Nesta seção, iremos explorar, de forma geral, como se deu a trajetória profissional das mulheres entrevistadas para este trabalho. Vale ressaltar que trataremos de características que correspondem aos principais elementos que emergiram para a maioria das mulheres entrevistadas a partir de suas falas e não das especificidades encontradas. Quando existirem, as especificidades serão expostas como tal. Entendemos que as especificidades são variações de um fenômeno e, portanto, não são menos importantes do que os aspectos gerais. Neste sentido, elas não serão negligenciadas, mas servirão de apoio para a construção teórica a respeito do objeto estudado. Iniciaremos apresentando como se deu a construção da carreira destas mulheres; em seguida, as principais barreiras à ascensão profissional. Por último, abordaremos as consequências da trajetória para a mulher participante deste trabalho.
Construção da carreira
O primeiro aspecto que corresponde ao início da trajetória profissional é a caracterização da construção da carreira pelas mulheres entrevistadas. Grande parte das mulheres entrevistadas comentou sobre as dificuldades no início da carreira. Um dos pontos amplamente citados foi o “trabalhar desde cedo” e “sem a perspectiva profissional” de se tornarem executivas. Patrícia, 52 anos, começou como assistente e construiu a carreira de executiva de forma linear:
Eu comecei a trabalhar cedo, aos 15 anos, nesse periodo era a epoca que você começava como assistente de uma area e ia crescendo, crescendo, passando por todas as carreiras, junior, pleno, sênior, coordenador, supervisor, gerente, diretor, tal. Eu fui de assistente de RH a Diretora de RH nesses 25 anos.
Além de Patrícia, outras mulheres iniciaram a vida profissional como assistentes de área, secretárias, recepcionistas e algumas, ainda, optaram pelos programas de trainees. Komako, 45 anos, que também iniciou sua carreira precocemente, comenta:
Análise dos Dados 106
Comecei supercedo, muito cedo, aos 18 anos, eu estava no comecinho da faculdade e tinha um programa de trainees na xxx que por acaso não podia ser formado na faculdade, e eu passei, fui a traineee mais jovem que passou naquele ano. Foi um processo superlongo, fiquei uns 6 meses, 500 mil pessoas e passei.
Apesar de algumas mulheres terem ascendido linearmente nas empresas em que atuaram, outras, no entanto, construíram suas carreiras de forma não-linear. Algumas dessas alegam que tiveram que acompanhar seus maridos em suas carreiras e, por essa razão, tiveram que mudar de cidade e de empresa, fazendo com que a linearidade da trajetória ficasse comprometida, como, por exemplo, Aída, 62 anos:
Minha trajetoria e extremamente diversificada, porque eu fui caminhando pelo Brasil, na verdade, seguindo meu marido que sempre ganhou mais do que eu, então ele era o decisor de caminhos, e eu não posso me queixar não, porque, ao longo dessas mudanças, eu acho que não perdi nada.
Outras, que também não apresentaram uma carreira linear, simplesmente enfrentaram dificuldades associadas às áreas em que atuavam. Uma delas é Cora, 60 anos:
Então, e uma carreira que teve idas e vindas dentro de alguns mercados de trabalho, mas eu nunca parei de trabalhar.
E por que essas mulheres começaram a trabalhar desde muito jovens? Qual teria sido a motivação? Os dados demonstram que a principal motivação para o trabalho no início da carreira foi a independência financeira desejada na juventude e o incentivo dos pais para que elas estudassem e conquistassem uma profissão. O estudo, para elas, foi um aspecto importante que determinou, em certa medida, a construção de uma carreira profissional. Marília, 50 anos, conta sua história:
Eu comecei a trabalhar muito cedo, com 16 anos; não precisava, mas eu sempre quis ser uma pessoa muito independente e independente financeiramente. Então, comecei, fui desde recepcionista, caixa de banco, tive um pouquinho de... empreendi um pouco na area de confecção, enfim...
