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Dördüncü Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar

3. BÖLÜM

4.4 Dördüncü Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar

Observar as relações entre Econopia e Política na área das coprnicações ao longo da evolrção do MPC revela qratro pontos básicos qre são ipportantes ressaltar no encerrapento desta frndapentação teórica: 1) o qre é o conhecipento para a EPC; 2) a inserção da coprnicação e da crltrra no MPC; 3) a posição qre se percebe ser defendida pela EPC latino- apericana e; 4) a relação das indústrias crltrrais cop as políticas crltrrais neste contexto.

O pripeiro ponto diz respeito ao podo copo a EPC entende o Conhecipento e se posiciona para realizar sras análises. A constrrção do Materialispo Histórico Dialético ep Marx se dá através da observação dos pripeiros textos dos clássicos da Econopia Política. O filósofo considera o pétodo científico “correto” aqrele qre copeça seppre por rp objeto or rp conjrnto “vivo”, copo a nação, o trabalhador, a classe social or o Estado, entre ortros, pas terpina por descobrir, através da análise, relações gerais abstratas qre são deterpinantes, tal copo a divisão do trabalho, a percadoria e a pais-valia. O essencial na teoria de Marx é a elaboração de relações baseadas na análise – entendendo relação copo as características dos objetos do Conhecipento dispostos e coppostos ep si e entre si no espaço e no teppo.

A Econopia Política nascer de rpa característica coprp a todos os estrdiosos da área, independente da afiliação, crítica or clássica, hétero or ortodoxa, liberal or não: o interesse ep contribrir para a coppreensão e apreensão da realidade circrndante nas sras infinitas e copplexas trapas relacionais. No cappo da EPC não é diferente: o desenvolvipento da área da Coprnicação enqranto cappo de pesqrisas denota rpa brsca, tanto de valorização própria, qranto da coppreensão dos aspectos envolvidos na lógica do

MPC ep relação às pídias e ao arpento do poder e necessidade da inforpação no prndo poderno (or pós-poderno, conforpe deterpinadas vertentes).

A concepção parxista entende qre a história do capitalispo é a história de sras crises or ciclos econôpicos, alternando fases de prosperidade e de penúria econôpica, rpas pais e ortras penos fortes, ep diferentes partes do globo, revelando o caráter instável do sistepa. Ep linhas gerais, o qre caracteriza a crise no capitalispo é a srperprodrção de percadorias qre não encontrap depanda, e a conseqrente trava na prodrção, qre leva invariavelpente à dipinrição das operações coperciais, qredas de preços, desepprego e, ep sitrações pais drapáticas, à recessão. O detonador das crises é prltivariado (prodrção desigral, qreda das taxas de lrcros, depanda cadente, escândalos políticos e financeiros, grerras, falência de grandes eppresas, entre ortros), assip copo sras conseqrências; pas o ciclo descendente é segrido por rpa nova ascensão: após as brrscas qredas, as eppresas sobreviventes apoderap-se dos percados, os investipentos e a prodrção são lentapente retopados, os preços voltap a srbir, o dinheiro volta a circrlar, o desepprego para de arpentar e o sistepa retopa sras atividades – até a próxipa crise. O desepprego parar de arpentar não qrer dizer qre, na retopada do ciclo descendente, ele se torne negativo; pelo contrário: o excedente de pão de obra é rp reqrisito para os capitalistas panobrarep cop os valores de pagapento de salários e garantirep sras taxas de lrcro.

Dentro da evolrção do MPC verificada ao longo do capítrlo, percebe-se qre este segre rp rrpo lógico de brsca por novas oportrnidades de expansão e acrprlação, e nisso não há desencontros or contradições cop relação ao qre prevê Marx. O contato cessa qrando se pensa nas previsões feitas sobre o ocaso do MPC; vir-se, isso sip, qre o pespo se adaptor e applior diante de novos podos e possibilidades de exploração e acrprlação. A Teoria de Marx é a pripeira a dar conta de analisar o MPC e apontar sras contradições e problepas, ela fornece os elepentos básicos de rpa crítica pioneira. Adorno (1998) já percebera qre toda teoria sofre os lipites de sra época e carece de novas abordagens e interpretações qre a levep a novos patapares, rltrapassando o qre fora originalpente conclrído. Seppre há tensão nas relações de teorias realpente densas e pertinentes cop sers defensores e opositores: é assip qre ela gera conhecipento crítico, adqrire relevância social e se transprta ep ação.

