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Nesta seção, abordaremos, de forma geral, as constantes demandas profissionais e pessoais que se apresentam de forma entremeada no cotidiano das mulheres executivas entrevistadas para este trabalho. Os aspectos relatados pelas mulheres caracterizam a dinâmica profissional das participantes, como a relevância atribuída ao papel do trabalho e a falta de tempo para interesses pessoais, fatores que colaboram para a melhor compreensão do contexto em que estas mulheres atuam. Na seção anterior, ficou evidente a importância que as mulheres executivas atribuem ao trabalho. Veremos, agora, como ele influencia no cotidiano dessas mulheres.

Demandas profissionais

Quando questionadas a respeito do cotidiano da mulher executiva, as entrevistadas abordaram diversos tópicos a respeito da necessidade de lidar com as demandas da empresa. As demandas são causadas pelas exigências do cargo, associadas à imagem do profissional executivo, às viagens constantes, à intensa carga de atividades e reuniões, fatores que tornam a rotina e o ritmo de trabalho estressantes na visão de nossas entrevistadas. Essas demandas caracterizam o trabalho da mulher que ocupa o cargo executivo.

Iniciaremos relatando a exigência do cargo com relação à questão da aparência e da imagem da mulher executiva. Segundo as entrevistadas, os tópicos foram discutidos como aspectos a serem gerenciados durante o cotidiano destas mulheres. Sobre o tema, Marisa, 49 anos, comenta:

Nivel de executiva e se sua bolsa e de grife, se a sua unha esta bem feita, se seu cabelo esta bem feito, tem essa exigência da função. Se você tem um cargo de alta executiva e você não tem uma bolsa de grife, não me venha dizer que tudo e facil e você comprou uma bolsa da [rua] Vinte e Cinco de Março, não rola. Vão olhar pra você e dizer: “tem algo de errado nessa foto”. Você não precisa estar com uma bolsa Channel, mas você representa codigos, e o codigo de conduta de uma mulher executiva e estar bem vestida, maquiada, bem arrumada, com as unhas feitas, uma boa bolsa, um bom sapato. Quando eu falo grife e inerente disso, mas a gente ta falando de mulheres executivas em cargos executivos, você ser vista como desleixada e muito ruim pra sua imagem, você e a imagem que você constrói.

Marisa comenta sobre a necessidade de estar com a unha feita, com maquiagem, com o cabelo arrumado, portando uma bolsa de grife e exibindo bons sapatos. Este é o retrato

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da mulher executiva. É a imagem que ela deve construir e transmitir como uma profissional. A insatisfação por sentir-se presa a este padrão foi recorrente durante as entrevistas. Carolina, 49 anos, demonstra descontentamento com relação à exigência do dress code quando ocupava um cargo executivo:

Tinha uma coisa relacionada ao dress code... tinha que se vestir bonitinha... isso, pra mim, era um saco.

Cacilda, 63 anos, que hoje atua como consultora, admite que não se sente mais pressionada a seguir as exigências com relação à imagem executiva:

Eu não sou mais escrava de estar superbem arrumadinha, bonitinha, toda emperiquetada pra fazer frente a alguma coisa, as pessoas ja conhecem a minha qualidade, meu trabalho, eu não faço propaganda do meu trabalho e nem nunca fiz.

Cacilda enfatiza que, atualmente, na carreira de consultora, não é mais “escrava” dos padrões associados à imagem executiva. A partir das declarações acima, é possível perceber que seguir as exigências do cargo com relação à aparência e vestimenta fazem parte do cotidiano da mulher executiva. Em algumas ocasiões, as mulheres alegam que se sentem, até mesmo, mais cobradas do que os homens nestes quesitos. Posicionar-se como uma mulher executiva, parece ser, na visão delas, mais trabalhoso se comparada a um homem que ocupa a mesma função. Questionada sobre a influência da aparência na atividade do profissional executivo, Anita, 45 anos, que atualmente trabalha como consultora, reconhece sua importância:

Influencia totalmente. Você jamais ia me ver desse jeito... eu tomei banho, lavei o cabelo e ficou pra falar com você, que eu fui correr e ficou assim. Mas jamais eu poderia trabalhar, sair pra trabalhar assim, eu acho que pro homem o que e diferente... mas ele tem que estar arrumado também, mas mulher tem que estar com a mão feita, porque o jeito que você se apresenta e um reflexo do que você quer passar.