Questionada sobre a ambição profissional no início da carreira, ela responde:
Olha, eu sempre tive ambição de ser financeiramente independente e de empreender na minha vida. Mas, falar assim: vou fazer carreira, ser presidente de empresa, poder, cargos, essas coisas? Não estava na minha pauta.
Nota-se, na fala de Marília, que alcançar posições executivas não era, necessariamente, seu objetivo no início da carreira. Carmem, 54 anos, igualmente comenta:
Análise dos Dados 107
(...) eu so comecei a trabalhar pra poder pagar as minhas contas, ficar independente da minha familia, aquela coisa de que eu queria sair pro bar, restaurante, cinema, comprar a minha roupa, isso que se passava na minha cabeça. Nunca se passou na minha cabeça que um dia eu estaria aqui, trabalhando num banco de investimentos americano sendo diretora executiva, não tinha isso na cabeça, não tinha essa ambição (...) eu comecei a trabalhar como recepcionista, eu vim de uma familia muito humilde, muito simples, e ai eu terminei meu segundo grau e meus pais falaram: olha, ate aqui a gente foi. Então, eu fui trabalhar, ne, e era recepcionista como a moça que te atendeu aqui.
Nota-se, a partir das falas de Marília e Carmem, que elas não possuíam uma expectativa profissional de se tornarem mulheres de negócios. A ideia, até então, parecia inconcebível. Veremos adiante quais os principais motivos para essa falta de perspectiva profissional. Ainda que elas não desejassem se tornar executivas, grande parte das entrevistadas investiu em sua educação ao longo da carreira profissional. Cursos de pós-graduação e estudos no exterior foram amplamente citados. Tina, 53 anos, resume a importância da influência familiar no incentivo à educação para as mulheres de sua geração:
Então, a base dessas mulheres de 50, 60 anos de hoje foram familias que falavam: o estudo e fundamental (...) essa geração que foi motivada pelos pais a estudarem pelo menos, porque o estudo era uma coisa importante, essas mulheres foram construindo seu espaço e com uma necessidade de não querer mais... Você começa a estudar e não querer mais o modelo da sua mãe.
Por enquanto, os dados demonstram que a construção da carreira executiva teve como base: o trabalho precoce, a falta de perspectiva profissional, as principais atividades realizadas (estagiária, recepcionista, assistente, trainees), o desejo pela independência financeira e o incentivo dos pais para a formação educacional e profissional das mulheres entrevistadas. A partir destas características, nos perguntamos: por que as mulheres não possuíam ambição profissional, ainda que desejassem a independência financeira e estivessem sendo estimuladas a estudarem e terem uma profissão? As falas sugerem que alguns fatores foram os responsáveis por inviabilizar que isso fosse, evidentemente, possível. Apresentaremos esses aspectos a seguir, como parte de demais barreiras enfrentadas pelas mulheres à ascensão profissional.
Barreiras à ascensão
As mulheres entrevistadas relataram diversas barreiras que influenciaram a trajetória profissional e que colaboraram para inviabilizar a perspectiva profissional no início de suas carreiras. Uma delas refere-se à falta de consciência sobre suas capacidades e competências ao longo da trajetória profissional. Estes fatores caracterizam a subestimação feminina com relação às próprias habilidades profissionais. A falta de consciência surge,
Análise dos Dados 108
portanto, como uma justificativa à ausência de perspectiva profissional no início da carreira. Hilda, 44 anos, reconhece:
So que isso foi... e eu não sonhei em ser empresaria como eu estou sendo, pra onde eu quero ir? Ai fui fazer esse coaching, e ai me lembro que foi muito legal, ela me falava e eu ainda não acreditava, porque você demora ou pelo menos eu demorei. Exatamente porque eu não tive uma ambição “eu preciso chegar la, eu preciso chegar la”, eu não planejei, aconteceu, às vezes e a percepção de que eu poderia fazer o que eu quisesse, qualquer coisa que eu quisesse.
