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4. GENEL ÖZELLİKLER

4.3. Cephe Özellikleri

O Pinheirinho foi uma ocupação urbana que teve início em fevereiro de 2004, na Zona Sul da cidade de São José dos Campos, onde permaneceu até janeiro de 2012, quando foi removida pelo Poder Público. O terreno ocupado, de 1,3 milhões de metros quadrados (57 alqueires), pertencia à massa falida da empresa Selecta S/A, propriedade de Naji Nahas5

(FORLIN e COSTA, 2010, p. 136). O terreno, abandonado, possuía alta dívida de IPTU. Seu início é associado à ocupação das “casinhas” da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Campo dos Alemães, em 2003, sendo uma fala recorrente dos entrevistados que presenciaram ou ouviram falar do começo da Ocupação Pinheirinho. Segundo relatos, a ocupação já contava com a liderança do Marrom6 e do Movimento Urbano

dos Sem Teto (MUST). A demora na entrega dessas “casinhas” e a longa fila de espera da habitação popular foram justificativas constantes dos entrevistados para tal ação.7 Ainda

segundo os entrevistados, depois de aproximadamente um mês da Ocupação, a prefeitura conseguiu ordem judicial para desocupação e a cumpriram, marcada por forte violência e baixa repercussão midiática. Essa população, porém, decidiu acampar no que ficou conhecido como “Campão”, também localizado no bairro Campo dos Alemães, o que durou cerca de dois meses, até a ida definitiva para a ocupação Pinheirinho8, em fevereiro de 2004.

Iniciada com algumas famílias, esta ocupação chegou a possuir sete mil pessoas em 2006, cerca de 1500 famílias, sendo aproximadamente 2.600 crianças de 0 a 10 anos, segundo dados de Forlin e Costa (2010, p. 136). Em agosto de 2010, foram cadastrados pela prefeitura cerca de 1600 famílias (SUPLICY..., 2012, on-line), número próximo a dados do IBGE, do mesmo ano, que aponta 1520 famílias (IBGE, 2010). Porém a prefeitura (SUPLICY..., 2012, on-line) afirma que apenas 925 famílias fizeram o cadastro para assistência na época da remoção, correspondente a 2,85 mil pessoas. Na mesma época, o movimento responsável pela ocupação apontava nove mil moradores.

A ocupação foi organizada a fim de atender a moradia e comércio, com lotes de 250m², (dez metros de largura e vinte e cinco metros de comprimento), correspondentes à “área urbana”

5Libanês naturalizado brasileiro que fez história no mercado acionário com jogadas de altíssimo risco, Naji Nahas

já foi o maior investidor individual do Brasil, e, sozinho, controlava 6% dos papéis da Petrobrás e 10% da Vale do Rio Doce. À época, tais ações valiam US$ 490 milhões. Foi o protagonista de um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional. Inúmeras acusações de corrupção pesam sobre o megainvestidor.

6Valdir Martins, um dos líderes da ocupação Pinheirinho filiado ao partido político PSTU. 7Ver mais na seção de “Resultados e Discussões”.

e “chácaras de três mil metros quadrados na ‘zona rural’” (FORLIN e COSTA, 2010; ANDRADE, 2010) recebendo o nome de Pinheirinho, devido aos pinheiros que contornam um de seus limites. Andrade (2010, p. 70) afirma que 60% dá área foi destinada a moradia, sendo que o resto era composto por barrancos, brejos e “áreas de proteção ambiental” definidas pela liderança da Ocupação.

A água e a luz eram obtidas através de ligações clandestinas na rede pública. Normalmente as moradias se iniciavam como barracos de madeira e lona, sendo substituídos por alvenaria de acordo com a possibilidade de cada morador. A ocupação contava ainda com parque e diversos comércios como bares, cabelereiros, bicicletaria, dentre outros, totalizando vinte e cinco estabelecimentos (FORLIN e COSTA, 2010, p. 136). Já Andrade (2010, p. 70), contabiliza “cerca de 100 estabelecimentos comerciais, como padarias, bares, mercadinhos e até mesmo uma vídeo-locadora”. Sendo que o comércio era regido por uma “ordem moral”.

Segundo relatos de moradores, a liderança da Ocupação era, majoritariamente, filiada ou simpática ao partido político PSTU, que também dava todo o suporte jurídico ao movimento, que tinha como referência o líder Marrom. A Ocupação era dividida em 16 setores, de A a M e de O a P, referentes à área chamada de Mangueira, que segundo Andrade (2010, p. 70) era “um dos setores do acampamento que faz parte do movimento, mas que se encontrou separada do mesmo pela Vaquejada, uma “favela”, nos dizeres dos moradores, até 2009 [...]”. Cada setor possuía um líder, que se reuniam todas as terças-feiras para discutir reivindicações, problemas, regras de convivência, oportunidades de emprego etc. Os assuntos tratados em cada setor eram avaliados e resolvidos em assembleias gerais que aconteciam todo sábado (ANDRADE, 2010, p. 70).

