaminação de águas subterrâneas. A trifluralina degrada- se pela ação de microrganismos do solo, sofre decomposição por ação da luz ultravioleta e pode volatilizar-se.

Laabs et al. (2002b) encontraram uma meia-vida de dissipação da trifluralina no campo, na região de Chapada dos Guimarães de 4 dias em Latossolo e de 1,5 dias em Neossolo Quartzarênico, valores estes muito inferiores àqueles reportados em clima temperado. Este herbicida é relativamente volátil e sua dissipação deve ter ocorrido principalmente por volatilização devido às altas temperaturas da região de estudo.

Benzer Belgeler