Conforme a fala de Hilda, a subestimação feminina pode ocultar o poder que as mulheres possuem de alcançar o sucesso profissional, ainda que, atualmente, ela reconheça que ela poderia ter feito o que quisesse. Para ela, a possibilidade de ocupar um cargo executivo surgiu a partir de uma perspectiva possível demonstrada por uma coaching e reforçada pelo reconhecimento profissional de seus superiores:
Alguem identificou que eu tenho capacidade de chefiar, porque eu nunca imaginei que eu tinha capacidade de chefiar, fui reporter por bastante tempo, fiz boas materias e um dia identificaram que eu podia ser chefe, eu falei: legal, vou ser então, fui sendo, fui sendo e evoluindo nessa carreira de chefe, entendeu?
Atualmente, a entrevistada Hilda se questiona o porquê de não ter acreditado há alguns anos que pudesse alcançar uma posição executiva:
E eu ja fico pensando: “Por que eu não acreditei que ha dez anos eu poderia estar aqui?” Eu deixei a vida me levar, me guiar, então isso, neste sentido, não que “oh, meu Deus”, tudo bem, agora você esta se dando conta. A noção do possivel fica mais clara e eu trabalho com meninas de 30 anos, e eu tenho vontade de falar pra elas: “Se vocês soubessem o que eu sei, cacete! Pare de gastar tempo sofrendo com bobagem que e coisa da sua cabeça e olha o poder que você tem”. Eu tenho vontade de fazer isso.
Além de Hilda, outras mulheres comentaram que inicialmente não acreditavam que poderiam se tornar mulheres de negócios e, hoje em dia, reconhecem que muitas das barreiras à ascensão a cargos executivos foram impostas por si mesmas. A própria subestimação de suas competências e habilidades foram pontos que determinaram a ausência de uma visão de sucesso. Seria, então a subestimação feminina um elemento construído que não elimina, mas reforça e que, de certa forma, reproduz a concepção de teto de vidro como barreiras à ascensão? As entrevistadas se questionam até que ponto as próprias mulheres não impõem o teto de vidro a elas mesmas ao não acreditarem e não se manifestarem diante de uma oportunidade de ascensão. Tina, 53 anos, comenta:
Análise dos Dados 109
Você so vai saber se existe teto de vidro se você falou: “Eu quero essa posição e ninguem te deu”. O problema das mulheres e que elas ficam esperando alguem convidar elas pra fazerem tal coisa, isso ta errado, porque o unconscious bias vai fazer eu chamar o homem e não a mulher, e isso.
Carmem, 54 anos, também comenta que, além de ter subestimado a própria capacidade no início de sua trajetória profissional, ela enxerga o mesmo comportamento em suas funcionárias:
(...) mas talvez porque eu mesma diante das minhas... da minha falta de consciência, sabe quando você se diminui, não diminui, se subestima, a gente sempre acha que não pode fazer, com toda mulher que eu converso... Hoje mesmo eu fui conversar com essa moça aqui, extremamente capaz, extremamente capaz e ela estava contando pra mim sem querer no almoço... ela falou assim: “É, pois e, me pediram pra eu fazer um trabalho, mas eu falei não, não posso fazer esse trabalho, não sou competente”.
Além da subestimação feminina, grande parte das entrevistadas relembra que não havia mulheres dentro das organizações que lhes permitissem se espelhar. O que elas obtinham como referência eram homens executivos que despertaram, em algumas delas, o desejo de ascensão. O que as chamou atenção foi o fato dos homens se apresentarem de forma diferente, principalmente no que concerne à aparência e às atividades realizadas. Estava aí o desejo de serem como eles. Nise, 58 anos, relata:
E e engraçado que uma vez quando a gente era mais pobrinho quando a gente começou eu e minha irmã, eu me lembro que a gente estava no aeroporto (...) e eu vi que passou um homem assim... um puta executivo... não tinha celular nessa epoca, mas ele passou com uma pasta na mão e ele escrevia, andava de um lado pro outro, ele tinha um bipe e aquele bipe tocava, tocava... e eu falei assim pra minha irmã: “Um dia eu vou ser que nem esse homem” (...) hoje eu sou muito mais do que aquele homem, quer dizer... eu sou dona de um imperio... e nessa epoca eu andava com 3 celulares e tal... Eu realmente quis ser isso e fui o que eu quis ser.