A ocupação encontrava na cidade uma forte resistência, enfrentando inúmeras tentativas de desocupação por parte da Prefeitura. Notícias corriam pela cidade na tentativa de desqualificar seus moradores, como a oferta de passagem de ônibus para que famílias retornassem à sua cidade natal, vinculando a ideia que a população residente do Pinheirinho era “de fora de São José dos Campos”, como comenta Forlin e Costa (2010, p. 136). Outra notícia ventilada na cidade foi a de multa de mil salários mínimos aos moradores, ou mesmo corte de fornecimento de água e luz e restrição a serviços públicos, como o atendimento médico público. Na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012, foi feita a reintegração de posse pela Polícia Militar de São Paulo, sendo que apenas na noite do mesmo dia o Superior Tribunal de Justiça deu competência para a Justiça Estadual (UOL, 2012). Marcado por violência, a ação que durou três dias e terminou com a destruição das moradias, levou os moradores, identificados por uma pulseira, para abrigos, como igrejas e quadras poliesportivas. Após a saída dos abrigos, as

famílias recebem um aluguel social no valor de R$ 500,00 (aproximadamente US$ 250,00 na época), com a promessa de encaminhamento para moradias populares assim que construídas, em um prazo de um ano e meio. O terreno foi à leilão, mas as famílias do Pinheirinho, com uma ação na Justiça conseguiram a sua suspensão por prazo indeterminado.

Quatro dias depois da desocupação, foi anunciado um terreno para a construção imediata de 1,1 mil moradias populares - de um plano de cinco mil casas-, com previsão de entrega de dezoito meses. As demais casas esperariam definição de novas áreas (CASA CIVIL, 2013). Tal prazo já foi ultrapassado no decorrer deste trabalho e apenas em julho 2013, novas notícias apareceram, com uma nova definição de terreno para a construção de 1.800 casas (MACHADO, 2013).

3 MÉTODO

A metodologia se faz necessária na pesquisa científica, devendo ser tomada com rigor a partir do momento que se define o objeto, podendo ser redefinida a partir da escolha das “normas precisas para a condução do pensamento na elaboração do Conhecimento” (PRADO JÚNIOR, s.d., p. 5).

A importância do método científico se dá pelo fato de agrupar um conjunto de processos ou operações mentais empregados na investigação, sendo a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa, fornecendo bases lógicas à investigação (GIL, 1999, p. ; LAKATOS; MARCONI, 1993). Diferencia-se dessa forma, o conhecimento científico de outros tipos de conhecimentos, a rigor, conhecimento popular, filosófico, ideológico e teológico (TRUJILLO FERRARI, 1974, p. 11; VIEGAS, 1999, p. 47).

Apesar da riqueza e tamanho que a pesquisa possa tomar e trazer como resultado, o pesquisador, como responsável pela condução das investigações, assume o principal papel e responsabilidade pelo seu trabalho. Caso os resultados da pesquisa venham ser maiores que o próprio pesquisador, a tendência é que o pesquisador cresça junto com ela, continuando a assumir uma papel de destaque dentro da obra. Ainda assim, deve-se ter cautela e rigor científico. A metodologia tem um papel importante para evitar que o pesquisador “se enforque na corda da liberdade”, pois sua negação leva ao “empirismo sempre ilusório em suas conclusões ou a especulações abstratas e estéreis.” (MINAYO, 2004, p. 16).

Por outro lado, deve-se encontrar o meio termo entre a liberdade criativa e a aplicação estrita de uma metodologia, com um “instrumental claro, coerente, elaborado, capaz de encaminhar os impasses teóricos para o desafio da prática” (Ibid., p. 16) pois seu completo enrijecimento, confere “um formalismo árido, ou respostas estereotipadas”(Ibid., p. 16).

Na presente pesquisa, visando dar voz aos sujeitos - ex-moradores da Ocupação Pinheirinho em São José dos Campos optou-se pela metodologia da História Oral que, segundo Lang (1996), trata-se de uma “metodologia de pesquisa voltada para o estudo de tempo presente e baseada nas voz das testemunhas”.

Para a História Oral, a narrativa constitui sua matéria prima. O narrador que conta sua história, seu relato ou dá seu depoimento de vida, não se constitui, ele próprio, no objeto de estudo, mas sim seus relatos de vida, sua realidade vivida, apresentando subjetivamente os eventos vistos sob seu prisma e o crivo perceptivo, possibilitando conhecer as relações sociais e as dinâmicas que se inserem ao objeto de estudo (CASSAB, 2003, destaque do autor).

É nessa perspectiva que se adota a metodologia da História Oral na presente pesquisa.

Benzer Belgeler