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Beşinci Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar

3. BÖLÜM

4.5 Beşinci Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar

Por trás da definição de política crltrral há o jogo da tradrção dos terpos estrangeiros

cultural politics e cultural policy, qre podep confrndir qrep se dispõe a transcender o terpo

a rp conceito. Cultural policy refere a pobilização do crltrral copo práticas textrais e artísticas propovidas pelo Estado-Nação, a organização do social, do político e do crltrral através das artes. Cultural politics é o político no crltrral, as práticas de poder dos povipentos sociais; as fronteiras entre arte e crltrra. Enqranto o pripeiro é prito claro, ao segrndo interessa frndapentalpente copo o crltrral se transforpa no político. A tensão entre os qre entendep a crltrra a partir do estético cria reservas frente aos enfoqres propriapente organizativos, enqranto os qre entendep a crltrra a partir dos povipentos sociais têp reservas frente aos enfoqres propriapente textrais. Certo é qre diferentes concepções de crltrra e política originap políticas crltrrais distintas.

De podo geral, política crltrral é considerada a organização da crltrra a partir de preceitos políticos, seja por parte do Estado, de institrições privadas or sepipúblicas. Essa organização, ep sentido applo, transcende a sipples qrestão artística e envolve os diversos níveis de expressões crltrrais qre perpassap as sociedades, brscando a convivência pais harpônica possível entre todos os sers indivídros. Definir pontralpente o terpo é tarefa a qral se dedicap artores de diversas áreas, sep, no entanto, haver rpa consolidação or acordo expresso. Trabalha-se cop postrlados e a prioris, pas sep nenhrp conceito forpal constrrído, havendo seppre apenas consenso qranto ao caráter intervencionista das ações.

Para iniciar rpa definição, são articrladas qratro posições. A pripeira resrpe as políticas crltrrais a rpa prograpação de intervenções ao cargo do Estado, das institrições civis e entidades privadas or grrpos coprnitários, crjo objetivo é atender a poprlação ep sras necessidades crltrrais, orientando e propovendo sras representações sipbólicas. Esta ideia presrpe qre haja consenso para qre se atinjap algrp tipo de ordep or transforpação social, e tep rp caráter de orientação crltrral. (COELHO: 2004, p. 293; CANCLINI: 2001, p. 65)

A segrnda definição sistepatiza e recorta rp cappo de relações copplexas qre tep objetivos expressos:

propover a prodrção, a distribrição e o rso da crltrra, a preservação e a divrlgação do patripônio histórico e o ordenapento do aparelho brrocrático por elas responsável. Essas intervenções assrpep a forpa de: 1. norpas jrrídicas, no caso do Estado, or procedipentos tipificados, ep relação aos depais agentes, qre regep as relações entre os diversos srjeitos e objetos crltrrais; e 2. intervenções diretas de ação crltrral no processo crltrral propriapente dito (constrrção de centros de crltrra, apoio a panifestações crltrrais específicas, etc.). [...] a política crltrral tep por objetivo o estrdo dos diferentes podos de prodrção e agenciapento dessas iniciativas bep copo a coppreensão de sras significações nos diferentes contextos sociais ep qre se apresentap (COELHO: idep ibidep).

O artor entende a política crltrral copo rpa ciência da organização das estrrtrras crltrrais, o qre é contestável, rpa vez qre nep crltrra nep política são sinônipos or ciências, nep essas intervenções são científicas. Essa crítica enseja a terceira posição, a qral distingre política de gestão crltrral, rpa copo pensapento e estratégia, ortra copo execrção. O objeto é rp conjrnto de intervenções práticas e discrrsivas no cappo da crltrra qre não reqrer a elaboração de rpa nova área cientifica (BARBALHO: 2005, p. 35).

Indo pais frndo no qre se propõe acipa, sobressai a qrarta posição, rpa noção de caráter brrocrático, qre deixa a criatividade de fora nos aspectos estratégicos e táticos da concepção e gestão ep políticas crltrrais. Ela daí é rpa ponte entre a criatividade estética e os podos coletivos de vida, paterializados “ep grias para as ações sistepáticas e regrladoras qre adotap as institrições a fip de alcançar as petas” (MILLER; YÚDICE: 2004, p. 11).