Apesar de se espelharem em modelos masculinos, como pioneiras no mercado de trabalho, estas mulheres estabeleceram seus próprios caminhos para se tornarem executivas. Valentina, 58 anos, apresenta sua experiência:
Quando eu comecei a trabalhar, os meus modelos eram masculinos, todos eles, não tinha mulheres dentro das empresas em cargos executivos, nos fomos crescendo nas empresas, então eu não tive um modelo feminino, não. E de fato, se eu puder dizer que eu me espelhei, eu não me espelhei em ninguem não, eu fui criando meu jeitão de ser, olhando aqui, olhando ali, o que da certo e o que da errado, muito mais errando do que acertando na maioria das vezes, mas teve um modelo de um gestor que pra mim tinha um alinhamento ou uma afinidade com que eu gostaria de ser como executiva, então eu olhava pra ele, ele tinha uma visão bastante humanista do mundo de negocios, e da area que ele cuidava, então, essa pessoa me inspirou, ele me inspirou...
A ausência de modelos femininos para essas mulheres também refletiu na falta de orientação a respeito de como lidar com as questões pessoais e profissionais que a carreira
Análise dos Dados 110
executiva exigia. Portanto, durante a trajetória profissional, essas mulheres experimentaram o sentimento de estarem sozinhas e de não pertencimento àquele “universo masculino”. A ausência de role model dificultou a noção do possível. Clarice, 48 anos, narra:
Então, eu olhava para cima e dizia: “Meu Deus do ceu, tô aqui sozinha, mas vamos que vamos”. Em outros paises da xxx existiam outras mulheres, então eu falava: “Então e possivel”. É muito importante para as mulheres terem a noção de que e possivel.
A entrevistada continua sua declaração e explica qual foi sua estratégia ao longo da trajetória:
(...) mas eu sempre tinha um plano na minha cabeça e o plano era: aos poucos eu vou comendo mingau pelas bordas, aos poucos eu vou ganhando esses caras, pra impor quem eu realmente sou...
Ainda hoje, algumas participantes se estabelecem como as únicas mulheres em cargos executivos nas organizações em que atuam. As falas sugerem que, em determinadas áreas, a dificuldade da inserção de mulheres a cargos executivos é ainda maior. Teresa, 53 anos, comenta:
E a minha area, ha 10 anos mais ou menos, eu fui para a area de tesouraria e essa area e dominada por homens. Pra você ter uma ideia, eu sou a unica gerente mulher nessa area.
Neste contexto, a concepção de “conquista de espaço” esteve bastante presente no início da carreira profissional destas mulheres como uma forma de sentir-se parte do universo organizacional. Valentina, 58 anos, relata os fatores que considerou importante durante esta missão:
Então, no inicio da carreira, a luta sempre e por uma conquista de espaço, então na verdade o que me desafiava era mostrar a minha competência, conquistar um espaço maior, conseguir resolver conflitos e problemas, superar desafios, aquela coisa de me desafiar o tempo todo era importante. E eu sempre fui de uma dedicação extrema ao trabalho, que eu so me dei conta poucos anos atras.
Além de maior dedicação, como um meio para conseguirem conquistar espaço dentro das organizações, principalmente no início da carreira, a maioria das entrevistadas comentou sobre o constante desenvolvimento profissional e pessoal, ao longo da trajetória profissional, para que fossem respeitadas e vistas como competentes. A busca pelo conhecimento técnico, por exemplo, mostrou-se uma forma de assegurar a continuidade da mulher no negócio. Agatha, 51 anos, explica como enfrentou a dificuldade de se impor na organização:
Análise dos Dados 111
O mais difícil era a dificuldade que a gente tinha de se afirmar ne, é uma soma da imaturidade com a entrada da mulher no mercado de trabalho, então eu tinha que provar muito mais e eu vejo que eu ia alugar uma empilhadeira e o cara me perguntava da piripoca da parafuseta, que pra ele pouco importava, o que interessava e que a maquina funcionasse, era isso que ele precisava, isso me obrigou a estudar mais, então eu acho que a gente e muito mais critica, eu acho que essa mulher e muito mais critica.