No entanto, esta é somente uma das exigências do cargo executivo a qual às mulheres se veem sujeitas. As longas horas de trabalho e as contínuas reuniões fazem parte do cotidiano de nossas entrevistadas. Rachel, 46 anos, comenta sobre sua experiência:

A rotina e muito longa na empresa, a empresa demanda muito, eu fico ate o final, as vezes meu marido chega em casa antes de mim. Talvez pela minha função, eu tenho prazos. Tenho muita, mas muita reunião. Gerencio muitas unidades de negocios.

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Tem epocas que você fala: “eu acho que não vou aguentar”, você esta caindo ja dura. E ai que eu acho que a gente negligencia um pouco a parte de saude propria, você começa a se dedicar a muitas coisas, e acaba não fazendo coisas que são pra você.

E Marisa, 49 anos, parece justificar:

No meu nivel hierarquico ninguem trabalha das 8 as 17 horas. Essa e outra questão que todo mundo tem que se conscientizar, que não e o fato de você querer o equilibrio, e a função que você exerce. Você não vai ser CEO trabalhando das 8 as 17 horas, sendo homem ou mulher.

Os achados referentes à rotina exaustiva das mulheres executivas entrevistadas para este trabalho são semelhantes à descrição do cotidiano de mulheres em gerência intermediária identificados no trabalho de Morgado (2012). A autora mostrou que o cotidiano de trabalho daquelas mulheres era marcado por longas jornadas, um ritmo intenso e acelerado, que, muitas vezes, extrapolava o espaço da organização e adentrava a esfera da casa. Outro tópico que surgiu durante a discussão a respeito do trabalho executivo, neste estudo, é o estresse causado pela responsabilidade do cargo, pela pressão por resultados e pela demanda de atividades. A centralização do trabalho também foi um tópico referente ao cotidiano da mulher executiva. Sobre o tópico, Tarsila, 46 anos, comenta:

Como eu tenho um cargo de chefia, com muita responsabilidade e pouquissimas pessoas... antigamente a gente tinha revisor, checagem, que eram as pessoas que checavam as informações. Hoje não tem mais nada disso, sou eu a ultima pessoa. E muito estressante.

Em algumas ocasiões, o estresse também esteve associado às constantes viagens demandadas pela empresa. Fabiola, 46 anos, inclusive, diz que está começando a se cansar desta realidade:

Estou ha 5 anos la nesse mundo corporativo que e uma loucura porque você dorme duas ou três vezes por semana na sua cama, os outros dias você dorme no Ceara, Salvador, você mora em Porto Alegre, ai tem que ir pros Estados Unidos, tem que ir pra Europa trabalhar, enfim, viaja muito, e uma pressão imensa, de BID, de target, de milhões de outros nomezinhos que eu posso te dar que eu te confesso que agora eu estou começando a cansar, porque esse mundo corporativo e um mundo muito estressante pra quem tem um cargo de diretoria, uma exigência muito grande...

Note como Fabiola descreve como se apresenta o mundo corporativo: “loucura”, “pressão imensa” e “estressante”. Adriana, 50 anos, relata um caso emblemático a respeito das constantes viagens demandadas pelo mundo corporativo:

Um dia eu acordei e olhava pras paredes e eu não sabia onde eu estava, não sabia que hotel era aquele, que cidade que era, e muito estranho e liguei na recepção e falei pra moça: “Que cidade eu estou?”. Ela

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deve ter me achado uma doida, ela disse: “Como assim, senhora?”. E eu: “Me desculpe, mas que cidade eu estou?”. Ela respondeu e eu disse: “Obrigada, era isso que eu queria saber”. Porque eu perdi a referência, eu não sabia mais onde eu estava, ai liguei pro meu diretor e falei: Eu preciso voltar pra São Paulo, eu preciso voltar pra minha vida.

