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Canlı Ağırlık ve Canlı Ağırlık Artışı

4. TARTIMA

4.1. Canlı Ağırlık ve Canlı Ağırlık Artışı

As duas práticas selecionadas, para que se conhecesse um pouco mais do trabalho desenvolvido por I2, apresentadas no Quadro 10, a seguir, se configuram, em minha análise, como excelentes exemplos de uma clínica que se estende para os espaços próprios da comunidade, indo além dos espaços privativos. Em comum, possuem ainda, em seus propósitos, a busca do “fortalecimento do coletivo”, que também se transforma em estratégia, para que sejam possíveis as almejadas “transformações”, tornando-se assim também bons exemplos de uma ação terapêutica, com ressonâncias de caráter político social.

Categorias Elementos

Prática 1 Prática 2

Nome Terapia Comunitária Integrativa - TCI Documentos Coletivos

Local Espaço próprio da comunidade - Em qualquer contexto do cotidiano - Para além dos espaços privativos

Participantes Grandes grupos em diferentes

contextos Contextos grupais e comunitários

Equipe Terapeuta Comunitário Terapeutas

Formato

Organização em 5 etapas que se completam a cada encontro: acolhimento; escolha do tema; caracterização; problematização; ritual de encerramento.

-Construção e organização do material narrativo em encontros com grupo e terapeuta

-Compartilhamento do material com outros grupos

Abrangência

- Pode atender tanto a “singularidade” de cada pessoa como sua “dimensão coletiva”

- Grandes grupos em diferentes contextos

- Simplicidade de manejo e estruturação

- Admite flutuação e rotatividade - Viabilidade e sustentabilidade

-Pode ser escrito “ao longo de um processo

- Pode ir “além do contexto em que foi gerado”

Designação da prática

- Metodologia de trabalho com grandes grupos

- Prática coletiva de conversações - Conversação propositada - Terapia colaborativa de parceria conversacional

- “Terapeuta comunitário” como “especialista na organização do processo”

- Como “especialista em organizar processos conversacionais...que criam diálogos transformativos”

- Prática narrativa coletiva

- Um recurso que quebra as amarras do isolamento

- Ferramenta útil para transformações coletivas

- Terapeuta “promove contextos generativos diante de audiências acolhedoras”

- “Cuida do material narrativo e de seu compartilhamento”

- Usa de “dupla escuta” – “perguntas que geram possibilidades de

reautoria”

Adesão teórica

- Proposta de TC de Adalberto Barreto

- Abordagem colaborativa narrativa de Anderson e Goolishian

- Metodologia ação-reflexão-ação de Paulo Freire

- Construcionismo social

-Terapia narrativa – “virada paradigmática”

-“Pensamento pós-moderno”

Propósitos

- Caráter terapêutico: “lidar com o sofrimento humano”

- Construção de comprometimento coletivo – responsabilidade compartilhada

- Ampliar possibilidades sem recorrer às formas instrutivas - Transformações coletivas - Fortalecimento da identidade coletiva - Construção de documentos terapêuticos

Quadro 10: Perfil de práticas apresentadas em produções* referentes ao I2.

A Prática 1, TCI – Terapia Comunitária Integrativa – apresentou como apoio teórico um grupo de autores, sendo dois deles brasileiros, que se destacaram por pensar e construir, acima de tudo, ações que favorecessem a valorização e legitimação de cada indivíduo, grupo ou comunidade. O primeiro deles, Adalberto Barretos, o criador da Terapia Comunitária, ao tratar dos “efeitos mutiladores de indivíduos”, advindos de um “contexto social desagregador” (2010, p. 20), classificou esta metodologia – a TC- como parte do movimento de construção e fortalecimento da consciência social, dando a ela uma função de “luta”. Um termo também usado pelo segundo autor citado, Paulo Freire (1983), ao posicionar-se contra um processo

Estratégias

- Valorização do conhecimento e recursos já construídos pelas pessoas, comunidades e redes - Comunidade como rede de testemunhas externas

- Uso da voz coletiva - “a força” - Uso de narrativas de esperança e empoderamento

Ferramenta∕ recursos

-Conversação construída em etapas que se completam a cada encontro -Compartilhamento de experiências pessoais - “o que é dito na frente das pessoas ganha legitimidade e legitimação”

-Uso de material escrito

-Construção coletiva de documentos -Organização do material narrativo

Relações com

a clínica - Abordagem de caráter terapêutico

- “muito além do psi e do conceito de sistema”

- “rompimento de barreiras disciplinares”

- Para além dos espaços privativos do consultório

Relações com

o social -Ação com comunidades e redes -Empoderamento coletivo

-Problemas das pessoas fazem parte de uma questão social

- Busca de transformações coletivas

Atitudes

-Cuidados no “receber e adentrar” – metáfora do hóspede ∕ anfitrião -Consideram “pessoas, famílias e comunidades” como “especialistas em temas e significados”

-Abertura para diálogo com outras áreas

-Crença no poder de reação das pessoas

-Os recursos instrumentais – não são usados como técnicas de forma impessoal e objetiva

NOTAS

*Produção Prática 1: GRANDESSO, M. A. Terapia Comunitária como prática coletiva de conversação: construindo possibilidades de trabalho com sistemas amplos. In: GUANAES- LORENZI, C; MOSCHETA, M.S.; CORRADI-WEBSTER, C.M.; SOUZA, L.V.(org.).