Note como a entrevistada comenta sobre a importância de “provar muito mais” sua competência no espaço organizacional, se comparada aos homens, além do fato de que esse cenário a “obrigou a estudar mais”. Logo, para grande parte das mulheres, a carreira executiva foi sendo construída ao longo dos anos a partir do enfrentamento à predominância masculina nas organizações. Francisca, 62 anos, apresenta o impacto da influência da liderança masculina na formatação de sua carreira:
Então, a gente vê na ausência do modelo mesmo, o que e conteudo e o que e continente, então a gente tinha mesmo... formatando a mulher de terninho, de tailleur, tinha que ser parecido com homem ne, executiva.
A partir da fala de Francisca, é possível observar que a influência da predominância masculina durante o processo de ascensão contribuiu para a existência de um processo de masculinização na transformação da mulher executiva a fim de se inserir no espaço organizacional, até então, dominado por homens. Os dados mostram que este processo de adaptação estava ligado ao modo de a mulher se apresentar ao universo organizacional em termos de imagem e comportamento. Carlota, 46 anos, fala sobre suas atitudes com relação ao tópico ao longo da trajetória profissional:
As mulheres começaram a ser grandes executivas na decada de 1990, que era a decada inclusive do minimalismo, da androgenia, das roupas de terninho com ombreira, cabelos curtos. Então e isso, você faz uma adaptação, você entra no mercado de trabalho como mulher, mas você se adapta e vira um mini- homem, inclusive tinham mulheres muito austeras.
A adaptação a um modelo masculino pareceu ser necessária durante a trajetória profissional para que estas mulheres fossem aceitas e respeitadas nas organizações. Uma delas comentou, ainda, que esta adaptação acarretou um questionamento sobre sua sexualidade dentro do espaço organizacional. Leila, 50 anos, é a entrevistada de que estamos falando:
Quando eu fui gerente nacional da xxx o meu diretor era homem, todo mundo era homem, a minha equipe era feminina, exceto os promotores, mas acima de mim era tudo homem. E eu tive que me masculinizar muito, sabe? Eu andava de calça e blazer o tempo inteiro, o meu chefe chegou a achar... olha que absurdo... eu ja era casada, mas ele chegou a achar que eu era ate “sapatão”. Depois que eu fiquei sabendo disso. Mas, eu precisei fazer isso pras pessoas me respeitarem, porque foi um caminho que eu encontrei pras pessoas me respeitarem.
Análise dos Dados 112
Além do processo de masculinização como uma forma de conquistar respeito no ambiente organizacional, algumas mulheres enfrentaram, ainda, o assédio sexual por parte de gestores e clientes, tornando a trajetória profissional ainda mais complicada para essas mulheres. Alice, 41 anos, abordou como isso se deu no início de sua carreira:
O fato de você ser mulher, o fato de ser uma menina, eu sempre fui muito magrinha, do cabelo liso, toda bonitinha, as pessoas me abordavam muito, as pessoas me colocavam em situações desconfortaveis, os interesses não eram profissionais, então tudo isso foi desafiante, mas eu coloquei uma coisa na minha cabeça: eu tinha que ser seria.
No caso de Fabiola, 46 anos, o assédio sexual é algo que ainda faz parte de sua vivência profissional. Ela confessou que este foi, inclusive, um dos motivos que a levou cogitar a mudança de carreira na qual vem enfrentando neste momento:
Eu acho que ser mulher na area comercial e muito complicado, entendeu? Você e assediada (...). Ai vai uma mulher arrumada, toda cheirosa, bonita, eu se fosse do lado do comprador ia falar: eu prefiro comprar celulose de você ou de um barrigudo feio que vai vir aqui? Logico, e mais agradavel, mas, eu acho que a mulher ganha menos do que o homem ainda no Brasil, acho que muitos momentos ela [a mulher] e assediada, ela e assediada, e isso e uma puta sacanagem, entendeu? Isso tambem foi uma coisa que eu