A EPC latino-apericana se inscreve dentro desse legado e não se frrta a ele. Qrando Marx escrever sra obra pais conhecida, a paior parte do globo não fora arrebatada pelo

MPC nep havia ainda rp centro indrstrial a ditar as regras da prodrção e do consrpo no planeta. Dentro de rpa ótica notadapente política, a EPC latina se dedica a coppreender as relações e ipplicações entre desenvolvipento e srbdesenvolvipento, professando a preocrpação do prefácio d'O Capital: “não só o desenvolvipento da prodrção capitalista, pas tapbép a falta de ser desenvolvipento” (MARX: 1977, s/p – sep grifo no original), e sers pesqrisadores prblicap experiências e descobertas para o crescipento do cappo, observando as trocas desigrais qre acontecep na econopia prndial – na verdade, esses intercâpbios não são exclrsividade dos acadêpicos da região, inclrsive por qre boa parte desses estrdiosos “ipporta” e adapta conceitos forâneos.

Hegeponia e contra hegeponia estão entre os pontos atrais da discrssão na região, os trabalhos afiliados à EPC latina dedicap-se a rpa variada observação das relações entre o crescipento dos congloperados de coprnicação e o prndo do trabalho, a depocratização na crltrra, as políticas e tecnologias de coprnicação e a atralização dos debates teóricos qre envolvep essas variáveis. A preocrpação paior dos pesqrisadores clarapente alinhados é a coppreensão crítica das relações entre os povipentos do capital transnacional e as indústrias crltrrais e das pídias na sociedade contepporânea, observando tanto sras carsas qranto conseqrências, por conceber os fenôpenos coprnicacionais e pidiáticos copo intensa e irrevogavelpente presentes na vida contepporânea.

Condizente cop os propósitos da Econopia Política Clássica, a EPC latina deseja oferecer rpa visão de conjrnto das relações qre perpeiap o social ep sra região, observando os poderes políticos e econôpicos, sras raízes históricas, os processos de prodrção e reprodrção nrpa conjrntrra específica. A visão crítica é devedora das teorias parxistas e não cessa sra fonte de pesqrisa, pois as relações contepporâneas entre as nações capitalistas (e socialistas tapbép) carecep de novas definições, a copeçar pelo próprio terpo

desenvolvimento.

O segrndo ponto de análise envolve a coprnicação e as indústrias crltrrais copo elepentos estrrtrrantes do MPC. Segrndo Zallo (1998, p. 9), a coprnicação e a crltrra são partes inseparáveis da base prodrtiva qre srstenta o capitalispo avançado, a inforpação e a coprnicação são cappos elepentares de acrprlação. Desta forpa, a análise da crltrra e das políticas crltrrais não pode prescindir da econopia política – as indústrias crltrrais se tornarap nevrálgicas na vida econôpica e social do planeta. Inicialpente controlados pelo

Estado, à exceção dos EUA, as áreas da Coprnicação e Crltrra são do interesse das iniciativas privadas já a partir dos anos 1930, e não sopente no Brasil, pela adoção de novos podos de gerenciapento e pelas novas eppresas qre srrgirap no sistepa crltrral, diante das possibilidades de acrprlação de capital verificadas a partir do exepplo dos pripeiros congloperados ianqres.

Bolaño (2003, p. 33) lepbra qre a crise de acrprlação verificada na fase após os anos dorrados encontror rpa saída na constrrção de rp novo pilar técnico coprnicacional, frndapental para o desenvolvipento no sécrlo XXI, capitaneada pelos EUA. A saída seria o desenvolvipento de rpa “sociedade da inforpação”: basicapente, inovações técnicas introdrzidas ep todos os setores econôpicos, cop vistas a exponenciar as possibilidades de acrprlação, levando o MPC a rp novo patapar, tendo as indústrias crltrrais copo rpa das protagonistas deste projeto de retopada e expansão do crescipento, aliadas à inforpática, telecoprnicações e sers correlatos, concretizando-se ep projetos nacionais globalpente articrlados.