Adriana, de tanto viajar, em determinado momento, não reconheceu onde estava. Ela perdeu a referência. Parece que a entrevistada perdeu o controle sobre sua própria vida ao cedê-la às demandas profissionais. “Eu preciso voltar pra minha vida”. Era este o desejo de Adriana. Assim como ela, outras mulheres comentaram a respeito dos efeitos das constantes viagens realizadas a trabalho. De forma geral, as viagens as ausentaram de casa. No caso de Leila, 50 anos, a ausência de casa impediu que ela tivesse filhos:

Essa questão de ter que viajar demais... e ai eu digo que não tive filhos, porque não deu tempo de fazer, porque cada hora eu estava em um lugar diferente, então essa questão tambem e complicada, porque para eu ter filhos eu tinha que sair de onde eu estava, porque vai chegando numa idade que você tem que... naquele periodo que você esta ovulando, você tem que estar em casa pra poder namorar, então algumas decisões na minha vida... eu não tive filho, hoje sou bem resolvida com isso, mas foi uma escolha ne, eu acabei olhando pra carreira e não olhando para essa questão de filhos (...). Então a minha vida sempre foi de andarilha ne, viajando e crescendo.

O reconhecimento como “andarilha” também foi compartilhado por outras mulheres, além de Leila. No caso de Nise, 58 anos, as viagens a afastaram de seus filhos:

Ai eu ja estava ha 13 anos trabalhando com isso e eu não via mais meus filhos ne, meus filhos crescendo, crescendo e eu não via nada, porque era realmente uma fase de muita viagem.

A partir das declarações, é possível perceber que as mulheres entrevistadas enfrentam dificuldades relacionadas às exigências do cargo executivo que interferem, diretamente, nos aspectos pessoais de suas vidas. As demandas afastam-nas de suas casas, de seus filhos e de seus próprios interesses. No caso de algumas executivas solteiras, a percepção é de que elas são ainda mais requisitadas para viajarem a trabalho ou para serem expatriadas pelo baixo custo a elas associado. Marisa, 49 anos, é solteira e comenta:

Quando eu estava nessa agência e ai e o fato de você ser solteira e falar varios idiomas, toda hora me ligavam: “Você não quer morar fora de novo?”. Alem de tudo, no mundo executivo eu sou barata, porque eu sou uma expatriada que não leva filho, não leva marido, que não tem que pagar escola, que não tem que pagar um montão de coisa, eu vou com a roupa do corpo (...). Existe um preconceito por ser mulher solteira, muito.

A entrevistada alega o preconceito por ser solteira no mundo do trabalho. Quando questionada, a respeito de como ela lida com essa questão, a entrevistada respondeu:

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Às vezes eu topo e as vezes eu mando tomar no cu. Isso acontece e, obviamente, eu ser expatriada por ser solteira, não e questão de ser mulher ou homem, de ser solteira, ser sozinha, eu sou mais barata. Mas essa questão de você ser executiva, de você não ter filhos e as pessoas olharem pra você e você dizer: “Eu quero ir embora às 8 horas da noite”. “Ah, mas você não tem filho pra ir buscar na escola”. Eu falo: “Não, mas eu quero ir ao cinema, quero fazer a unha, quero ser feliz, quero namorar”.

O estudo de Moore e Radtke (2015) mostrou que o status de “mulher solteira” continua sendo uma “identidade deficiente”, ou seja, que não é uma circunstância em si só, mas sim um termo definido por aquilo que não é – casada e com família. Em nosso estudo, esta concepção ficou evidente quando mulheres executivas solteiras, como Marisa, comentaram que acabam sendo lembradas para suprirem demandas da empresa, uma vez que são vítimas do pressuposto de que não possuem compromissos pessoais e familiares, como marido e filhos. Ao mesmo tempo em que Marisa comenta que se sente pressionada para atender às demandas profissionais por ser solteira, ela também reconhece que a decisão em seguir uma carreira internacional a afastou de possibilidades afetivas:

