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O amido de mandioca, assim como o amido de araruta, modi- ficado por fermentação natural, formulado com água, sal e gordura vegetal hidrogenada, pode ser usado na produção de biscoitos de polvilho azedo. Devido à propriedade de expansão, o produto apre- senta estrutura alveolar, crocante e de baixa densidade. Na produção desses biscoitos, foi observado que a gelatinização total do amido modificado inibiu a expansão.35

A maioria dos frutos e hortaliças apresenta metabolismo rá- pido após a colheita. Para a conservação desses produtos, foi consi- derada a aplicação de ceras orgânicas de origem vegetal e sintética. Camadas de cera não evitam a perda de umidade, enquanto que ca- madas espessas podem promover mudanças no sabor.36

Filmes comestíveis de fécula de mandioca foram usados no recobrimento de frutos de pimentão. Os frutos foram imersos em dispersões da fécula a 1, 3 e 5%, secos ao ar sob condições ambien- tes, temperaturas entre 26 e 29ºC, e umidades relativas de 59,5 a 71,5%. Os filmes formados com as dispersões a 3 e 5% mantive- ram os frutos firmes. No entanto, a perda de peso, o pH e o teor de

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sólidos solúveis não foram influenciados pelos tratamentos aplica- dos aos frutos.37

Estudo semelhante foi realizado sobre a conservação pós- -colheita de tomate. O tomate é considerado um produto altamente perecível, devido à fragilidade de seus tecidos. Sob as condições estudadas, foi observado que os filmes de fécula de mandioca não contribuíram para a conservação do tomate. No entanto, filmes pre- parados a partir de dispersões a 3% conferiram aspecto mais atra- ente ao produto.36

Melhores resultados foram obtidos para a conservação de pês- segos, armazenados sob condições ambientes. A perda de massa, a curva de respiração, a textura, o teor de sólidos solúveis totais, a acidez total titulável e o pH foram avaliados para os frutos durante 12 dias de armazenamento. Três diferentes meios foram usados para a imersão dos frutos: o produto comercial “Fruit wax”, a fécula de mandioca, uma microemulsão de fécula de mandioca e cera de abelha. Os resultados das análises físico-químicas revelaram que o produto comercial e a microemulsão proporcionaram melhorias na conservação dos produtos.38

O surimi, carne de peixe moída, lavada, drenada e estabili- zada pela adição de crioprotetores, tem sido usado como matéria- -prima na preparação de alimentos tradicionais da cozinha japonesa. O amido constitui-se no ingrediente principal, adicionado aos pro- dutos à base de surimi. A sua adição visa estabilizar o gel de surimi durante o congelamento e descongelamento. Foi observado que o uso de fécula de mandioca contribuiu para o aumento da coesivi- dade e da resistência dos géis de surimi.39

Nos últimos cinquenta anos, tem crescido o volume de plás- ticos consumido pelas sociedades industrializadas. Na maioria dos países europeus, estima-se que esse valor tenha ultrapassado 100kg anuais por indivíduo. Propriedades como a baixa densidade, a ter- moplasticidade, a resistência mecânica e a hidrofobicidade garantem a boa aceitação dos plásticos. Vários setores industriais fazem uso desses materiais, que têm aplicação em embalagens (30% do vo-

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lume produzido) na construção (28%), em artefatos para a indústria eletrônica (2%), no mobiliário (7%), em brinquedos e recreação em geral (1%), no setor médico (1%) e em outros setores (transporte, agricultura, vestuário e outros equipamentos industriais) (~25%).40

As embalagens plásticas apresentam importantes vantagens como baixo peso (que leva à redução do custo em logística), boa processabilidade e ausência de corrosão. No entanto, esses materiais apresentam desvantagens quando descartados. Resistentes à ação de microrganismos, acumulam-se em aterros sanitários e na natureza em geral durante anos. Dados mostram que cerca de 52 milhões de toneladas de material plástico sintético são lançados anualmente no meio ambiente.41 As soluções para minimizar o problema incluem o

desenvolvimento de tecnologias eficientes para reciclagem e a utili- zação de materiais biodegradáveis. Assuntos como a biodegradabi- lidade e segurança ambiental tornaram-se importantes e passaram a ser discutidos por diferentes setores industriais.

Dentre todos os materiais biodegradáveis disponíveis atual- mente, o amido tem recebido muita atenção; é um material total- mente biodegradável e pode ser obtido a partir de diversas fontes renováveis e combinado com polímeros sintéticos. Devido à abun- dância com que é produzido mundialmente, o seu custo é reduzido. Para ser usado como um termoplástico, a forma granular do amido necessita ser desestruturada e transformada em matriz polimérica homogênea, essencialmente amorfa. Para que isto ocorra, faz-se necessária a aplicação de processos termomecânicos e a adição de um ou mais plastificantes. A água e o glicerol são os plastificantes mais estudados.

Pequenas quantidades de açúcares como a glucose, a frutose e a sacarose, além do glicerol, foram usadas como plastificantes do amido de mandioca para a obtenção de amidos termoplásticos. As propriedades físico-químicas desses materiais foram investigadas.41

Um trabalho em desenvolvimento no Laboratório de Políme- ros Hidrossolúveis do IMA-UFRJ tem a fécula de mandioca como uma das matérias-primas para a obtenção de termoplásticos.43 Nesse

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trabalho, a fécula de mandioca foi processada em misturador interno com teores de água de 20% e 40%. As velocidades de rotação dos parafusos foram de 30 e 70 rpm. As propriedades dos materiais fo- ram avaliadas. As Figuras 4.8 (a, b) mostram resultados de análises de RVA, obtidos para os materiais resultantes.

Figura 4.8 – Curvas de RVA para fécula de mandioca após o processamento em misturador interno em presença de 20% (a) e de 40% de água (b)

Fonte: Ref. 43.

Como pode ser observado, o material processado com 20% de água apresentou viscosidades menores. Com teores relativamente baixos de plastificante (Figura 4.8a), o processamento leva à degra-

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dação parcial das moléculas de amido. Por outro lado, sob condições mais suaves, em decorrência de quantidades mais elevadas de plasti- ficante, a fusão não é completa (Figura 4.8b). O aparecimento de um pico de viscosidade a aproximadamente 90ºC revela a ocorrência de gelatinização dos grânulos, que não foram fundidos durante o pro- cessamento. A maior viscosidade final para o material processado a 30 rpm mostra que, sob essas condições, a massa molar sofreu o me- nor decréscimo. Nesse caso, o fenômeno de retrogradação ocorreu com maior intensidade.

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