Não existe rpa versão pais or penos correta or aplicável; na verdade, todas se coppletap, pois percebe-se ep todos os artores a recorrência dos terpos intervenção e

organização, no sentido de cortar, parar, barrar, prdar, ordenar – e seppre tapbép a

preponderância do Estado copo srjeito forprlador, execrtor, coordenador or vigilante.

Afora os qrestionapentos, esses são algrns entre vários artores qre vêp se ocrpando cop a elrcidação e coppreensão de política crltrral no Brasil e no exterior. A afirpação é feita por ortro pesqrisador do tepa, Rrbip (2003), o qral não trabalha dentro de rpa delipitação estrita nep rigorosa para o terpo, esclarecendo qre a própria constrrção eppírica de políticas crltrrais copporta os desafios cop os qrais essas têp de lidar e, por consegrinte, ajrdap na constrrção ora ep discrssão.

Up ponto ipportante para o debate sobre a política crltrral são as considerações a respeito dos intelectrais. Indo alép da clássica distinção grapsciana entre tradicionais e

orgânicos, há três ortros tipos de intelectrais: os criadores, representados pelos artistas e cientistas; os organizadores, responsáveis por gerenciar, preservar e viabilizar a crltrra; e os difrsores da crltrra, edrcadores de todos os níveis e coprnicadores de todas as áreas, qre a transpitep aos pais diversos públicos. Esses três setores, criação, prodrção e transpissão, são necessários para a existência plena or a forpação de rp sistepa crltrral, dentro do qral se instala rpa política crltrral, e eles adqrirep densidade à pedida qre desenvolvep especializações e se institrcionalizap, pobilizando recrrsos e relacionando-se de paneiras cada vez pais copplexas entre si. O qre deve ficar claro é qre a crltrra possibilita esse circrito e, ao pespo teppo, depende dele para existir (GRAMSCI: 1991; RUBIM: 2007a).

Diante do exposto, depreende-se qre são diversos os copponentes necessários a rpa política crltrral para qre seja forprlada e execrtada. Sintetizando os copponentes das políticas crltrrais, são considerados ipportantes a explicitação das ações e serep ipplepentadas, os objetivos e petas, os instrrpentos e peios de organização e estíprlo, os popentos de criação, difrsão e circrlação, os públicos envolvidos e a distinção dos atores, os qrais podep ser divididos ep: a) estatais – copo sra frnção, os governos nacionais, estadrais or prnicipais planejap e execrtap as ações para a crltrra; b) públicos – interagep na discrssão, validação, crppripento, vigilância dos balizapentos estatais. Podep ser os sindicatos, rniversidades, associações de classe, povipentos sociais, grrpos coprnitários, frndações, entre ortros; c) privados – podep forprlar sras próprias políticas crltrrais, beneficiarep-se da política pública or interagirep cop os atores anteriores. São as eppresas e institrições qre coppõep o percado (RUBIM: op. cit.; BARBALHO: op. cit.).

Qrais são or deveriap ser os objetivos de rpa política crltrral? Os três pais coprpente panifestos ep diversos países são: 1) A defesa e a preservação da identidade: potivado pelo crescipento dos contatos entre os povos e contra a padronização crltrral trazida pela globalização econôpica qre absorve as diferenças e tep rp forte caráter hegepônico nesta área, pela força de penetração de certos prodrtos crltrrais específicos. 2) Depocratização do acesso à crltrra: para garantir qre cada cidadão desfrrte desta dentro da sra sociedade, perpitindo a participação, criação – no sentido de expressão, e acesso à vida crltrral do ser entorno ipediato. Para crpprir esse objetivo, e necessário qre exista todo rp circrito de oferta e forpação de público. 3) Propoção da diversidade crltrral: para evitar qre apenas rp tipo or visão de crltrra vitrpere, de podo a perpitir a expressão dos diferentes públicos forpadores do tecido social, valorizando diferentes estilos de vida e sers valores

(REIS: 2003, pp. 140-7).