Então, eu tive sempre essa vontade de ter carreira internacional, isso e uma coisa que eu sempre desejei. E quando eu fiz intercâmbio e depois fui fazer mestrado, eu tinha esse objetivo e claro que com esse objetivo você sacrifica outras coisas (...) eu não queria casar com estrangeiro, então eu quase não namorava... eu namorava, mas.... porque se você casar com estrangeiro e ter filho, e uma responsabilidade muito grande, então eu fui sempre muito consciente disso, e acabei me fechando pra esse lado emocional porque eu sabia, carreira internacional... a não ser que eu me apaixonasse por um brasileiro (...) eu gostaria de ter tido filhos, não tenho essas coisas e nem tenho nada mal resolvido, mas foram escolhas e eu sei o preço que eu paguei por essas escolhas.

Nota-se, a partir da fala de Marisa, que uma das consequências das demandas profissionais constantes é a dificuldade no relacionamento afetivo entre homens e mulheres executivas. As entrevistadas pontuam diversos motivos relacionados às demandas profissionais e situações que podem prejudicar a relação amorosa: a intolerância do marido com relação às viagens e à rotina de trabalho da mulher, o ciúme por conta da exposição da executiva e até mesmo a disputa de poderes entre o casal. Virgínia, 52 anos, relata:

Essa e uma questão negativa, porque quando a mulher brasileira se dedica muito ao profissional, o homem brasileiro não entende muito bem. Essa minha profissão demandou muitas viagens, muitos trabalhos ate tarde, preocupação, estresse, pouca paciência em casa (...). O homem brasileiro entra em competição, não pode se destacar mais do que ele, a mulher não pode ganhar mais do que ele.

As dificuldades em estabelecer uma relação amorosa com homens, ocasionaram, muitas vezes, o rompimento de laços afetivos. Adriana, 50 anos, conta sua experiência:

Eu terminei um relacionamento faz uns 6 meses, porque ele não conseguia entender... o homem e machista ne? Ele não conseguia entender que, em determinados momentos, eu estava viajando. Eu não

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tive muitos relacionamentos, eu tive poucos, mas os relacionamentos que eu tive o que eu ouvia deles... Eles não conseguem acreditar que uma mulher possa ter uma vida itinerante de maneira seria e coerente, sabe aquela coisa de um amor em cada porto?

Marta, 41 anos, rompeu o casamento por conta do machismo do ex-marido:

Queria ficar casada, so que ele era muito complicado, muito machista, tambem em relação ao meu trabalho... totalmente... ciumento, então eu ficava naquele negocio que eu não conseguia sair daquilo, então chegou uma hora que eu falei: “Eu quero poder viajar em paz, ficar ate tarde no trabalho se eu precisar e quero ter a minha vida”. E foi uma decisão dificil, eu lembro que eu demorei 2 anos pra poder de fato separar e eu consegui. Depois que eu separei eu decolei.

Agatha, 51 anos, acredita que o excesso de trabalho tenha impactado em seu divórcio e que sua posição como executiva acaba por dificultar o convívio social:

Às vezes, eu converso com eles [homens] e eles falam: “E ai você ta namorando?”. Eu falo: “Não”. Eles falam: “Você e uma mulher incasavel, você tem muito trabalho pra cuidar pra casar, porque casamento da trabalho tambem, porque pra você cuidar do casamento, tem que cuidar da casa, do marido, dar atenção”.

Note como os acontecimentos diretamente relacionados às demandas do trabalho interferem na esfera pessoal das entrevistadas. O ritmo de trabalho intenso influencia nas relações familiares, quando as afastam de casa, e exige que a mulher lide com o estresse diário. A criação dos filhos e as relações amorosas, muitas vezes, se fragilizam. No entanto, as mulheres não necessitam atender somente às demandas profissionais. As demandas pessoais também são constantes e diversas. A partir de agora, trataremos dessa dimensão, que não se mostra separada, mas sim inter-relacionada aos aspectos profissionais do cotidiano das nossas entrevistadas.