Construcionismo Social: discurso, prática e produção de conhecimento. Rio de Janeiro, Instituto

Noos, 2014.

*Produção Prática 2: GRANDESSO, M. A. Práticas narrativas coletivas. In: GUANAES-LORENZI, C; MOSCHETA, M.S.; CORRADI-WEBSTER, C.M.; SOUZA, L.V.(org.). Construcionismo Social:

de desumanização nas relações pedagógicas ou de tratamentos, mas ao mesmo tempo alertando para os perigos das polarizações, lembrando que, do diálogo com o povo, resultaria o saber de ambos.

Anderson; Goolishian (1993), dupla de autores também citados como embasamento, por sua vez, embora advogando por uma postura terapêutica do NÃO SABER, devolvendo ao cliente o lugar de especialista em seu viver, não fazem uso da palavra luta ou de metáforas a ela associadas, caminhando na direção de uma ação mais colaborativa, dando voz para o trabalho com e não para, como já apontara Paulo Freire. Entendendo a terapia como “em contexto linguístico”, esses autores a definiram como “conversação terapêutica”, sendo o terapeuta visto como um “arquiteto do processo do diálogo”. São esses os elementos presentes neste Quadro na categoria designação da prática, esclarecendo sobre o papel de um “terapeuta comunitário”.

Para os objetivos de diálogo com a comunidade, esta metodologia revelou uma incrível abrangência e ainda viabilidade e versatilidade por ser organizada em etapas que se completam a cada encontro, como uma “conversação propositada”. As etapas foram construídas a partir das preocupações com a valorização do conhecimento já existente, conforme autores de apoio, e com cuidados relativos ao compartilhamento coletivo das descrições de pensamentos e experiências, fazendo uso dos membros da comunidade como “rede de testemunhas externas”.

Faz-se uso das palavras preocupação e cuidado para marcar a atitude que vejo muito presente nesta prática, muito bem ilustrada pela metáfora do hóspede/anfitrião, dando voz aos cuidados relativos tanto ao “receber” como ao “adentrar”, marcando, para mim, a delicadeza necessária quando adentramos a uma comunidade. Esta atitude alimenta e se alimenta de outra, fortemente embasada nos autores de apoio, provavelmente como o pressuposto central, qual seja, o de considerar pessoas, famílias e comunidades, como “especialistas em temas e significados”.

As ligações com a clínica e o social ficaram entrelaçadas em uma “abordagem de caráter terapêutico” que busca, por intermédio de ações com comunidades e redes, o “empoderamento coletivo”. É neste cenário que o profissional em atuação foi chamado de terapeuta, assim como na Prática 2 – Documentos Coletivos – relatada pela mesma autora, onde a ação clínica ou terapêutica pode ser vista em uma das formas como foi designada: “um recurso que

quebra as amarras do isolamento”. Um poder que pode ser visto como atrelado ao conceito de Redes Sociais (NAJMANOVICH, 1998), cujo potencial terapêutico Sluski (1997) tornou-se inegável quando incorporado às práticas psicológicas.

A abrangência potencial desta prática revelou-se não só por visar e possibilitar o compartilhamento do material – um documento – construído e organizado pelo grupo, indo “além do contexto em que foi gerado” (com o auxílio de diferentes meios de comunicação), como também revelou sua amplitude em expressões que abordavam sua relação com a Clínica Psicológica, que apontavam para um “rompimento de barreiras disciplinares”, e para um movimento concebido como “muito além do psi e do conceito de sistema”. Vê-se aqui a possibilidade de compreender este rompimento e este além como fruto da aliança da Psicologia Clínica com o Pensamento Sistêmico Novo-paradigmático, permitindo sua adjetivação como “ampliada”, à medida que se abre para afetar e ser afetada, como próprio das ciências interdisciplinares, conforme a qualificam Figueiredo (2004) e Vasconcellos (2002).

A palavra contexto, amplamente utilizada nas descrições das práticas pós- modernas, das abordagens construtivistas e construcionistas, como as designa Grandesso (2006), tendo se tornado o terapeuta dessas abordagens seu construtor e cuidador, ganha aqui, na descrição da ação do terapeuta nesta prática, uma nova qualificação, visto como quem “promove contextos generativos”, marcando a demanda de produção e criação desses grupos de trabalho. Seu poder terapêutico potencializou-se por se construir “diante de audiências acolhedoras”, alinhando-se ao propósito de “fortalecimento da identidade coletiva”.

