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Neste indicador foram analisados quatro aspectos considerados: existência de algum mecanismo/ instrumento interno criado para não financiar atividades degradantes ao meio ambiente; realização de fiscalizações ambientais próprias; punição a clientes por não cumprirem as normas ambientais e preferência em financiar projetos que possuam Responsabilidade Socioambiental, ISO 14.000 ou Gestão Ambiental.

No primeiro aspecto considerado observou-se que nenhum dos bancos públicos possui algum instrumento próprio criado para não financiar atividades impactantes, apesar de afirmarem o contrário. Todos possuem algumas medidas que vão desde normas internas até a criação de uma gerência específica que auxiliam no processo de tomada de decisão para a análise do projeto a ser financiado; mas se limitam à utilização de critérios previstos em lei e não criados pela instituição. Por isso não foram considerados na pontuação do índice.

O Banco do Brasil citou como mecanismos criados pela instituição critérios internos, políticas, normas, procedimentos internos e a adesão aos Princípios do Equador.

As Políticas e Normas reafirmam o cumprimento da LAB e destacam a importância de “[...] não assumir riscos de crédito com o cliente responsável por dano doloso ao meio ambiente”.

Os Procedimentos Internos também demonstram uma preocupação com o cumprimento da LAB, principalmente, no quesito manter os seus funcionários atualizados quanto às possíveis mudanças sobre a “[...] relação de atividades e empreendimentos agropecuários enquadrados nas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e Legislação Ambiental Estadual [...]” que dependam de licenciamento ambiental para funcionar. Estas informações são coletadas pelas Superintendências Estaduais

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e repassadas à Diretoria de Crédito que as compila e normatiza. Outro ponto de destaque nos Procedimentos Internos é a inserção de cláusulas contratuais que obrigam ao tomador de crédito cumprir a LAB em vigor, sob pena de ter o seu financiamento encerrado, para as operações com recursos do FCO17 e do BNDES18. E por fim a adesão aos Princípios do Equador que são utilizados em projetos da categoria Project Finance e onde o valor do financiamento seja igual ou superior a US$10 milhões.

Dentre os mecanismos citados acima, percebe-se que muitos condizem com a LAB, o que de certa forma é ótimo, pois demonstra que a instituição se preocupa em seguir a Legislação Ambiental vigente. Por outro lado, isto mostra que não há de fato um mecanismo ou instrumento criado pelo próprio banco para compor o processo de inserção da variável ambiental no crédito e sim, medidas que exigem o cumprimento da legislação por parte de seus clientes. Do mesmo modo, os Princípios do Equador não são mecanismos criados pelo

BB, mas uma ferramenta que auxilia na inserção da variável ambiental nos projetos de financiamento. Situação parecida foi observada no BNB e na CEF.

No Banco do Nordeste o Departamento de RSA citou diversos instrumentos internos como: o Manual de Operações de Crédito do Banco; a inserção de critérios socioambientais na elaboração e análise de projetos da instituição; o Caderno de Recomendações sobre o tratamento da variável ambiental no passo-a-passo do processo de crédito e a publicação de livros e manuais direcionados ao tratamento de questões ambientais. No entanto, a agência afirmou apenas a exigência do licenciamento ambiental e colocou esta exigência como um mecanismo criado pelo banco, para algumas linhas de crédito. A divergência nas informações sugere que a agência talvez não tenha acesso a estes instrumentos citados pelo Departamento de RSA ou que estes instrumentos não sejam prioridades para as suas atividades sendo, por isso, pouco acessados e consequentemente lembrados. Quanto à exigência do licenciamento ambiental para algumas linhas de crédito, houve um equívoco, já que este não pode ser um mecanismo criado pelo banco, pois consta na LAB como uma das exigências para determinadas atividades que venham a solicitar financiamento. Dessa forma, a instituição somente pode exigi-lo.

