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Depois de terminada a parte técnica, inicia-se o processo de tomada de decisão sobre a implementação da medida. Isso porque, conforme já explicado, mesmo com a conclusão sobre a existência de dumping, nexo de causalidade e dano, o governo brasileiro não é obrigado a aplicar a medida.

A competência funcional para a aplicação de medidas de defesa comercial, que inicialmente era comum dos ministros da Indústria, Comércio e Turismo (posteriormente Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e da Fazenda, foi transferida, a partir de 2001, para a Câmara de Comércio Exterior.

Com a promulgação da Lei nº 9.019/1995 e com as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e pelo Decreto nº 3.981, de 24 de outubro de 2001, ficaram estabelecidas as seguintes alçadas da CAMEX, em termos de medidas de defesa comercial: (i) aplicação de medidas

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provisórias; (ii) homologação de compromissos de preços; (iii) encerramento da investigação com aplicação de medidas definitivas; (iv) suspensão, alteração ou prorrogação de medidas definitivas; e (v) encerramento de revisão dos direitos definitivos ou compromissos de preços. Vale ressaltar que todas as decisões acima elencadas serão tomadas com base em parecer elaborado pelo DECOM.

O processo decisório para a aplicação de medidas antidumping no Brasil passa por três análises depois do parecer final do DECOM: a primeira é conduzida pelo Grupo Técnico de Defesa Comercial (GTDC); a segunda pelo Comitê Executivo de Gestão (GECEX), e a última, conforme o disposto no artigo 2º do Decreto nº 4.732/2003, é realizada pela CAMEX, que é a responsável pela decisão final sobre a imposição de medidas de defesa comercial.

A CAMEX é presidida pelo ministro da Indústria e Comércio Exterior, e composta pelos: chefe da Casa Civil da Presidência da República; ministro das Relações Exteriores; ministro da Fazenda; ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão; e ministro do Desenvolvimento Agrário. Além desses membros, podem comparecer às reuniões titulares de outros órgãos e entidades da Administração Pública Federal, sempre que constarem da pauta assuntos da área de atuação desses órgãos ou entidades, ou a juízo do presidente da República.

A competência da CAMEX é ampla no que se refere à consecução dos objetivos da política de comércio exterior. Dentre as suas funções, estão a definição de diretrizes e de procedimentos relativos à implementação da política de comércio exterior visando à inserção competitiva do Brasil na economia internacional; a coordenação e a orientação das ações dos órgãos os quais possuem competências na área de comércio exterior; e a definição, no âmbito das atividades de exportação e importação, de diretrizes e de orientações sobre normas e procedimentos.

As reuniões da CAMEX ocorrem ao menos uma vez a cada mês, e são sempre precedidas pela reunião do GECEX. Nas reuniões da CAMEX, busca-se o consenso em suas deliberações, e, não sendo esse alcançado, a Câmara deliberará por maioria, cabendo ao seu presidente, no caso de empate, a decisão. O presidente da CAMEX poderá expedir resoluções ad referendum, desde que consulte previamente o GECEX.

O GECEX é integrado pelo presidente da CAMEX, por secretários executivos de diversos Ministérios e por outros integrantes do governo diretamente

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interessados em temas relacionados ao comércio internacional340. As competências do GECEX são basicamente: avaliar o impacto, supervisionar permanentemente e determinar aperfeiçoamentos em relação a qualquer trâmite, barreira ou exigência burocrática que se aplique ao comércio exterior e ao turismo, incluídas as relativas à movimentação de pessoas e cargas; apresentar propostas nos assuntos de competência do Conselho de Ministros; propor a regulamentação das matérias de competência do Conselho de Ministros; e manifestar-se previamente sobre as matérias de competência do Conselho de Ministros.

Assim, antes da avaliação do Conselho de Ministros, a decisão pela aplicação de um antidumping já foi debatida em um fórum muito mais amplo. Mesmo não cabendo ao GECEX emitir uma deliberação formal sobre o tema, uma de suas competências é, exatamente, se manifestar sobre essa aplicação.

As matérias apreciadas pelo GECEX deverão estar fundamentadas em notas técnicas ou em documentação equivalente. Por isso, antes da avaliação do GECEX, o Grupo Técnico de Defesa Comercial (GTDC) faz a sua análise do parecer final do DECOM.

O GTDC foi constituído pela CAMEX341 especificamente para avaliar propostas sobre a fixação de medidas de defesa comercial. O Grupo é presidido pela Secretaria Executiva da CAMEX e é constituído por um representante de cada Ministério que a compõe. Aqui, a análise continua a ser técnica, mas sob um enfoque diferente da avaliação feita pelo DECOM, pois os representantes de cada Ministério avaliam a possibilidade de aplicação no que mais lhes diz respeito.

340 Fazem parte do GECEX: o presidente do Conselho de Ministros da CAMEX, que o preside; o

secretário executivo da Casa Civil da Presidência da República; o secretário-geral das Relações Exteriores; o secretário executivo do Ministério da Fazenda; o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento; o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; o secretário executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; o secretário executivo do Ministério dos Transportes; o secretário executivo do Ministério do Trabalho e Emprego; o secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia; o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente; o secretário executivo do Ministério do Turismo; o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário; o secretário executivo da CAMEX; o subsecretário-geral de assuntos econômicos e tecnológicos do Ministério das Relações Exteriores; o subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores; o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda; o secretário da Receita Federal do Ministério da Fazenda; o secretário de relações internacionais do agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; o diretor de assuntos internacionais do Banco Central do Brasil; o diretor de comércio exterior do Banco do Brasil S.A.; um membro da diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; e um representante do Serviço Social Autônomo da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (APEX-Brasil).

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O representante do Ministério de Relações Exteriores avaliará se a investigação foi feita em conformidade com as normas internacionais. Já o representante do Ministério da Fazenda considerará, por exemplo, a possibilidade de haver inflação com a imposição da medida; o representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por sua vez, avaliará o impacto da medida, por exemplo, na cadeia produtiva agrícola, no caso de insumos; e assim por diante.

Quando a CAMEX emite a sua decisão, é publicada uma circular com a determinação final, que entra em vigor a partir da data de sua publicação.

O processo de decisão brasileiro, apesar de talvez um pouco intricado, oferece a possibilidade de uma ampla avaliação do impacto de uma medida de defesa comercial. Isso propicia uma avaliação profunda do interesse nacional na aplicação da medida, pois considera a opinião de diversos órgãos do governo responsáveis pela implementação de políticas comerciais.