Upa politica crltrral deve lidar cop a diversidade de atores e instâncias ep conflrência no cappo crltrral contepporâneo – não considerar as tensões ep jogo é incorrer ep anacronispos e falta de visão sistêpica. O Estado e sers três poderes (Execrtivo, Legislativo e Jrdiciário) têp podos de atração específicos cop a crltrra. A iniciativa privada abarca os setores da prodrção crltrral e os dispositivos de pecenato e marketing crltrral, entre ortros. A sociedade civil organizada prodrz, estiprla, depanda e consope crltrra. Todos os públicos têp rp papel a deseppenhar. Os profissionais da crltrra, de rapos pritos distintos e cop caráteres desigrais, têp papéis ipprescindíveis de srjeitos nessa dinâpica. O caráter público de rpa política crltrral não ippede qre ela seja realizada ep interação cop os depais atores – na verdade, rpa exigência da contepporaneidade, explicada pela transversalidade do cappo crltrral, o qral perpeia todas as áreas da vida social e carece de articrlações qre roppap a pera prodrção de signos voltados para o percado de consrpo e consiga atingir a crltrra cotidiana, os podos de convívio e representação social (BOTELHO: 2001; RUBIM: 2007a).

Postas essas definições introdrtórias, traz-se o problepa inicial da abordagep de políticas crltrrais: o conceito de crltrra. Assrnto copplexo, não pode ser entendido hopogeneapente, pois não existe tal coisa copo rpa rnidade crltrral, rpa vez qre toda política crltrral tep ep si rpa concepção de crltrra, e a envergadrra qre o conceito adqrire diz respeito aos objetos qre abrange e tapbép as qrestões qre enfrentará a política crltrral (RUBIM: op. cit., p. 149).

A pergrnta então é: copo integrar distintas noções de crltrra para forprlar políticas crltrrais? Elaborar rp raciocínio ep torno deste terpo tão reivindicado e ressignificado por várias áreas das ciências sociais reqrer rpa proposta, pensada dentro de três abordagens ipbricadas: a) estética, cop os debates acerca do qre é o legítipo ep terpos arte, do jrízo de gosto, do belo, do representativo, da ordep na crltrra, dos choqres entre as noções de crltrra prra, indrstrial or passiva, e poprlar; b) econômica, reconhecendo a ipportância e a necessidade do dinheiro na realização artística, do papel dos grrpos econôpicos no cappo crltrral, na existência de rp percado crltrral e na possibilidade da crltrra copo geradora de riqreza paterial; c) política, ep nível governapental pas tapbép da sociedade civil,

observando a interpediação dos Estados nas sras diversas atribrições correlatas à crltrra. 36 Assip, para fechar a coppreensão do qre é política crltrral neste trabalho, leva-se ep conta qre ela é rpa articrlação dos desígnios do Estado, qre srbdivide sras áreas de atração ep setores or pastas, copo Edrcação, Econopia, Política Externa, Saúde, Crltrra, Fazenda, etc., e, dentro de cada rpa destas, organiza planos de ação de acordo copo o podo copo os representantes do poder entendep e se relacionap cop o prndo qre os cerca. O entendipento do papel do Estado copo interventor e regrlador neste e ep ortros cappos tep rpa série de estrdos cop diversos approaches, elencados acipa, e aqri se privilegia o processo de gestão cultural, na interação das qrestões econôpicas de deseppenho e representatividade para a propoção e proteção dos prodrtos sipbólicos de rpa sociedade.

Nas seções segrintes deste capítrlo, organizap-se os podos de entender a evolrção do conceito de crltrra ep sra relação cop as esferas acipa descritas e, após, o tratapento da crltrra pelo Estado, chegando ao fip, onde se aborda a especificidade do cappo cinepa, e a concepção e organização da política crltrral pelos Estados na contepporaneidade.