Demandas pessoais

Um dos pontos referentes à dinâmica da mulher executiva trata-se das demandas pessoais que, aliadas às demandas profissionais, tornam o cotidiano ainda mais sobrecarregado. Morgado (2012) também identificou que o ritmo intenso do dia a dia se entrelaça com o ritmo intenso do trabalho, gerando, como consequência, o esgotamento físico. Veremos, neste trabalho, que as demandas profissionais não somente influenciam os aspectos pessoais, mas esses também se apresentam, por si só, extremamente demandantes na visão das entrevistadas. Lina, 53 anos, ilustra que a principal dificuldade é assumir as responsabilidades da empresa e, ao mesmo tempo, as responsabilidades familiares:

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A maior dificuldade e ser o centro de varios nucleos. Eu tenho que ser o centro dos filhos, do trabalho, você tem que estar sempre motivada e passar motivação pra equipe, senão a equipe não desempenha (...). O marido requer atenção. A mulher se satisfaz com a maternidade, o marido não se satisfaz com a paternidade (...). Meu pai trabalha, minha mãe trabalha ainda, eles têm 86 anos. Mas eles precisam de muito apoio sim. Minha mãe agora caiu e quebrou a perna e eu tenho que ir la de manhã.

Lina se sente o “centro de vários núcleos” e acredita na responsabilidade que tem de lidar com as demandas familiares. A demanda do filho é constante, ainda que muitas mulheres tenham filhos crescidos. Para Rachel, 46 anos, o filho é como um trabalho integral:

Por mais que os filhos estejam maiores, não adianta, com filhos e full time job.

Além das exigências dos filhos, a mulher executiva também necessita atender as demandas dos maridos. Apesar de grande parte delas alegarem o apoio deles com relação à realização de seu trabalho (MORGADO; TONELLI, 2013), fenômeno multifacetado e crítico na vida da mulher executiva (EZZEDEEN; RITCHEY, 2008), elas comentam que também convivem com demandas exigidas por eles. Marília, 50 anos, ilustra a importância do papel do marido em seu sucesso profissional:

Por tras de uma grande executiva tem sempre um grande homem.

Teresa, 53 anos, conta seu caso:

Tem meu marido que me cobra mais, porque eu sempre trabalhei muito, então ele fala: “Que bobagem, você ja trabalhou muito, chega mais cedo, vamos jantar mais cedo, vamos fazer alguma coisa, você ainda precisa sair tarde?”.

A cobrança do marido, pela presença da mulher em casa, é um tema recorrente. Nina, 49 anos, ilustra:

Momentos em que ele [marido] me cobrava maior presença na casa, com meu filho, ainda hoje existe uma cobrança, mas e uma cobrança que ele sabe que tem que conciliar entre o que eu tenho que entregar na carreira e na empresa versus a vida pessoal.

As declarações estão alinhadas com alguns achados de Morgado (2012) sobre as cobranças do marido para mulheres em gerência intermediária. A autora identificou que o marido surge como aquele que incentiva a mulher, mas que acaba sendo preterido por ela em relação aos filhos e, no nosso estudo, também em relação à empresa, o que gera, então, cobranças com relação à sua presença. Além das demandas exigidas por filhos e marido, há

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também demandas por parte dos pais que, muitas vezes, são idosos e necessitam de maiores cuidados (SALGADO, 2002). Muitas mulheres comentaram a respeito do tempo e da atenção que despendem com eles, na medida em que, em grande parte das vezes, é difícil o acesso a serviços especializados. Valentina, 58 anos, conta:

Recentemente, eu perdi minha mãe, e agora eu e meus irmãos temos como missão cuidar do papai que ficou e que esta ai sofrendo muito, tem 90 anos, totalmente lucido, então esse e um desafio pessoal muito grande que não so eu tenho, como nos, filhos. Em que a gente ta tambem se dedicando bastante a isso tambem. Então, hoje meu tempo esta muito dedicado a isso, ao trabalho e cuidados familiares que são necessarios momentaneamente.

A declaração sugere que a necessidade de cuidar de pais idosos não é um desafio específico da entrevistada, mas que é uma tarefa que muitos filhos terão que enfrentar. Assim como Valentina, outras mulheres entrevistadas comentaram que são responsáveis pelo cuidado de pessoas idosas na família, como pais e tios, desempenhando, portanto, um novo papel social.