O poder terapêutico pode também ser percebido na descrição do terapeuta como quem, em uma “dupla escuta”, deveria produzir perguntas que pudessem gerar “possibilidades de re-autoria”. A crença no valor terapêutico da re-autoria, tem como principal fonte as abordagens Narrativa e Colaborativa, que ao compreender as narrativas como socialmente construídas, dando “significado e organização às experiências” (ANDERSON; GOOLISHIAN, 1993, p. 12), demonstram que elas também podem ser reconstruídas, permitindo, como nos ensina Andersen (2002, p. 50), após validar as descrições atuais, “promover buscas por descrições ainda não feitas”.

A Produção 3, categorizada no Quadro 11, a seguir, foi construída justamente, na forma de uma entrevista, com foco nos encontros realizados com

Tom Andersen e suas ressonâncias na história do I2. O que se revelou foi descrito como de caráter “revolucionário” para o Instituto, construindo mudanças nas estratégias e posturas que compunham suas ações.

Categorias Subcategorias Elementos

Marcos

Teóricos Encontro com as práticas reflexivas de Tom Andersen – “revolucionárias para as práticas do instituto”

Vivenciais

-“Ver equipe de terapeutas conversando na frente da família” -A postura de Tom Andersen – “como terapeuta e ser humano” -Encontro com Tom Andersen: “criou uma prática transversal a todas as abordagens pós-modernas em terapia sistêmica” – “não criou abordagem terapêutica”

Construção do perfil

Mudanças

-Incorporação do processo reflexivo – “uma nova forma de falar sobre as práticas e processos de terapias”

-Amplitude de ações – “possibilidades múltiplas”

Metáforas para a ação

-Acertar o passo – para ação e reflexão juntos

- Marcha coordenada e estética – para processos reflexivos o exercício da terapia

Ação / estratégia - Organizada como postura e ação - Coordenação ação-reflexão-emoção

O terapeuta

- Postura lateral, não hierárquica – “fala respeitosa”

- Postura de transparência – “compartilhando mais” – “cuidado e zelo com as palavras”

- Constante exercício de questionamento crítico reflexivo

Atitudes

- Comprometimentos: “Processos reflexivos fazendo parte de todo o meu trabalho”;

- Equipe em uma injunção ética de responsabilidade por suas palavras

- Responsabilidade relacional

Relações

Com Psicologia

Clínica - Diferente das práticas terapêuticas tradicionais - Distingue “contextos de terapia” e “práticas sistêmicas” Com questões

sociais - Trabalho a serviço da inclusão e da justiça social - Uso das práticas reflexivas como independentes do contexto NOTAS

*Produção Prática 3: Entrevista com Marilene Grandesso. Conversando sobre Tom Andersen.

Nova Perspectiva Sistêmica, Rio de Janeiro, n. 29, p. 135-141, 2007.

Quadro 11: Categorias temáticas da Produção 3* referente ao I2, que historia sua prática.

Como marco teórico o encontro se deu com o Processo Reflexivo, e como marco vivencial, um encontro com a “postura” de Tom Andersen, fato que deve ter gerado confiança o suficiente para que fossem “incorporando” esse processo, adquirindo “uma nova forma de falar” e enxergando “possibilidades múltiplas de ações”, conforme relatado. Depara-se aqui com seu efeito ampliador de

possibilidades, de uma postura que a autora entendeu como uma “prática transversal a todas as abordagens pós-modernas”. Talvez como uma prática que transite entre saberes, favorecendo justamente uma extensão de possibilidades por onde passa, como um movimento transdisciplinar.

Para a compreensão das estratégias de ação que daí se derivaram, como sendo organizadas como “coordenação ação-reflexão-emoção”, foi construída uma metáfora para o “processo reflexivo no exercício da terapia”, como sendo uma “marcha coordenada e estética”. A ideia de “acertar o passo”, considerando-se o que se sente e se pensa, parece alinhada com a proposta de Schön (2000), para os terapeutas, de um conhecimento construído “em ação”, reconhecendo e valorizando as “ações habilidosas” já desenvolvidas que constituiriam suas “teorias em ação”, diferentemente das “teorias desposadas” construídas nas adesões teóricas que norteariam sua prática. Foi se reportando à Virada Reflexiva de Donald Schön que Pakman (2003, p. 18), alertando para os riscos de uma prática focada em soluções, “sem tempo para histórias e reflexões”, propôs que a terapia em tempos modernos funcionasse como “artifícios sociais para um exame reflexivo da vida”.

Emergiu dos novos movimentos reflexivos do I2, um terapeuta que atuando em “um constante exercício de questionamento crítico reflexivo”, passou a atuar em uma “postura de transparência”, compartilhando, de diferentes formas, suas reflexões, acertando os passos junto com os clientes. Vê-se aqui, de fato, um grande comprometimento com os Processos Reflexivos, traduzido pela autora como uma “injunção ética de responsabilidade por suas palavras”, a “responsabilidade relacional”.

Para as relações com a clínica psicológica temos o elemento de distinção realizada entre “contextos de terapia” e “práticas sistêmicas”, mas reconhecendo que o efeito terapêutico pode estar presente nos dois momentos, a meu ver, ao afirmar que as ações do Instituto são “diferentes das práticas terapêuticas tradicionais”. Diferentes, mas terapêuticas.

Benzer Belgeler