A agência da Caixa Econômica Federal afirmou que o mecanismo ou instrumento criado para não financiar atividades degradantes foi a Gerência de Desenvolvimento e Saneamento, mas para o seu Departamento de RSA é a exigência do licenciamento ambiental, apesar de também citar que esta exigência consta na LAB. Talvez

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Fundo Constitucional de Financiamento do Centro -Oeste

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neste caso tenha ocorrido algum problema de compreensão na pergunta. Quanto à criação da gerência citada, não se tem detalhes sobre sua função dentro da instituição.

Quando indagados se realizam fiscalizações ambientais próprias as agências do

Banco do Brasil e do BNB afirmaram que sim e que isto é feito através de profissionais especializados. A mesma pergunta realizada nos Departamentos de RSA apontou que as três instituições adotam esta prática.

As fiscalizações no Banco do Brasil podem se configurar como vistorias prévias a imóveis ou empreendimentos com a finalidade de verificar a “[...] ocorrência de emissão de poluentes no meio ambiente e de desmatamento sem programa de controle [...]” ou durante o curso da operação verificando-se “[...] a regularidade ambiental do empreendimento e a validade ou existência das licenças respectivas”. Elas são realizadas por profissionais especializados, dentre eles Agrônomos e Técnicos Agrícolas.

A especialização de um funcionário na área ambiental para a realização de fiscalização é um ponto positivo, pois pode trazer mais chances de um melhor monitoramento dos projetos financiados e aplicação de sanções quando necessário.

O BNB também realiza fiscalizações ambientais próprias, porém para a agência elas não são realizadas por profissionais especializados enquanto que para o Departamento de RSA sim, pois há profissionais com capacitações específicas na área ambiental para realizarem estes procedimentos. Mais uma vez percebe-se um problema de comunicação entre a agência e os Departamentos quanto a detalhes sobre as fiscalizações o que pode resultar no comprometimento no fluxo de informações entre agências e Departamento de RSA.

Por fim a Caixa Econômica Federal foi a única instituição que afirmou não realizar nenhum tipo de fiscalização.

Em relação a punições a clientes que não cumpriram as normas ambientais previstas, Banco do Brasil e BNB afirmaram que isto já ocorreu e que em alguns casos o cliente teve o seu financiamento suspenso.

O Banco do Brasil, através do Departamento de RSA afirmou que quando detecta a falta do cumprimento de algum critério estabelecido, em alguns casos, o cliente pode ser impedido de ter acesso ao financiamento até resolver sua situação. O BNB além de punir algum cliente com a suspensão do financiamento também já teve que acionar o IBAMA que multou o cliente infrator.

A CEF afirmou que não pune seus clientes após a contratação, porque no início do processo já exige o cumprimento da legislação. Caso isto não ocorra não há contratação.

As fiscalizações configuram uma importante ferramenta para se verificar o real cumprimento tanto da LAB quanto daqueles critérios exigidos por cada instituição. É com elas que o banco terá a certeza de que o seu cliente é um bom cliente e que não representará nenhum risco no futuro. Infelizmente, a CEF não as realiza, o que configura um grande risco tanto para a instituição quanto para a sociedade no quesito ambiental, já que é reconhecida como o maior agente nacional de financiamento da casa própria e consequentemente também responsável indiretamente pelo saneamento básico , resíduos da construção civil do entorno destas construções.

Outro ponto importante que se observou foi que a preferência por clientes com ISO 14.000, Responsabilidade Social ou Gerenciamento Ambiental somente está presente no

Banco do Brasil. O seu Departamento de RSA considera isto como um critério a ser aplicado em sua Avaliação Socioambiental de clientes e investimentos. O BNB afirmou que ainda estuda uma proposta para que esta preferência entre em vigor, já a CEF não a utiliza.

Apesar disto, os bancos citados possuem práticas de Responsabilidade Socioambiental, mesmo que sejam recentes. Talvez esta falta de preferência configure-se atualmente, pelo fato de que a exigência destes requisitos ainda seja nova no país já que não possui uma tradição ambiental, principalmente no empresariado. Porém, a preferência por estes requisitos daria fôlego para que mais empresas se interessassem por implantá-los em suas gestões.

Benzer Belgeler