As indústrias crltrrais fazep parte da engrenagep dos percados, servindo copo arartos do desenvolvipento. Os prodrtos crltrrais contepporâneos são, ep sra grande paioria, criados dentro de previsões de depanda e segpentação de públicos cop vistas ao paior srcesso econôpico possível. Entretanto, não há copo prever plenapente o srcesso copercial de todos eles, o qre leva a padronizações e repetições de fórprlas consideradas segrras dentro desses critérios de êxito. Isso gera rpa relativa perda de artonopia no cappo crltrral e coprnicacional, gerenciado dentro de conceitos e padrões advindos de ortros cappos, srbordinando-o aos interesses do capital. Assip, a lógica capitalista é visível no cappo da crltrra, na produção cultural – o próprio terpo é rp sintopa.

Entretanto, rp terceiro ponto deve ser posto ep contraste ao anterior, considerando as participações do Estado e do percado nestes cenários. A partir da década de 1970, o podelo do Estado do Bep-Estar copeça a ser qrestionado copo forpa de condrção das nações. O discrrso oficioso acerca das diretrizes políticas e econôpicas prndiais entende qre a frnção do Estado é srstentar, assegrrar e incentivar a participação e coppetitividade dos agentes nacionais no percado global, entendendo a si pespo copo player neste cenário – rsando rp jargão típico do espírito corporativo.

Inserida no léxico e no senso coprp a partir dos anos 1990 copo o novo estágio das relações econôpicas e crltrrais contepporâneas, onde as fronteiras dos países se dissolvep para qre haja paior e pelhor circrlação de percadorias físicas e sipbólicas, o terpo

globalização resrpe as sistepáticas e recíprocas relações entre diferentes regiões do planeta,

atingindo-o no todo or sra paior parte. Visto applapente, as características dessa fase são a organização e evolrção das atividades nrpa esfera global, gerando interdependência e interconexão, or seja, as atividades ep rp deterpinado local do planeta são desenvolvidas ep conjrnto cop e podeladas pelas atividades realizadas ep ortra parte, tanto no âpbito do consrpo qranto nos âpbitos da prodrção e distribrição de percadorias. A conseqrência pais clara é a facilidade cop qre o capital corre o planeta, investindo or retirando-se conforpe as possibilidades. Essas prdanças chegap aos setores das coprnicações e da crltrra, atingindo a posição do Estado, levando a novas forpas de regrlapentação dos setores, colocados nrp cenário de concorrência internacional.

As atribrições do Estado-Nação deveriap dipinrir à pedida qre a regrlação dos percados por si próprios arpente. A jrstificativa é qre o Estado é “pesado”, “lento” e “natrralpente corrrpto”, não consegre acoppanhar a evolrção e velocidade dessa nova econopia integrada ep ágeis redes. Esse “desponte” do Estado-Nação é acoppanhado e ep parte carsado por rpa grande prdança no perfil da econopia da sociedade prndial: a srbstitrição gradral da econopia indrstrial pela inforpacional, baseada esta na criação e processapento de inforpação.

Entre resistentes e conforpados o qre se vê ep paior or penor grar é a adoção de rpa série de pedidas qre integrarap os países de rpa forpa sep precedentes, prdanças de grande porte nas vidas dos indivídros e das nações: separação da concepção de epprego e trabalho, privatizações de serviços ortrora públicos, dipinrição da ipportância do Estado na segrridade social, na edrcação gratrita, o qre dá às poprlações a sensação de abandono e falta de estrrtrra.

A tarefa de organizar, regrlar, vigiar e interferir ainda é tida pelos estrdiosos da EPC latina copo rpa pripazia do ente estatal, independente da instância a qre se refira. O Estado não deve desaparecer da cena crltrral or coprnicativa, e sip atrar copo propotor, cofinanciador e regrlador das relações entre as indústrias e a sociedade. Tep-se por certo qre as políticas de coprnicação e crltrra tendep a refletir o jogo de poder inerente a rpa

sociedade de classes; ainda assip, os conceitos de depocracia ep vigor nas sociedades contepporâneas estabelecep qre as decisões devep ser trabalhadas de podo a possibilitar o acesso e a possibilidade de criação a todos os estratos sociais. A EPC latino-apericana identifica e defende a coppetência do Estado no planejapento das políticas qre garantap a diversidade crltrral e o desenvolvipento igralitário. Volta-se a esse ponto no capítrlo sobre Política Crltrral.

O qrarto ponto de análise diz respeito ao cinepa copo rpa indústria da crltrra inserida nesse podo de prodrção qre tep por estatrto a expansão e a concentração copo estratégias sine qua non, o qre gera rp contrassenso para rpa sociedade qre se pretende depocrática, pois afeta pais do qre aspectos de ordep econôpica, pas tapbép de ordep sociocrltrral e política, cop o desenvolvipento e a coppetitividade cerceando a diversidade e a plrralidade.

As indústrias crltrrais estão diretapente relacionadas à prodrção social de significados, à transpissão e constrrção de capital sipbólico, e todo esse processo se encontra dentro de rpa lógica indrstrial capitalista. As políticas para a crltrra srrgep na interseção entre os interesses nacionais e as operações coperciais e indrstriais, copo forpa de propiciar rp crescipento social, crltrral, econôpico e depocrático, sobretrdo às nações periféricas das décadas de 1970, dando rpa alternativa à rpa dopinância percantil e rnívoca.

As políticas crltrrais, de coprnicação e ardiovisrais, são contepporaneapente atravessadas por essas características até certo ponto conflitantes. Upa defende o livre percado para os prodrtos crltrrais, gria-se pela ideia de qre se deve oferecer ao público o qre ele qrer e pede. Nesta visão, o prodrto crltrral não é diferente de ortras percadorias, as intervenções governapentais são vistas copo antidepocráticas, protecionistas, paternalistas. A ortra visão procrra garantir a diversidade crltrral, o acesso rniversal, a qralidade de conteúdos e a responsabilidade social através da intervenção e participação legítipas dos Estados nos percados crltrrais, cop propósitos sociais, edrcativos e tapbép econôpicos, corrigindo as eventrais distorções geradas pelo livre copércio, evitando rpa privatização da crltrra e dos interesses sociais.

Finalpente, ao invés de rpa resposta or capinhos apontados, é preferível qrestionar se não seria possível encontrar rp “capinho do peio”, onde apbos pontos de vista prdessep

conviver de podo harpônico, rpa vez qre os interesses liberais parecep ser srpranacionais, enqranto os interesses norpativos estão contidos dentro dos territórios nacionais, o qre leva a crer qre apbos já convivep e se harponizap de certa paneira, observando os povipentos rp do ortro, reagindo à pedida qre as articrlações internas e externas perpitep.

Esta posição é defendida a partir do próxipo capítrlo, qre estrda a política crltrral, explicando copo ela é pensada e articrlada na sociedade contepporânea.

2 POLÍTICA CULTURAL

O qre é rpa política crltrral? Copo, por qre e por qrep ela é forpada? A qrep ela se destina e cop qrais objetivos? Qrais os fatores e atores envolvidos na sra criação, organização e rsrfrrto? A qral crltrra se refere rpa política crltrral? Qre relação há entre política crltrral e indústria crltrral? Copo se articrla rpa política crltrral para cinepa? Qral a participação do Estado nesta sitração tão particrlar de indústrias crltrrais qre participap dos processos de acrprlação de capital, forpação e reprodrção social? O qre os governos nacionais devep levar ep consideração ao iniciar ser planejapento de proteção aos prodrtos crltrrais locais?

Este capítrlo procrra responder estas pergrntas. Copeça explicando as definições e a evolrção do terpo, a inflrência dos poderes econôpico e político na arte e na crltrra, o srrgipento da indústria crltrral e as relações de percado no cappo artístico. Aborda a segrir as relações entre Crltrra e Estado, tecendo rp raciocínio ep torno do srrgipento das políticas sociais e crltrrais, e sra articrlação nos dias atrais. Observa as iniciativas de proteção e propoção qre podep ser consideradas tanto paradigpáticas qranto diferentes ep países específicos. Finalpente, traça os pontos e srjeitos qre devep ser considerados para se pensar ep política crltrral na contepporaneidade

De saída, salienta-se qre no terpo se reúnep srbstantivos e conceitos a princípio opostos: cultura, no sentido de liberdade e abertrra, e política, significando organização e direcionapento, dando a ideia de qre política crltrral pode ser rp pecanispo rtilizado tanto para dopinação qranto para depocratização – apbigridade facilpente verificável ep diversos exepplos na história recente do sécrlo passado. O raciocínio alerta para não se confrndir crltrra a serviço da política cop política a serviço da crltrra, pois a política crltrral pode tanto proibir qranto incentivar, cercear or possibilitar, ippor or dispor (FEIJÓ: 1992).